Herdeiros do Império - (Reylo)
33 Consequências
"Tanto o amor quanto o ódio tem
capacidade de nos mover,
mas cada um nos conduz
a um destino diferente."
(Abílio Diniz)
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Ao longe ele já pôde avistar a insígnia da Resistencia sob algumas naves, ele reconheceu de imediato as antigas X-Wings, e o uniforme que usavam os membros da Resistência o fazia se lembrar de sua infância quando Leia o presenteou com um pequeno macacão antes levá-lo a Luke.
Kira estava acordada agora, e não saia do lado do pai de forma alguma. Eles pisaram no planeta então, e ela continuou o caminho segurando na mão do pai, encolhida enquanto andava abraçada em suas pernas com certo estranhamento com a agitação do local.
Assim ele a avistou pela primeira vez. A senhora trajada em grafite estava elegante como em todas as vezes das quais ele se lembrava e usava um penteado que combinava com a finesse das vestes. Ela encontrou seus olhos, há quanto tempo esperou por aquele dia?
Ali estava o filho dela, e ele não estava como Kylo Ren, suas roupas inclusive eram claras, e ao seu lado estava sua neta, ela a conheceria finalmente, lutou contra a emoção que queria lhe romper pois precisava recebê-lo com postura.
Chegaram ainda mais próximos um ao outro, e agora, além dela, Ben podia ver sua antiga mestre Dana, que não hesitou em olhar para ele em desaprovação, fazendo o rapaz desviar o olhar em vergonha. Owen Kenobi estava lá também, o pai de sua antiga esposa, pela primeira vez avistava a família da filha também.
"Leia!" Ben lutou contra toda sua vergonha pra poder dizer o nome. Era doloroso, era forte demais. Algo dentro de sua mãe a fez ficar bamba, mas ela continuou com a expressão séria.
"General." Ela complementou em tom ameno, fixando o olhar nele. "General Leia Organa, é como me chamam aqui." Ele assentiu com a cabeça. "Ben..." finalmente ele se identificou. "Solo..." e sentiu vergonha ao ouvir a mãe dizer o nome, ele havia manchado esse nome, destruído seu progenitor.
"Ben Organa Solo." Ben sorriu timidamente pra quebrar o gelo e baixou-se até sua filha. "Esta é a sua avó, Kira!" Disse para a filha num tom sútil, que escondia a face em suas pernas ainda em vergonha. Então Leia sorriu para a pequena e Ben levou sua filha até a avó.
Kira estava resistente no começo, mas quando Leia ofereceu suas doces palavras para a neta, ela logo sentiu que podia confiar na bela senhora. Em pouco tempo Leia a estava abraçando, aliviando toda a ânsia por respostas. Era como se tivesse voltado no tempo, era como se estivesse abraçando seu pequeno filho, e a envolveu de uma forma que Kira se sentiu protegida.
"Como seu cabelo está bonito!" Ela disse sorrindo ao apalpar o três coques. "Conheço alguém muito especial que também usa esse mesmo penteado." Kira a olhou atentamente. "Sabe quem é?" Perguntou sorrindo. "Rey..." então Kira sorriu. "Sua mãe é uma pessoa maravilhosa, Kira. Queria poder tê-la conhecido há muito mais tempo. Assim como queria ter conhecido você." As palavras de Leia eram suaves e aqueciam o coração da pequena. Leia lançou um olhar em repreensão para Ben, mas ele olhou para o lado desviando, que continuou parado de pé, enquanto Dana ao lado de Leia não disfarçava ao encarar o antigo aprendiz.
Leia levantou-se e então levou Kira pela mão até Owen, apresentando o senhor como seu avô, o pai de sua mãe. Ela logo se sentiu acolhida por ele também, que fez o mesmo comentário sobre os coques, pois sua filha, quando pequenina, também os usava.
Leia seguiu na direção de Ben após isso.
"Está sendo detido pela Resistência. É nosso prisioneiro agora, e sua penitência será prestar serviços à Resistencia para alcançarmos e destruirmos de uma vez por todas a Primeira Ordem."
"Tudo bem." Ben assentiu torcendo o nariz e olhando para baixo, era vergonhoso demais enfrentar sua própria mãe.
"Agora reverencie seus companheiros, iniciando."
"Reverenciar?" Ben Perguntou. "Eu posso trabalhar para a Resistência mas eu não vou me curvar diante dela. Diante de nenhuma Ordem, Leia."
"General! Para você é general Leia Organa." Dana interrompeu.
"Não irei me curvar. Não é preciso disso, querem me humilhar?"
"Se não está conosco, Ben Solo, então está contra nós." Leia deu passos lentos em direção ao rapaz, com as mãos cruzadas na frente de seu corpo. "Todos aqui se reverenciam como forma de respeito e não de superioridade, é a nossa forma de demonstrar companheirismo, não será humilhado jamais. Sinto muito se não aprendeu isso na Primeira Ordem."
"Eu já aceitei estar aqui! Eu já me arrisquei demais trazendo minha filha pro meio de tudo isso."
"Ela é minha neta, você não tem direito nenhum sobre ela agora com a Primeira Ordem louca atrás de você! Não vou deixar que ela seja levada por Snoke, sabe que não pode protegê-la sozinho por aí num deserto qualquer." Ela apontou o dedo em sua direção. "Reverencie, Ben Solo, mostre que ainda possui dignidade." Ela disse mais uma vez ríspida, não o deixaria se juntar à Resistência se não o fizesse.
Ele continuou parado de pé, com os punhos cerrados até que sentiu um forte puxão em seu cabelo enquanto Dana o fazia se ajoelhar perante Leia.
"O que?" Murmurou.
"Obedeça a general, Ben Solo, ou eu acabo com você aqui mesmo."
"Papai!" Kira gritou tentando se soltar de Owen. "Não! Papai!"
Os olhos negros de Ben rolaram para os de Kira, estava sendo humilhado na frente da própria filha, ele não podia aceitar isso.
"Owen, leve-a daqui." Disse Leia com um sorriso de canto para o companheiro.
Leia se aproximou ainda mais, estava a poucos passos de Ben. Sentia-se péssima vendo aquilo acontecer ao seu filho, mas precisava continuar firme, precisava que ele demonstrasse toda sua redenção.
"Anda, Solo! Mostre o respeito que tinha por Snoke para sua mãe, é ela quem merece alguma coisa!" Ela puxou os cabelos de Ben para trás fazendo ele achar que ela quebraria seu pescoço, ele não conseguia lutar com sua antiga mestre. "Está surdo?" Ela gritou em sua orelha.
"Está bem, está bem!" Respirou fundo. "Me solte, Dana!" Ben rosnou fitando a mulher. "Leia Organa..." e então Ben abaixou a cabeça lentamente a reverenciando, um fluxo de adrenalina atingiu seu sangue, estava tremendo. "Senhora, general... Leia Organa." E então depois da reverência a fitou profundamente, ela sorriu de canto de boca ao ver o filho cooperar por mais que não tenha sido com toda sua vontade.
"Ben Organa Solo." E então ela deu uma leve acenada com a cabeça, assim como fazia com os companheiros da resistência quando se cumprimentavam, demonstrando que ali não havia questões de superioridade, mas sim de irmandade e respeito, e que agora ele seria uma parte daquilo.
"Vamos!" Dana rosnou o segurando pela parte traseira da gola de sua camisa rasgada. "Não terminei com você ainda, Ben Solo!" E então puxou Ben o levando com ela.
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A escuridão lhe atingiu com permissão. O frio, a dor, o desânimo, a falta de vontade pela vida. Estava sozinha agora pairando pelo universo na antiga nave familiar, encarando o horizonte, observando as estrelas. Tudo era tão gigante, os mundos eram tantos, mas parecia ao mesmo tempo tão vazio. Estava longe de alguma galáxia, conseguia apenas ver os desenhos ao longe, decidindo-se o que deveria fazer.
Deveria continuar vagando pelo Universo? Voltar a entrar em contato com a Resistência? Não, ela não deveria fazer isso, eles também estavam envolvidos nesse problema todo. Luke Skywalker e Leia Organa, ambos sabiam de seu passado e ambos preferiram lhe esconder a verdade, usar desse privilégio para coagi-la em seus planos contra o Lado Sombrio. E por que contra? A paz era uma mentira, não existia Luz, não existia Trevas, existia a Força. Os Sith, os Jedi, os Rebeldes, o Império, a Resistência, Primeira Ordem, eram todos iguais.
Os mesmos fabricantes de armas, eles vendiam armamento para ambas as ordens, fabricavam naves para ambos os lados, a guerra em si era uma mentira, pois ela nunca teria fim. Não existia fim, não naquele jeito.
Estava com o cotovelo sob a mesa de controle e com a mão apoiando sua cabeça, as lágrimas escorrendo pelas bochechas enquanto os ossos fundos dos seios da face lhe presenteavam com olheiras. Seus ossos estavam voltando a aparecer, estava a dias sem se alimentar direito, apenas na base da água e poucas porções, afinal, para que comer? Para que viver? Kira estava morta, não existia um propósito. Ou existia?
Havia um bebê dentro dela, que dependia dela, um parasita que provinha de seu pior inimigo, ele fez isso a ela, ele era o culpado. Ela não devia ter a criança, o equilíbrio, a profecia, nada fazia sentido pois Kira estava morta. Que ela também morresse então.
Foi no terceiro dia vagando pelo vasto deserto espacial que sentiu uma vibração anormal mas já conhecida em sua nave. Merda! Ela estava sendo capturada por alguma coisa. Rey tentou o que podia, em prontidão tentou avançar na velocidade da luz, mas o que a estava sugando era muito mais forte, muito maior. Não estava nada legal, com certeza não estava.
Ela então tentou se esconder na própria nave, mas seria em vão. Qualquer que fosse a pessoa que estivesse fazendo aquilo com ela a descobriria, uma nave não vagaria pelo Espaço sozinha. Sabiam que havia alguém ali, e talvez a estivessem considerando como uma invasora. O que ela faria agora? Como explicaria que foi parar ali? Antes tivesse engolido o orgulho e clamado pela Resistência, o que lhe restou foi rezar para que o destino fosse esse, mas não. Ela reconhecia aquele local há um bom tempo já. Seu pior pesadelo se tornou real. A nave estava sendo apreendida pela Primeira Ordem.
Era o fim dela, era sua sentença de morte. Ela era uma traidora da Ordem, explicitamente. Seu corpo todo tremeu, ela entrou em choque, suas pupilas dilataram-se e ela paralisou no tempo, não conseguia se mexer, tanto que quando os troopers entraram na nave encontraram a jovem parada sem resistir, pois ela não enxergava mais nada, e estava fraca demais pra tentar reagir.
Eles a pegaram em ambos os braços e a levaram até o General Hux. O ruivo sorriu quando a viu, mas ela ainda estava em choque, como se não reconhecesse aquele homem e nada do que Hux dizia a ela surtia efeito. Logo percebeu que algo não estava normal, não adiantaria nada as suas piadinhas e ofensas contra a mulher, pois nada além de seu interior ela escutava. Então Hux ordenou que ela fosse aprisionada em uma cela.
A mulher passou o resto do dia até a manhã seguinte no local enquanto lentamente ela ia recuperando seus sentidos. Estava calada, não reagia a nada que diziam, e de fato era melhor desse jeito. Quando se deu por si caiu na realidade e entendeu o fato de estar na Primeira Ordem. Ela engoliu em seco, apertou os olhos, segurou o ventre que insistia em lhe causar dor. Ela soltou um grunhido novamente, estava tendo aquela dor insuportável de novo. Em seguida Hux apareceu e ordenou que os troopers a algemassem.
"O bom filho a casa torna!" Disse o ruivo sorrindo sem humor. "Vamos!"
Então ambos os troopers colocaram-se ao lado dela e a levaram pelo braço. A garota, agora algemada, percorria os longos corredores, e ao olhar para os lados podia ver os membros da Ordem a encarando em surpresa. Alguns felizes, outros em dúvida, mas muitos incrédulos com o fato de ela estar ali.
"Escória rebelde!" Ouviu alguém dizer pouco próximo dela mas não virou para encontrar a face do emissor, e aos poucos ia identificando aquele caminho, era o caminho que a levaria para a sala do Líder Supremo. Ela respirou fundo contra a náusea que sentiu e o medo que voltou a tomar conta de si.
As longas portas se abriram, e ao fim do caminho ela já podia ter a visão de Snoke sentado em seu trono, como de costume, e os Cavaleiros postos a cada lado de seu mestre. Os pretorianos estavam lá também, a guarda pessoal de Snoke, o destino dos aprendizes descartados.
Quando bem próxima a Snoke, os dois guardas a lançaram em direção ao chão, que caiu batendo os joelhos no piso e as palmas da mão a segurando para não bater o rosto contra o assoalho. Eles se afastaram da garota e então Hux se colocou ao lado do líder supremo.
"Você está de volta!" Disse o líder supremo em espantosa euforia enquanto Rey tentava se levantar. Ela estava muito fraca, e era visível em seu corpo a expressão de seu sofrimento.
Ela tentou duas vezes mas em ambas falhou, além de tudo ainda sentia a dor no ventre, mas precisava passar por isso e disfarçar o sinal de sua gravidez. Kendrick virou-se para o líder e alegou que a jovem estava muito fraca, pediu para que lhe ajudasse a se levantar. Snoke deu de ombros mas permitiu e então Kendrick na companhia de Eslo seguiram em direção da garota e a ajudaram a se levantar com calma. Eslo voltou para o lado de Mera então, mas Kendrick permaneceu ao lado de Rey a direcionando para mais perto do trono.
"Traidora!" Snoke disse em alto som, e Rey não ousou olhá-lo nos olhos. "Onde está Kylo Ren?"
Rey então levantou os olhos para Kendrick, como se lhe perguntasse mentalmente se era seguro responder. Kendrick permaneceu a fita-la, mas nada viria de sua indagação. Havia medo nos olhos de Kendrick também. Medo, todos sempre controlados pelo medo.
"Eu sei de tudo agora, eu sei sobre Kira, sei quem eu sou. Meu nome é Renesmy Palpatine Kenobi." Alguns dos cavaleiros se surpreenderam. Eles sabiam que Kira possuía sangue imperial em suas veias, mas acreditavam que aquilo provinha de Anakin Skywalker, somente. Mas não do Imperador Palpatine, apenas Snoke sabia. "Nasci em AlfSlavtar, não sou uma catadora de lixo como você me fez acreditar que eu era." Rey estava tomando um passo perigoso afrente, mas agora já sentia que sua vida teria um fim, e de fato nada mais valeria. Ninguém a tiraria dali pois ninguém sabia onde ela estava. "Kylo Ren está morto." Disse com cautela ao mesmo tempo que com satisfação. "Você me manipulou esse tempo todo! Eu agora sei que Kylo Ren matou minha filha, então eu o deixei para morrer em Jakku."
Snoke reclinou-se em direção a garota em seu trono, que demonstrava um semblante agora confiante, pena que iria decepciona-la.
"Acha mesmo que Kylo Ren está morto?" Ele sorriu para ela, que logo arregalou os olhos e tornou a respirar com dificuldade. "Kylo Ren está com a Resistência. Ele é prisioneiro de guerra deles agora." Ele aproximou-se mais, andando em sua direção. "Você é mesmo uma inútil!" E então Snoke lhe tapeou a face, a garota caiu novamente no chão, e Snoke impediu que Kendrick a ajudasse a se levantar. "Acha mesmo que ele morreria no deserto? O conhece o suficiente para saber que ele não morre fácil." Rosnou. "Você o entregou para a Resistência o deixando em Jakku, mas você não queria que ele morresse de verdade, queria?"
Ela engoliu em seco e voltou a encarar Snoke, com a palma da mão no lado tapeado de sua face, com raiva.
"Não, não pode ser. Eu o deixei para morrer, ele estava longe de qualquer chance de sobreviver. Ele tem de estar morto, ele tem! Ele matou minha filha, ele não pode estar vivo! Aquele desgraçado!" Então a jovem começou a chorar.
"Agora a Resistência tem o membro mais poderoso da Primeira Ordem ao lado deles para destruir o Império." Snoke andava de volta em direção ao trono, sentando-se e soltando uma expiração de cansaço.
"O que vai fazer agora? Vai me matar?" Rey perguntou advertindo-se mentalmente.
"Não!" Snoke a respondeu. "Eles estão com Kylo Ren, precisamos de você como uma moeda de troco, ao menos. General Hux, leve a prisioneira para o antigo quarto, preciso que ela melhore essa aparência. Depois que conseguirmos ele de volta nos livramos de você."
Em seguida o resto também saiu do salão, mas Eslo e Mera continuaram, esperando ter certeza de que ninguém os ouviria, e Snoke já sabia que eles provavelmente haviam perguntas a fazer.
"A filha deles não está morta." Mera afirmou confusa. "Não é?"
"Sim, Mera." Snoke respondeu. "Kira está viva, e você viu o ódio que Rey está sentindo por ele, só por acreditar que ele a tenha matado. Isso será útil."
"Faz sentido." Disse Eslo. "Ela está muito mais manipulável agora. Provavelmente querendo vingança. Se oferecermos isso a ela talvez até façamos ela mudar de lado."
"De novo?" Mera questionou. "A garota é luz pura, dá pra sentir!"
"Não, Mera." Snoke intrometeu-se. "Pouco sabe sobre a luz ou a escuridão."
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