Herdeiros do Império - (Reylo)
24 O Delírio de Rey

“Eu não pertenço a este mundo, é isso.
Alguma coisa continua me separando de outras pessoas.
Para todos os lugares que eu me viro há algo bloqueando a minha fuga.”
(13 beaches — Lana del Rey)
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Quando ela abriu os olhos a primeira coisa que viu foi um nada, uma luz branca tão intensa que seus olhos não puderam captar imagem alguma.
Ali era um corredor e nada tinha cor. O chão, as paredes, o fundo e suas próprias roupas, tudo era branco. Ela apertou os olhos contra o impacto da luz forte e então começou a andar lentamente, tentando se situar e encontrar alguma coisa.
No fim do corredor, então, havia um espaço aberto. Aos poucos as imagens foram se formando. Ali parecia um bosque, e era bem claro de fato. Havia um céu limpo, quase sem nuvens e haviam flores por todo lado. Ela olhou ao redor e não compreendeu o que estava acontecendo.
Ao olhar para o horizonte, avistou uma silhueta. Era pequenina e baixa, frágil, com orelhas grandes e ao se aproximar mais, percebeu que sua pele era verde.
"A jovem Rey você deve ser!" A criatura disse com uma voz estridente e rouca ao mesmo tempo. Aquilo não era humano, mas também não era nada parecido com as outras raças que já houvera visto antes em outros planetas. Ele vestia um kimono claro também. "Apresentar-me eu devo. Mestre Yoda sou eu!"
Mestre Yoda? Ela pensou. Ouviu muito falar sobre ele, era quase uma lenda, um ícone. Mas como ela estava vendo ele se sabia que a criatura estava morta há décadas?
Respirou fundo, pensou, "Espera, mestre Yoda, se você está aqui então quer dizer que... quer dizer que estou morta?" Perguntou para a pequena criatura.
Yoda deu um pequeno riso enquanto batia seus pezinhos no chão.
"Muito a aprender você tem, jovem Rey."
Ela ainda estava muito confusa, como aquela pequena criatura estava conversando com ela? Ela chacoalhou a cabeça, apertou os olhos, mas quando os abriu novamente ainda estava no lugar. Olhou para sua direita e então avistou outra silhueta vindo.
Ele se aproximou o suficiente até que sua face agora era visível e ele também vestia trajes jedi. Aquele olhar, aquele certo olhar lhe era muito familiar.
"Olá Rey." Seu sotaque também lhe era familiar, aquela voz. "Não deve estar me reconhecendo, esperado. Sou Ben Kenobi. Ou Obi Wan como você deve ter me conhecido." Ela franziu o senho, Kenobi!? Sua cabeça começou a pulsar. "Não tenha medo." Ele prosseguiu. "Deixe as memórias virem." Disse suave e então outra silhueta apareceu. Era Anakin, esse ela conhecia.
"Darth..."
"Anakin." Ele a interrompeu. "Vader não existe mais." Ele deu um leve sorriso de canto e juntou-se a Obi Wan.
"Não estou entendendo." Ela disse, "vocês todos estão mortos, como posso estar tendo esse contato?"
"Venha Rey!" Obi Wan lhe estendeu a mão. "Vou lhe explicar tudo o que você precisa saber!"
Então ela se aproximou e entregou seus dedos nas palmas das mãos de Obi Wan. O fez com tanta certeza, sabia que podia confiar nele. De alguma forma sabia. Era sua ancestralidade lhe chamando.
Então os quatro começaram a caminhar em direção a uma luz, e quando chegaram no ápice de seu brilho o ambiente ao seu redor tomou outra forma.
Agora estavam num planeta desértico, pensou ser Jakku, mas então Anakin entrou em sua frente e explicou que ali era Tatooine. Ele lhe mostrou vislumbres de sua vida como escravo, de sua vida como Jedi e como um Lord Sith. Ele também lhe mostrou sua grande amada Padme Amídala, e mostrou-lhe o nascimento de seus filhos Luke e Leia. Em seguida o tempo deu um salto e ela viu um bebê sendo afagado por Leia enquanto Han os aninhava. Era Ben Solo.
Em tempos depois o ambiente tomou um novo tom, estavam em outro lugar, e pouco depois Kenobi lhe avisou que agora estavam em Nabboo. E tudo era muito bonito lá.
Olhou um pouco mais adiante e não, aquele não era o tempo em que Padmé fora rainha do lugar. Agora tudo estava um pouco mais sombrio e viu um homem sentado ao trono, ao seu lado uma mulher com olhar cansado e em seu colo havia uma criança.
"Estes são Sheev e Esmy Palpatine." Disse Obi Wan e quando Rey ouviu esse nome sentiu uma pontada em sua têmpora, grunhiu em dor.
"Palpatine?" Ela sussurrou com uma das mãos na testa como se tentasse arrancar das profundezas de sua mente da onde conhecia aquele nome.
O homem, Sheev, que depois ficou conhecido como Darth Sidious, e isso era bem sabido, possuía um semblante que deixava a todos desconfortável. A mulher ao seu lado não parecia muito feliz também, mas de fato ela só parecia se importar com a criança.
Eles a explicaram que Palpatine sumiu por um tempo e diversas criaturas alegaram serem filhos dele, mas a única que ele houvera assumido como filha e única herdeira era aquele bebê nos braços da mulher, seu nome era Kendalina, disse Kenobi, e então Rey ficou mais confunsa ainda, algumas imagens distorcidas vinham a sua memória e ela ia cada vez mais associando os nomes.
Olhou para os lados e agora o ambiente começava a tomar outra forma. Estava em um planeta bonito, verde, haviam cachoeiras por ali e muita gente vestida em trajes como os de jedi. Então viu um casal e uma criança, e então viu Luke. Aqueles rostos não lhe eram incomum. E a garotinha no colo deles possuía um penteado muito conhecido por ela, eram os três coques, aquela criança, muito provavelmente, era ela mesma.
Ouviu então Luke tentando acalmar eles dois, dizendo que a garota ficaria segura com ele. Disse seus nomes também, era Kendalina e Owen. Owen, aquele nome também lhe era familiar.
Então algum tempo depois observou um pequeno garoto que parecia muito com Ben Solo, e ele estava conversando com aquela garotinha. Ela lhe diz seu nome então, Renesmy. E foi ao ouvir isso que começou a encaixar tudo. "Vou te chamar de Rey, como raio de sol." Ouviu o pequeno Ben dizer. Então era ela, Renesmy era seu verdadeiro nome, e seu pequeno eu explicando à Ben que o nome era uma junção de Renee e Esmy... Esmy? Esmy não era aquela mulher que estava sentada ao trono ao lado de Palpatine? E Renee, um de seus filhos houvera sido um grande jedi, ela disse. Ambas eram suas avós, ouviu seu eu infantil completar.
"Como, como?" Ela apertou os olhos. "Como eu posso não me lembrar disso?" Agora ela chorava.
Parou por um segundo para refletir e enfim resgatou aquilo que de mais profundo seu inconsciente sabia. Era neta de Renee Kenobi e Esmy Palpatine, sendo assim era neta de Sheev Palpatine, pai de Kendalina, sua mãe. E era então neta de Darth Sidious, como Ben era neto de Darth Vader.
Mas quando pensou no segundo nome, e pobre coitada, não houvera nascido na luz como acreditou esse tempo todo, havia uma parte sua, uma grande parte, que carregavam genes de Palpatine. E então se sua mãe era Kendalina Palpatine, seu pai só poderia ser o Kenobi em questão.
Ela olhou para Obi Wan e concluiu: "Eu sou uma Kenobi." Então olhou para o lado e Obi se aproximou.
"Eu sou irmão de seu pai, Rey. Seu pai é Owen Kenobi, meu irmão mais novo." E quando ouviu esse nome se lembrou de tudo finalmente. Era ainda muito pequena quando fora deixada em Alfheimr para que Luke cuidasse dela. Droga, por que a abandonaram?
"Para te proteger." Respondeu Obi Wan. "Quando Sidious foi destruído seus filhos foram caçados, mas Kendalina foi a única que conseguiu fugir. Ela viveu por um bom tempo com outros nomes até que conheceu meu irmão. Eles se apaixonaram e então tiveram você. Seus pais amavam muito você!"
"Então por que?" Ela ainda perguntava, não entendia.
"Se descobrissem que Sidious ainda possuía um herdeiro de sangue provavelmente você não estaria aqui. Ou teria sido explorada por uma ordem Sombria ou teria sido morta por extremistas contra o Império. Ambos os lados têm seus problemas." Concluiu.
Então Rey era isso, era uma Kenobi e era uma Palpatine. Sua própria existência quebrava os paradigmas do bem e mal. Ela por si só não era o próprio equilíbrio. Houvera nascido nas sombras, do ventre de uma Palpatine, enquanto Ben houvera nascido na luz, do ventre de uma Skywalker. A união de ambos ainda era uma ofensa ao sistema.
Ela então se sentou em uma superfície fria no centro daquele ambiente e então a figura de uma mulher apareceu. Ela era alta, possuía cabelos castanhos e olhos tão belos, não sabia dizer se eram azuis ou verde, ou mesmo lilás, só podia ver o quão bonito era aquele olhar. Ela se aproximou mais e Rey pôde vislumbrar a face perfeitamente. Era Kendalina Palpatine, sua mãe.
Ela estava tão linda, vestia um traje muito elegante, como uma verdadeira rainha, usava uma tiara de prata que formavam ramos, parecia o ser mais angelical de todos.
No impulso Rey jogou-se nos braços da mãe a abraçou. As lágrimas escorriam em seu rosto e ela a apertava muito forte.
"Senti tanta falta de você!" Disse Rey e neste momento Kendalina enxugou suas lágrimas.
"Por que você sumiu mãe? Eu esperei a vida toda!"
"Não pude voltar minha filha, estava sendo perseguida por todos os cantos da galáxia, eu sacrifiquei isso. Se eu fosse atrás de você eles descobririam que é minha filha."
Ela apertou os olhos, nunca tivera uma família.
Aos poucos mais imagens começavam a retornar a suas memórias. A face da mãe era tão bela, era a face dela, só que mais madura. Ainda se parecia como uma rainha, e definitivamente o era. Mas aos poucos o semblante de Rey começou a se fechar e ela franziu as sobrancelhas, engoliu em seco e deixou outras lagrimas caírem.
"Todos estão mortos aqui. Você também está, não está mãe?" Kendalina sorriu pelo canto dos lábios e voltou a abraçar a filha.
"Sim, Renesmy." Disse em profunda dor. "Eu queria poder estar com você fisicamente agora que me encontrou, mas Rey, não pense que eu não estou com você! Sempre estive, mesmo quando não sabia quem eu era."
"Eu procurei tanto vocês!" Disse Rey. "O que aconteceu?"
"Eu estava vivendo em Hosnian Prime."
"O Planeta destruído pela Primeira Ordem". Rey completou e Kendalina assentiu com a cabeça. "E meu pai, ele está morto também?"
"Felizmente não." Ela sorriu. "Ele está mais perto de ti do que você imagina. Procurei muito por ele também, mas não obtive sucesso em vida." Ela olhou para baixo e respirou fundo. "Owen achou arriscado que ficássemos juntos quando Snoke começou a procurar os herdeiros do antigo Império. Nós íamos nos separar apenas por um tempo, não era pra ser tanta coisa. Iamos obter novas identidades e fugir pro planeta mais distante depois que encontrássemos você. Quando a ordem Jedi ruiu não sabíamos se você ficaria bem. Não sabíamos nem que você já não era mais uma jedi."
E nesse momento o ambiente começou a escurecer, estavam em Gesin, ela reconheceu. Ali estava a cabana em que viveu durante os primeiros anos de sua filha, e ela se viu ao lado de Ben, estavam felizes, e no meio dos dois estava Kira, ela estava aprendendo a andar e com aquelas perninhas curtas caia a cada dois passos que davam, Rey ria das pequenas quedas enquanto o marido, a cada cambaleada da filha, impulsionava-se a segura-lá e protegê-la.
Rey se aproximou daquela cena, encarou seu eu do passado, e depois levou o olhar até Ben. Ele estava tão bonito. Sua face parecia incrivelmente outra. Não havia mais a cicatriz de Kylo Ren e o semblante que ele passava era de tranquilidade, calma, era luz. Ela quis abraçá-lo, aquele era o homem de sua vida, era Ben, o pai de sua filha, atencioso e por um segundo encantou-se com a forma como aquele homem podia se preocupar com outras pessoas além dele, da forma como ele olhava para sua filha, focado, com todo cuidado e preocupado.
Ela entao levou uma das mãos em direção ao rosto de Ben, mas quando o tocou ele se desfez em fumaça em seus dedos. Neste segundo ela se levantou bum impulso e olhou ao seu redor, assim ela viu o fogo, e as naves disparando, os cavaleiros de Ren ao fundo.
Era o dia do massacre. Ela se viu correndo com a menina nos braços e então ela caiu, pouco depois estava sendo levada por Snoke com Kira.
Rey então começou a gritar mesmo sabendo que ninguém a escutaria.
"Kira!" Ela gritou e começou a se desesperar. "Pela Força ela sumiu!"
"Se acalme!" Kendalina tentou controlar os impulsos da filha mas pareceu em vão. "Rey, precisa se concentrar agora!"
"Eu não sei nem onde estou mãe!"
"Você precisa lutar Rey. Está lutando entre a vida e a morte neste exato momento. Precisa voltar Rey."
"Não tenho nada mãe, todos que eu amei um dia foram tirados de mim."
"Você tem Kira, ela precisa de você Rey, você precisa encontrá-la."
Rey virou a cabeça em direção a Obi Wan que estava atento na conversa, ele se aproximou e deixou que a sobrinha repousasse o rosto em seu ombro.
"Precisa voltar, Rey. Você ainda está viva. Não pode se deixar levar pela morte."
Rey continuou a chorar, tudo estava se esvaindo em suas mãos. A vida, a morte, o encontro com aquelas pessoas. O que era aquilo tudo, qual o propósito de tudo isso?
Então eles se aproximaram dela e a abraçaram. Naquele instante ela sabia de sua história. Ela se lembrava de tudo, o que faria a partir disso então?
O tiro de blaster que atingiu a cabeça de Rey ricocheteou por conta do escudo metafórico que toda a expressão de seu poder criou ao redor de seu corpo. O que ela sentiu foi uma pancada bruta o suficiente para fazê-la perder os sentidos. Não fosse isso, estaria definitivamente morta.
Rey fora levada às pressas e agora lutava contra a morte na base da Resistência em D'Qar.
Estavam todos muito agitados levando o corpo da jovem de um lado para o outro, onde e aparato médico da Resistência faria de tudo para acordá-la.
Então ela acordou num susto, sendo sugada para fora de seu devaneio, todas as imagens de Kendalina, Owen, Kira, Ben Solo, todos eles não existiam agora. Seu corpo pulsou tão forte que levantou da maca como se levitasse, não estava fazendo força. Era o impulso do desfibrilador.
"Ela acordou!" Ouviu alguém dizer, uma voz não familiar. A face também não era familiar, muito menos o uniforme, mas o símbolo do broche no peito da garota a fez entender onde estava. Era o simbolo da Resistência. Estava finalmente em segurança.
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