Here's To Us
6 Capítulo Seis - Tell Him
Notas iniciais
Era estranho andar por aquele corredor. Kitty, Unique, Jake e Marley. Lado a lado. Conforme eles davam os passos em direção às suas respectivas salas de aula, os outros alunos nos corredores se assustavam e se afastavam, como se o mínimo olhar que mandassem a eles pudesse ser fatal. Kitty não suportava isso. Ela não era uma assassina e tinha plena certeza de que Unique e Marley também não eram. Quanto a Jake ela não podia dizer o mesmo... O problema com ele é que estava sempre tão calmo... Tão sereno. Finn foi assassinado e ele estava tranquilo. Agora Ryder havia sido morto e ele não pareceu nem um pouco abalado... Isso era suspeito.
Hoje era o dia dos depoimentos oficiais, onde todos estariam com as mentes vazias e melhores para poder dizer suas lembranças. Então, Kitty já previu o que aconteceria... O suor frio escorrendo pelo corpo. Pernas e braços inquietos nas carteiras. Unhas sendo roídas. Ansiedade. Nervosismo. Tensão.
Kitty analisava Unique e via nela uma expressão diferente. Uma apreensão diferente das dos outros quatro. Sua amiga não falara nada desde que chegara. Às vezes murmurava coisas para si mesma e estava sempre com a expressão desconsolada. Era como se ela estivesse em outra dimensão. Kitty se preocupou e perguntou a amiga o que estava acontecendo. Unique a olhou como se não a reconhecesse e depois de alguns segundos disse que estava tudo bem. Kitty resolveu não falar mais com ela durante o dia. “Ela está muito abalada emocionalmente”, pensou, “Deve ser por isso que está tão estranha”.
O dia se passou e, como Kitty imaginara, não aconteceu nada diferente durante todas as aulas. Apenas quatro olhares incessantes para o relógio da sala de aula. O sinal do término da aula soou e os quatro se levantaram rapidamente. Pondo suas mochilas nas costas e correndo em direção a seus carros para que chegasse mais rápido à Delegacia. Eles não estavam ansiosos para depor, estavam ansiosos para o momento em que aquilo tudo terminaria.
•••
– Eu já lhe disse tudo o que sei – Kitty falou. – E é praticamente nada. Eu não matei Ryder Lynn e você sabe disso!
– Olhe como fala comigo, posso te deter por desacato – ameaçou o Inspetor.
– Você só quer nos deter – ela falou. – É um daqueles policiais porcos e estúpidos que tem preguiça de cumprir com o trabalho corretamente e corre para o caminho mais fácil, que nesse caso é aterrorizar e acusar adolescentes inocentes pra que eles assumam algo que não fez assim você não perde mais tempo trabalhando e já consegue o condenado de que precisava – Assim que terminou de dizer aquelas coisas, Kitty se arrependeu drasticamente. Aquilo só atrapalharia a ela. “Por que você não consegue ficar de boca fechada, Srta. Wilde?”, pensou.
– Saia da sala agora, antes que eu resolva te prender... – ele ralhou com ela, entre dentes.
– Já era hora de enxergar que não fui eu quem o matou – ela disse. – Até logo, Inspetor.
E então ela saiu da sala. O alívio tomou conta dela. Kitty respirou fundo e se encaminhou a sala de espera. Ela viu o alívio no rosto de sua mãe, mas ao mesmo tempo o desespero no rosto de Unique. Que já se levantou pra ir à sala do Inspetor. Kitty a abraçou e disse que tudo daria certo, mesmo que não houvesse garantias disso.
•••
– Então... Você estava em casa no momento em que Ryder Lynn foi morto? – perguntava o Inspetor Gerard.
– Eu... Eu não sei – Unique respondeu. Ela não estava em seu melhor estado mental. Sua cabeça dava voltas em lugares e lembranças que nem ela mesma sabia se eram reais. Ela não sentia o coração pulsar dentro de si, era como se tivessem o arrancado. Então, porque ela ainda estava viva?! Afinal, qual o propósito de continuar respirando se aquilo que te faz viver já acabou?!
– Como assim, você não sabe? – ele perguntou. – Você não sabe ou não quer dizer?
Ela refletiu por um momento. Flashes se passavam em sua cabeça. Era um lugar escuro. Poucas luzes iluminavam ali. Seria um corredor?! Sim, era um corredor. O corredor do McKinley.
– Eu... Eu estava lá – ela disse chorando.
– Lá aonde?! – ele incitou.
– No Colégio – ela respondeu. – Eu me lembro daquele corredor...
– Você estava com algo nas mãos?! O que estava fazendo lá?!
Unique olhou para o Inspetor e viu algo. Não no Inspetor, mas atrás dele. No canto da sala. Era Ryder. Ele a fitava e balançava a cabeça negativamente. As lágrimas desceram com mais intensidade por seu rosto. Ela pôs a atenção em suas mãos. Não podia continuar encarando Ryder. Não enquanto ele acenava para ela e mostrava toda a repulsa pelo que ela o fez. Outra imagem da noite surgiu na mente de Unique. Algo pesado em suas mãos...
– Sim, eu segurava algo – ela respondeu, entre soluços. – Tem o formato de um... De um revólver.
– O revólver que matou Ryder, Wade?!
Ela não sabia responder. Ficou em silêncio por um tempo, pensando...
– O revólver que você ergueu e atirou duas vezes no coração de Ryder?! – ele falou. – Aquele que morreu segurando um pingente de coração com a sua foto?! Foi isso o que você fez Wade?! Matou quem te amava?!
– Eu... Eu não...
– Ainda vai ter coragem de dizer que não sabe... Que não se lembra... Você sabe que se lembra, Wade. Você sabe.
– Eu... Eu sei? – perguntou pra si mesmo, Wade. – Eu... Eu sei.
A lembrança veio a sua mente, ela erguendo a arma e atirando em Ryder Lynn. Ela havia o matado. Seu amor havia o matado.
– Você o matou, não matou?!
– Sim, sim eu acho que sim.
– Diga, Wade.
– Eu... Eu matei... – as palavras saíam de sua boca e o atingiam como facadas em seu peito. – Eu matei Ryder Lynn.
– Wade Adams – o Inspetor disse, olhando-o fixamente. – Você está preso pelo assassinato de Ryder Lynn.
•••
– O que é isso?! – Kitty gritou, ao ver Wade sendo algemado e levado pelos policiais. – O que estão fazendo, soltem-no agora!
– Wade está sendo preso, Srta. Wilde – Gerard falou. – Ele confessou ser o assassino de Ryder Lynn.
– Eu duvido seu canalha! – Kitty gritou. – Você deve tê-la incitado a confessar, isso é Obstrução da Justiça! Eu assisto PLL!
– Sra. Wilde – ele falou. – Por favor, leve sua filha daqui. Ela está muito alterada e estamos tentando evitar certos desentendimentos no momento.
– Não, mãe! Eu não vou a lugar algum! – ela falou. – Eu quero Wade de volta!
– Sr. e Sra. Adams, podem me acompanhar, por favor – disse o Inspetor Gerard, levando os pais de Wade com ele.
– Wade precisa ser solto. Ele não fez nada. E eu não vou descansar enquanto não vê-lo livre.
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