"A felicidade é um problema individual.
Aqui, nenhum conselho é válido.
Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz."
(Sigmund Freud)

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Era hora de se despedir, de começar uma nova vida, longe dos holofotes e de qualquer confusão. Rey encontrou Finn e Poe em seu caminho, e o olhar dos amigos carregavam uma certa incerteza ao mesmo tempo que compaixão, ela não podia simplesmente ignorar.

Ela deu um leve sorriso de lado quando Finn encontrou seus olhos. Havia um frio na espinha sobre não saber exatamente o que esperar, sobre a expressão esquisita de ambos, mas quando chegou bem perto, Finn a envolveu em um abraço apertado aliviando sua tensão.

"Rey!" Ele sussurrou. "Que bom que está bem."

Ela sorriu retribuindo o abraço enquanto Poe observava ao lado. Assim que se soltou dos braços do amigo ela se dirigiu ao piloto.

"Poe, sei que não tivemos muito tempo para nos conhecer, mas quero que saiba que serei eternamente grata por tudo que você fez por Kira. Você foi uma família para ela quando ninguém mais foi, e eu sei o quanto ela gosta de você!"

"Kira é muito importante para mim também, Rey, e não precisa me agradecer, eu faria tudo exatamente da mesma forma de novo." Ele sorriu de lado.

"É loucura, não é? Quando eu poderia imaginar que no final de tudo você e Kylo Ren-" Ela interrompeu Finn com um pigarro seguido de um olhar. "Você e... Ben Solo tinham uma filha. Como pode ter perdido a memória desse jeito?" Indagou.

"Snoke era muito poderoso e persuasivo, Finn. Passei anos em Jakku acreditando ter sido abandonada enquanto a família que eu tanto esperava estava em um lugar onde nunca imaginei procurar." Ela sorriu de modo tímido. "Fico feliz que tenha compreendido minha história." Ela baixou o olhar.

"Não digo que não me assustei de início. Sinceramente, não entendi o que você tinha na cabeça para se envolver com alguém como ele." Ele revirou os olhos e um riso saiu da garganta de Rey. "Mas não escolhemos quem amamos."

"Ben Solo não foi Kylo Ren desde o princípio, meu amigo." Finn concordou com a cabeça. "Escolhas ruins podem ser tomadas por qualquer um de nós."

"Tio Poe!" Ouviram um grito estridente e fino vindo por trás. Quando Rey se virou, Kira corria na direção deles para se jogar no colo do piloto enquanto Ben vinha seguindo com Jacen dormindo em seu colo.

O homem sorriu para a esposa e ao chegar ao seu lado a envolveu pela cintura enquanto ela se posiciona para acariciar a cabeça do bebê.

"Quero apresentar a vocês o nosso menininho. Este é Jacen!" Ela sorriu ao apresentar o bebê e Finn se aproximou. "Jacen, estes são Finn e Poe!"

Havia um certo desconforto ainda entre os rapazes e o marido de Rey. A situação era delicada, afinal, Ben Solo em sua função de mestre dos Cavaleiros de Ren chegou a tornar Poe seu prisioneiro e não mediu esforços em referir-se a Finn como um traidor por muito tempo.

Tudo precisava ser ajeitado e aos poucos estava indo. Finn, Poe e Ben não eram amigos, talvez nunca seriam dado às circunstâncias, mas o que podiam fazer agora era se respeitar. Afinal eles tinham algo em comum, eles se importavam com Rey e haviam de respeitar suas escolhas tanto em relação a amizades quanto ao amor de sua vida.

E depois de tudo, Ben era grato aos parceiros por terem cuidado tanto de sua filha quando ninguém mais esteve presente. Se não fosse Finn, talvez Kira tivesse sido realmente morta no vilarejo em Jakku, e se não fosse Poe, bem, talvez ela nunca teria se sentido acolhida e tivesse perdido as esperanças há muito tempo.

"Estamos indo para Gesin." Disse Rey. "Reconstruiremos nossa vida por lá."

Finn deu um leve sorriso de lado.

"Sentirei sua falta, Rey." Ele se aproximou e a envolveu novamente num abraço.

"Sabem que podem nos visitar sempre que quiser." Ela segurou as mãos de Finn. "Obrigada por tudo, meu amigo! E principalmente por não ter desistido!"

Por fim ela o viu aproximando-se de seu filho e analisando-o enquanto tentava fazer algum contato. O nenê sorriu para os amigos enquanto eles tentavam chamar sua atenção, e Rey agradeceu ao Universo por tantas almas boas ao seu redor.

Estava na hora de ir, oficialmente. Mas ainda havia um lugar por onde eles precisavam passar. Um lugar que eternamente estaria na memória de Kira e Rey. Ben co-pilotava a millenium falcon ao lado da esposa. Sua herança agora. Não havia o que se fazer com ela então nada mais justo que se tornasse o transporte da família. Leia fez questão de presentear Ben e Rey com ela.

Assim adentraram a órbita do planeta arenoso, todo bege e cálido, de longe inóspito. Jakku. O lar de Rey e Kira por alguns anos. E havia um lugar em particular, o entreposto de Niima, era lá que queriam chegar.

Rey respirou fundo quando chegaram ao solo e logo percebeu os olhares dos arredores de Niima sobre ela. Renesmy vinha de mãos dadas com Kira ao seu lado, enquanto o bastão estava em sua outra mão. Ben veio logo atrás depois de deixar o bebê com Dana e Luke na falcon. Afinal, também iriam para Gesin.

Foi então que ela avistou Unkar Plutt resmungando de alguma coisa como sempre enquanto maltratava um grupo de crianças.

ele mamãe." Disse Kira apontando. "Unkar Plutt."

"Sim, Kira." Rey ergueu o rosto e espreitou os olhos para observar o velho rabugento. Ele estava exatamente como ela se lembrava: nojento, asqueroso, estúpido e desprezível.

Elas seguiram até ele e quando ele as viu com a fúria nos olhos seu impulso foi o de sair correndo. Rey foi atrás até que conseguisse impedi-lo com um golpe de seu bastão, fazendo o asqueroso Plutt cair com tudo no chão.

"Desgraçada!" Ele resmungou enquanto contorcia-se no chão, até abrir os olhos novamente e encarar Kira. "Você me deve uns bons tostões pela perda que me causou fugindo no leilão." Ele se contorcia. "Bem que eu sabia que existiam mais da sua laia, pirralha!" Ele disse medindo Rey de cima a baixo.

"Não se lembra de mim, Plutt?!" Rey rosnou. "Eu fui uma de seus escravos, obrigada a catar lixo por aí enquanto você nos sustentava com meia porção." Disse Rey. "Eu disse que iria voltar."

"Você..." ele gaguejou. "Eu achei que a Supremacia havia acabado com você!" Ele deu uma gargalhada. "A molambenta de Jakku ainda vive!" Ele ria quase perdendo o fôlego. "Você é resistente, hein!"

Nisso Ben avistou-os, e a gargalhada de Plutt fez seu sangue borbulhar. Ele fechou os punhos e andou apressadamente em direção ao velho asqueroso.
"Soube que andou se metendo com minha esposa e em seguida com a minha filha!" Ben rosnou com os olhos vermelhos, a veia saltando em seu pescoço.

"Quem é você!?" Unkar perguntou quase sem fôlego.

"Ben Solo!" Respondeu ele. "Ou como vocês me conhecem por aqui, Kylo Ren." Nisso os olhos de Plutt se arregalaram e Ben o jogou longe em direção a uma placa metálica. "E Kira, essa pirralha a que você se refere, é a filha de Ben Solo, ou Kylo Ren se você preferir, e, apesar de eu ter me redimido e estar longe da violência eu posso muito bem abrir uma exceção ao torturador da minha filha e minha esposa, ao velho que vendeu Kira como uma mercadoria."

Por mais medo que Plutt sentia ele não podia evitar em gargalhar da situação. Debochando de Ben e Rey até a sua última oportunidade.

"Eu devia ter acabado com a sua pirralha quando eu tive a chance." Então Plutt cuspiu aos pés de Ben, que em fúria o pegou pelo colarinho e lhe meteu umas boas porradas antes que seguisse com os fortes dedos em direção ao pescoço de Unkar o segurando tão forte que o fez ficar suspenso no ar.

"O que você disse?" Ben espumava. "Repete, desgraçado."

Os olhos de Plutt estavam arregalados e a criatura ficando quase roxa.

"Ben!" Rey o interrompeu. "Largue ele!" Ela demandou. "Agora!" Disse de forma ríspida ao ver o ódio do marido e saber que ele não o largaria tão fácil. Então agora Plutt estava no chão tossindo com as mãos a volta do pescoço. "Ele não vale a pena. Vamos, vamos libertar os escravos dele."

"Isso mesmo!" Ouviram a voz debochada de Plutt novamente. "Fuja, sua rata de Jakku!" Ele riu até perder o folego. "Fuja, putinha de Kylo Ren!" Nisso Rey levantou os olhos e paralisou, virando-se e seguindo em direção a Plutt no chão com seu bastão empunhado. A raiva foi suficiente para que ela finalmente o golpeasse no rosto com o antigo e fiel artefato, causando-lhe uma dor imensa fazendo-o gemer. Em seguida Rey retirou o sabre de Luz de seu cinto e o acendeu bem próximo da face de Plutt, fazendo a pele enrugada contorcer-se com o calor emanando da arma.

"Eu poderia acabar com você, Plutt, aqui mesmo, agora! Ou melhor, poderia fazer você sofrer como todos que um dia você já fez sofrer, mas, lembre-se, eu não fiz." Ela olhou para os lados, para todos os escravos de Plutt que observavam ao redor. Ela levantou a face, sorriu para eles e voltou a falar: "Vocês todos, unidos, são muito mais fortes que Plutt. Lutem pela liberdade, não deixem um velho moribundo decidir o que é certo e errado para vocês!" Ela respirou fundo. "Eu aprendi da pior forma que apenas eu poderia lutar pela minha liberdade."

Nisso uma agitação começou entre os escravos e em segundos Rey os viu correndo em direção a Plutt. Alguns jogaram-se para cima do homem dando-lhe pontapés, socos e chutes, enquanto outros saqueavam todos os pertences do velho e rebelavam-se contra os capangas do homem. Era tudo que Rey precisava agora, ver Plutt destruído por sua própria ignorância.

"Vamos!" Rey disse apertando a mão de Kira para guia-la e se juntar ao pai.

Eles percorreram o caminho até a millenium falcon até que foram interrompidos por um grupo de crianças.

"Ual!" Ela ouviu um garotinho dizendo. "Você é uma jedi?" Ele perguntou de forma inocente.

"Eu..."

"Sim!" Kira interrompeu a mãe. "Sim, mamãe é uma jedi, eu disse para vocês, eu disse!" Kira abriu um largo sorriso. "Mostre o sabre para eles, mamãe!"

"Kira!" Rey repreendeu.

"Por favor!" Ela disse com os olhinhos brilhando e então Ben se aproximou.

"Vocês querem ver o que um jedi sabe fazer?" Os olhinhos das crianças brilhavam enquanto eles pulavam e diziam que sim. "Ótimo." Assim Ben aproximou-se das crianças que fizeram um circulo ao redor dele, que agora fazia levitar uma pedra. "Isso é apenas uma das coisas que um jedi pode fazer."

"É um jedi agora, Ben?" Disse Rey.

"O que você quiser que eu seja." Ele sorriu e se aproximou da esposa depositando um beijo em sua testa. "Mostre para eles o sabre de luz."

"Está bem!" Rey deu-se por vencida. Assim ela ativou o sabre azul de Luke e as crianças ficaram impressionadas com a forma brilhante e o som cortante que o artefato fazia.

As crianças seguiram com eles e foram levados para serem cuidados pela Resistência até que suas verdadeiras famílias fossem localizadas, onde finalmente ganhariam o bendito banquete que Kira lhes houvera prometido.

Já em Gesin, Ben e Rey depararam-se com um cenário não muito favorável. Grande parte do povoado estava destruído, mas, agora, Rey munida de seu exército, que ela insistia em chamar de aliados, fariam todo o necessário para recuperar a hospitalidade do local.

Foram meses limpando o lugar, arando a terra, fertilizando. Em pouco tempo novas habitações foram surgindo e aos poucos o lugar ganhava mais cara de uma casa. Ben e Rey voltaram a habitar sua antiga moradia, limparam todos os cômodos, restauraram alguns móveis e agora, finalmente, podiam sentir que estavam em casa.

Semanas depois eles receberam a visita de Leia, Owen, e alguns membros do Conselho. Eles vieram incialmente para ver como estavam as coisas, se a terra estava realmente sendo cultivada e se a aldeia estava recuperando a vida.

Os aliados de Rey, seu antigo exército, agora habitava as casas que sobraram, fazendo reparos aos danos. O lugar estava ganhando vida novamente e aos poucos podia-se ver a plantação retornando a crescer.

Dana e Luke também estavam morando na aldeia e a maior parte do tempo eles passavam ajudando na reconstrução do lugar e no treinamento de Kira. Finalmente ela estava aprendendo a lidar com ambos os lados de seu poder, ao passo que tinha a mãe, o pai, Luke e Dana para lhe apoiar. No futuro seria a vez de Jacen. E ainda haviam algumas outras crianças, antigas aprendizes de Ren, que também viviam em conflito com a manifestação da força dentro deles e, finalmente, estavam tendo um treinamento adequado para amenizar a destruição que isso poderia causar.

Com a chegada de Leia e alguns membros do Conselho, eles resolveram oficializar a união de Ben e Rey. Houve uma pequena cerimônia, apenas a família e os aliados de Rey. Improvisaram um vestido branco para ela a partir de retalhos que houveram encontrado e preparado para dar uma cara diferente ao visual. Ben preferiu usar trajes escuros desta vez, diferente de quando se casaram no povoado de Maverins, achou bom não negar a essência, o lado sombrio que habitava em todos. O branco e o preto eram o equilíbrio. Que fosse assim então.

A cerimônia foi simples como da primeira vez, uma reunião entre amigos. Dessa vez até Poe e Finn participaram, e Rey surpreendeu-se e ficou incrivelmente feliz ao perceber que os amigos agora eram algo mais que isso, eram um casal. Algo esperado por todos, de certa forma.

Ela se uniu a Ben ao centro da cerimônia, onde uma fogueira queimava ao lado. Mais uma vez o fogo simbolizando o início de uma nova fase, uma nova vida.

Havia uma roda ao redor deles, e o casal se sentia acolhido, agora que tinham a família de ambos presentes e seus amigos queridos. Até mesmo Richard Dorn veio prestigiar a cerimônia, ele decidiu habitar a aldeia em Gesin.

Rey era envolvida por Ben em uma dança lenta enquanto o resto de seus amigos e família faziam o mesmo aproveitando a festa. Seus dedos cruzavam-se com os do homem e ela fechou os olhos ao repousar a cabeça em seu ombro. Os pensamentos então a invadiram, as cenas trágicas, todas as desgraças da vida em meio aquela felicidade. Um medo da solidão que de alguma forma a atingia. Por mais que tudo estivesse bem, ainda existia um trauma dentro dela, um pânico só de pensar na possibilidade de estar sozinha de novo.

"Você não está sozinha." Ben sussurrou ao pé do ouvido dela ao decifrar os pensamentos. Entrar na mente de Rey era algo que há muito tempo Ben não conseguia fazer, uma vez que ele precisava da permissão e abertura dela para isso, mas, dessa vez, Rey não tinha medo de se abrir para ele.

"Nem você." Ela sussurrou em resposta. "Eu te amo tanto." Ela disse. "Me deu uma família de verdade." Ben sorriu pelo canto dos lábios enquanto absorvia a ternura das palavras de Rey.

"Eu também amo você e, enquanto eu viver, enquanto eu estiver aqui, ao seu lado, tudo o que for possível eu farei para que você nunca mais se sinta sozinha, Renesmy." Ele trouxe as mãos de Rey para seus lábios beijarem.

"Me chame de Rey." Ela sorriu. "Eu gosto de ser o seu raio de Sol, sua 'Ray' of Sunshine."

Ele sorriu para ela. "Que seja então, meu raio de Sol. Mas eu te amarei em todas as suas formas. Como Rey, Renesmy, Reenie, como seu pai te chama." Ela riu em conjunto com ele. "Te amarei enquanto Rey Solo..." Ela levantou os olhos e sorriu. "Ou Rey Kenobi, ou Rey Palpatine... independente de tudo."

Algum tempo depois Leia e Owen aproximaram-se do casal para lhes desejar boa sorte e uma incrível e linda nova vida. Leia abraçou o filho e sentia-se tão grata por ter o abraço dele de volta, em união e compaixão. Seu filho estava de volta, e redimido, e dedicado a seguir na luz e trabalhar a sua escuridão.

Owen deu um beijo na testa da filha e disse algumas palavras também, desejando que ela continuasse no bom caminho e dizendo-lhe que tudo que ela precisasse ela poderia contar com ele. Assim a festa se seguiu pela noite até o amanhecer.

"Me surpreendeu com a ideia de Gesin." Disse Ben chegando por trás da esposa, a abraçando pela cintura.

"É o nosso lar." Ela sorriu de canto. "Fico feliz por termos voltado e reerguido o lugar. Nós devíamos isso à memória do povo Maverins."

"Eu destruí tudo." Ele disse.

"O que aconteceu já foi. Sim, vocês sob o comando de Snoke destruíram Gesin, mas estamos aqui para reconstruir, consertar o erro. Afinal, estamos todos aqui para errar e aprender."

"Rey, meu erro foi colossal..."

"Mas talvez esse tenha sido o único caminho. Talvez precisássemos passar por tudo isso para que no final a esperança na galáxia fosse restaurada. O equilíbrio atingido... precisávamos encarar nossos piores demônios para chegar até aqui, meu amor."

"Eu gosto da forma como acredita que as coisas podem melhorar." disse ele deslizando as pontas de dois dedos pela pele do braço de Rey, traçando um caminho explosivo entre os tríceps até a base de seu pulso.

"Eu sempre acreditei, Ben, e afinal destruímos a Primeira Ordem." Ela sorriu. "Acho que valeu a pena acreditar... esperar pelo retorno da minha família em Jakku. Se eu tivesse perdido as esperanças talvez nunca teríamos nos encontrado de novo."

"Snoke destruiu nossas vidas." Ele disse com certo ódio. "Como eu pude ter sido tão burro?"

"Ben, pagaremos por nossos erros pelo resto de nossas vidas." Ele a aninhou. "Mas estarei aqui para ajudá-lo a amenizar essa dor."

"Olhe para eles." Disse Ben referindo-se a Kira e Jacen. "Eles são incríveis, um pedaço de nós. Eu nunca mais deixarei que alguém os tire de mim, nunca!"

Ele baixou o rosto chegando até seus lábios depositando um beijo. Aos poucos mais intenso, suas mãos apertando a pele de Rey por cima de suas vestes, e ela perdeu o fôlego ao sentir os beijos e mordidas de Ben invadirem seu pescoço.

"Ben..." Ela murmurou.

"Eu sei." Ele sorriu contra os lábios dela suspirando.

"Podemos ir para algum lugar?" Ela levantou os olhos, respirando com dificuldade a medida que a proximidade dele a fazia suar. Ele concordou com a cabeça.

Rey sorriu e entrelaçou seus dedos com os de Ben, lançando-lhe um olhar de malícia.

"O que fazemos com eles?" Ela perguntou mirando a face em direção aos filhos.

"Ficarão um bom tempo com Leia." Respondeu.

Um minuto depois eles iam em direção a casa, e em seguida ao quarto. Quando chegaram, Ben trancou a porta atrás dele com a expressão de sua força, bem como ajeitou as cortinas para garantir privacidade.

As mãos do homem encontraram a porção nua do ombro de Rey em que o tecido de seu vestido caia em cascatas. Ele se aproximou de seu pescoço, onde a ponta gelada de seu nariz chocou-se com a fina camada quente da pele da mulher.

Ela fechou os olhos e grunhiu para si mesma, apertando as pálpebras enquanto deslizava suas mãos pelos músculos dos braços dele, apertando e cravando as unhas em resposta ao estímulo do toque.

A respiração abafada de Ben fazia os pelos de Rey arrepiarem-se, fazendo-a deixar para trás toda a vontade de se conter. Ela jogou a cabeça para trás para dar mais passagem ao homem, e segundos depois ela podia sentir os beijos sendo depositados pelos lábios grossos e macios enquanto as mãos dele caminhavam em direção às suas costas.

Estavam abraçados, apertando os corpos contra si, fazendo de tudo para que pudessem sentir o calor e aconchego que por tanto tempo foram impedidos. Semanas, meses, anos. 2 anos distantes enquanto Snoke manipulava o homem, meses distantes enquanto ele manipulava a mulher. Agora inexistentes em uma realidade paralela difícil de acreditar. Uma galáxia rumo a uma neutralidade, a uma normalização.

Os conflitos não acabariam assim de uma hora para a outra, mas o fim do absolutismo imperialista de Snoke pelo menos poderia providenciar a eles, sua família e amigos, um tempo para se recuperar de todas as mazelas que as decisões da Primeira Ordem lhes proporcionaram.

Bastava agora que ambos lidassem com o fardo de suas linhagens, e carregassem com isso um exemplo a se passar aos novos seres que nasceriam nos diversos sistemas. Pois aquele não era o fim da força, nem dos aspirantes a jedi e sith, mas havia uma forma de equilibrar isso.

Lentamente e de forma delicada ele a induziu a se deitar e ela permitiu que ele viesse por cima. Seus olhos estavam fixos nela, semicerrados de uma forma que Ben parecia um lobo predador. Ela gostava daquele olhar, não ia mentir. Havia algo em Ben, em seu despertar do lado sombrio, que a atraia como um imã desesperado pela sua contraparte no magnetismo.

Ora, Rey o conhecera antes, enquanto um jedi, e mesmo assim haviam traços de trevas nas ações e emoções de Ben, e mesmo dessa forma ela o amou. Afinal, por fim, ela também amou Kylo Ren. Rey amou Ben em todas as suas formas possíveis, e agora ela não seria hipócrita em resistir ao delírio agressivo do esposo enquanto sozinhos em sua intimidade.

"Venha!" Ela disse como se ordenasse, e ele não hesitou em obedecer. Em segundos sua boca era domada pelos lábios dele, enquanto a língua lentamente pedia passagem para explorar a caverna quente e úmida de sua boca, antes que procurasse por um outro tipo de caverna quente e úmida.

Ela deixou que ele entrasse e suas línguas se enroscavam enquanto ela sugava o elixir profundo da saliva de Ben. Os olhos dele, tão escuros, ainda semicerrados, fizeram ela arquear as sobrancelhas, deslizando os dedos pelas costas do esposo enquanto procurava o fim do tecido de sua blusa para que pudesse finalmente tirá-la.

Assim, como um reflexo impensado, ela cravava as unhas na pele dura e pálida das costas de Ben, percorrendo caminhos na pele que faziam com que marcas vermelhas fossem deixadas por toda a extensão dele. O ato fazia Ben sentir um arrepio na espinha, havia ficado muito tempo longe dessa sensação inebriante de ter o corpo de Rey agindo com ele, respondendo aos seus toques e investindo agressivamente nas arranhadas que ela fazia.

Ele deslocou os longos dedos para a barra do vestido, deslizando os dedos pelas coxas de Rey enquanto trazia consigo o tecido para cima. Ela queria mais, o toque singelo a fazia estremecer pedindo por mais, a ansiedade de tê-lo para ela aumentando com a intensidade dos toques.

Assim ele arrancou-lhe as vestes, deixando apenas com a roupa íntima inferior. Pouco depois seria a hora de tirar esse último pedaço de roupa e mergulhar-se naquilo que mais o atraia agora.

Ele beijou o pescoço primeiro e depois seguiu para o colo. Permaneceu na região por um tempo enquanto Rey apertava os olhos e pequenos suspiros escapavam à medida que ele sugava seus seios. Os dedos da moça acariciavam os fios grossos do cabelo de Ben, puxando-os à medida que a sensação ficava mais intensa, era como ela se expressava.

Ele levantou os olhos, fitando-a por entre os cílios grossos e mostrando que não a deixaria escapar dele, nunca mais. Sua mão massageava o seio enquanto sua boca continuava no outro dando-lhe mordidas e lambidas. Rey imediatamente lançou a cabeça para trás, soltando um murmúrio fraco que apenas Ben conseguiria ouvir.

Agora seus lábios seguiam em direção ao abdome, depositando beijos e mordidas enquanto percorria seu caminho até onde realmente lhe interessava: a essência dela. Ben procurou pelo tecido da calcinha e em pouco tempo este deslizava pelas pernas dela até que se livrasse das barreiras.

Rey olhou para baixo e percebeu o olhar terno, malicioso e profundo, depois seus lábios estavam por sua virilha, deixando beijos profundos enquanto uma das mãos acariciava a parte externa da coxa, até que seus beijos alcançaram os lábios que ele tanto procurou.

Agora ela sentia algo quente e macio percorrendo seu meio, suas pernas estavam abertas e ela inclinou as costas em resposta. Seus dedos cravaram-se nas mexas de Ben, segurando-as com força para aliviar a tensão.

Ele ficou ali por um tempo, circundando, circulando, fazendo os movimentos que ele sabia que Rey ia gostar, até que alguns minutos depois a demonstração de seu prazer veio até Ben ao ver a esposa contorcendo-se em um orgasmo, fechando as pernas com a cabeça de Ben entre elas e apertando forte os olhos enquanto a sensibilidade em seu clitóris aumentava e aumentava.

Ela o puxou para cima então e agarrou em sua blusa tirando-a e jogando em algum canto do quarto. Em seguida foi o resto. Agora estavam ambos nus em uma intimidade que pertenceria para o resto de suas eternidades para apenas ambos.

"Por favor." Rey sussurrou contra a boca de Ben. "Preciso de você dentro de mim, faz tanto tempo." Ben sorriu contra sua boca e não, ele não iria negar o pedido dessa mulher.

Ben aproximou-se, colocando as mãos cada uma de cada lado da cabeça dela, imprensando Rey contra o tecido da cama enquanto os músculos de seus braços se tensionavam e ela observava o lindo desenho delineando a pele.

"Peça de novo." Ele cerrou os olhos fixados nela.

"Ben, eu o quero dentro de mim." Ela cedeu.

"De novo..." Ele sussurrou aproximando-se do ouvido dela. "Diga meu nome de novo."

"Ben!" Ela suspirou e gemeu ao dizer o nome. "Ben, por favor, vem!" Ela encravou as unhas no antebraço dele, apertando tão forte que ele perdeu a dominância, entregando-se aos desejos dela e obedecendo o que ela demandava.

Ele abriu as pernas dela e encaixou-se em seu meio, lentamente deslizando para dentro dela e sentindo o calor e firmeza da pele ao redor de seu pênis. Ele soltou um pequeno grunhido e liberou o peso em cima dela.

Ela encravou as unhas na pele das costas dele enquanto o movimento se tornava acelerado. Suas pernas acomodaram-se ao redor da cintura enquanto ela forçava o interior das coxas contra o corpo de Ben aguentando a pressão.

Os cabelos negros dele caiam com a gravidade seguindo em direção aos olhos dela, e o sangue fluindo em suas bochechas criava um lindo contraste entre o rosa e o branco da pele de Ben. Ela podia ver em suas têmporas o suor delineando-o com a força que fazia.

"Rey!?" Ele suspirou como num agouro, chamando por ela enquanto a tinha ali com ele.

"Ben..." ela respondeu erguendo os olhos pra encara-lo e levou os dedos para os cabelos dele os tirando de seus olhos. "Eu sei." Ela colou a testa com a dele e sorriu contra seus lábios. "Eu também sinto."

Tempos depois o prazer de Ben derramou-se dentro de Rey, liberando toda a essência de seus sentimentos, preenchendo-a com seu DNA novamente.

Ele caiu ao lado dela na cama enquanto ofegavam, ambos, os corações acelerados e a respiração difícil.

"Desse jeito teremos um filho para cada estrela na galáxia." Ela sorriu para si mesma e virou-se de lado para deitar no peito de Ben.

"Não quer mais filhos?" Ele perguntou.

"Eu acho que dois está ótimo." Ela sorriu apoiando o queixo em seu peito enquanto encarava seus olhos. "Temos que tomar mais cuidado."

"Tudo bem." Ele depositou um beijo na testa dela. "Irei providenciar isso."

Ele se sentou na cama procurando pelas roupas ao redor do pequeno cômodo enquanto Rey observava as cicatrizes em suas costas. Ousou levar um dedo até elas, delineando os desenhos.

"Aonde vai?" Ela perguntou. "Não acabamos por aqui."

Ele virou o rosto para o lado e sorriu de canto.

"Eu não vou a lugar algum. Só sinto que preciso de um banho." Ele se levantou e direcionou-se até ela, estendendo uma mão. "Vem comigo?"

Ela não hesitou. Em segundos estava de pé, ou melhor, nem houve tempo para conseguir estar de pé, pois antes que se desse conta Ben a pegou em seu colo e a carregou até o banheiro depositando beijos em seus lábios.

"Assim que devia ter sido na floresta." Ele riu.

"Você teria me assustado, isso sim!" Ela riu contra a pele do pescoço dele. "Fico feliz que as coisas tenham sido exatamente da forma como foram. Não estaríamos aqui agora."

Ele concordou com a cabeça até que chegaram no pequeno lavabo. Ele a colocou no chão e então liberou o fluxo de água quente que batia contra os músculos deixando tudo ainda mais suave. Ele fechou os olhos e colocou o rosto por baixo da água, sentindo as gotas chocarem-se com sua pele enquanto dava boas-vindas a finalmente uma vida normal.

Rey aproximou-se e abraçou o esposo fechando os olhos, ele a abraçou em resposta, descansando o queixo sob o topo de sua cabeça. Em seguida ela levantou os olhos para encará-lo.

"O que quer fazer?" Ela perguntou e viu um pequeno sorriso formando-se no canto de seus lábios. Em segundos sua cintura estava nas mãos dele enquanto ele a levantava fazendo com que abrisse as pernas ao redor da cintura dele em resposta. Ele a imprensou contra a parede e voltou a beijá-la.

Rey era leve em seus braços, era quase impossível sair de seus braços uma vez que ele a estivesse segurando, e ela amava a sensação. Desta forma se amaram mais uma vez, Ben estocando-a contra a parede enquanto baixos gemidos saiam da boca de Rey contra seu ouvido. Ele levantou os olhos e os fixou nos lindos amendoados olhos de Rey enquanto transavam, tentando dizer para ela, de alguma forma, o quão possessivo ele era com aquele corpo, aquela voz, o cabelo, os próprios olhos, tudo. Ela era dele, enquanto ele era dela, e seria assim até que ambos não mais existissem.

Era apenas o começo de muitas noites, era apenas o começo de uma nova vida.