Here Without You
4 Capítulo 004 - Um tempo com Quinn.
Notas iniciais
Espero que gostem.
A semana havia sido longa para Santana, Kurt estava tendo sua última semana de trabalho e Rachel tinha apresentações todas as noites em NYADA, era um muscial independente criado pela classe da judia. Passar o dia todo sozinha naquele apartamento era incrivelmente chato, até mesmo passear por New York sem ninguém ao seu lado para desfrutar era chato. Foi por isso que naquela manhã de sexta-feira Santana decidiu pedir indicações a Rachel de como chegar em New Haven, a morena não foi capaz de prever que a latina planejava ir até Yale aquele mesmo dia.
A viagem de trem não durou pouco mais de uma hora. Santana estava convencida que os trens bala eram a melhor invenção do mundo e deviam ser vendidos em tamanhos menores e mais adequados para as ruas, eles teriam que substituir os carros um dia.
Santana? O que faz me ligando em uma sexta-feira pela manhã? — questionou a loira surpresa na linha.
Oi, Q. Também senti sua falta e é ótimo te ouvir após tanto tempo. — ironizou a latina rolando os olhos.
Você não sentiu minha falta. — Quinn enfatizou o não com tom de humor.
Claro que não. — concordou Santana abrindo um largo sorriso — Alguém já disse que você estuda demais?
Como é? — a voz surpresa de Quinn saiu um pouco mais alta.
Sim, fica estudando embaixo dessa árvore e essas roupas tão elegantes, parece alguma garota rica entediada com a vida em Yale. — zombou a latina.
Quinn podia jurar que aquela voz estava nítida demais para que estivesse ouvindo a latina apenas pela telefone. Santana rolou os olhos enquanto apoiava-se na árvore onde Quinn estava sentada em um banco mais a frente.
Ei, Q! — chamou Santana com a voz elevada e a loira, que encarava o nada com uma careta ao notar a ligação finalizada, virou-se e sorriu ao se deparar com a latina.
Ah, sua bitch! — vociferou a loira com animação saltando de seu lugar e indo até a latina que fazia o mesmo.
Conte uma novidade, Quinnie, uma novidade. — pediu Santana com diversão enquanto se envolvia em um abraço com a velha amiga.
Por que não me disse que viria? — perguntou a loira ao sair do abraço.
Era para ser uma surpresa. — a latina rolou os olhos e acompanhou a garota até o banco.
E foi. — Quinn sentou-se na direção a Santana que fazia o mesmo.
Lembrei que você já tinha a sexta livre e vim. Passei os dias inteiramente sozinha, Kase também estava ocupada. — a latina bufou.
Eu sou a sua última opção? — Quinn se fez de ofendida.
Sim, você é. — as garotas riram.
Vamos para o meu apartmento, daqui a pouco é o intervalo e os alunos ainda pendentes vão invadir esse lugar. — disse loira recolhendo suas coisas.
A latina deu de ombros e ajudou a velha amiga a pegar suas coisas. A caminhada até o apartamento de Quinn não levou mais que quinze minutos, tempo o suficiente para conversarem sobre coisas triviais e gargalharem.
Pelo skype parece tão grande. — disse Santana no centro do apartamento.
Pelas fotos que me apresentaram antes de alugar também parecia. — gritou a loira de seu quarto, logo saindo e indo em direção a geladeira pegar o que a amiga havia solicitado — Três comodos pequenos Santana, ideal para uma garota sozinha pagar.
Em Louisville eu tinha um três comodos, mas não parecia uma caixa de fósforo. — a latina dizia enquanto se deixava sentar sobre as almofadas no chão.
Era estranho como ninguém gostava de cadeiras ou sofáres em sua sala, mas ali ela não ficaria muito tempo, não tinha que reclamar. Mas não seria ela se não o fizesse.
Qual o problema de vocês com um sofá? — resmungou Santana causando a gargalhada de Quinn que sentava-se ao lado da latina.
Se colocar um único sofá ele me leva metade da sala. — disse a loira com diversão enquanto servia o suco que havia pegado na geladeira.
Eu ainda arriscaria ter um. — disse Santana.
Santana, cale a boca! — ordenou a loira e ambas garotas sorriram.
O silêncio se fez presente enquanto as garotas saboreavam suas bebidas. Não era um silêncio sufocante, era respeitoso, era visível sobre o que queriam falar e não conseguiam. Na verdade, sobre o que Santana precisava conversar com alguém próximo, uma de suas melhores amigas e que podia abraça-lá. Com Kase nunca chegaram a romper o limite confortável da distância.
Ela e Sam vão para a Califórnia, certo? — perguntou Santana focando seu olhar no copo sobre a mesinha.
Nada certo. Pelo menos na última vez que falei com Brittany, ela disse ter muitos planos e várias faculdades de dança que procuraram por ela ano passado voltaram a se mostrar interessados. — Quinn explicou com calma enquanto observava a latina.
Mas esse é o plano principal. — suspirou a latina.
Não era uma pergunta e ela não conseguia encarar Quinn. A loira deixou de encarar a amiga porque resultava impossível, não conseguiam manter aquela conversa se tivessem os olhos uma da outra sobre si.
Ela pode ir para New York. — dise a loira quebrando o silêncio e Santana a encarou surpresa, Quinn bufou sentindo o olhar queimar sobre si. Mas ela não falaria mais nada.
Ok, faça sua pergunta agora. — Santana voltou a desviar o olhar após alguns segundos. Quinn não iria prosseguir com aquilo e ela mesma não aprofundaria, poderia doer seja lá o que fosse ouvir.
Deixou de ama-lá? — a voz de Quinn parecia fazer um eco na cabeça de Santana.
Era a pergunta que a latina se fazia a todo momento desde que deixou Lima após ter rompido o relacionamento com a sua loira. Ao acordar. Ao ir deitar. Ao comer. Ao respirar. Ela se fazia a mesma pergunta desde que sentiu atração por uma garota que não fosse Brittany.
Não sei Quinn, nem consego responder isso a mim mesma ainda. — respondeu a latina de modo sério.
Então pode me explicar o que deu errado? — insistiu Quinn.
Me interessei por outra, Q. Por outra que não era minha Britt. Foi traição de qualquer modo. — a latina encarou a loira e só então Quinn pode ver as lágrimas surgindo nos olhos da amiga — E Sam estava ao lado dela. Ele era a droga da pessoa certa no momento oportuno. Tudo isso acabou saindo bem, soube o quanto ele ajudou ela a amadurecer e se tornar mais independente. Eu também cresci e deixei de ser aquela vadia idiota, pelo menos não sou mais totalmente aquela velha Santana.
Ainda não vejo como isso é suficiente pra você abrir mão da pessoa que ama. — disse Quinn de forma dolorida, doía ver sua amiga quebrada daquela forma.
Eu não queria. — Santana desviou o olhar para qualquer coisa, a vista embaçada pelas lágrimas não a deixavam ter certeza do que via — Pedi um tempo e tecnicamente foi Brittany quem terminou. Foi então que eu vi o quanto ela tinha crescido sem mim. E quer saber? — a latina limpou os olhos e voltou a encarar Quinn que acenou com a cabeça — Me apaixonei mil vezes mais por aquela mulher na minha frente. Mas eu não me sentia mais digna de ter ela pra mim, apesar de saber que ela me perdoaria, o que de fato aconteceu pois eu não passei de nenhum limite. O problema é só que tinhamos um pacto. — Santana suspirou tristemente enquanto limpava uma lágrima teimosa de seu rosto — Desde que assumimos o nosso namoro, eu havia feito a Brittany prometer que ela não se envolveria com mais ninguém, que isso não era mais certo, nem fisicamente quanto emocionalmente. Ocorreu com Rory, mas ela não o deu esperanças, ele apenas via algo que não existia.
Quando Santana se calou a loira se perguntava se devia aprofundar o assunto. Nos últimos meses a amizade se fortaleceu entre as duas garotas, Santana estava sozinha e quebrada, Quinn não estava tão diferente, mas ela já esteve muito sozinha e muito quebrada antes. Porém, a latina ainda ocultava muitas coisas da loira, muitos pensamentos, até detalhes e finalmente ela deixava algo escapar.
Deixar fluir ou insistir, Quinn sabia o que ela precisava fazer para a latina não voltar a travar.
E no seu caso? — questionou a loira de olhos avelã.
Eu envolvi alguém emocionalmente, Q. — a latina virou-se para a amiga e limpou a garganta — Mas eu não quero falar disso. — ela voltou a desviar o olhar.
Você ainda ama a Brittany, isso é claro. — disse a loira.
Ela está feliz agora, em um bom caminho. — Santana estreitou os olhos sobre as próprias mãos.
Vocês sofreram. — lembrou Quinn.
Mas crescemos. E antes de tudo sempre fomos amigas, não te digo que a amizade siga intacta. Porém, se um dia nos encontrarmos sei que essa amizade estará preservada aqui. — a mão da latina pousou sobre seu peito.
As lágrimas escorriam ferozmente agora, traçando caminhos molhados pelo rosto de Santana.
Eu não conseguia me perdoar Q, eu não conseguia ver as coisas como Brittany. Para ela o amor é maior que tudo, isso a torna tão especial e por isso eu não consigo me perdoar ainda. — mais lágrimas despencaram dos olhos escuros da latina — Tinha uma garota incrível em todos os sentidos e ainda assim me atrevi a sentir interesse em outras e flertar com elas quando deixava a necessidade me cegar. — Santana soluçou e abaixou o rosto — Sabe quando se ama alguém e faz algo tão ruim para ela que você não acha formas possíveis de se desculpar, mas ainda assim ela te perdoa?
A pergunta foi como um tapa para Quinn, a loira engoliu saliva e desviou a atenção que dava para a amiga e deixou seus olhos pararem em qualquer lugar. Não reclamou por Santana esquecer que vivia aquela situação tinham alguns anos.
Desculpa, eu sei que sabe. — Santana levantou o rosto e as lágrimas finalmente diminuiam.
Merda, Santana. Eu sinto tanto. — a loira se atirou nos braços da latina que se agarrou a amiga. Santana precisava disso, precisava sentir o consolo de uma das duas pessoas que ela permitia a verem assim. A outra infelizmente se encontrava em Lima e não podia ouvir seus lamentos.
E Quinn precisava daquilo também, se agarrar a sua melhor amiga e chorar. Pois sentiam a mesma dor, sofriam até dobrado uma pela outra.
Na época do McKinley, Santana e Quinn não podia ser consideradas melhores amigas por boa parte do tempo, foi no último ano que as coisas melhoraram consideravelmente. Quinn havia se perdido e Santana estava enfrentando os problemas de sua opção sexual, precisaram uma da outra e elas estiveram lá uma pela outra. Agora, dividiam segredos que mais ninguém sabia.
As garotas passaram o restante da manhã no apartamento se recuperando daquele momento emocionalmente, ou como brincou Santana, momento muito gay. Saíiam apenas para almoçar e passear por New Haven, Santana queria visitar algumas lojas e comprar qualquer coisa que fosse possível. A tarde parecia passar rapidamente e quando se deram conta já era hora da latina regressar, não que houvesse necessidade, mas ela não queria abusar da loira e seu muito pequeno apartamento.
Ser legal realmente está acabando com o meu estilo, se lamentava a latina mentalmente.
E como está sendo morar com Kurt e Rachel? — perguntou Quinn abrindo um sorriso escárnio.
Um pesadelo. Mas pra você seria quase um sonho se não tivesse o Kurt. — rebateu a latina e sorriu de modo vitorioso já que Quinn fazia uma careta.
Lembre-se de manter essa boca bem fechada quando falarem de mim. — advertiu a loira.
Falando em lembrar. Lembra do Brody? — perguntou a latina ampliando ainda mais seu sorriso. Quinn arregalou os olhos, aquele brilho maldoso riscava o olhar da latina.
O cara que estava interessado na Rachel? — a loira perguntou hesitante, Santana acenou com a cabeça — Pode falar. — permitiu que a garota contasse.
Ele é gay! — Santana ergueu as mãos no ar e gargalhou como se acabasse de fazer uma grande revelação.
O que? — indagou a loira ao encontrar sua voz — Impossível, ele e Rachel tiveram algo, eles trairam o Finn, de uma forma que só a orca pode garantir. — Quinn riu sem humor, a careta confusa estava em seu rosto enquanto se movia inquieta em seu lugar.
Traição, patético. — a latina bufou frustrada — Já tinham se separado, não foi traição. E sim, mas te recordo que tive muitos caras na minha cama antes de me encontrar. Você também.
Por Deus, Santana, feche essa maldita boca! — Quinn repreendeu a latina que gargalhou — Mas como descobriu isso?
Fim de semana passado fomos ver uma apresentação dele e um grupo de amigos, em um lugar chamado Blue's Home, acredita nesse nome? — o sorriso divertido de Santana fez Quinn rolar os olhos.
Santy, pare de me fazer sofrer! — suplicou a loira.
Ok, ok. — Santana riu um pouco — Estava nesse lugar um amigo de grupo dele, Simon se não me falhe a memória. Interagiam bastante e tudo era pretexto para se tocarem e rirem. Sabe, o mesmo que você faz com Rachel quando se encontram.
Santana! — vociferou a loira cansada, mas esboçou um lindo sorriso.
Um dia vai contar a ela? — perguntou a latina em meio as gargalhadas.
No mesmo dia que você voltar com a Britt. — Quinn provocou enquanto cruzava os braços.
Não dá mesmo para brincar com você. — a latina rolou os olhos e ambas garotas riram.
As garotas direcionaram a conversa para qualquer assunto parcial, que respeitasse suas fragilidades. A amizade das garotas não era só esse drama e desabafos, na realidade, até seus dramas serviam como piadas em horas como essas. Mas isso somente quando não estavam em meio a algum conflito e Quinn era a mais propensa a isso, portanto, dependia muitas vezes de Santana aliviar o clima. E ela o fazia bem. Porém, algumas raras vezes, bem raras, as coisas se complicavam para a latina. Sendo a vez então de Quinn tomar uma atitude pela amiga.
O celular de Quinn vibrou em seu bolso traseiro, a garota pegou o celular cortando a conversa com Santana que bufou. Os olhos avelã se arregalaram, a loira suspirou enquanto levantava o olhar.
É a Brittany. — murmurou Quinn.
Santana enrijeceu o corpo, a tensão se instaurava em cada átomo de seu corpo. Fazia algum tempo que não ouvia a loira de olhos azuis, nem que sabia dela ou a via. A última vez pareceu cortar sua alma. Brittany e Sam finalmente assumiam o romance quando todos os velhos amigos iam passar o feriado de quatro de julho na cidade natal.
Nada surpreendente para Santana que conseguia se informar de tudo através de alguns amigos, mas ainda assim dolorido para o seu coração tendo os dois assumindo para todos os amigos importantes.
Vou beber água... pode atender. — Santana acenou com a cabeça e abriu um minímo sorriso, Quinn concordou com a cabeça e a latina virou-se para se afastar rapidamente.
Porém, não foi o suficiente para não conseguir ouvir a saudação e o início da conversa.
Hey, Britt-Britt. Não, eu só estava com... com uma amiga. Hum... sim, com Santana.
Notas finais
@msluanamont
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