Herdeiros do Império - (Reylo)
38 Imprópria

"Fuja, fuja;
Um dia nós não iremos mais sentir essa dor;
Leve todas essas suas sombras embora;
Porque elas não irão me deixar."
(Lost in Paradise – Evanescence)
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Alguns dias se passaram, dois, três, seis, uma semana. E Ben sentia-se solitário. Tudo bem, ele entendia, Kira não queria conversar com ele, pelo menos não por enquanto, mas que inferno, ele não era acostumado a esperar, tudo pra ele veio muito fácil, e havia uma parte de Ben Solo que acreditava que seria compreendido rapidamente.
Mas não, não era assim que funcionava no mundo real. Aqui fora ele pagava pelos assassinatos e problemas que causou. Não era como na Primeira Ordem em que ele tinha a soberania suficiente para fazer suas merdas e tudo ser encoberto por Snoke.
E todas as manhãs quando ele saia de seu quarto para alimentar-se pela primeira vez, ele a observava de longe, sentada ao lado de Poe, como se ele fosse seu responsável agora, e por muitas vezes ela se sentava de costas, evitando encarar a face do pai. O fato é que estava sendo difícil demais para ela. Uma das pessoas que ela mais havia amado em sua vida houvera sido morta por aquela criatura odiosa, e seu coração estava em pedaços por saber que aquela criatura era de fato seu próprio pai.
Bem. Kira possuía, em seu cerne, ambas inclinações para o bem e o mal. A criança detentora das trevas seria concebida em tempos de luz. Ela era parte da profecia, então cabia a ela entender que existiam sim dois lados, e que, inclusive, era isso que fazia sua existência possível. Para crianças de Statera como Kira e o futuro irmão, não existiria, nunca, apenas um lado. Estavam fadados a serem o equilíbrio pra sempre. E essa instabilidade sempre foi motivo de grandes conflitos intergalácticos.
Mas ela precisaria de ajuda. Ela precisaria saber lidar com a luz, ao mesmo tempo que precisaria aprender a compreender o mal. E seu pai, melhor que ninguém, seria a pessoa responsável por guia-la nesse aprendizado. E vê-la ali, amparada e cuidado por Poe, trazia todos os sentimentos ruins que controlaram Ben Solo a tona de novo.
Por vezes pegava-se paralisado a mesa com os punhos cerrados, os dentes trincando, se tremendo de raiva até que sentisse alguma vibração instável na força e ele voltava a consciência de si. Precisava se controlar, estava proibido de usar suas habilidades. Mas, droga, era difícil demais controlar os impulsos quando à frente da inveja.
E ouvir, por vezes, a risada de Kira com Poe, o fazia ter vontade de se levantar e seguir até o piloto e quebra-lhe as vértebras até que nenhum resquício de vida pudesse alimentar o corpo. Mas ele havia pedido desculpas, e ele era importante demais para a filha. Ele precisava aprender que não podia controlar as pessoas que amava, isso não era amor, nunca foi, na verdade a possessividade apenas destruiu sua vida.
"Ben?" Ele ouviu a voz suave da mãe vindo por detrás ao mesmo tempo que sentia uma de suas mãos repousando em seu ombro. Ele virou a face para encontrar o olhar preocupado da mãe, o cenho cerrado. "Preciso que venha comigo."
Então Ben seguiu Leia até a sala de comando. Quando chegou, encontrou Dana e Luke o esperando. Estavam ambos também com a expressão preocupada. Ele logo estranhou.
"O que está acontecendo?" Ele se apressou olhando para todas as faces.
"Ben, precisa ser forte." Luke tentou amenizar.
"Merda, o que aconteceu? Falem logo!" Ben interrompeu.
"Rey está com a Primeira Ordem." Disse Dana interrompendo.
"O que? Como assim com a Primeira Ordem?"
"Literalmente, com a Primeira Ordem." Reforçou Dana ao pesar sobre a primeira palavra.
Ben então olhou para ambos Leia e Luke, e em suas faces ele podia ver que Dana estava falando sério, ninguém negou a informação.
"É verdade, Ben." Disse Leia. "Conseguimos interceptar o sistema de comunicação da Primeira Ordem. Eles estão com ela. Todos já sabem sobre a gravidez e ela voltou a ser membro da ordem dos Cavaleiros de Ren."
Ben apertou os olhos, respirou fundo, segurou com ambas as mãos a própria nuca e soltou um berro em surto. Rouco, desesperado, decepcionado. As luzes do recinto piscaram até que Leia se aproximasse tentando acalma-lo.
"Eu sabia que ela ia fazer isso. Eu disse, Luke, eu disse. Ela tá achando que Kira está morta, precisamos fazer alguma coisa, rápido!"
"Ainda não conseguimos a localização do Cruzador, Ben!" Leia confessou arduamente.
"Mas que droga, o que estão esperando para colocar a frota atrás deles?"
"Não podemos simplesmente lançar nossas tropas sem motivos para encontrar a localização sendo que não estão sendo uma ameaça iminente por hora!"
"Rey é a ameaça iminente agora!" Ben respondeu rude. "Ela está sendo manipulada. Snoke quer usar nosso filho, com certeza, é por isso que está tudo tão calmo e ele ainda não veio atrás de mim."
"Precisamos evacuar o planeta. Se ela entregar nossa localização, teremos problemas maiores ainda." Disse Leia.
"E temos essa capacidade?" Perguntou Ben. "Quer dizer, começar uma nova base do zero? Isso é loucura."
"É melhor do que corrermos o risco de sermos atacados pela Primeira Ordem." Disse Owen adentrando ao recinto, com a voz rude e passos determinados. "Viu só o que você fez? Entregou minha filha para as trevas, se não tivesse mudado os rumos da vida dela..."
"Owen!" Leia chamou a atenção.
"O que? É verdade. Minha filha adentrou ao lado sombrio porque ele a ensinou!" Disse mais alto apontando o indicador na face de Ben.
"Esqueceu que ela é uma Palpatine?" Rosnou Ben, não ia deixar que mais um, por mais que pai de sua esposa, falasse daquele modo com ele. "Rey tem tendências inatas ao lado sombrio, assim como para a luz, não pode negar isso. Não pode me culpar cem por cento." Disse Ben aproximando-se e agora suas faces estavam afastadas por poucos palmos.
"Se ela está nas trevas agora foi porque você a influenciou!"
"Você esquece que Rey se apaixonou por Ben, Owen. Está falando como se Ben tivesse decidido tudo sozinho. Rey concordou em ser uma família com meu filho. Ela também é responsável pelas coisas que aconteceu a ela." Disse Leia de modo mais agressivo. "Estou cansada de todo mundo sempre dando um jeito de culpar Ben por tudo! Rey é uma garota inteligente, esperta, sempre soube o que estava fazendo." Owen revirou os olhos e franziu o cenho em nervoso.
"Olha só, acho melhor pararmos por aqui." Interrompeu Luke afastando os dois homens um do outro. "Rey é a nossa maior preocupação, precisamos dar um jeito de tirá-la do poder da Primeira Ordem. Pra isso precisamos descobrir a localização da nave. Então, vamos começar por essa parte, sem ofensas. Owen, sabemos que você ama sua filha e se preocupa com ela, mas Ben tem uma família com ela agora, uma filha e um bebê que está por vir, ele se preocupa da mesma forma, e sabemos que ele a ama. Então, independente de qualquer coisa, precisamos de uma relação estável, caso contrário não chegaremos a lugar algum. Precisamos trabalhar em equipe."
"Como acha que vão conseguir tirá-la de lá se, declaradamente, ela está trabalhando para a Ordem? Ãh?" Owen bufou. "Mas que droga, não entendem? Ela é um deles agora, se atacarmos ela irá retribuir. Ela irá se defender, e defender a Ordem dela."
"Bom, o fato é que é arriscado demais continuar em D'Qar." Leia interrompeu a discussão. "Ainda temos recursos em Crait, podemos nos estabelecer lá por um tempo, a Primeira Ordem não acertará de primeira o local, o que nos dará tempo suficiente para agir."
"Crait?" Luke indagou. "O lugar é inóspito!"
"Eu sei, Luke. Mas é nossa solução por hora. Temos recursos o suficiente para nos manter por lá. A destruição de D'Qar é iminente, em questão de dias, ou quem sabe horas, ocorrerá." Ela respirou fundo finalizando o dialogo com a agitação de todos que estavam no recinto e alguns membros da Resistência que já se preparavam sob ordem primária para reestabelecer a base em Crait.
E estava Ben agora em seu quarto, sozinho, isolado, sem Kira. Ela estava distante, dormiria com a avó por uns tempos. Leia sabia que Ben houvera resolvido contar a verdade para a filha, e ela achou realmente bem certo. Mas a dor da menina precisava ser respeitada, então ambos decidiram não tocar no assunto, não a pressionarem sobre essa história.
E apesar de tanto tempo, agora parecia tão difícil estar sozinho. Era como se a galáxia inteira tivesse lhe virado as costas, e ele nunca se sentiu tão isolado em toda a vida. Mas ele precisava aguentar.
Resolveu dormir, e pouco depois de algumas horas em sono profundo ele acordou e não reconheceu de imediato onde estava. Havia apenas uma certeza: não era a Resistência.
Então ele viu a figura feminina ali, parada, diante de uma grande janela de vidro em que ao fundo se podia observar as estrelas. Primeira Ordem. Ele se assustou, olhou ao redor até tentar entender. Aquilo era real? Pois ele sabia que a figura era de Rey. Ele a reconheceria em qualquer lugar. Ele se levantou e andou em direção a ela até que a jovem levasse um susto.
Enquanto ela estava quieta, ali, observando o horizonte estrelado, ela sentiu uma instabilidade, uma sensação caótica invadindo seu corpo como nas vezes em que não devia ter sentido. Ela pulou num susto virando-se para encontrar a face de Ben. Seu coração se acelerou, os olhos se arregalaram, e ela ficou estática, sem reação, fria.
Eles ficaram se olhando por um bom tempo, tentando entender aquela situação, tentando sair dela, sem saber o que dizer um ao outro, pois Ben era odiado por Rey agora, mas ele a amava e não sabia o que devia fazer. Então ele quebrou o silêncio finalmente:
"Por que a Força está nos conectando?"
"Assassino! Eu sei de tudo agora, Snoke me contou!" Ela rosnou tentando amedronta-lo.
"Contou? Deve ter te contado todas as motivações, então! Sobre a noite em que destruí o templo, ele te contou toda a verdade?" Ben perguntou com o olhar fixo.
"Eu sei de tudo que eu preciso saber sobre você!"
"Você sabe?" Ben pausou ligeiramente fixando toda sua atenção no olhar da antiga esposa. "Ah, você sabe... Está com aquele olhar, da floresta... Quando me chamou de monstro."
"Você é um monstro!" Sua voz tremeu, quase falhou.
"Sim, eu sou." Afirmou rude. "Ao menos eu reconheço. Não tento ser algo diferente do que sou."
"Você abandonou sua família, nos trocou por glória e poder. Como pôde?" Agora seu olhar estava cansado. "Assassino!"
"Está correndo perigo na Primeira Ordem. Precisa me dizer sua localização." Ele se aproximou um pouco, fazendo Rey hesitar e dar dois passos para trás. "Rey... precisa saber que Kira não está morta."
"Pare de mentir para mim, apenas por um segundo!"
"Estou dizendo a verdade." Ele baixou o tom de voz. "Por favor." Deu mais alguns passos, mas Rey não se esquivou.
"Está querendo que eu diga minha localização para que você possa arrancar mais um filho de mim. Eu não vou deixar." Ela se aproximou apontando com o dedo indicador em direção a ele. "Ouça, Ben Solo, você nunca encostará nessa criança, e eu vou acabar com você!"
"Ah vai?" Ele perguntou irônico. "Está deixando Snoke te manipular. Kira está viva, precisa acreditar em mim." E nisso Ben chacoalhou Rey pelos ombros, fazendo ambos se assustarem com o choque. Como era possível aquele toque? A que nível a conexão estava?
"Eu saberia se ela estivesse." Disse Rey se afastando de Ben, assustada. "A única pessoa que me manipulou esse tempo todo sempre foi você!"
Ele baixou o olhar, parou de encara-la, andou pelo quarto por alguns segundos e depois voltou a enfrenta-la. Sentia sua falta, há quanto tempo não a via? Aquele rosto, sua perdição, o verdadeiro e único amor de sua vida, ali, cega, não acreditava em nada do que ele dizia e estava envolta pelas trevas. Mas ainda havia a luz, e ela emanava de seu ventre, ele podia sentir. Seu olhar foi logo em direção a ele e então se aproximou. Ela o observou curiosa, podia ver para onde o seu olhar o levava.
"Está tão crescido." Ele disse de modo suave. "Está irradiando luz, não consegue ver?" Perguntou com o ar cansado. "Rey, olhe para nós, olhe para a criança. Acha mesmo que estou mentindo?"
"Eu não o conheço, Ben, cheguei a conclusão de que nunca conheci."
"Por favor." Ele se aproximou mais. "Não deixe Snoke controlar você. O lado sombrio, Rey, não vai te levar a lugar algum." Ele baixou o olhar novamente para o ventre, até que uma de suas mãos seguisse até a porção de pele encoberta pelas vestes.
Ali ele a tocou, e o fluxo de energia foi ainda maior. Rey fechou os olhos, seu amor por Ben ainda existia, ali no fundo de sua alma, por mais que tentasse negar para si, por mais que o ódio tentasse encobertar. Ela seguiu com uma de suas mãos até a dele, e a encobriu com ternura, com o olhar já marejado e confuso.
Ben sentia a luz de seu filho pela ponta de seus dedos, e então sorriu para si mesmo. Rey estava estática, mas também sentia a energia, a luz, a força. A estava destruindo por dentro, quebrando as camadas de solidão que insistiam em tirar qualquer bondade de seu coração.
Ela então levantou o olhar e seguiu até os olhos de Ben, que agora a fitavam também marejados. Ele sorriu para ela, sem dizer nenhuma palavra, pois ela podia compreender. Ele a amava, ela sabia que sim, e esse era seu karma, esse era seu fardo. Era bom que ele carregasse.
Mas então subitamente Rey se afastou num surto de consciência, fechando a expressão e o repulsando. "Fique longe!" Ela disse por último, e nisso Ben acordou já na Resistência em choque, sem saber se aquilo houvera sido um sonho ou uma conexão, ao passo que Rey passava pelo mesmo em sua cama na base da Primeira Ordem. Confusa, com medo de seus sentimentos por Ben, e ainda mais determinada a acabar com ele.
No outro dia, o clima estava bastante agitado pela Resistência. Estavam todos trabalhando na evacuação da base e na retomada de Crait. Ben levantou cedo como de costume e seguiu para o café. Por mais uma vez Kira esteve na presença de Poe, e Ben estava até se acostumando com essa situação, cada vez menos chateado pois tentava pensar na passagem do tempo como algo positivo.
Mas Kira estava mais cabisbaixa naquele dia, e então, durante a tarde, foi Dana quem avistou a menina sentada em um canto no hangar com a cabeça entre os joelhos, afastada das outras crianças enquanto tentava entender o porquê de toda aquela movimentação na base.
Dana se aproximou de forma lenta, tentando não a assustar, e logo recebeu um sorriso tímido da garota. De alguma forma Kira sabia que podia receber Dana de forma gentil. Ela se sentou ao lado da menina, ficando lá sem falar nenhuma palavra por um tempo, esperando que ela tomasse a iniciativa. Agradeceu à Força por finalmente ela ter feito.
"Por que estão todos correndo de um lado pro outro?" Perguntou de forma inocente, doce.
"Estão se preparando para uma mudança." Dana sorriu novamente para a menina. "Todos nós iremos nos mudar. Sabe, para um novo planeta."
"Por que?" Ela perguntou um pouco agitada. "Mas e minha mãe?"
"Ah..." Ela respirou fundo. "Ela sabe exatamente como nos encontrar, pode ficar tranquila."
"Então por que ainda não nos achou?" Ela bufou descontente. "Sei que não fazem ideia de onde minha mãe está, eu ouvi vocês falando."
"Ouvindo por trás das portas, ãh!" Dana tentou deixar o clima agradável. "Na verdade estamos mesmo atrás de sua mãe. É por isso que está tão pra baixo?"
"Na verdade não." Ela respirou fundo. "Gosto do seu cabelo." Ela mudou de assunto.
"Ah, sério?" perguntou Dana ao apalpar os próprios dreads.
"Sim, me lembro de quando era roxo, era ainda mais bonito."
"Espera, se lembra de quando ele era roxo? Você era um bebê!" Dana ficou confusa. "Como?"
"Eu não sei. Apenas... imagens vem na minha cabeça, sobre o passado, sobre o presente... as vezes como uma visão ou... não sei."
"Isso é muito interessante." Dana concluiu. "Já contou pro seu pai? Ele pode te ajudar a entender tudo isso, a lidar..."
"Não quero falar com ele." Kira respondeu agora séria. "Sabia que meu pai é Kylo Ren? Deve saber, todo mundo sabia menos eu." Ela baixou o rosto fitando o chão.
"Hey, hey, hey. Seu pai não é Kylo Ren, ele foi! Está muito diferente agora."
"Ele matou meu vovô San Tekka. Eu vi, eu estava lá."
Então o clima começou a pesar e Dana ficou em silêncio por algum tempo. Tentou procurar as palavras certas mas foi muito difícil, estava quase desistindo mas sabia que precisava interevir.
"Olha, eu sei que deve estar muito chateada, mas, seu pai, e eu posso dizer com toda a certeza do mundo, é uma das pessoas mais incríveis que já conheci em toda minha vida. É claro, ele fez algumas burradas sim, não vou mentir, mas ele se arrependeu, e isso é um bom começo."
"Mas eu sinto raiva!" Ela bateu com as palmas da mão na superfície onde estava sentada. "Eu tenho muita raiva, por que ele fez isso?"
"Não tem problema sentir raiva." Dana sorriu. "Na verdade, é melhor que expresse mesmo a sua raiva, para que aprenda a lidar com ela! Não precisa negar essa coisa ruim dentro de você, precisa apenas controlar."
"Mas estou com medo." Ela franziu o cenho. "Estão todos dizendo que vou ser igual ao meu pai, que vou ser uma nova Kylo Ren."
"O que?" Dana deu uma gargalhada. "Uma nova Kylo Ren? Que absurdo é esse. Kira, olhe para mim." Ela levantou a face da menina com delicadeza pelo queixo para que ela a olhasse. "Seu pai enfrentou muitas coisas na vida. Quando ele era pequenininho assim, igual a você, ele também teve medo. Ele se sentiu inseguro, não sabia lidar com essa raiva que ele sentia, mas ele pediu ajuda. Ele então aprendeu a controlar. Por infortúnios da vida ele acabou sendo manipulado por Snoke, não pense que seu pai decidiu se tornar o que ele se tornou sozinho! Houve muita corrupção por trás, muita gente tentando controlar o que ele sentia, e ele não soube lidar." Kira fungou. "Kira, minha querida, seu pai ama você, e ele está enfrentando uma barra muito pesada agora. Ele está afastado de sua mãe, de seu irmãozinho, está se redimindo a cada dia, finalmente se entendeu com a própria mãe dele... Eu sei que é difícil, claro que é. Mas pode tentar enxergar o lado dele?"
"Eu sinto falta dele..." Ela apertou os olhos até que uma lágrima caísse. "Não é tão legal aqui sem ele... Mas ele fez coisas tão ruins. Tenho medo que ele faça alguma coisa... com tio Poe, tio Finn... com você..."
"Ele não irá, minha doce Kira!" Ela sorriu mais uma vez. "Ben Solo não é a mesma pessoa que Kylo Ren, ah, não, eles são muito diferentes. Não há nada que Ben queira mais nessa vida do que reunir a família dele e viver em paz. Ele ama você, Kira. Pode ter certeza disso. Tem o direito de se sentir chateada, é claro que sim, mas perdoar também é um grande ato na luz."
Kira sorriu para Dana, estava feliz em ouvir aquelas palavras apesar de ser tudo tão difícil. Kira amava Ben, ela o amaria sempre pois seu laço de sangue, e seu laço na força, sempre haveria de ser maior que qualquer coisa. Por fim Dana abraçou Kira e deixou que a menina repousasse em seu colo e derramasse algumas lágrimas para acalmar o coração em conflito.
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