- Oi... Bom dia. — entrei em uma padaria daquela pequena cidade durante a amanhã, apreciando o aroma delicioso que saía dali.

O sol estava iluminando tudo, porém, o clima era gelido, e ainda sobravam floquinhos de neve pelas ruas largas. As árvores cobertas de gelo, dava um contraste na paisagem vazia que se encontrava naquele dia.

- Bom dia! — uma das atendentes respondeu sorridente. — Em que posso ajudá-la?

- Então, é que eu não sou daqui...

- Eu percebi. — a menina estreitou os olhos. — Qual sua nacionalidade?

- Sou brasileira.

- Ah, é um prazer. — ela debruçou no balcão. — Faz tempo que alguém do Brasil não aparece aqui.

- Eu... Gostaria de tomar um cappuccino. — indiquei sentando em uma das banquetas.

- Com açúcar ou adoçante? — levantou uma das sobrancelhas.

- Açúcar.

Observei todo espaço da padaria simples e pacata, sorrindo ainda sem acreditar que eu estava realmente ali.

- E então, o que veio em busca aqui na cidade de Bradford? — ela sorriu, enquanto preparava meu café.

- Eu... Vim a passeio. — gaguejei olhando atenta para ela.

- Entendi.

Ela não tocou mais em assunto algum comigo. Era realmente estranho uma jovem como eu, aparecer em uma cidade do interior de Londres, tão pequena, não era? Ela não tinha caído naquela. Colocou a xícara à minha frente, e eu logo beberiquei aquele delicioso líquido quente, o que me aqueceu, e me fez ter vontade de não desistir do meu objetivo.

- Na verdade... — resmunguei, subindo o olhar para ela. — Eu vim atrás de alguém.

- Quem seria? — ela sorriu olhando para mim.

- Ele já está meio esquecido...

- Por que? — fez uma careta.

- Zayn Malik. — respondi com um nó se formando na garganta.

- Ele é super conhecido aqui.

- É... — dei de ombros. — Imaginava... Mas já se passaram cinco anos... — suspirei. — Ele sumiu dos holofotes, como ele queria.

- Bom, eu acho que tenho uma boa notícia. — ela sorriu olhando para mim.

- Qual seria? — estreitei os olhos.

- Eu também era fã da banda quando eles estavam juntos. — pisquei desacreditada.

- Para ser sincera... Eu fui fã até quando eles falaram que sem o Zayn não ia dar certo.

- Pior dia da minha vida. — olhei para o balcão com os olhos marejados.

- Faz assim — ela olhou para trás. -, daqui dez minutos eu tô saindo do expediente, e aí vamos andar todas as ruas de Bradford, procurando ele.

- Tá. — me animei.

***

- Nessa nós já fomos. — risquei no mapa a rua que acabavamos de passar.

- Quase ninguém sabe onde os Malik moram. — Georgia bufou.

Georgia, esse era o nome dela. Estranho? Coincidência? Não sei, mas meu nome é Diana. Meras coincidências. Andamos até uma doceria grande, e emtramos, dando de cara com um garoto que conversava com outras duas meninas. Uma delas era quase da minha idade, outra, era um pouco mais nova e o garoto parecia ser mais velho. Ele virou-se e sorriu perfeitamente com os dentes brancos, enquanto andava para o balcão.

- Em que posso ajudá-las, belas moças? — jogou uma bala de morango em mim, e eu agarrei, rindo da atitude.

- Estamos em uma busca meio... Peculiar. — ri, encarando Georgia.

- Pois não? — falou estranhando.

- Você lembra daquele membro da One Direction, que há cinco anos atrás deixou a banda, e meses depois a banda acabou? — arrumei os fios do cabelo.

- Ah cara...

- Diz que sim! — Georgia implorou.

- Eu sei quem é... — ele deu de ombros. — Vocês estão procurando por ele aqui rm Bradford?

- Sim. — rolei os olhos.

- Não sei onde ele se esconde não. — riu. — Ele sumiu mesmo depois que saiu da banda, sinto muito.

Senti uma lágrima de dor e tristeza escorrendo pelo meu rosto. Não iria adiantar de nada aquela viajem? Estava tendo sensações ruins por todo meu corpo, sentindo que, realmente, minha vida tinha acabado naquele ano de 2015. Senti uma mão magrela no meu ombro, e encarei os olhos claros da menina que tinha o feito. Os cabelos longos e escuros escorridos, contratavam com a pele clara e os olhos azuis, junto com o sorriso braco.

- Oi? — enxuguei a lágrima rapidamente.

- Não chora. — ela sorriu, vendo a outra garota chegar perto dela.

- Que foi? — a outra encarou-me atenta.

- Sabe... — a menina de olhos claros sorriu. — Seu dia de sorte é hoje.

- Você é do Brasil? — a outra perguntou.

- Sim. — arregalei os olhos. — Como sabe?

- Tem cara. — riu, e eu acompanhei.

- Mas por que é meu dia de sorte? — questionei.

- Mudamos tanto assim?

A mais velha sorriu melhor para mim, e minha ficha caiu. Era miragem ou algo do tipo? Eu realmente não estava acreditando. Eram elas. Era Waliyha e Safaa, as irmãs mais novas do Zayn.

- Céus! — fiquei um pouco nervosa. — Vocês estão muito diferentes! Como cresceram!

- Não podemos dizer o mesmo! — Safaa riu. — Mas qual seu nome?

- Diana. — me apresentei. — Essa é a Georgia. Conheci ela hoje.

- Uau. — Waly sorriu, e segurou o pacote de biscoitos que ele havia comprado.

- Vamos sair daqui? — Safaa ofereceu.

- Pode ser loucura minha, mas querem ir lá em casa?

- Seria ótimo! — abri o maior sorriso possível.

***

Observei a linda casa amarelada a minha frente. Era enorme, e bem decorada apenas do lado de fora, do lado de dentro, no mínimo era o paraíso. Fomos convidadas a entrar, e assim fizemos. Havia uma area de piscina, e aos fundos — onde as meninas estavam nos levando — tinha uma mesa preparada de café da tarde.

- Trouxeram os biscoitos? — ouvi a voz de uma mulher vinda das portas do fundo da casa, e logo ela se materializou na minha frente. — E vi que não foi apenas os biscoitos.

- Mom, essas são Diana e Georgia. — apontou para nós e abrimos um sorriso.

- Eu sou daqui. — Georgia pronunciou. — Diana é do Brasil.

- Que máximo! — ela sorriu, ainda toda linda, como sempre havia sido. — A que devo a honra?

- Mãe, ela era fã da One Direction.

- Era? — ela olhou tão carinhosa pra mim, que minha contade de chorar aumentou.

Conversa vai e vem, não toquei no assunto que eu tanto almejava, mas esperei com paciência. Sabia que a hora ia chegar. Era lindo como eles se tratavam ali, era coisa diferente e parecia comercial de margarina. Até que resolvi começar a perguntar.

- Trish, e a Donyah? — beberiquei mais um pouco do meu chá.

- Ela se casou, querida. — disso eu sabia. — Está morando na Irlanda.

- Ah, que ótimo. — sorri.

- E o Yasser?

- Papai está dormindo. — Waly revirou os olhos.

Fiquei em silêncio. Seria a primeira vez, a perguntar concretamente a alguém sobre ele. Seria diferente, pois dessa vez, as notícias seriam reais, e eu estava ansiosa por isso.

- E ele? — mordi o lábio, respirando fundo. Ela sorriu, e segurou minha mão, olhando no fundo dos meus olhos, o que me fez soltar algumas malditas e teimosas lágrimas.

- Ele está ótimo, meu bem. — falou baixo. — Ele está cada dia mais lindo e mais responsável sobre si mesmo. Ele não é mais aquele garoto... Ele é um homem agora, mas não deixou de ser o meu garotinho e tenho certeza, que também não deixou de ser o seu garoto, porque os seus olhos me dizem tudo.

- Nos primeiros dias, eu surtei. — olhei para o chão. — A sensação foi devastadora, e um buraco ficou aberto no meu peito. Mas eu sabia que ele merecia aquele espaço, por isso, o que eu fiz, foi apoiá-lo, e ao mesmo tempo, me manter forte. — procurei por mais palavras. — Sempre entendi os motivos dele, de querer ser um cara normal, de querer uma vida tranquila e natural como qualquer garoto tem. Sempre entendi, que a pressão que botavam ele, incomodava ele profundamente.

"Eu sabia que ele não era contente com tudo aquilo em cima dele, por ele ser um cara fechado, tranquilo e na dele. — dei de ombros. — Eu nunca queria que aquilo tudo tivesse acontecido, mas depois de pensar tanto, na época, encontrei os reais motivos para tudo aquilo ter acontecido. Mas acredite, a dor continuava contínua, e ela prevalece até hoje."

"O mais difícil, foi ter que imaginar, que nunca mais iria poder vê-lo novamente, só naquele show que teve no Brasil em 2014, mas mesmo longe, eu consegui ver os cinco unidos e se divertindo. — sorri, sentindo mais lágrimas. — Aquele foi o melhor dia da minha vida, e eu ainda sinto a chama acesa dentro de mim. Sinto tanta falta de tudo. Cada lágrima... Cada citação de amor que eu fazia para ele nas redes sociais, coisas que eu ainda faço, mas ele sumiu..."

- E por que você não fala isso pra ele mesmo? — ela sorriu.

Estranhei.

- Acredite, aqueles shows no Brasil, foram lindos, eu amei. — ouvi uma voz masculina atrás de mim. — E o que mais me admirou e ainda me admira, é a loucura das fãs brasileiras, porque acabo de ver uma que atravessou o Atlântico para procurar o cara que abandonou ela.

Não aguentei mais nenhum segundo. Saltei da cadeira, e olhei o homem que estava atrás de mim. Ele estava com calças pretas e uma camisa branca com as mangas dobradas. Os sapatos pretos estavam bem ilustrados, e o cabelo bem cortado, jogado para trás. Nada de cabelos malucos, nada de pessoas malucas. Ele era uma outra pessoa. A razão da minha vida, estava há alguns passos... Por isso tratei de acabar com tudo. Larguei-me em seus braços, soltando o choro de cinco anos que estava atrasado. Aquele era o paraíso ou o melhor sonho da minha vida. Eu queria tanto falar algo, dizer algo, mas as lágrimas não deixavam. Elas estavam constantes em meu rosto, e seus braços, envolviam minhas costas carinhosamente, fazendo um leve afagar.

- Eu senti falta disso. — senti um beijo dele nos cabelos. — Mimo de fã.

- Eu amo tanto você. — falei entre meu escândalo.

- Depois de cinco anos? — riu sarcástico. — Depois que quebrei seu coração, saindo da banda daquele jeito?

- Não importa o que passou, eu sempre te amei. — respondi não me importando com as desculpas dele. — Desde a primeira vez que eu vi você cantando What Makes You Beautiful.

- Você sabe que...

- Sim, sei que One Thing foi antes. — sorri ainda chorosa. — Mas eu me apaixonei por você ali.

- Você é louca. — ele apertou minhas bochechas. — Garota insana.

Agarrei-o de novo e ele riu, junto com as outras risadas atrás. Foi quando pelo seus ombros, vi um grupo entrando pelo quintal. Mas aquilo não podia ser... Verdade? Aquilo era miragem... Ou?

- Estamos de férias de... Nada. — ele riu. — Nós não fazemos mais nada mesmo... Então temos visita.

- Por Deus! — ri de mim mesma. — Você se improta se eu...?

- Não, magina. — deu de ombros. — Se você voltar pros meus braços com esse abraço aconchegante depois, eu não me importo. Desfiz de seus braços, e corri na direção do Liam, agarrando seu corpo sarado e mais velho, fazendo ele tomar um susto, mas depois rir, e retribuir meu aperto. Abracei um a um, Louis, Niall e Harry, vendo como eles haviam crescido tanto fisicamente e mentalmente.

Niall estava moreno, mas os olhos como sempre azuis congelantes. Vestindo uma roupa simples, nunca deixando aquela mania de roupas simples.

Louis havia adquirido o topete da Take Me Home Tour novamente, mas as roupas, haviam mudado. Usava uma jaqueta jeans e uma camiseta normal, e as calças iam compridas, rentes ao sapatenis.

Liam, como sempre apaixonado por tênis diferentes e calças caídas, aquele definitivamente era o mesmo, usando aquele boné vermelho, camisa xadrez, jeans e camiseta regata branca. Meu mundo podia acabar ali, que eu morreria a pessoa mais feliz do mundo.

E Harry usava roupas mais sérias, sem botas ou chapéus, havia finalmente criado o próprio estilo e esquecido do que usava antes. Ou fora obrigado pela vida, ou havia visto que tinha "crescido".

***

- Summer Love! — gritei arrancando risadas.

- Can't believe you're packin your bags. — Zayn começou. — Trying so hard not to cry. — fez uma pausa me fazendo careta. — Had the best time and now it's the worst time, But we have to say goodbye.

- Don't promise that you're gonna write. Don't promise that you'll call. — Harry continuou. — Just promise that you won't forget we had it all...

- Cause you were mine for the Summer, now we know it's nearly over. — eles começaram juntos e minhas lágrimas desciam, junto com as de Georgia. — Feels like snow in September, but I always will remember! — olharam para nós e sorriram. — You were my summer love You always will be my summer love!

- Wish that we could be alone now If we could find some place to hide. — Louis piscou para nós enquanto cantava. — Make the last time just like the first time Push a button and rewind.

- Don't say the word that's on your lips, don't look at me that way! — Liam fechou os olhos. — Just promise you'll remember, when the sky is grey!

- ZAYN! — Liam gritou.

- So please don't make this any harder, we can't take this any further, and I know there's nothin that I wanna change, change... — Zayn fechou os olhos e colocou a mão sobre eles, declarando as lágrimas que escorreram

- Cause you were mine for the Summer, now we know it's nearly over. — Niall cantou sozinho, sendo observado por Louis que ria. — Feels like snow in September, but I always will remember.

— But I always will remember! You were my summer love, you always will be my summer love. — todos cantaram em unissono, e assim, deixei o desespero tomar conta de mim.

A única coisa que eu queria para todo o resto da minha vida, é que eles fossem sempre assim... Humildes e eles mesmos. Se cada um tomou um caminho diferente — Harry virou ator de cinema de Hollywood; Louis começou trabalhar como técnico do time de futebol de Doncaster; Niall entrou para uma banda, e está seguindo como guitarrista, um dos melhores; Liam está trabalhando em uma multinacional, em prol de crianças com câncer; e Zayn seguia escrevendo músicas para outros artistas, para si mesmo, porém ficou sumido.
Eles estavam felizes, mas era óbvio que sentiam faltam deles mesmos, sentiam falta da banda e sentiam falta de um amigo sempre ao lado, as 24h. E o que mais incomodava neles, era a saudade da vibe, da fama, e das fãs loucas, gritando estericamente pela banda de anos atrás. Depois de limpar as lágrimas, encarei os cinco e abri meu melhor sorriso, um pouco tímido mas forte.
— Diana? — Harry chamou e eu o encarei. — Adoramos o seu nome!
— Eu sei! — revirei os olhos sorridente.
— A ideia foi minha! — Niall levantou a mão.
— E Georgia? — Zayn riu.
— Foi minha, confesso! — Harry deu de ombros.
— Ah, que meigo! — Georgia riu, mordendo o lábio depois.
— O que mais sinto falta é da bagunça do ônibus. — Liam deu de ombros. — Das notas altas do Zayn também. — riu, encarando o amigo. — E vocês?
— Eu sinto falta das minhas botas brilhosas e meus chapéus! — Harry levantou a mão.
— Tinha que ser. — zombei.
— Eu sinto falta... — Louis olhou para o nada. — Sinto falta dos palcos.
— Eu sinto falta dos tombos do Liam, sem duvidas! — Zayn levantou a sobrancelha.
— Ei! — Liam reclamou.
— Qual é? — o outro riu. — Cala boca, eu sempre te levantava cara!
— Eu sei. — respondeu sereno. — Você sempre nós apoiava, nos sempre te apoiamos. Estavamos sempre pra você e você por nós. Todos.
— Sinto falta da One Direction. — reclamou Harry chateado.
— Sinto falta das tours. — Niall replicou.
— Sinto falta das nossas roupas de garotões! — Louis riu de si mesmo.
— Sinto falta das nossas palhaçadas antes e durante e depois do show. — Liam sorriu, encarando o chão.
— Eu sinto falta... — Zayn suspirou. — De vocês. Das fãs.
— Eu senti tanta falta disso, Deus sabe como... — comentei toda chorosa também. — Mas ei, eu lembro que quando fui assistir o primeiro filme, This Is Us, no dia 20 de agosto, lá no Brasil, vocês disseram que quando se passassem 30 anos, vocês iam voltar e fazer o último show da vida, juntos... Eles se entre olharam. — Falta apenas vinte anos... — abri meu maior sorriso. — E eu quero estar na frente do palco, ouvindo Torn e Forever Young
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