Herdeiros do Império - (Reylo)
36 Impulso

"O primeiro pecado da humanidade foi a fé;
A primeira virtude foi a dúvida."
(Carl Sagan)
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Base da Resistência em D'Qar
Na manhã quando Ben acordou, percebeu a ausência de Kira. Estava bem cedo para a filha não estar presente no local, então ele levantou-se e se trocou rápido e saiu do quarto para procurar a garota.
O movimento na Resistência parecia não parar nunca. Os turnos eram sempre revezados. Ben a procurou primeiro pelo refeitório, talvez tivesse levantado cedo pois sentia fome, mas não a encontrou lá.
Então, alguns minutos depois, seguindo seu caminho, ele encontrou a filha rindo enquanto Poe lhe mostrava os detalhes de sua nave. BB-8 também estava ali, emitindo seus bipes frenéticos e fazendo Kira o observar com o olhar feliz.
Ben respirou fundo, continuou a observar o modo como o jovem piloto agia com a filha e mais uma vez foi tomado pelo ciúme. Ela era uma pessoa livre, é claro que poderia se apegar a qualquer pessoa, mas era dolorido demais para Ben dividir aqueles que ele amava.
Ben era muito possessivo, uma de suas piores características, e tentava controlar esse sentimento, mas quando deu por si já estava com os dedos em formato de punho forçando com ódio as mãos.
Então ele sentiu a presença de alguém e pela sua visão periférica constatou ser Dana. Porém Ben ainda estava atento demais na filha para sequer se importar com ela ali.
"Dá pra sentir o cheiro do seu ódio." Ela disse de forma sarcástica dando um pequeno riso ao fim da frase. "É... sua filha gosta mesmo do piloto..." Dana apenas sendo Dana... Ben revirou os olhos para si mesmo. Ainda em silêncio. "E do droidizinho também."
"BB-8." Ele disse. "É uma unidade BB."
"Ah, você jura?" Comentou ainda irônica. "Estou há um bom tempo na Resistência já."
"Não faz o seu feitio." Ben virou o rosto para finalmente olhar para a antiga mestre. "Odeia organizações."
"Não tenho muito o que fazer. Preferi seguir Luke, e eu gosto de Leia também." Ela levantou uma sobrancelha.
Então Kira, ao se virar, viu a presença do pai, e então saiu correndo em direção a ele pronta para se jogar em seus braços como geralmente fazia. Quando BB-8 viu Ben Solo ele se exprimiu para trás das pernas de Poe sob bipes preocupados. Poe riu.
"Não gosto que você suma assim sem avisar." Disse Ben para a filha. "Não faça mais isso."
"Tio Poe me perguntou se eu queria conhecer a nave dele, eu disse que sim, então..."
"Não interessa o motivo." Disse Ben um pouco mais rude do que geralmente era com a filha, fazendo-a expandir os olhos e olhar para baixo.
"Me desculpe." Ela pediu bem baixinho e Dana deu uma pequena risada enquanto negava com a cabeça olhando para Ben o achando patético.
Poe foi em direção a eles com BB-8 ainda por trás dele rolando devagar enquanto o piloto dizia que ele não precisava ficar assustado pois tudo estava sob controle. Quando chegaram perto, Kira saiu do colo do pai e foi até o pequeno droid.
"Olha papai, esse é o BB-8." Ela disse alegre, tentando direcionar o droid intacto até o pai. "Vem BB, é legal!" Ela tentava puxa-lo mas após algumas tentativas desistiu. "Ah, não sei o que ele têm."
"Deixa, Kira." Ben respondeu.
"Princesa..." Disse Poe baixando-se na altura da menina. "Que tal eu te levar num voo para você ver como funciona toda essa mágica que é pilotar uma nave?"
Kira abriu logo um sorriso empolgada, mas então olhou para o pai e fechou a expressão, esperando sua aprovação.
"Talvez depois." Ben disse sem que ela perguntasse. Kira então olhou para Poe triste, que disse para que ela não se preocupasse e que outra oportunidade surgiria. Ben a pegou pela mãozinha a direcionando para a saída do hangar.
Kira nem protestou, preferia não entrar em conflito com o pai, uma das únicas pessoas na vida para qual ela baixava a cabeça. No fundo ela confiava que ele só queria o melhor dela, e ter ficado tanto tempo longe dele a fez evitar qualquer tipo de desconforto. Não queria decepciona-lo, e afinal, ficar com o pai a fazia já muito feliz.
Ele a levou até o refeitório, tomaram o café da manhã enquanto Kira permaneceu em silêncio, com o olhar meio triste e segurando a cabeça com um dos braços apoiado sob a mesa enquanto mal tocava na sua maçã picada.
"O que foi?" Perguntou Ben ao perceber o desânimo da pequena. "Kira, você pode voar comigo, também sei pilotar." Disse desconfortável, então ela levantou os olhos. "Ou, tanto faz, pode ir com Dameron qualquer dia."
"Tudo bem papai." Ela disse. "Eu vou gostar de ver você pilotar. Vai me ensinar."
Ele sorriu para ela, sentiu-se satisfeito mas mesmo assim ela continuou cabisbaixa, ainda com o olhar perdido nas fatias de maçã.
"Então o que foi?" Ele tentou novamente. "Mal tocou no seu café."
"Nada, papai." Ela disse, mas não enganaria Ben facilmente. Ele fixou o olhar nos olhinhos dela até que ela finalmente se abriu. "Sabe, pai..." começou, "eu não gostei de uma coisa que me disseram."
"Como assim?"
"Uma coisa que me disseram sabe... sobre, você papai." Ela franziu o cenho e Ben sentiu o coração bater mais forte, um medo invadi-lo.
"O que..." ele engasgou, "o que disseram... sobre... mim?"
"As meninas, elas ficaram com medo de mim. Elas demoraram pra me deixar brincar com elas."
"Que meninas?"
"Sarah e July Smith. O papai delas é piloto também. Elas disseram que eu só poderia brincar se não machucasse elas."
"Por que diriam isso a você?" Ele perguntou.
"Eu... não sei. Ela falou que eu podia ser perigosa pois você era perigoso." Ben engoliu em seco. "Disseram para as crianças tomarem cuidado comigo e agora ninguém quer brincar."
Ben levantou os olhos analisando ao redor, percebendo os olhares "disfarçados" de alguns membros da Resistência sob ele e a filha. Ele voltou para a filha, estava realmente bem triste, e agora queria arrebentar a cara de todo mundo que os encarava.
"Olha, filha..."
"Elas disseram que você é mau, muito mau. E que eu também ia ser má. Pois eu era igual a você." Ela franziu o cenho. "Elas disseram que todos têm medo de mim."
"O que?" Ben bateu com uma das mãos na mesa se levantando e agora muitos outros viraram para observar, alguns até silenciando suas conversas. Ele sentiu o desconforto e então sentou-se lentamente de novo. "Olha, Kira. Não ligue para o que essas crianças dizem, você não é má. Você é incrível, não existe criança mais meiga e doce que você, e eu te amo!" Ele disse apertando uma das bochechas da filha. "Não ligue para eles. Você não precisa deles, é melhor que todos juntos."
"Mas eu não preciso ser melhor que ninguém, papai." Ela respondeu. "Eu... só queria brincar com alguém." Então ela olhou para baixo e Ben sentiu seu coração apertar, estava cansado de tantos problemas e não queria agora que sua filha se sentisse rejeitada como um dia ele se sentiu.
Então ele se levantou e pediu para que Kira continuasse onde estava, então foi seguindo com os punhos cerrados até onde um grupo de crianças estava correndo. Quando ele chegou, imediatamente todas pararam. Elas ficaram intactas, olhando para ele em silêncio e com os olhos arregalados.
"Não gostei de saber que estão excluindo minha filha." Disse para as crianças. "Ela não é má, ela não é diferente, então por favor, podem parar de tratá-la como uma aberração!?" Nisso alguns adultos se levantaram, até que Poe aproximou-se. "Se ela me disser que estão tratando ela mal ou que não estão deixando ela participar do grupo, irão se arrepender de ter excluído a minha filha."
"Esta mesmo ameaçando as crianças?" Poe intrometeu-se.
"Não se mete, piloto!" Ele disse com raiva.
"Me meto sim, aqui não é a Primeira Ordem que você manda em quem quiser não. São apenas crianças, Kylo Ren."
Então Poe sentiu-se sufocado enquanto seu corpo era lançado contra a parede. As veias do pescoço saltaram enquanto Ben apertava cada vez mais fazendo-o ficar sem ar.
"Eu disse para nunca mais me chamar desse nome." Ben falou com raiva, e estava longe do rapaz, com a mão esticada e usando seus poderes, algo que houvera sido proibido por hora.
"Ben Solo!" Ele ouviu a voz de Leia. "O que está fazendo aqui?" E nesse segundo então ele soltou Poe e dois guardiões aproximaram-se prendendo os braços do ex membro da ordem de Ren. Quando ele se virou para olhar para a mãe ele viu Kira no meio da multidão, observando aquilo tudo. E ela viu o que ele fez com Poe, e nisso saiu correndo para longe, com os olhos marejados, enquanto o pai era levado para ser interrogado. Poe seria levado também.
"Droga, Kira!" Ele gritou por último numa tentativa fracassada de alcançar a filha.
"O que pensa que está fazendo, Ben!? Pela força!" Disse Leia incomodada e frustrada com as mãos na cintura e a cabeça em negação. "Sabe que está proibido de usar seus poderes!"
"O piloto, Dameron. Ele não tinha que se meter, ele continua me chamando por aquele nome!"
"E não é desse jeito que vai fazê-lo parar!
"Escória, se encostar mais um dedo em Poe ou qualquer pessoa!" Dizia Finn ao entrar na sala abruptamente. "Eu vou acabar com você!"
Ele ia se aproximando de Ben mas Leia colocou-se no meio enquanto dois outros seguravam o rapaz.
"Finn, o que está fazendo aqui?" Perguntou Leia. "Volte para o seu posto, soldado."
"Eu soube o que ele fez com Poe. Tá achando que é o que!?"
"Não me interessa o que você pensa, traidor!"
"Traidor é você!" Finn agora estava agressivo. "Sinto pena por Rey ter acreditado em você! Ela não merecia alguém como você. Traidor!"
Então Ben jogou ambos os pacificadores que estavam lhe segurando pelos braços com a expressão de sua força, seguindo em passos determinados até Finn disposto a agir de alguma forma, então Leia colocou-se no meio dele.
"Ben Solo, já chega!" Ela disse esticando o braço na direção de seu filho e isso o fez paralisar. Era a primeira vez que Ben, e os outros na sala, viam Leia usar suas habilidades.
Ela então se recompôs, olhando ao redor pela sala, até que mandou todos, sem exceção, se retirar. Agora estavam ela e Ben reunidos sozinhos na sala. Ele recuou afastando-se de Leia, olhando para o chão enquanto percorria o caminho de costas.
Leia, assim que fechou a porta, aproximou-se do filho, em silêncio, de forma amena. Ambos os braços por trás das costas, mantendo sua postura mas não agressiva.
"Não pode agir dessa forma." Ela disse em tom baixo, calmo, não como uma general, mas sim como uma mãe que se preocupava com o filho. "Ben, você sabe que a maior parte do conselho não aprova sua pseudo liberdade atuando na Resistência. Muitos, a maioria pelo menos, não confia em você. Eles me deram essa chance, os convenci de que você valia a pena. Me deixe te ajudar." Ela se aproximou se enlaçou uma das mãos na do filho. Ele estremeceu ao toque, mas não se esquivou, ao mesmo tempo permaneceu de cabeça baixa. "Não me faça me arrepender de ter te dado uma chance, Ben. Eu sei que você ama Kira, sei que ama Rey e que não quer mais confusão, então, por favor, nos ajude a te ajudar."
"Eles disseram que minha filha era má, a trataram como se fosse uma aberração. Kira está muito magoada, eu não quero vê-la sofrer assim." Ele respirou fundo segurando as lágrimas. "Não quero que minha filha se sinta rejeitada, não quero que ela se sinta como um dia eu me senti. Eu estou destruído, Leia."
"Ela não será rejeitada, meu filho. É tudo muito novo para eles, todos a conhecem como a filha de Kylo Ren, tem que tentar dar uma chance para as coisas mudarem. Não pode continuar agindo de forma agressiva, Ben. Precisa mudar a imagem que passa."
Ele voltou a encarar o frio assoalho de metal abaixo de seus pés e fechou os olhos em seguida, deixando que uma lágrima invadisse o rosto. Ao constatar isso, Leia levou os dedos em direção ao rosto de Ben e enxugou a lágrima.
"Eu me arrependo tanto, Leia!" Ele olhou em seus olhos agora, de baixo para cima, como uma criança que pedia por compreensão. "Eu me odeio!" Ele então levou ambas as mãos em direção aos olhos e começou a chorar e soluçar. Estava quebrado, e agora Leia aproximou-se mais e envolveu Ben em um abraço. Ele chorou ali, no colo dela, como uma criança. Leia não pôde conter as lágrimas. Ela amava seu filho, era tudo isso que ela sempre quis, ele de volta para ela, e ela não o deixaria se perder de novo. "Eu me odeio por tudo que eu fiz a minha família, por tudo que fiz você sofrer, mãe!" Ele disse, finalmente, a palavra que ela queria tanto ouvir. "Me perdoe, mãe, por favor me perdoe! Me perdoe pelo meu pai, me perdoe por ter saído do lado certo." Ele continuou chorando desesperado e agora Leia o aninhava dando leves tapinhas em suas costas.
"Eu te perdoo, meu filho." Ela disse, de todo seu coração. "Eu amo você, meu filho!"
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Base da Primeira Ordem
Existia uma linha tênue, bem fina, entre fazer a coisa certa e satisfazer o próprio ego. Sua vontade era de dilacerar Ben de todas as formas possíveis. Não o deixaria se safar dessa, penitência nenhuma na galáxia a faria se sentir satisfeita.
Então ela adentrou ao salão do trono, após duas madrugadas mal dormidas e três dias de prazo para se decidir, afinal, qual seria seu destino.
Ordenou que fosse apenas ela e o líder supremo. Apenas ela, ele e os pretorianos obrigados a fazer sua guarda. Dane-se. Mal sabia se eles tinham uma alma mesmo.
Ela andou até ele, não se baixou, chega desta merda. Agora ia falar de igual para igual. Era isso ou a morte. E ela já não ligava mais pra própria preservação. Ela subiu o olhar, fixando-o nos olhos amarelados do velho lord, a fitando em expectativa.
"Chega de mentiras." Primeiro ela disse. "Antes de qualquer coisa eu quero saber toda a verdade sobre a nossa história. Sem tirar nem pôr, tudo!" Sua voz era autoritária. "Disse que Mera merecia aquilo, que foi ideia dela deixar Kira em Jakku... já chega!" Vociferou enquanto andava de um lado pro outro cerrando os dentes. "Vai me dizer tudo, tudinho. Por mais dolorido que seja."
"Tudo bem, Esme Ren."
"E pare com essa breguisse. Vai me chamar de Renesmy agora, esse é meu nome, não Rey, nem Esme, nem merda nenhuma!" Ela estava bem exaltada. "Cansei de ser controlada toda hora por todo mundo. Vamos começar de novo, com honestidade."
"Se acalme." Ele disse com a voz pouco mais rude. "Eu vou contar, tudo bem." Ele se ajeitou no trono e Rey aproximou-se pouco mais, de ouvidos abertos e atenta. "Bom... desde o princípio, desde os primeiros seguidores de Vader, dos primeiros idólatras do Império, aos seguidores assíduos de Darth Sidious, houve-se a intenção de criar uma nova Ordem honrando o legado desses grandes nomes. Quando a nova Ordem Jedi ascendeu, precisamos criar um contra ataque, então construímos uma academia própria, onde treinaríamos sensitivos da força no lado das trevas. Na época, a existência de herdeiros de Palpatine era um boato, não se tinha certeza sobre seus filhos, sabíamos que muitos houveram sido cassados, muitos haviam sido mortos por republicanos contra uma possível nova ascensão de um império. Bem, com isso, não tínhamos como ter certeza e seria muito tempo perdido procurar por respostas, então uma possível nova saída havia surgido. A filha de Darth Vader, Leia Organa, estava esperando seu primeiro filho. Desde o ventre a nossa ordem começou a influir no coração do novo Skywalker, nossa influência começou ainda bem cedo, mas então ele nasceu e com o tempo e a demonstração agressiva de sua força, ele foi enviado para a academia de Skywalker. Não podíamos deixar que ele seguisse para a luz, era nossa única chance. Então ele cresceu e soubemos de seu treinamento no caminho do equilíbrio. Não era o bastante mas talvez fosse o início. Continuamos com nossos esforços, e a cada dia podíamos sentir mais e mais a sua entrada ao lado sombrio. Em uma de suas missões em Coruscant, fiz Ben Solo conhecer Melyrane, Mera. Ela tentou recruta-lo, fazer-se de boa moça, de início, é claro, não resolveu. E o motivo, provavelmente era você. Então ele desonrou os preceitos do código jedi, foi rejeitado, abandonado, e assim vimos nossa melhor oportunidade. Àquela altura sabíamos que ele tinha uma filha e uma esposa, mas não podíamos imaginar que você era uma herdeira legítima de Palpatine. Achávamos que era uma garota qualquer. Ofereci glória a Ben, era isso que ele queria, ofereci um lugar na Primeira Ordem, e com o tempo a ideia começou a subir a cabeça dele. Mera continuou tentando influência-lo até que ele começasse a confiar nela, então ela o convidou para fazer parte da nossa academia. Ele iniciou seu treinamento conosco."
"Espera!" Rey o interrompeu. "Ele começou a treinar no lado sombrio? Então era por isso que ele passava tanto tempo longe de casa. Dizia que estava indo a trabalho, esse era o belo trabalho dele."
"Enfim!" Ele voltou a falar. "Ben Solo tinha um grande potencial, claro que tinha. O neto de Vader, não podíamos perdê-lo. Demos tudo a ele, fizemos se sentir confiante, dono da ordem. O colocamos como líder e ele aceitou a ideia bem rápido." Rey apertou os olhos e o cenho olhando para baixo, magoada, uma lágrima caiu. "Mas havia ainda um grande resquício de luz, algo que o puxaria sempre, vocês duas! Não podíamos trazer vocês para cá, mentiríamos para Ben até que sua memória fosse corrompida, e a ideia inicial era matar você, fazê-lo sentir a dor, foi o que Aquil tentou fazer, mas Ben o impediu."
"Aquil?" Ela perguntou.
"Aquil Devift. Ele era irmão de Mera." Respondeu.
"É por isso que ela me odeia tanto! Ben matou o irmão dela por minha causa!" Concluiu. "Vadia, ela sempre soube. Mas e Kira, o que iam fazer com ela?"
"Você era descartável, não sabíamos nada sobre você. Mas Kira era filha de Ben, até então uma Skywalker. Então Mera ofereceu um parente que lhe devia favores para cuidar da menina em Jakku. Ela seria levada para lá para que futuramente começasse a ser treinada no lado sombrio. Se ela fosse treinada desde o início, desde pequena, seria muito fácil. Mas o imbecil deixou ela fugir." Agora ele disse com agressividade. "Como você não foi morta por Aquil, tive que trazer você e a menina conosco. Deixamos ela com Lorenzo, mas você se descontrolou, íamos te deixar em um lugar bem longe, morta, mas você começou a lutar conosco. Era mais forte do que pensávamos. E em um momento acalorado de seu desespero, Mera a jogou da nave."
"Eu lembro disso." Ela disse agora trincando os dentes em ódio, os punhos cerrados, os olhos avermelhados.
"Da altura que caiu podíamos jurar que estava morta. Qualquer pessoa morreria naquela situação. Mas não você. Você não era uma pessoa qualquer. Então Ben teve sua memória apagada, funcionou bem a princípio pois o estrago emocional que o massacre fez na cabeça dele o ajudou a reprimir diversas emoções. Tudo estava indo perfeito, mas como nada na força acontece com coincidência, você teve de reaparecer. Entre tantos lugares, a nave do desertor e o droid tinham que ter encontrado justo você! E isso o abalou de imediato. Com o tempo foi se familiarizando com você, e estava sendo cada vez mais difícil manipula-lo. Então chegamos a conclusão de que de fato seria melhor ter você sob nosso domínio do que longe e correndo o risco de descobrir toda a verdade. Mas no fim a Resistência fez um ótimo papel lhe poupando dessa dor, nos deu mais tempo."
Ela caiu em seus joelhos, arrasada, agora as lágrimas fluíam mais rápido e ela se perguntava como pôde ter dado tanto azar na vida?
"Mas agora, você é uma Palpatine, e tem a chance de mudar tudo de uma vez por todas. Junte-se a mim, e eu lhe darei toda a oportunidade de se vingar." Ele sorriu de lado. "Inclusive de Mera."
Isso fez o olhar dela despertar, ela engoliu em seco.
"Eu aceito sua oferta." Ela disse de modo pesado. "Quero que meu filho seja treinado para matar Ben. Quero que ele sofra. Quanto a criança, ela não pode saber que é filha de Ben. Deixe-o acreditar que essa é uma missão de vida que ele foi destinado. Eu não quero que ele sofra. E eu tenho minhas condições."
"Condições?" Snoke perguntou, e estava eufórico demais com a possibilidade de voltar com a construção do Império.
"Olhe ao redor, a Primeira Ordem está condenada, olha quantos ataques internos tivemos só nos últimos meses em que estive aqui. Precisamos reorganizar isso aqui, olhe para seus guardas pretorianos, eles o seguem porque devotam a vida em te proteger. As tropas de Hux foram pessoas que tiveram sua liberdade roubada, é claro que isso abre prescindente para traições."
"O que você sugere, então?"
"Não precisamos de mais recrutas. Caso seja necessário eu indicaria que voltassem a usar o sistema de clones. Se existe algo que a Resistência possua muito mais do que a Primeira Ordem isso é a devoção. Seus soldados lutam porque eles acreditam na filosofia da Resistência. Precisamos fazer isso com as tropas do novo império."
"Como faremos isso, então?"
"Libertando todos os escravos."
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