Herdeiros do Império - (Reylo)
28 Statera

A profecia de Statera:
Quando a sombra ascender,
o seu oposto na luz deve renascer.
O claro se funde à escuridão.
Os dois opostos irão se unir
Para uma terceira força construir.
A nova escuridão será concebida em tempos de luz,
enquanto a pura e nova luz será concebida em tempos escuros.
Juntos o equilíbrio encontrarão.
•••
Dana observou a destruição ao longe. Ben Solo, aquele desgraçado, ela ainda o faria pagar por tudo isso. Alguns de seus colegas na academia estavam gemendo no chão, feridos, poucos conseguiram sobreviver de alguma forma. Por sorte Luke não estava na ilha aquela noite.
Quando ele chegou, acompanhado de R2D2 e observou a destruição, caiu de joelhos sobre a terra e lançou seu olhar para Dana, sem precisar que ela lhe contasse o que havia acontecido, ele entendeu.
A energia de Ben ainda estava muito presente lá. Ele podia sentir.
Dana ajudou os colegas da forma que pôde, montaram um abrigo nos destroços que sobraram e depois recolheram os corpos para juntá-los numa grande fogueira. Que o espírito fosse purificado pelo fogo e liberto para se unir a força.
Eram tantas crianças, jovens, que Luke perdeu sua sanidade. Ele ficou literalmente maluco e foi embora. Era sua culpa, ele sentia isso. Como ele deixou que dois de seus aprendizes se apaixonassem, se aquilo não tivesse acontecido, hoje não estaria cremando esses corpos.
A partir de então, Luke se isolou no planeta mais distante que conseguiu encontrar. Ach-To. Não avisando a ninguém sobre sua localização.
Após a partida do Grã-mestre, Dana foi até Gesin procurar por Rey e Kira, na falsa esperança de que ainda poderia talvez fazer algo por elas, mas quando chegou já era tarde, o estado da ilha que habitaram era deplorável. Muitas mortes também, e Dana então lançou-se sobre o solo em seus joelhos pegando um punhado de areia apertando-a com força. Pela primeira vez em muito tempo Dana chorou.
O choro de Dana era uma mistura de desespero e raiva. Ela havia treinado aquele monstro, ela havia apostado na utilização do lado sombrio nele para dar alguma vazão a sua força. Arrependeu-se até o último segundo de não ter acabado com Ben quando teve a chance.
Ela então se levantou e prosseguiu andando pelo vilarejo, por meio dos corpos, diferente da Academia, ninguém ali havia sobrevivido. Depois de alguns minutos andando ela se deparou com um objeto metálico no formato de um cano. Ela o reconheceu. Era o antigo sabre de Luke Skywalker.
Ela o pegou em suas mãos e nisso ela teve um vislumbre sobre a noite anterior. Ela sentiu o medo de Rey que corria com a filha nos braços, ela viu a máscara de Kylo Ren, ela viu mulheres sendo lançadas no solo enquanto eram dilaceradas por sabres vermelhos. Mais uma vez o sabre em formato de cruz invertida.
Em seguida foi em rumo até a antiga habitação da família. A porta estava escancarada, havia ainda um pouco de pão sobre a mesa, a porta do quarto de Kira também estava aberta, com a cama desarrumada e os cobertores jogados pelo chão.
Depois era a vez do quarto de Rey, que também estava desarrumado. Que desespero ela deve ter sentido, Dana pensou. Naves atacando o vilarejo sem um motivo preexistente e uma filha de quatro anos indefesa para ela salvar.
Doeu ver tudo aquilo, todo aquele sofrimento. Ela andou pelo quarto e viu sob a escrivaninha as duas alianças de Rey e Ben, então pegou uma caixinha de madeira que estava ali e pensou em guarda-las, mas havia algum tipo de barreira, ela não conseguia tocar nos anéis. Ela desistiu então.
Voltou ao quarto de Kira e pegou um boneco da menina, bem como um par de dados em ouro que pendia sobre a cama. Ela uniu os três objetos: o boneco, os dados e o sabre de luz e os guardou na caixa.
Dana saíra do planeta após isso, seguindo até sua velha e antiga amiga Maz Kanata. Ela entregou a caixa para a mulher, que ficou curiosa sobre o conteúdo. A única coisa que identificou foi o antigo sabre de Luke, perguntou a Dana o que aquilo estava fazendo em seu território. Dana não explicou, apenas pediu que ela guardasse aquilo, que ali era um local seguro e que no momento certo ela provavelmente entenderia.
"Eu posso sentir, a Força me conecta a este planeta, e ela me pede que eu entregue essas coisas a você. Nem eu sei o porquê, agora, mas a Força conduz tudo da forma como deve ser."
Maz então concordou em abrigar os objetos, não negaria um favor a alguém tão importante pra ela como Dana.
Quando Rey acordou na manhã seguinte, deslizou os dedos pelo tecido que encobria a cama e não encontrou o corpo de Ben ali. Ela abriu os olhos lentamente, protegendo suas pupilas da luz forte que adentrava pelos vidros, e assim ouviu o som do chuveiro ligado.
Ela então se levantou e seguiu até a porta do lavabo que estava entreaberta, espiou pelo vão da porta. Lá estava ele, esbelto, belo e alto, com o líquido fluindo pelo corpo pálido que contrastava com os cabelos negros molhados. Ela deu um passo para trás, sentiu a vontade crescer dentro de si, virou-se de costas para a porta e respirou fundo fechando os olhos.
Em seguida ela voltou a olhá-lo até que finalmente tomou coragem. Segundos depois a fina camisola estava caída no chão. Ela entrou. No momento ele não percebeu, apenas se deu conta quando ouviu a porta do banheiro se fechar. Ele se virou com calma para encontrar o olhar dela. Ali, parada, sem roupa, como nos velhos tempos.
Ela se aproximou e adentrou ao pequeno espaço que dividiria com Ben. Agora a água caia sobre seu corpo também, e ele permanecia parado, olhando para baixo, olhando para os olhos dela. Ela estava perto, perto demais. Ela piscou algumas vezes e então voltou a fita-lo devagar. Ele não ousou tocar nela apesar de saber no que aquilo poderia chegar, mas o medo de estragar as coisas lhe travava. O que ele estava tentando esconder de si mesmo?
"Vamos parar com isso." Ela disse suavemente, num tom calmo e convidativo. Ela aproximou-se um pouco mais e levou os braços ao redor do pescoço dele. "Pare!" Ela ordenou num sussurro e então ele a envolveu pela cintura, levando seus lábios em direção a bochecha dela. Depositou um beijo lento ali, que se encostou nos lábios dela quando ela sorriu de lado, fazendo-o beijar o canto de sua boca. "Temos que dar um fim nisso." Ela reforçou. "Não podemos ignorar a presença um do outro. Ben, podemos ser uma família de novo." Nesse momento ele beijou as costas da mão de Rey e depois a depositou sobre seu peito. "Você, eu, Kira. Podemos ser uma família de novo. Vamos encontrar nossa filha e sumir do mapa." Ele ouvia as palavras dela atentamente com um sorriso fraco. "Podemos fazer isso, Ben. Esqueça a Primeira Ordem."
"Esqueça a Resistência." Ele a respondeu em tom calmo. Ela então torceu o nariz, olhou para o lado, mas depois voltou a encara-lo.
"Eu faria isso por você, Ben, por nós." Ela respondeu. "Podemos viver no cinza, os dois lados da guerra, nunca nenhum deles vencerá. Eles são iguais, apenas opostos. Só existe um caminho, você sabe, Ben. Mas você precisa fazer isso também, esquecer a Primeira Ordem."
"Tudo bem." Ele concordou e não era — definitivamente — o que ela esperava. "Eu farei isso por você, por nossa filha. Eu só quero que tudo volte a ser como era. Sabe que Snoke não nos dará trégua, precisa estar preparada pra isso, porém."
"Destruímos ele se necessário. Mesmo que tenhamos que viver em uma eterna fuga, eu não deixarei ele se aproximar de nossa família Ben." Ela sorriu em esperança. "No fim éramos muito mais íntimos do que pensávamos. Você era o amor da minha vida, você é o amor da minha vida..." ela deu continuidade.
"E você o da minha, Ray of sunshine... quanta coisa a gente viveu, e tentaram fazer a gente acreditar que éramos completos estranhos.
Mas a força não deixou que isso continuasse."
"Ben, eu acho que estamos de alguma forma enlaçados pelo destino. Pense, com infinitos planetas na galáxia a nave da Primeira Ordem caiu exatamente em Jakku, me fazendo conhecer Finn e voltar até você! É por isso que sei que iremos encontrar Kira."
Ela ficou-se em seus olhos, ainda mais próxima, o olhar dele fixado para baixo, analisando as ações dela. Ela está encarando o peito dele e então fecha os olhos, sua face vai em direção a ele e então eles se beijaram. Voltariam a ser um único ser, voltariam a ser aquilo que nunca deviam ter deixado de ser.
Mais tarde no mesmo dia, depois de terem andado por diversos vilarejos procurando por ela, descrevendo-a da melhor forma possível e não obtendo respostas, terem entrado em algumas brigas com habitantes locais querendo se aproveitar das informações, Rey e Ben encontraram outro lugar para se abrigarem.
Esse lado de Jakku de fato era horrível. O planeta era muito escasso e eles sabiam que riquezas ali provinham de coisas sujas. Se havia algum tipo de hospedagem ali, é porque existia algum tipo de investimento de algum grupo específico, e eles sabiam que aquilo envolvia muito dinheiro, corrupção, política, sem contar o tráfico, os jogos de azar e a escravidão.
O local era mais frequentado agora, logo de cara perceberam o nível das pessoas que ocupavam aquele espaço. Havia um grande salão de jogos no fim do Hall, e mulheres esbeltas dividindo o assento com homens mais velhos. Elas não estavam ali porque queriam, via-se na expressão delas, estavam sendo usadas por aqueles homens, e Rey se sentiu enojada, pensando na possibilidade de que se ela não tivesse saído de Jakku a tempo talvez teria se tornado uma delas, ou pior, se não encontrasse Kira não podia imaginar as possibilidades do futuro dela.
Quando viu aquele tipo de comportamento, Ben puxou Rey para mais perto de si, por sorte ele estava melhor arrumado naquele dia, poderia se passar por um homem daquele nível social, então seguiram até o elevador sem levantar nenhuma suspeita. Pegaram um dos quartos mais baratos do local para não chamar atenção.
Ele imediatamente trancou a porta e bufou quando chegou, colocando as mãos em seus trapézios se massageando aliviando a tensão. Jakku era capaz de estressar a pessoa mais calma da galáxia, ainda mais nessa situação. Rey logo trocou a roupa, queria poder acordar o mais cedo possível na manhã seguinte. Em sua mente, quanto mais tempo perdia, pior seria, mas sabia que não conseguiria se não parassem, e por sorte tinha o apoio e o amor de Ben.
"Estou tentando me comunicar com ela, de alguma forma, eu não sei como." Disse ela sentando-se na beirada da cama e colocando as mãos na testa apoiando-se sobre os joelhos. "Às vezes eu sinto algo, parece que estou chegando perto de encontrar, eu ouço a voz dela, clara, suave... tento encontrar a localização dela, mas algo vem e bloqueia."
Nisso Ben sentou-se ao lado de Rey e segurou em uma de suas mãos tentando conforta-la.
"Vamos fazer isso juntos." Ele disse.
Então os dois ficaram de frente um para o outro e seguraram ambas as mãos. Fecharam os olhos e permitiram selar uma conexão. Rey entrou na mente dele enquanto ele fazia o mesmo, e agora as coisas não eram mais tão frias e escuras. Ela podia finalmente sentir algo bom, reconfortante. Podia sentir o jovem Ben Solo banido de escuridão.
Apertaram as mãos mais forte e entraram em sintonia. Juntos eles sentiam as ondas em suas mentes, era como se o planeta fosse uma fonte de energia própria, como se pudesse sentir fluir pelos seus dedos. Imagens confusas firmavam-se ali e era como se pudessem entrar na mente de qualquer habitante local. Estavam conectados ao planeta de alguma forma, até que chegaram a imagem de um local isolado, triste, sozinho. Ela ouviu o choro.
"Kira!?" Ambos perguntaram.
"Kira meu amor, está nos ouvindo?" Rey perguntou sem sucesso, nenhuma resposta. "Kira meu amor nos dê um sinal, nos deixe encontrar você!"
O fluxo de energia começou a ficar mais forte e Rey podia sentir a força como algo material, palpável, bem como dolorido.
"Kira, somos nós." Ben acrescentou.
Mas então subitamente Rey abriu os olhos e agora estava em lágrimas, lançou-se sobre o colo de Ben e começou a chorar.
"Eu não consigo!" Ela sussurrou. "Algo está bloqueando a conexão, eu não consigo achar a nossa menina!" Ela dizia entre soluços enquanto Ben a aninhava tentando convencê-la de que iriam encontrá-la. "Que droga! Eu preciso achar nossa filha, eu preciso!" Agora ela se debatia socando o peito de Ben, que tentava mantê-la calma, não iriam encontrá-la se se desesperassem, a conexão não iria ser feita. Gritou tão forte que Ben pensou que talvez ela pudesse quebrar os objetos do quarto pela raiva.
Eles estavam há tempo suficiente em Jakku, e o planeta era enorme, estavam procurando há dias e não encontravam a filha. Rey esteve calma no começo, confiante, sentia que nada poderia parar Ben e ela de encontrarem a menina, eram habilidosos demais, é claro, ela pensava.
Mas estavam sem sucesso, e agora ela não estava mais tentando se manter calma, ela queria destruir tudo que visse, os vilarejos pelos quais passava, as pessoas que alegavam não ter visto a menina, ela queria destruir tudo.
Ela sentiu esse ódio crescer dentro dela até que gritou de novo, mas não era o mesmo grito de ódio, se levantou andando em direção ao lavabo e sentiu uma dor aguda lhe atingir o abdômen.
Ben levantou-se e voou em direção a ela, que agora grunhia em dor quase caindo. Ele a segurou enquanto a expressão dela ficava mais forte, seu grito era mais expressivo e era algo horroroso de ver.
"Pela Força!" Ela continuou aos berros e então apertou forte a mão dele, quase deixando-o sem movimento nos dedos. Então ele a levou até a cama e a ajudou a se sentar. Ela ficou com a mão no ventre até que a dor começou a diminuir. "Droga, o que foi isso?"
"Se esforçou muito procurando por ela, Rey."
"Não o suficiente." Ela respondeu ríspida. "A Força, é algum sinal."
Ele tentava impedi-la de um ataque histérico, mas o desespero da mulher não podia ser contido. Estavam otimistas no começo, mas com o passar de tanto tempo e sem encontrá-la agora ela estava desesperada.
"Talvez seja algo que Snoke esteja fazendo, algum bloqueio, alguma coisa. Não sei dizer. Espero que ele não tenha conseguido entrar na mente dela."
"Droga!" Rey bufou. "O que ele quer com que Kira? Que inferno, grande coisa que ela seja uma Skywalker, Palpatine, dane-se..."
"Ele não vai nos dar paz, ele tem a profecia de encontro com o que ele acredita."
"Que profecia?"
"A profecia de Statera, nunca ouviu falar?" Rey negou com a cabeça e o olhar confuso. "É uma profecia bem conhecida na Ordem, pelos problemas que podem causar. Snoke não pode deixar que ela se concretize de fato... ela diz que quando as trevas ascendessem o seu oposto na luz surgiria."
"Está falando sobre nós." Rey concluiu. "A luz, escuridão, estamos juntos. Somos isso."
"Não sei, não tenho certeza, Rey. A profecia diz que essas duas forças se uniriam e a partir dela uma terceira força nasceria. Opostos que se uniriam, ela diz que as trevas irão nascer no período de escuridão enquanto a luz em tempos de trevas. Nós dois possuímos conflitos entre os lados, não somos pura luz ou escuridão. Estamos vendo isso agora, olha o seu estado!"
"Então talvez seja Kira. Faz sentido, não faz?" Ela agora andava de um lado pro outro pelo quarto, liberando a energia. "Mas Kira nunca demonstrou um lado. Ah não ser... Se lembra do tempo antes de termos Kira? Droga!" Ela grunhiu mais uma vez em dor, cambaleando, algo parecia estar lhe consumindo por dentro. Ben a segurou novamente. "Se lembra do tempo antes de termos Kira? Eu fiquei muito fraca, era como se algo estivesse me sugando, minha força, e eu não entendia o que era. No fim eu quase morri no parto. Kira nasceu. A nova escuridão será concebida em tempos de luz. Estavamos em tempos de luz. Então é isso." Rey sorriu. "Kira é o puro equilíbrio Ben."
"As trevas são concebidas na luz, assim quando nascem se equilibram. Por isso Kira não possui lado, mas a profecia não acaba aí, ainda existe a parte que diz que a luz seria concebida em período de trevas."
"Estamos em período de trevas!" Rey concluiu. "Então em algum lugar da galáxia pode ser que um novo sensitivo da força esteja sendo gerido?"
"Talvez. Mas não faz sentido. Como esse ser se uniria a nossa filha?"
Rey franziu o cenho, confusa, não estava entendendo o que ele queria dizer. Rey foi em direção ao lavabo então e Ben a seguiu. Ela sentiu a dor novamente, a pontada no abdômen. Levantou a blusa e viu marcas roxas no ventre. Analisou a própria imagem no espelho, virou de lado e começou a apalpar a própria barriga.
"Então não podemos considerar que ela seja o fim. Na verdade ela não está no equilíbrio, ainda precisa de outra parte. Há quantos meses eu saí da Ordem?" Perguntou num tom calmo demais para o que se seguiria.
"Uns três, quatro meses."
Ela continuou a analisar, se vendo em diversos ângulos, havia uma proeminência ali, sútil, mas estava. Ela levou ambas as mãos até o baixo ventre e agora sua expressão era diferente. Era séria. Ben não pôde evitar em perceber, então ele se aproximou e depositou uma das mãos por cima das dela. Ele ficou parado por um tempo, ambos analisando a imagem de Rey no espelho.
"Você está certa." Ben disse como se tivesse lido seus pensamentos, então ela voltou seu olhar para ele, incrédula e assustada.
"Não pode ser!" Ela retornou seu olhar a ele, assustada, apavorada. "Eu não posso estar gerindo." Ela disse. Ben ficou paralisado também, olhando para o ventre dela enquanto o medo crescia dentro de si. "Não, eu não posso! Eu não posso estar..." Ela paralisou antes de dizer a última palavra, arregalando os olhos em direção a ele de novo. Ela o empurrou para longe, vestiu um sobretudo longo e se dirigiu até a porta. Antes que Ben pudesse perguntar ela disse que estava indo procurar a menina, ali, no meio da noite, no frio que o deserto ficava.
Ele vestiu outro sobretudo e foi atrás dela, ela estava andando determinada agora e ele sabia que não iria pará-la. Quando a veste dela voou com o vento revelando a parte da cintura, ele identificou seu sabre de luz preso a ela. Ele andou mais rápido colocando-se à frente dela tentando pará-la.
"Onde vai com esse sabre?" Ele perguntou. "O que está fazendo?"
"Saia da minha frente!" Ela rosnou e como Ben não saiu ela o empurrou para longe com a Força, fazendo-o cair a poucos metros longe dela.
Ele se levantou rapidamente e a segurou com a força, impedindo-a de andar. "O que você vai fazer com isso?"
Rey então soltou-se do domínio dele e pegou o sabre ativando-o. "Estou indo buscar a minha filha, e eu vou acabar com qualquer um que entrar no meu caminho." Nisso ela começou a andar em direção a ele, agressiva, de forma que estava pronta para lhe atacar com o sabre, sem noção nenhuma do que fazia.
"Rey, você precisa parar!" Ben gritou. "Não deixe isso tomar conta de você, você não pode se tornar isso, não pode sair matando gente inocente porque não está encontrando sua filha!"
"Eu posso sim!" Ela respondeu mais uma vez indo em direção a ele, até que ele conseguiu imobilizar os braços dela fazendo com que o sabre caísse no chão. Ele ficou por trás dela, segurando-a para que não se movesse enquanto ela se debatia e o ordenava que a soltasse.
"Não pode entregar o que somos!"
"Me solta!" Ela gritou.
"Quieta!" Ele ordenou ríspido apertando mais ainda o braço dela. "Você não vai destruir nosso plano, você não vai entregar quem somos, eu não quero a Primeira Ordem metida nisso. Vai ser do meu jeito! Você vai voltar comigo, agora, para o quarto, vai dormir e amanhã cedo sairemos e iremos encontrá-la. Não pode perder a razão dessa forma Renesmy." Ele dizia em tom severo, mas ameno, desfazendo de forma lenta a força que a segurava. Aos poucos ela foi se acalmando, mas logo um choro incontrolável tomou conta dela.
Ela ficou mole e agora estava de joelhos no chão sendo amparada por Ben enquanto gritava que precisava encontrar a filha, que não podia ficar parada. Ben era mais frio, sabia que as emoções não os levariam até a menina, houvera sofrido muito com o descontrole de suas emoções. Em meio ao choro e desespero por Kira, Rey ainda se desesperava com a gravidez, não podia ter outro filho, ela devia viver por Kira, não podia deixar que aquele ser sugasse todas as suas forças a ponto de ela não conseguir mais encontrar a filha. Apenas Kira era importante pra ela agora, estava odiando a ideia de um novo filho.
Por fim, quando os gritos dela não cessaram Ben a fez apagar. Ela desmaiou e ele a levou no colo de volta para o quarto, como no dia em que a viu pela primeira vez.
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