Uma corrente de ar repentina soprou atrás de min. Eu me virei e ela estava ali, me fitando com seus olhos tão azuis que pareciam feitos de gelo, sua espada, Morte Negra, tinha lamina apontada para a meu peito, ela recolhia as enormes asas negras:
–Então, decidiu ver a desgraça do seu povo com seus próprios olhos Selyna?- Perguntei a minha ex-namorada.
–Vim avisa-lo que não devia ter vindo Ian- ela respondeu abaixando a espada.
– Você provocou isso, veja o que você fez- apontei para o campo de batalha, a prole de Apolo disparavam chuvas de flecha douradas sobre os inimigos, mas não surtia muito efeito contra armas de fogo.
–Eu... Não queria- ela disse hesitante.
–O que você tem a dizer traidora? Diga antes que eu perca a paciência- disse ignorando o gosto azedo das palavras.
–Essa batalha é uma isca, eles estão atacando Nova Grécia- aquelas palavras me atingiram como um punhal.
Não tinha certeza se devia acreditar nela, ela avia abandonado Nova Grécia, ela havia me abandonado, parte de min queria levantar a lança e enfrenta-la, mas outra parte ainda via ela com os mesmos olhos de 2 anos atrás em Nova Grécia, olhos que ainda viam ela como aquela misteriosa filha de Thanatos por quem eu havia me apaixonado, não sabia se poderia confiar nela de novo. Eu não podia me dar o luxo de fazer a escolha errada. Eu não acredito no que eu vou fazer:
–Recuar! Voltem para Nova Grécia- Gritei para as tropas.
Todos obedeceram ao comando sem hesitar. Ultrapassamos os limites em meio a uma batalha, soldados humanos lutavam contra os semideuses que ficaram de guarda, as herdeiras da deusa do amor lutavam em carruagens puxadas por pombas brancas raivosas que bicavam os olhos dos soldados, o impressionante era que elas não usavam armaduras normais usavam roupas de grife que, graças ao poder delas, as protegiam dos projeteis lançados pelos humanos, no centro do pelotão rosa Pink das filhas de Afrodite estava Hellie, a líder delas, que estava montada em um garanhão branco lutando com uma espada que reluzia a luz da lua:
–Hellie- Chamei.
Ela usava um vestido púrpura, seus cabelos castanhos cacheados caiam sobre suas costas:
–Que bom que vocês chegaram- ela disse.
–Semideuses protejam nosso lar- Gritei para as tropas.
Avancei em direção aos humanos cravando minha lança nos soldados que estavam destruindo minha cidade, ao longe vi uma menina não muito alta de cabelos escuros com um vestido estilo grego lutando com um soldado que era bem maior que ela. Ela não era uma das pessoas de que eu mais gostava, mas fazer o que ela ainda é uma semideusa. Concentrei-me no soldado e um raio saiu da minha mão e eletrocutou o soldado humano:
–Eu estava conseguindo sozinha- reclamou Annie uma das filhas de Afrodite.
–De nada- gritei em resposta.
A batalha tinha destruído metade dos edifícios de Nova Grécia, somente poucas construções q continuavam intactas. No alto de uma colina avistei o templo do meu pai, Zeus deus do céu, dos raios, trovões e tempestade. A estátua de mármore do senhor do Olimpo estava me observando do alto de seu pedestal de pedra, em minha mente eu ouvi a voz de meu pai “ Você sabe o que fazer meu filho, proteja o lar, proteja sua família”, Realmente eu sabia o que fazer só não sabia se eu estava pronto para isso mas não tinha tempo para me perder em pensamentos, me concentrei no céu escuro da noite, cobrindo todas as cabeças dos que viviam na Terra, senti seu poder, canalizei, uma onda de energia atingiu meu corpo e com um estrondo, do céu irrompeu uma tempestade elétrica que afugentou as tropas humanas. Eu ouvi os gritos de comemoração de meus companheiros, então pontos brilhantes dançaram ao meu redor e o mundo escureceu.
Minha alma foi levada para uma dimensão diferente, construções de mármore erguiam-se na encosta de uma majestosa montanha, planícies verdejantes, límpidos riachos e florestas sinuosas preenchiam a área em volta e ao longe via-se uma linha azul, que devia ser o mar. Aquele lugar era familiar, eu estava na terra de meus ancestrais. Eu estava no Olimpo.
Vi divindades andando pelas ruas, todos pareciam despreocupados, como se não soubesse que seus filhos e filhas estavam em perigo ou mortos:
–Ian!- um homem de cabelos compridos e brancos estava me chamando.
Ele estava vestido com uma túnica verde da mesma cor de seus olhos, tinha um sorriso familiar no rosto, um sorriso que eu não via desde que os humanos levaram Sophie para longe:
–Você é Poseidon, pai do Adrian e da Sophie- eu disse ao deus do mar
–Sim, como ele está?- Ele tinha um olhar de preocupação nos olhos verdes.
–Ele... Ainda não desassistiu de encontra-la- eu disse.
Quando Sophie chegou a Nova Grécia ela e o irmão mais novo estavam muito feridos, após se recuperarem ela se tornou a representante no conselho dos filhos de Poseidon, ela e o irmão eram muito ligados, ela o treinou e ensinou a ele tudo o que ele sabe, mas ela desapareceu em uma batalha, Adrian nunca mais foi o mesmo, ele quis organizar uma missão de resgate mas era perigoso de mais, então ele apelou para poderes divinos, todo dia antes do sol nascer ele subia ate o templo de Apolo consultar o deus das profecias. Poseidon soltou um suspiro:
–Mas não foi para isso que eu vim- começou o senhor das ondas- Seu pai quer falar com você no palácio principal.
–Obrigado... tio- disse ao meu tio superpoderoso.
Caminhei em direção ao ponto mais alto da cidadela onde uma imponente construção estava erguida. As enormes portas de ouro estavam na minha frente, havia muitos anos que eu não via ou falava com meu pai, isso só me deixava mais nervoso.
Abri devagar as enormes portas, que revelaram o interior de um enorme apartamento igual ao que eu morava com a minha mãe antes de tudo acontecer, tudo estava apagado exceto por uma luz que vinha do corredor. Seguindo a claridade deparei-me com uma enorme biblioteca, estantes abarrotadas de livros cobriam as paredes, no teto constelações se moviam, vi a constelação de Touro fugindo da de sagitário que tentava, sem sorte, acerta-lhe uma flecha estrelada:
–Ian — Virei na direção da voz, um homem de meia idade me fitava com intensos olhos cinza.
–Pai?- Perguntei. O homem vestia calças caqui, sapatos de bico fino, uma camisa de botões azul escura, seu cabelo era grisalho assim como a curta barba:
–Você se parece com a sua mãe- Disse Zeus.
Eu não gostava de lembrar da minha vida antes de Nova Grécia, eu vivia isolado, as outras crianças não queriam estar perto de um semideus, elas tinham medo de min, medo do que eu podia fazer. A alguns anos atrás, quando eu tinha 7 anos, o mundo ficou com tanto medo da que nós, os filhos do Olimpo, e medo do que podíamos fazer que resolveram nos exterminar, semideuses estavam sendo mortos nos quatro cantos do mundo, quando vieram atrás de min minha mãe orou para meu pai para que ele me deixar seguro, ela foi morta por não contar onde eu estava. Eu fui criado no Olimpo pelo meu pai e os outros deuses, quando eu fiz 12 anos disse ao meu pai que queria ajudar os semideuses que ainda estavam na terra, então ele e os outros deuses construíram Nova Grécia, um refugio onde poderíamos viver nossas vidas em paz e assim ocorreu até que Selyna foi embora:
–Porque você me trousse aqui?-Perguntei ao senhor do Olimpo.
–Vocês precisam de ajuda, não vou deixar mais nenhum semideus ser morto- Zeus disse.
–Mas não existe outro lugar seguro além de Nova Grécia, e lá não é mais tão seguro assim- Eu disse lembrando-me de todos os meus amigos mortos- Porque vocês simplesmente não nos salvam? Afinal você é um deus.
–Nos não podemos mais interferir na Terra, quando os humanos pararam de acreditar em nós, deixamos de influenciar no mundo terreno -Disse o deus do trovão- Existe apenas um lugar seguro agora.
–Você quer dizer... — eu já imaginava a resposta.
– O Olimpo é claro- o senhor dos céus disse como se fosse a coisa mais normal do mundo- volte logo para casa filho.
–Mas... — Mal eu terminei de fala e eu voltei para o mundo mortal.
Acordei deitado em uma maca no que restava da enfermaria de Nova Grécia. July, a filha de Apolo responsável pelos feridos, estava cuidando dos outros:
–vejam só quem acordou- Ela disse ao me ver tentado me sentar na maca. Seus curtos cabelos loiros estavam bagunçados e seus óculos sujos.
–O que eu perdi?-perguntei.
–Nos três dias que você ficou apagado, não aconteceram ataques, acho que os humanos estão se recuperando também, depois daquela tempestade- ela disse — O conselho vai se reunir é melhor você ir se preparar.
Sai da enfermaria, fui andando entre os destroços de grandes colunas de mármore. O lar dos filhos de Zeus, que no caso sou só eu, era basicamente uma construção de mármore com colunas rodeando, uma fileira de estátuas de águias de ouro levam até o jardim nos fundos, as portas de carvalho tinham entalhes de nuvens de tempestade com raios. Abri as portas, no interior uma sala com um enorme sofá e uma televisão de tela plana de 45 polegadas que flutuava magicamente, um domo de vidro no teto que sempre mostrava um céu de tempestade, uma leve brisa corria pelo corredor que levava ao meu quarto, eu não tinha notado que eu estava sem a armadura (a culpa não é minha, as coisas estão muito corridas), eu não estava achando ela:
–Ventres Vernix- gritei o comando.
A brisa tornou-se mais forte e foi tomando a forma de um homem de meia idade vestindo uma toga grega cor de creme:
–Sim milorde- Venti, o espírito do vento que me servia.
– onde esta minha armadura?
– Os filhos de Hefesto a levaram senhor, ela deu perda total- sua voz soava calma.
–Como assim perda total?
–Você foi atingido por um relâmpago, cabeça de vento- disse uma voz vinda da porta- a porta estava aberta.
Vincent, filho de Hefesto, estava parado com uma caixa, ele vestia um avental de couro de ferreiro por cima de uma camisa esfarrapada sem manga, deixando a monstra os braços fortes, um jeans surrado, seu rosto estava sujo de graxa:
–Eu encontrei isso hoje de manha nas forjas- disse ele tirando uma armadura nova, recém- polida, de dentro da caixa.
No fundo da caixa avia um papel com um raio dourado desenhado. Aquele era um presente do meu pai. Zeus não costuma me mandar presentes, o ultimo que eu ganhe foi no inicio da guerra durante uma batalha, minha espada tinha sido arrancada de minhas mãos por um humano, ai um raio atingiu o chão a minha frente e ali esta ela fincada no solo, uma lança de ouro capaz de redirecionar relâmpagos, desde então, sempre que eu preciso dela ela se materializa:
–Mais alguma coisa milorde?-Perguntou Venti.
–Não obrigado, já pode ir- eu disse a ele que se dissolveu em uma rajada de vento.
–Ele me assusta- disse Vincent.
–Cara você tem medo do Adrian, de um espírito dos ventos e o ultimo eu preciso comentar?- perguntei.
– Do Adrian eu tenho medo é porque ele é imprevisível, desse espírito dos ventos porque simplesmente o acho macabro de mais, e o ultimo... como você ficou sabendo?-tentou explicar-se Vincent. Vincent tinha uma queda pela líder das filhas de Atena, Myllis, que ele achava que era secreta, mas ela avia descoberto recentemente via filhas de Afrodite:
–Esquece, é melhor você ir, temos uma reunião do conselho hoje- disse eu mudando de assunto. Ele tentou protestar, mas acabou indo sem mais discussões. Tirei minha nova armadura da caixa, ela era prateada com um relâmpago em alto relevo cruzando o peitoral, nas costas asas de uma águia que eram muito realistas. Coloquei minha nova armadura.
Fale com o autor