Herdeiros do Império - (Reylo)
35 Epifania

Quem põe ponto final numa paixão com o ódio, ou ainda ama,
ou não consegue deixar de sofrer.
(Ovídio)
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O suor lhe descendo as têmporas denunciava o desespero em que se encontrava. Nem em seu sono ela possuía paz. Ela tinha pesadelos sobre destruição, morte, infelicidade. Ela revia as imagens, ela podia ver Kylo Ren chegando a Jakku e sentir na pele o medo que sua Kira sentiu.
Os pelos do corpo arrepiados, a adrenalina agindo em sua forma pura, o pequeno coração bater, era como se ela pudesse entrar no corpo da filha, como uma encarnação. A tristeza em ver o corpo de Lor San Tekka no chão e a mágoa que resultou pela máscara daquele ser sombrio.
Ela quis gritar, quis correr. A vida esvaiu de seu corpo como a luz de uma blaster que atinge seu alvo e depois some. A luz é finita, uma hora ela acaba. Ela não pode ser eterna, não se não existir um meio pelo qual percorrer, um meio material.
A escuridão, porém, existe, pois não precisa da luz para continuar. E a cada dia ela absorvia mais essa vontade, essa força, essa informação. Ela acordou num susto e gritou pelo nome da filha, assustando o trooper postado à porta que mirou sua blaster na direção dela até que entendesse que não fosse uma ameaça. Ele se recompôs.
A verdade é que eles tinham muito medo de Rey. Ouviam-se histórias sobre a escolhida do mestre, sobre a oitava na ordem dos Cavaleiros de Ren. Se já bastava Mera para arrepiar os cabelos da tropa, imagine agora com Rey, ainda mais forte.
Sabia-se que ela detinha um poder fora do normal, mas aliviavam-se na sabedoria de que a jovem não estava mais com a Resistência, era o boato que se corria apesar de ninguém ter certeza. Então tudo bem se ela decidisse pela Primeira Ordem, ninguém se machucaria, afinal...
Com o passar das semanas, Rey recebeu um pouco mais de liberdade para percorrer pela base agora que estava cooperando com a alimentação, cuidando de sua saúde e obedecendo às ordens de Snoke. Rey também passou a baixar a cabeça para os cavaleiros da ordem de Ren, e para Hux também.
Em suas conversas com Snoke ela refletia sobre o fato de como a Resistência houvera escondido dela toda a verdade. Snoke também o fizera, mas não era dele que Rey esperava alguma coisa. E ela lembrava-se das palavras de Dorn, ele foi gentil ao lhe dar a chance de revelar a verdade de sua forma.
Rey entendia o interesse nela. Ele poderia usá-la para ter Kylo Ren de volta ou, se ela aceitasse, verdadeiramente, as trevas, não haveria nada melhor do que a própria neta de Palpatine para o fortalecimento do Império de Snoke, era como chamavam agora.
"Fico satisfeito por ter começado a enxergar com clareza as coisas e por estar cooperando. Entende que precisamos de você forte, e apesar de tudo o que você é, sucateira, ainda não tentou nada contra a Ordem. Seu comportamento está sendo melhor do que esperávamos." Disse o velho lord.
"Eu só quero que isso acabe logo. Além do mais, o único motivo pelo qual eu vivo é para matar Ben Solo com minhas próprias mãos."
Snoke gostava de ouvir isso, vivenciar a cólera nas palavras da mulher. A cada dia que passava ele podia sentir as sombras ao redor dela crescerem, como via em Ben Solo quando começou a interferir nos pensamentos dele.
Isso foi pouco depois que Ben deixou a academia Jedi. É bem verdade que desde cedo Snoke interessou-se pelo neto de Vader pois, apesar do boato de existir uma filha de Palpatine que possivelmente havia fugido, não se sabia sobre a existência de uma possível neta do Imperador.
Então em seus sonhos Snoke aparecia. Ben o viu pela primeira vez ainda criança, como uma figura pálida e gélida que tentava se aproximar de sua luz. Quando mais velho, já em seu aprendizado para se tornar um mestre, a presença da criatura se tornou mais forte. Ele deixou isso de lado, afinal, deviam ser só sonhos, mas foi quando ele foi expulso da academia e obrigado a viver em Gesin que sua mágoa e ambição começou.
Ben se sentiu rejeitado por todos aqueles que ele amava, e de alguma forma Snoke sentia isso, e sabia exatamente como persuadi-lo. Aos poucos ele se fez mais presente nos sonhos, mostrando a Ben imagens felizes, honrosas e luxuosas sobre uma vida bela no Império.
De início ele se assustou, mas sabe como acontece, quanto mais você tem contato com a droga, mais você a quer. E Ben viciou-se na possibilidade de grandeza, assim como Rey nesse momento se viciava na possibilidade de destruir seus inimigos, mesmo que isso significasse sua consequente morte.
Então Snoke a trouxe pra perto de si com a expressão de sua Força. De início ela não reagiu, mas já fazia um tempo que ele não fazia isso, e de certo modo a assustou.
"Se aceitasse o lado sombrio, Renesmy..." ele sussurrou para ela, agora próximo demais de seu rosto, ela pôde sentir seu hálito quente e amargo. "Por que insiste em pensar do lado errado, Renesmy? Poderíamos consertar tudo se você fosse mais inteligente..." ele ansiava pela aceitação dela. Estava quase desistindo da ideia de trazer Kylo de volta, mas ainda havia sua incerteza, poderia confiar que a raiva dela seria o suficiente para transformá-la em outra pessoa!? Então ele a lançou lentamente para o centro, a depositando no chão. "O que faço com você?" Ele perguntou agora um pouco agressivo, a olhando da forma como ele olhava quando ela sabia que ele a ia torturar, por que?
"Eu não tenho esse valor todo que você deposita em mim. Eu não posso me aliar a apenas um lado, Supremo Líder." Ela respondeu.
"Se é assim que prefere... então precisamos achar alguma utilidade em você por hora."
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Ben olhou-se no espelho, vestindo o último adereço de seu traje, o casaco da Resistência. Fitou-se na imagem, analisou-se enquanto observava fixamente a insígnia bordada no tecido.
"Papai." Murmurou Kira com a voz de quem acabara de acordar, esfregando os olhos enquanto andava até ele. "Por que está vestido igual o tio Poe?"
Ben riu consigo mesmo e baixou-se para pegar a filha no colo. Ela continuou a esfregar os olhos e então deitou a cabeça no ombro do pai.
"É o meu uniforme." Ele sorriu para a pequena. "Estamos com a Resistência agora, contra aquele homem mal, Snoke."
"Ele é muito mal." Disse Kira em seu ouvido como se lhe contasse um segredo. "Eu quero minha mamãe." Ela bufou.
O coração de Ben se apertou, ele olhou a filha nos olhos pelo espelho.
"Você vai ver ela em breve, meu amor." Sussurrou. "Mas primeiro você precisa ficar forte, vamos, tem que tomar seu banho e ir para o café."
"Ah não... eu quero dormir mais!" Disse Kira enquanto era direcionada ao lavabo por Ben que lhe dava tapinhas nas costas. Nisso ouviu alguém bater na porta e logo ela se abrir: Leia.
Ela sorriu assim que viu a neta correndo do pai para evitar o banho, vendo a avó, correu para um abraço. Leia era adorável, amável, Kira já tinha se apegado a ela. Estava feliz, finalmente tinha parte da sua família consigo de volta.
"Não acredito que está correndo para não tomar banho." Ela comentou com a pequena num tom ameno. "Uma princesa como você não pode ficar suja."
"Ah..... vovó! Você também!" Kira bufou e cruzou os braços.
"Vai lá tomar banho e depois a vovó vai te levar para conhecer as naves da Resistência!" Kira abriu um enorme sorriso. "Voce não disse que queria conhecer a nave do Poe? Hm??"
"Sim!" Ela disse em empolgação finalmente soltando-se dos braços de Leia e correu para o lavabo.
"Sabe como lidar com crianças melhor do que eu." Comentou Ben aproximando-se de forma cautelosa. Ela levantou o olhar para ele.
"Já está com o uniforme da Resistência!" Ela sorriu ao aproximar-se ajeitando o casaco nos ombros do filho. Ele sentiu-se embaraçado com isso, mas preferiu não agir de forma rude com a senhora. Queria se dar a chance de reconstruir algum laço. Estava sozinho no Universo afinal.
"Estou servindo a Resistência agora." Ben afirmou com a cabeça para si mesmo. "Pelo menos Kira gostou da roupa."
"Ah, sim!" Leia sorriu afirmando com Ben. "Eu tenho certeza que ela prefere esse uniforme..."
Ben terminou com um sorriso de canto de boca, ainda desconfortável com a situação em si.
"Por onde iremos começar? Eu não sei como eu posso ser útil."
"Precisamos encontrar a localização do Cruzador. Esse é o principal objetivo. Depois disso iremos organizar o plano de ataque. Colocaremos frotas pelo espaço a procura de Rey. Temos o holograma com a engenharia da base, também, conseguimos de um trooper desertor." Ben riu para si mesmo sarcasticamente.
"Não pode simplesmente querer atacar, a Primeira Ordem cresceu muito depois da destruição da Base em Hosnian." Argumentou. "O plano precisa ser mais cauteloso, Leia... hmm, General." Ele limpou a garganta.
A General levou uma das mãos em direção ao rosto de Ben e sorriu sob a tentativa dele de parecer tão polido.
"Sonho com o dia em que irei ouvi-lo me chamar de mãe novamente." Ben respirou fundo com os olhos fixados na mais velha. "Mas enquanto isso eu me contento em me chamar de Leia. Esqueça essa burocracia, queríamos te dar um susto no primeiro dia, pode me chamar como quiser."
"Precisarei me acostumar a não te chamar de general. Me deram um baita dum susto!" Ele exclamou. "Quero estar na expedição à procura de Rey, ela precisa saber que Kira está bem!"
"Precisamos de você aqui! Não posso te perder de novo." Disse preocupada. "Irei para o centro de comando. Leve sua filha para o café e depois se reúna conosco. Iremos discutir isso." Ela advertiu indo em direção a porta enquanto ele concordou com a cabeça. Antes de sair ela se virou para ele novamente. "Ben... que a força esteja com você." E sorriu.
Tempos depois, ele juntou-se a filha e seguiram em direção ao refeitório. Ele a segurou pela mão e enquanto a menina sorria parecendo orgulhosa ao exibir o pai, ele estava inquieto e envergonhado, pois o caminho foi difícil, não havia um que não olhasse para ele vestido no traje da Resistencia.
Ele seguiu de cabeça baixa, demonstrando que não queria problemas com ninguém e que respeitava a hierarquia ali.
Eles se sentaram em uma mesa no canto, Ben preferiu não chamar atenção, e depois ouviu a voz de Poe chamando por Kira. Ele revirou os olhos para si mesmo, evitando que Poe visse, e assim a filha pulou do assento seguindo até o piloto o abraçando.
"Tio Poe!" Ela exclamou feliz.
"Bom dia, princesa!" Finn estava logo atrás, e sorria para a menina também, afinal, apesar do pai, ela era filha de sua melhor amiga, e isso o fez se importar com a menina.
"Tio Finn!" Ela exclamou quando ele se aproximou e
Abraçou o rapaz também. Kira era uma doce criança, encantadora. Como podia ela, após tanto sofrimento em Jakku, ainda ver bondade nas pessoas?
"Fui promovido a tio também?" Ele perguntou pra ela sorrindo.
"Claro que sim, você me salvou!" Ben remoía-se a ouvir Kira os tratando com tanto apresso.
Finn direcionou o olhar pra Ben e o cumprimentou com a cabeça contra sua vontade, mas sabia que era uma necessidade da general Leia, não adiantaria ter Ben cooperando se a Resistência também não lhe recebesse com o mínimo de educação. Ao olhar através do trooper desertor Ben avistou Dana sentada em uma mesa pouco próxima, que logo desviou o olhar curioso quando o rapaz a encontrou.
Kira, em sua inocência, puxou Finn por uma das mãos convidando-o a se sentar com ela e o pai para o café. Ele se sentiu desconfortável com o pedido, mas quando percebeu a menina já o tinha feito se sentar face a face com Ben. Restou a Poe que fizesse o mesmo. Ben permaneceu com a cabeça abaixada alimentando-se quieto enquanto deixava a filha conversando com os rapazes.
"Vocês precisam ver o que papai sabe fazer," ela começou. "Ele pode jogar um objeto longe só com a vontade dele!" Ela exclamava fazendo movimentos grandiosos com os braços. "Ele também tem um sabre de luz azul muito bonito, eu lembro dele."
"Kira, não incomode os rapazes." Disse Ben em tom singelo desconfortável, sorrindo timidamente sem encara-los.
"Não é incômodo algum." Respondeu Poe com a
voz mais agressiva do que Ben esperava. Ele então concordou com a cabeça e voltou a se alimentar sem muita cerimônia.
"E o tio Poe, papai, ele é um ótimo piloto, todo mundo diz!" Ela sorriu na inocência previamente sem entender os motivos da desavença. "Você tem que conhecer o BB-8 papai!"
Ben engasgou com o suco de laranja que estava tomando, tossindo e pegando um guardanapo para limpar os lábios. Poe e Finn lançaram um olhar dúbio em direção a Kylo Ren, ou melhor, a Ben Solo, deliciando-se com o desconforto do jovem rapaz que claramente ainda não havia revelado toda a verdade para a filha.
"É verdade." Concordou Poe. "Você ia adorar conhecer BB-8. Ele é adorável!" Disse sorrindo sarcasticamente para Ben, que agora o fitava sem disfarçar o descontentamento. "A propósito, belo casaco!" Completou. "Apesar de preto fazer mais o seu tipo." Lançou um olhar para Finn que riu em conjunto com o parceiro. "Agora precisamos ir, nos vemos por aí, princesa?" Ela afirmou com a cabeça. "A general Leia disse que você quer conhecer as naves. Quem sabe teremos uma futura pilota da Resistência." Ele olhou para Ben que desaprovou sua fala. "Inclusive você tem que reencontrar BB-8, ele sente sua falta!"
•••
Rey abriu os olhos constatando que estava na base da Primeira Ordem mais uma vez. Não era só um pesadelo, não era uma ilusão. Revirou os olhos, mais um dia a se enfrentar. Ela rumou até o lavabo, tomou um banho rápido e voltou para o quarto para trocar suas roupas.
Ela foi até o espelho, levou os dedos até o tecido leve e cinza do uniforme que já fazia parte de seu dia a dia. Suavemente o segurou erguendo a veste até que seu ventre ficasse exposto. Já estava um pouco mais aparente do que antes, e havia certa fragilidade na pele, podia sentir o fluxo de energia ali.
Olhou para o ventre com curiosidade, acariciou a pele perguntando-se sobre o que seria o seu futuro, sobre o que faria com aquele ser que dependia dela, e sobre se de fato ainda tinha vontade de viver. Então pulou num susto quando viu a imagem do demônio refletido no espelho. Mera.
O olhar da mulher foi direto para o ventre de Rey, exaltado, inchado anormalmente. Ela estava escondendo aquilo há quando tempo?
"Mera!?" Ela disse no susto, preocupada. O rubor e o desespero formando-se em suas bochechas. Poderia ser qualquer pessoa, menos ela.
"Snoke precisa saber disso." E então a mulher virou-se e correu em direção a sala do trono sendo seguida por Rey, sob seus protestos para que ela não fizesse aquilo.
As duas então chegaram ao local, e agora, Mera, esbaforida, ia até o centro do salão, o mais próximo possível de Snoke e dizia:
"Sabe por que achávamos que ela estava estranha?" E além de tudo Mera ainda sorria pois sentia a ambição e a felicidade em destruir tudo para Rey.
"Por favor, Mera!" Rey implorou, ainda tentando trazer esperança de que a mulher por um minuto a escutaria.
"Sobre todas as nossas conversas, sobre algo esquisito rondando ela, sobre a diferença de comportamento? Sabe por que? Porque ela está grávida!" As palavras ecoaram enquanto as lágrimas desesperadas invadiam a face de Rey. "A vadia está grávida novamente. Não consegue manter as pernas fechadas para si."
E ao ouvir isso Rey voou em direção a mulher. Jogando-se por cima do corpo dela que impactou contra o piso laminado fazendo a cabeça dela quicar.
"Desgraçada!" Rey gritou e começou a tapear Mera de todas as formas possíveis. Ela puxava seus cabelos, arranhava seu rosto, esbofeteava a face e descontava nela toda a raiva que sentia das coisas que Mera um dia já havia feito contra ela.
Hux, que estava na sala pouco antes tendo uma discussão sobre as tropas com o líder supremo e que fora interrompido aos berros de Mera, impulsionou-se a separar a briga, mas Snoke não o permitiu. Ele estava satisfeito com aquilo. Queria ver Rey usar de toda sua raiva, queria que o ódio crescesse dentro dela, mesmo que para isso sua querida Mera tivesse que aprender uma lição.
"Sente, Renesmy, sente como é bom o poder do lado sombrio!" Ele disse ao fundo rindo da situação, enquanto Rey, feroz, ainda estapeava a mulher. "Desconte toda sua raiva em Mera, ela fez por merecer, Renesmy."
Agora Mera tentava olhar para Snoke sob os pedidos desesperados para que tirassem a mulher raivosa de cima dela.
"Isso, Renesmy, afinal, Mera deve merecer. Foi ela quem deu a ideia inicial de manter a sua filha isolada em Jakku para que pudéssemos molda-la ao lado sombrio no futuro. Foi Mera quem achou melhor deixar ela num planeta sem recursos, a própria sorte, para que no futuro morresse, do que trazer ela conosco em segurança. Isso, mostre que você não é diferente de nós."
"O que!?" Mera gritou, sabia que ele dizia a verdade.
Rey agora estava possessa, seus olhos estavam vermelhos, a jovem estava fora de si. Não era mais ela que controlava suas ações, mas sim uma força avassaladora que vinha de dentro e queria destruir Mera. Ela levou suas mãos até o pescoço da jovem e começou a sufoca-la. Mera chegou a revirar os olhos, estava quase desmaiando quando Snoke interviu e separou as duas com a expressão de sua força.
"Já chega." Por fim ele disse.
"Desgraçada!" Rey disse em fúria tentando correr até Mera, mas a guarda pessoal de Snoke agora segurava as garotas.
"Sucateira vadia!" Mera rebateu. "Eu devia ter matado a sua sucateirazinha com minhas próprias mãos quando eu tive a chance! Deveria ter matado vocês duas no momento em que Ben Solo assassinou covardemente meu irmão pra salvar a puta da esposa dele."
"Covardemente? Sua desgraçada!" Ela continuou a se debater tentando se livrar dos braços que a seguravam. "Eu vou matar você, Mera. Você vai pagar por tudo isso que fez, por todas as vezes que encostou essas suas mãos sujas em minha filha!"
"Suja é ela! A sucateirinha, suja igual a mãe vadia dela!" Respondeu.
"Mera Ren, já chega!" Disse Snoke. "Hux, leve ela daqui, terminamos nossos assuntos depois."
Agora seriam só eles dois para finalmente ter a conversa que Rey preferia que não existisse. Ela permaneceu parada olhando para o chão, com as lágrimas caindo dos olhos enquanto tentava não se desesperar.
"Pela sua reação imagino que deva ser verdade." Ela subiu o olhar para ele, afirmando com a cabeça. "É, foi uma péssima forma de saber... Mas agora que já aconteceu, temos que tomar nossas providências."
"Eu não posso ter essa criança." Respondeu Rey numa tentativa de mudar algo. "Não era o que eu planejava."
"O que a faz não querer a criança?" Snoke perguntou.
"Esta criança me liga a Ben Solo. Eu não posso possuir mais nenhum tipo de laço com ele. O único motivo pelo que ainda não desisti da vida é porque quero ver Ben Solo morto, eu não posso ter uma criança dependendo de mim. Seria uma vida muito sofrida."
"Deveria unir as duas coisas." Ela meneou a cabeça em duvida. "Talvez seria a melhor opção."
"Como assim?"
"Ao invés de se livrar dessa criança deveria trainá-la para ser maior que os próprios pais. Se aceitasse minha proposta, poderíamos treinar este herdeiro para que ele seja poderoso com a Força, algo que jamais foi visto antes. Olhe para os genes dele, olha todo o legado que ele carrega. Matar Ben Solo é fácil demais, acabaria ali e pronto, e depois?" Ele andou até ela, baixando o olhar em complacência, tentando persuadi-la. "Se Ben Solo matou a própria filha, deixe que seu próprio filho o mate."
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