"Eu tenho um medo, oh em meu sangue
Ela foi levada até as nuvens, alto
Se você sangrar, eu sangro da mesma forma
Se você está com medo, eu estarei a caminho"
(Where's my love — Syml)

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Ach-To, 2 meses atrás.
Ele os encontraria, Rey temeu tanto. Seria impossível continuar se escondendo de Ren. O treinamento de Rey com o mestre Luke não era pra ser algo tão simples assim, é claro que Kylo Ren não deixaria que aquela garota, incrivelmente habilidosa com a força, caísse nas mãos de Luke e seguisse o lado da luz.
Rey meditava no topo de uma grande formação rochosa enquanto as fortes ondas do oceano batiam nas grandes pedras abaixo dela. Seus olhos se abriram abruptamente quando sentiu a presença do inimigo. Uma nave pousou no planeta fazendo com que o estômago de Rey revirasse completamente. A nave não era nada parecida com aquelas que ela conhecia da Resistencia, muito pelo contrario, ela sabia que era algo relacionado a Primeira Ordem e seu corpo todo congelou quando pensou que com ela viria Kylo Ren.

Rey correu em direção ao centro da ilha para poder se juntar ao seu mestre, ela sabia que ele corria mais perigo do que nunca agora. Kylo Ren queria ver Luke morto e esse era um dos motivos pelo qual ela estava lá, precisava criar forças e consequentemente ajuda-lo em sua luta contra seu sobrinho.
"Mestre!" Ela gritou em direção à Luke, que estava paralisado observando a nave pousar. Seu olhar se encontrou com os da garota em seguida e ela não pôde compreender a serenidade em seu olhar. Ela estava aflita enquanto que seu mestre parecia calmo.
Ele permaneceu lá, sem dizer nada. Rey se aproximou ao observar que a porta frontal da nave abria-se. O medo tomando conta de seu corpo, rapidamente agarrou no sabre em seu cinto, pronta pra atacar. Sentia medo. E se Kylo estivesse lá para se vingar dela? E se ele conseguisse matar Luke como queria? E se ela não pudesse fazer nada e o pior: como ele conseguiu encontra-los?

"Skywalker." A voz dissipada pela mascara alcançou os ouvidos de ambos mestre e aprendiz. Kylo era acompanhado por 2 stormtroopers armados.
"Kylo Ren!" A voz de Luke era rouca. "Finalmente conseguiu o que queria, o que ganha com isso?"
"Acalme-se, eu vim para conversar e fazer um acordo." Kylo sugeriu e então suas mãos foram em direção à sua mascara, ele a tirou. Seus olhos se encontraram com os de Rey primeiramente, quase ignorando a presença de seu tio. Ela desviou o olhar engolindo em seco. "Sabe por que estou aqui?"
"Não me interessa o seu motivo, mas sim como nos encontrou aqui!" Luke rosnou direcionando Rey para trás de seu corpo, a protegendo. O coração da garota batia rápido a medida que ela espiava aquele ser sombrio, agora com uma enorme cicatriz no rosto, a cicatriz que ela havia dado a ele.
Kylo deu um sorriso sarcástico em direção à Luke, achou patético como ele tentava protege-la, sabia que, se quisesse, destruiria a garota apenas com a força, mas ele não queria. "Como encontrei você? Esse planeta patético? Sua aprendiz não consegue evitar a vontade de estar comigo, mestre Luke." Kylo sorriu. "Os pensamentos de Rey são tão intensos! Ela clama por mim pela noite quando tem pesadelos, ela pele minha proteção inconscientemente, acabou me concedendo sua localização sem que ao menos eu precisasse me esforçar. E o melhor: ela não teve consciência de nada..."
"Mentira!" Rey gritou se afastando do mestre Luke, ele a barrou, impedindo que chegasse perto do homem.
"Você sabe que é verdade! Não são apenas sonhos, Rey. É a conexão entre nós. Aquilo é real, nos encontramos todas as noites em um mundo paralelo. Não tenha medo Rey, eu também sinto." Kylo a fitou. "Ela foi ótima bloqueando minha performance dentro da mente dela aquele dia na interrogação. É difícil ler o que se passa em sua cabeça mas, em seus sonhos, ela se abre totalmente..." Rey entrou em choque e de fato ele tinha razão, seus sonhos eram geralmente inundados por acontecimentos estranhos que envolviam Kylo Ren, e ela não entendia. Por que chamaria por ele? Tentou tanto desviar seus pensamentos de sua conexão com Kylo... "Ela chama por mim todas as noites, Skywalker."
"Está mentindo!" Luke indagou e então olhou para trás, em direção aos olhos de sua nova aprendiz. "Ele está falando a verdade?"
"Eu não sei!" Ela sussurrou. Luke apertou os olhos, abaixou a cabeça, não era possível que aquilo estivesse acontecendo de novo. E Rey não podia evitar, a culpa não era dela.
"Pois então, eu vim fazer um acordo com você, querido tio." Kylo se aproximou enquanto Luke e Rey se afastavam. A chuva começou a ficar mais forte, tampando a visão de Rey, que se esforçava para encarar Ren.
"Ora, fale logo e nos deixe em paz, Ren!" Luke vociferou. "O que você quer?"

Kylo sorriu de canto. Andou lentamente em direção a Luke. À medida que se aproximava as batidas no coração da garota se tornavam mais intensas. Estava a 5 palmos de sua face. Seus olhos se encontraram com os da garota, permaneceram por alguns segundos se encarando quando finalmente falou:
"Eu quero a garota!" Kylo sorriu.
"Não!" Rey gritou tentando sair da proteção de Luke, ela acendeu seu sabre azul quase atingindo a face de Kylo. O mestre dos cavaleiros de Ren tirou seu sabre de baixo de seu manto e também o acendeu, fazendo com que a luz vermelha iluminasse a porção de terra abaixo de seus pés. Luke acabou tendo que fazer o mesmo.

Rey se esquivou em direção à Kylo, seus sabres se chocaram. Ela era muito determinada. Seus golpes eram intensos e ela tentava de todas as formas dilacerar o corpo do rapaz. Ela queria machuca-lo de novo, deixa-lo no chão. Ela o fez uma vez e pensou que não seria difícil faze-lo novamente. Apesar de todas as tentativas o rapaz era muito mais habilidoso do que ela. Sem muito esforço Kylo usou a força para jogar o corpo de Rey para longe.
"Essa briga não é entre nós!" Ele gritou para a garota que tentava se reerguer quando Luke o golpeou. Os dois começaram a duelar e Rey assistia o choque entre os sabres verde de Luke e vermelho de Kylo.

A garota se levantou e foi em direção aos dois. Luke e Rey trabalhavam juntos tentando golpear Ren. Ele era muito ágil e conseguia evitar os golpes. Os três seguiram em direção à um penhasco sem perceberer, foi quando Rey escorregou na ponta de uma pedra tentando se esquivar do sabre cor de sangue e se encontrou pendurada pelas mãos tentando se salvar de uma grande queda em direção ao oceano.
"Luke!" Rey gritou e então seu mestre observou que a garota estava em perigo.
Kylo a observou e nesse lapso de falta de atenção Luke o desarmou. Seu sabre voou para longe e então ele correu, tentando evitar os golpes de Luke apenas com o corpo. Do outro lado Rey continuava gritando por seu mestre, a chuva batia nas pedras e cada vez se tornava mais difícil se segurar, achou que não aguentaria.

Estava tudo certo, era a chance de Luke. Ou ele salvava Rey ou ele golpeava Kylo e finalmente todo o problema teria sido resolvido, ele poderia descontar toda sua raiva, toda a sua decepção com o sobrinho, e mais: poderia livrar a galáxia daquele ser tão perigoso, tão perdido nas trevas e quase sem chances de retornar para casa. Kylo gemia tentando alcançar seu sabre preso em uma pedra perto de onde Rey pendia.

A garota esboçava dor e lagrimas saiam de seus olhos enquanto ela desesperadamente gritava por Luke, seus dedos estavam quase escorregando, a gravidade puxaria o corpo de Rey em segundos e ela cairia sobre as pedras antes de chegar no oceano. Foi quando a garota sentiu seu corpo ser embalado por uma estranha sensação que a fazia flutuar pelo ar em direção à segurança da terra firme, ela soube naquele instante que era a ação da força. Rey procurou por seu mestre mas não era ele quem a havia salvo, mas sim Kylo Ren.

Ela repousou na terra próxima a Ren. Ele tentou ajudar a garota a se levantar mas ela o rejeitou. Depois de alguns segundos ele só a ouviu dizer obrigada em voz baixa. Luke aproveitou a distração de Kylo e paralisou quando percebeu que seu sabre havia quase perfurado o abdômen de Ren. O rapaz gritou de dor e Rey o puxou pelos braços, o afastando de Luke. Ele gemia com dor enquanto Rey não sabia o que fazer, nem o que sentir. O que estou fazendo? Luke pensou. Assustou-se com a situação, com seus pensamentos sombrios. Foi quando viu a garota se levantar e seguir em passos determinados em sua direção.
"Você ia me deixar morrer!?" Ela gritou com seu mestre. "Você... você está cego?" Rosnou. "Vive me ensinando a evitar a tentação do lado sombrio mas então quando você tem a chance de ferir Kylo Ren você prefere faze-lo a salvar a minha vida?" Ela dizia entre lágrimas. "Você não se importa realmente. Sua sede de vingança está te cegando! Isso não é uma atitude esperada de um jedi!"
"Não me questione, Rey. Eu não a deixaria morrer!" Ele disse ríspido. "Vá embora Ren, você está em desvantagem!"
Rey olhou com desprezo para Luke e se afastou dos dois. Deu uma ultima olhada a Kylo que logo seguiu até sua nave, com a ajuda de seus soldados, avisando a seu tio que aquela não seria a ultima vez que o veria.
"Pense nas coisas que podemos fazer juntos, você pode governar a galáxia comigo, seremos invencíveis, líderes da Ordem de Ren." Disse se referindo a garota, que deu de ombros. Sua nave se desfez no horizonte e Ren voltou à nova base da Primeira Ordem.

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Eram 5 da manhã quando Kylo deixou o quarto de Rey no outro dia. Ele caiu tão profundamente em seu sono que mal se importou com a cabeça da garota repousada em seu peito.
Antes de fechar a porta com muito cuidado, Kylo se permitiu dar uma última olhada ao corpo sonolento de Rey. Permaneceu adormecida em sua cama como se a presença de Ren ainda estivesse lá.
Kylo sabia que tinha obrigações a cumprir e agradeceu aos deuses por ninguém te-lo visto sair do quarto de Rey naquela manhã. Seu quarto ficava ao lado do dela. Ele se dirigiu até sua habitação e tomou um longo banho, deixando a água cair em seu rosto tentando digerir o que acabara de acontecer. O que está acontecendo comigo? Pensou. Kylo segurava em seu peito uma enorme angústia pelo fato de estar tão próximo de Rey, de não conseguir conter seus sentimentos para dentro de si. E tinha seus cavaleiros. Eles jamais permitiriam que seu mestre construísse uma relação amorosa. E ele se perguntava ainda por quê chegou a pensar nessa possibilidade, por quê estava se preocupando com o que seus cavaleiros iriam pensar se nem ao menos ele deveria se permitir pensar na possibilidade de construir um amor. E por que com Rey?
Ele interrompeu o fluxo de água acabando o banho, vestiu seu traje e encarou sua imagem no espelho.
"Você deveria parar de se importar tanto." Sua imagem propôs.
"E você não deveria estar aqui, você está morto." Kylo urrou sabendo que aquele era Ben Solo tentando ocupar seus pensamentos. Ele piscou algumas vezes e começou a gritar. "Você não é real."
"Não, você não é real!" Sua imagem sorriu ironicamente.

Kylo deixou o quarto abruptamente, achou que estivesse ficando louco. Sua cabeça doía e ele tentava se afastar ao máximo daquele lugar, se afastar ao máximo da imagem de Ben Solo. Desde que chegou à base, Kylo sempre evitava se olhar no espelho em uma tentativa falha de tentar não enxergar a face de seu outro eu, Ben. Aquele que ele insistia estar morto, sempre o afrontava no espelho. Ele não sabia que tipo de distúrbio mental era aquilo, mas tinha medo de que fosse algo relacionado à força, por isso preferia mentir para si mesmo dizendo que aquilo fazia parte de algum delírio de sua mente. Era difícil esquecer Ben Solo, ainda mais agora com a presença de Rey, que inconscientemente o fazia lembrar da existência da luz.

"Aparentemente você não tem nada." Hux começou a falar após examinar as pupilas de Kylo. O ruivo se sentou em frente ao mestre repousando a mão em seu ombro. "Olha eu acho que você anda muito estressado, apenas isso." Hux sorriu tentando conforta-lo.
"Fazia um tempo que isso não acontecia." Kylo engoliu seco. "É tudo culpa dela, ela está me deixando louco! Eu viro as costas um segundo e ela se mete em confusão!"
"Esperável, Kylo Ren, ela é uma catadora de lixo, acha que pode desbravar o mundo sem nenhuma consequência."
"Armitage Hux, ela não é mais uma catadora de lixo."
"Não se pode negar a essência, Ren." Hux disse com duplo sentido, foi como Kylo Ren sentiu em seus ouvidos, o general sabia ser muito inconveniente quando queria. Ele se referia a Ben Solo ao mesmo tempo.
"Preciso de você mais presente no comando da base." Kylo sugeriu. "Está tudo se realinhando agora e acho que você já pode deixar esse cargo. Pode fazer o papel de antes, como médico particular quando a necessidade for maior. Uma nova leva de médicos formados estará chegando de Arkanis na próxima semana."
"Sim, senhor." A irritação na voz de Hux era evidente, odiava receber ordens de Kylo.

Pouco tempo depois Rey acordou. O quarto era tão grande, tão diferente daquele em que ela dormia antes. Pensou ser um quarto destinado a algum cavaleiro de Ren pela tamanha grandiosidade. Notou que a cama estava vazia quando se lembrou que quando dormiu Ren ainda estava lá. Rey vestiu seu traje de aprendiz e se dirigiu até o salão para um café. Chegando lá a reação dos outros aprendizes se tornou ainda pior. Eles estavam bem diferentes e agora nem a olhavam nos olhos. Era a primeira vez que ela os via depois do que Hale fez a ela naquele dia.

Rey comia cereais naquela manhã e se lembrava da noite anterior, por vezes sorria sozinha. O calor dos braços de Ren ainda a inundava. Ela respirou fundo tentando afastar aqueles pensamentos quando foi surpreendida pela presença de Hale. A garota se sentou ao seu lado. Rey não virou o rosto em sua direção, manteve seu olhar ao horizonte enquanto ouvia a garota falar:
"Estou aqui para te pedir perdão. Eu sei que você não tem a obrigação de aceitar minhas desculpas mas quero te dizer que eu não tive escolha. Mera é muito centrada, muito dura também. Eu simplesmente não podia dizer não." Ela sussurrou evitando que os outros ouvissem. "Sei que pode não acreditar mas acho que ela entrou em minha mente e comandou meus movimentos."
"Eu sinceramente não quero saber de suas desculpas, estamos aqui para isso, apenas os melhores ficarão." Rey respondeu ainda sem olhar em seus olhos. "Agora me dê licença."

Ela se retirou do salão e seguiu em direção ao seu treinamento com Ren. O local estava vazio a não ser pela presença das estrelas que observava pelo vidro. Aguardava ansiosamente por Ren até que ele chegou, a pegando desprevenida e desatenta como sempre.
"As estrelas te fascinam!" Ele sussurrou no ouvido da garota, uma proximidade enorme entre seus corpos. Ela deu um pulo.
"Você sempre faz isso!"
"Não tenho culpa se você está sempre viajando em seus pensamentos!" Ele sorriu ironicamente. "Precisamos levar seu treinamento mais a fundo, Snoke acredita em seu potencial e eu tenho falado muto sobre você."
"Talvez não devesse fazer isso, não quero que ele se decepcione com você!"
"Ele não irá, Rey. Você é melhor do que até mesmo eu pensei..." Ele sorriu.

Rey o olhou por alguns segundos nos olhos. Seus olhos como carvões. Ela o achava tão frágil dessa forma. Todas as vezes que ele se abria para ela, ou lhe contava suas aflições. A garota que se sentia tão pequena perto dele tomava proporções maiores em sua vida.
"Olhe para as estrelas, olhe como elas brilham por você!" A frase atingiu o coração de Rey, o aqueceu, era tudo que ela precisava agora. Ele a envolveu em seus braços e ela repousou sua cabeça em seu peito por um tempo. "Está tudo bem, você não precisa se preocupar com isso agora, ele vai relevar as coisas que disse."
"Ren, eu..." Ela engasgou. "Queria agradecer pelo que fez por mim ontem, se não fosse por..." Ren a interrompeu quebrando o abraço e se afastando dela.
"Não vamos falar sobre isso!" Sua expressão ficou séria. "Esqueça aquilo e vamos começar logo, para o centro." Ele disse, ríspido e Rey se arrependeu amargamente por ter tentado lembrar da noite anterior e o agradecer.
"Sim, mestre!" Respondeu.
"Você conseguiu ler meus pensamentos ontem, vamos treinar isso. Quero que tente entrar em minha mente, assim como fiz com você naquele dia." Ren disse suavemente. "Vai se concentrar, vai usar toda sua força e foco em mim. Não deixe nada escapar."
"Sim, senhor."
"Sem formalidades, Rey, sem formalidades..." Ele a conduziu pela mão até o centro do salão. Ela congelou.
Rey não sabia como fazer mas queria. Queria repetir aquilo que fez na sala de interrogação quando os pensamentos de Ren fluíram para a cabeça de Rey facilmente, como se fossem conectados e agora ela tinha certeza que eram. A garota fixou seu olhar em Ren, tentando criar a conexão, respirou fundo. Levou suas mãos para ambos os lados da face de Ren, concentrando seus dedos em suas têmporas. Rey fechou os olhos e sentiu a adrenalina correr por suas veias quando finalmente entrou na mente de Kylo. Era tudo sombrio. Doía invadir seus pensamentos e ela finalmente entendeu o que ele quis dizer com "não tenha medo, eu também sinto." A medida que ela entrava mais fundo seu coração palpitava mais forte enquanto suas pupilas dilatavam e sua cabeça pulsava. Kylo também sentia. Gemeu de dor.
"O que você vê?" Kylo gemeu se esforçando ao perguntar.
Imagens da infância de Kylo se mostraram para a garota. As imagens eram distorcidas mas vez ou outra ela conseguia identificar os acontecimentos. Ela via Leia sorridente, e Han. Via a expressão de morte da face do homem. Via os conflitos internos na cabeça de seu mestre, via rancor.
"Eu vejo..." Ela sussurrou. "Vejo... Medo..." Ela grunhiu. "Você se sente solitário, você acha que seus pais nunca voltarão para buscá-lo. Você está com Luke... Seu tio."
"O que mais?" Seu peito apertou.
"Leia... Ela te segura nos braços e você acha que aquele é o lugar mais seguro do mundo." Rey cambaleou, quase sem forças.
"Vamos parar!" Ele sussurrou.
"Não!" Disse ríspida. "Eu vejo... Han Solo. Você se culpa tanto, se odeia tanto por isso... Se lamenta todas as noites antes de dormir."
"Já chega!" Ele rosnou.
"Você... Você se arrepende!?" Ela fitou seu olhar. "Você quer ser bom o suficiente para Snoke, quer ser sempre melhor que seus cavaleiros!"
"Já chega Rey. Pare!" Ele tampou os ouvidos, apertou os olhos. Ele queria que aquilo parasse.
"Você sente culpa pelos massacres que fez!"
"Pare!" Ele gritou e apertou os punhos de Rey. "Você nem queria estar aqui!" Rosnou. "Você acha que tem uma dívida com eles, e Han Solo." Ele gritou. "Ele nem está mais aqui!" Ele rebateu toda a força que Rey usava sobre ele, invadindo facilmente seus pensamentos agora. "Você pensa que deveria estar em Jakku, esperando por aqueles que você sabe que não irão voltar!"
Rey corou, lágrimas caindo por sua face.
"Você não se lembra quando chegou em Jakku, só se lembra do Sol invadindo suas pupilas." Ele se reergueu, agora mais forte, a segurando pelos punhos ainda. "Você se sente fraca! Você se odeia por estar aqui!" Ele sorriu ironicamente. "Você usou o mesmo penteado e roupas durante esses anos achando que ele não a reconheceria se você tivesse mudado. Mas você nem sequer se lembra da face dele... É isso te atormenta."
"Pare!" Ela chorou.
"Você procura por alguém que nem sabe quem é!"
"Saia da minha cabeça!" Rey gritou e sua força fez com que Kylo fosse jogado a metros para longe dela. Ela o olhou por uma última vez e saiu correndo do salão, o deixando sozinho.

"Acredito que ela está mais do que preparada!" Kylo se dirigia ao líder supremo. "Ela é habilidosa com a força, tem sede de poder, ativar a raiva nela não é difícil."
"Como tem tanta certeza?" A voz de Snoke era rouca.
"Ela invadiu minha mente, tirou informações profundas de minha memória, é claro que ela precisa de um maior aprofundamento mas com a continuação do treinamento e uma maior dedicação acredito que ela possa ser nossa oitava!" Ele sorriu admirado. "De todos os aprendizes ela é a melhor, ela aprende muito rápido, é como se tivesse nascido para o lado sombrio! Ela é incrível, eu diria que ela chega ao nível de Mera Ren."
"Impossível, nem mesmo Eslo chega ao nível de Mera." Snoke parecia irritado e incrédulo nas palavras de Ren.
"Exatamente." Ele o encarou admirado, com um sorriso nos lábios.
"Se o que você diz é verdade, traga-a a mim!"

Os gritos voltaram a atingir os ouvidos de Ren naquela noite. Rey não estava tendo um bom tempo. Os berros ultrapassavam as paredes e ele não conseguiria ficar ali, parado, sem fazer nada. Naquela noite Ren seguiu novamente ao quarto de sua aprendiz e em passos lentos se dirigiu à cama da garota. Ela abriu levemente os olhos quando sentiu o calor do rapaz atravessar seu corpo. Ele a aninhou em seu peito e os gritos cessaram. Seu rosto estava inundado em lágrimas e ela tremia.
Rey o olhou nos olhos e antes que pudesse agradecer por sua presença ele a silenciou.
"shhhhhh." Ele sussurrou. "Estou aqui." E com essas palavras ela adormeceu em seu peito. Não foi diferente, nessa noite ele saiu do quarto antes que ela acordasse e em seu treinamento eles não trocaram uma palavra sobre a noite anterior. Por dias continuou assim.
Todas as noites Kylo seguia para o quarto de Rey quando ouvia seus gritos. Ela se protegida de tudo e todos quando com ele. Ela se sentia bem e ele não se sentia desconfortável ao faze-lo, pelo contrário, a cada dia seu coração se aquecia mais quando sentia que estava fazendo algo de bom por ela. Ele se sentia responsável, se sentia na obrigação de cuidar daquele ser tão angelical. As batidas mais fortes no coração do rapaz somadas ao frio na barriga que se fazia presente quando deitado ao lado dela foram o suficiente para o começo de sua autodestruição.

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"Alguém pisou dentro de sua alma
Pouco a pouco eles assaltaram e roubaram até que outro alguém estava no controle
(...) Eu tenho um desejo de sobrevivência
Então você pode me machucar e me machucar ainda mais
Eu posso viver com a negação
Mas você não é mais um problema pra mim."
(Troubles — U2)

Notas finais
Peço, primeiramente, desculpas pela ausência. Sei que demorei muito para atualizar esse capítulo, mas, acreditem, eu estou cada dia mais absorvida por essa história. Gostaria também de me desculpar pelo capítulo curto. Em segundo, espero que estejam gostando da história, gostaria de pedir, encarecidamente, que votem para ajudar a história e comentem se possível para que eu saiba o que estão achando e o que esperam nos próximos capítulos. Terceiro, gostaria de agradecer a todos que estão acompanhando e deixando comentários tão gentis para os capítulos! Vocês são muito especiais, são vocês que fazem a história acontecer. E, finalmente, eu gostaria de fazer um agradecimento muito especial à Lydia Martin que há um tempo tem me ajudado muito a tornar tudo isso concreto a vocês. Sem ela confesso que a história não teria tomado o rumo incrível que está tomando! Muito obrigada, Lydia, você é sensacional. Até o próximo.