Herdeiros do Império - (Reylo)
6 A Dama de Azul - Parte Inicial
"Você não chorará por minha ausência, eu sei / Você me esqueceu há muito tempo / Sou eu aquele sem importância? / Sou eu aquele tão insignificante? /Alguém não está sentindo a minha falta?" (Missing — Evanescence)
Uma leve enxaqueca acordou Kylo Ren no dia seguinte. Havia bebido consideravelmente na outra noite e agora as dores tomavam conta de seu corpo. Devido a essa razão, havia-se considerado que não ocorreria treinamento com nenhum dos cavaleiros de Ren nesse dia, que daria um dia de folga a seus aprendizes afim de conhecerem melhor a base caso quisessem e ter um dia livre para se recuperar da noite anterior.
Do outro lado da base, Rey acordara tranquilamente. Não teve sonhos nessa noite e se sentia muito feliz e tranquila a partir disso. Foi então que o som de três batidas na porta entrou nos ouvidos de Rey.
"Pois não?" Rey, ainda de pijamas e um roupão atendeu à porta, era um stormtrooper.
"Mestre Kylo Ren solicitou a presença da senhora em sua divisão."
"Algum motivo especial?" Ela perguntou.
"Não tenho essa informação, senhora. Um dos nossos soldados irá acompanhá-la até o local assim que estiver pronta."
Rey entrou no quarto imediatamente e se aprontou. Colocou uma roupa de trajes escuros que tinha vindo com aquela muda de roupas no seu primeiro dia na base. Era uma calça preta e uma blusa também na mesma cor, simples, mas possuía uma renda delicada no colo. Prendeu seu cabelo em um leve rabo de cavalo desarrumado e seguiu adiante.
O stormtrooper a guiou pelo corredor até chegarem em uma secção que ela não havia conhecido antes. As paredes eram de aço, assim como no resto da base, mas havia algo diferente. Muitos stormtroopers permaneciam lá. Todos parados à frente de portas espalhadas ao longo do corredor, até que no fim havia uma porta maior, com arabescos em ouro desenhados. O stormtrooper que estava ao lado esquerdo da porta a abriu para que Rey entrasse, ela entrou. Era um quarto.
Rey ficou maravilhada com a beleza daquele lugar, era grande, até três vezes maior do que sua habitação. Haviam dois sofás dispostos lateralmente à uma lareira, um tapete todo trabalhado em detalhes entre eles. O quarto era cercado por janelas de vidro muito grossas e resistentes. No centro havia uma cama, uma cama muito grande e ao fundo tinha uma mesa. Uma mesa cheia de frutas, pães, sucos, chás... Tudo que Rey não tinha em Jakku. E Kylo Ren.
O rapaz se encontrava parado de costas para o quarto, observando a galáxia lá fora, agora com o Sol amostra. Na base não se tinha uma distinção entre dia e noite como nos planetas, praticamente se diferenciava as horas pela posição do Sol uma vez que a base se encontrava em órbita de um planeta. O novo planeta onde uma nova arma, 3 vezes maior do que a outra, estava sendo construída.
Ele sentiu sua presença. Lentamente seu rosto se virou para o lado direito e Kylo pôde concluir a partir de sua visão periférica aquilo que a força já havia lhe informado. Rey estava lá.
"Pois não, senhor." Ela começou a falar com os braços cruzados atrás de seu corpo.
Kylo se aproximou da garota. Cada vez que o olhar deles se encontravam, uma sensação esquisita tomava conta dos dois, quase que incontrolável. Ela desejava explorar aquele mistério dentro dele, assim como ele também o queria. Mas era inútil.
Kylo então, próximo à ela, lentamente deslocou uma mecha do cabelo da garota para detrás da orelha.
"Você fica tão mais bonita com os cabelos soltos, não sei por que os prende toda hora..." Ele sorriu e suavemente puxou o elástico do cabelo de Rey, revelando suas mechas onduladas que caiam sobre os ombros, ela engoliu em seco. "Chega de formalidades por favor, pare de me chamar de senhor ou mestre, eu não sou o Luke, aquele patético. Sou Kylo Ren. Me chame assim, ou só Kylo, ou Ren..." Ele riu e ela se afastou.
"Por que solicitou minha presença?" Perguntou arrancando o seu elástico de cabelo das mãos de Ren.
"Como não haverá treinamento hoje pensei se não gostaria de tomar um café comigo e depois poderíamos andar pela base ou treinar um pouco nossa questão do equilíbrio."
"Equilíbrio?" Ela indagou.
"Ora, não se faça de tola." Ele sorriu ironicamente. "Nós dois sabemos que há algo. Eu sinto sua presença em todo lugar, eu poderia te rastrear a quilômetros daqui... A anos luz daqui." Ela olhou para baixo. "E você também poderia, e sabe disso." Agressivamente ele levantou o rosto de Rey com as mãos em seu queixo a fazendo olhar nos seus olhos.
"Eu sei!" Ela rosnou.
"Então não finja que eu não sabe." Ele então se afastou dela e a conduziu até a mesa. Gentilmente afastou a cadeira para que ela se sentasse. Ela ficou parada, analisando cada tipo de pão. Ele finalmente se sentou e dois empregados os serviram. Ela ficou um pouco sem graça com isso, dizia a todo momento aos serviçais que ela poderia se servir sozinha. Kylo, como resposta, a fitava com o olhar a dizendo que eles estavam lá para isso.
"Há algo tão interessante em você." Ele quebrou o silêncio. Ela o olhou nos olhos. "Sabe, uma das minhas habilidades mais perceptíveis, inclusive por Luke, era a capacidade de confundir a mente das pessoas e principalmente arrancar delas as informações que eu precisava."
Ele levou sua mão em direção a um bolinho de amêndoas ao mesmo tempo em que Rey iria pega-lo. Suas mãos se tocaram, um calafrio subiu pelas pontas de seus dedos e fluíram pelos seus corpos. Eles imediatamente, em um choque, afastaram as mãos. Aquilo doeu em ambos. Se afastar um do outro estava se tornando cada vez mais difícil e eles nem ao menos sabiam o porquê.
Ren pigarreou e continuou a falar. "Mas com você é diferente." Ele penetrou seu olhar no dela. "Eu não vejo nada. A cada dia você se torna mais forte e bloqueia as minhas investidas com maior facilidade. Sua mente é um vazio para mim. Me admira ter conseguido arrancar algumas lembranças suas em nosso primeiro encontro..." Ele sorriu timidamente. "Sabe, Rey..." Ela arrepiou ao ouvir seu nome sair tão suavemente da boca de Ren. "É impressionante essa sua habilidade, me pergunto se isso é natural seu ou se com o tempo veio aperfeiçoando."
"Agradeço seu interesse mas não sou nem nunca fui uma jedi para poder ter aprendido alguma coisa. Talvez seja você quem não está conseguindo usar sua força em mim."
"Impossível." Rosnou. "Eu fui treinado pelo melhor jedi que existe hoje e o maior ícone vivo do lado sombrio, além dos genes de Vader que correm pelo meu sangue. Sempre consegui retirar as memórias mais profundas de guerreiros de todos os lados." Ele se inclinou em direção à Rey. "Não seria difícil tirar informações da mente de uma insignificante catadora de lixo."
"Você tem certeza de que me acha insignificante?" Rey se inclinou em direção à Kylo Ren e agora os dois se olhavam profundamente nos olhos, os dois com raiva no olhar. Rey fez aquilo de novo, fez os feitiços de Kylo Ren voltarem contra ele, e ela estava gostando disso. "Pois eu não acredito nisso. Eu sei que sou importante para você, caso contrário, não aceitaria por conta própria me treinar. Eu nunca disse que queria ser treinada por você, eu disse que queria ser treinada no lado sombrio, não especifiquei por quem." Ela sorriu, tão articulada com as palavras. Ele se afastou. "Então, Kylo Ren, eu não sou tão insignificante assim. E eu vou descobrir qual seu interesse em mim, e também vou descobrir o que você quis dizer quando se referiu a mim como 'é você' naquele dia na floresta em que lutamos."
Kylo Ren paralisou, trêmulo. Ela atingiu seu ponto fraco. Ren não sabia o que o fascinava tanto em Rey, uma simples catadora de lixo. E, também, ele não se lembrava mais da memória que houvera passado em sua cabeça sobre Rey no dia da luta, Snoke tirou isso dele.
Alguns minutos se passaram e Ren permaneceu pensativo. Ela se acalmou em seu assento e permaneceu quieta até então quebrar o silêncio novamente.
"Posso lhe perguntar uma coisa?"
"Claro." Ren respondeu agora com atenção e gentileza. Deixou a grosseria de lado.
"Como funciona o treinamento dos aprendizes?"
"Bom, todo ano são recrutados novos jovens nascidos em planetas que apoiam a Primeira Ordem, os Sith, inimigos da república ou até mesmo simpatizantes do império. Eles permanecem um tempo com a gente e os melhores são selecionados. Ao todo existem 6 cavaleiros de Ren e seu mestre, que no caso sou eu, ao todo 7." Rey o ouvia atenciosamente. "Esses serão os oficiais. Os aprendizes que concluírem o treinamento seguirão o mestre do qual foram escolhidos. Ou seja, caso um jovem seja aprovado, ele sempre seguirá as ordens de seu cavaleiro. Há uma linha de sucessão. Caso aconteça algo com um cavaleiro de Ren, quem assume seu posto é o próximo na linhagem."
"Caso eu passe no teste e você morra então eu assumo seu lugar?" Ela riu, ele a olhou sério.
"Tecnicamente sim, mas como sou o mestre deles quem escolheria o novo seria Snoke..."
"Tentador."
"Não se anime tanto, catadora de lixo, eu não vou morrer..."
"Não estou falando sério." Ela falou com gentileza, agora segurando o braço de Ren que repousava sob a mesa. Ela se sentiu estranha pelo gesto que ela mesma fez, mas foi tão automático. "Ah, me desculpe." Ela disse afastando sua mão do braço dele.
"Tudo bem."
"Algo esteve me intrigando desde ontem... Ren..." Ele voltou seus olhos imediatamente a ela ao ouvir seu nome. Isso o fez estremecer por dentro. "Bem, ontem Snoke disse que só os melhores seriam escolhidos e que o resto deles seriam descartados, o que ele quis dizer?"
"Bem..." Ele se aproximou com os dedos cruzados. "Ao longo do treinamento haverá disputa entre os aprendizes. Lutas com sabres, habilidades com o uso da força. Aqueles que não se saírem bem não poderão seguir a ordem de Ren. Consequentemente, esses poderão trabalhar servindo a Primeira Ordem, ou poderão retornar a suas famílias. A maioria não volta por vergonha ou medo da rejeição, então acaba ficando aqui... E tem aqueles que..." Ele pausou, observando o olhar atento de Rey.
"Aqueles que?" Ela continuou a fala dele fazendo gestos com a mão para que ele continuasse.
"Bom, durante as lutas com sabres, tudo vale... Literalmente tudo!" Ele se endireitou na cadeira. "Uso da força tanto mental quanto física, ataques corporais inclusive com o próprio sabre, o que resulta em algumas, digamos... mortes..."
"Mortes?" Medo invadiu seu coração.
"Sim, é, acontece com pouca frequência mas é permitido por Snoke."
"Não acredito..." Ela olhou para o lado, incrédula. "O que você acha disso?" Ela perguntou.
"Ah, eu não acho que a melhor forma de testa-los é liberar esse tipo de coisa mas, o líder supremo é sábio então nós apenas obedecemos." Ele pegou um jarro de suco de laranja e serviu Rey e se serviu. "Mas os mestres costumam intervir antes que uma morte possa ocorrer, então, fique tranquila." Ele sorriu.
Ela ficou pensativa por um tempo, olhava para ele, para a janela, para ele novamente... Ela se perdia olhando aquele rosto... Era incrível como parecia conhecer cada detalhe.
"Você interviria por mim?" Ela falou tão docemente. Kylo engasgou com o suco que estava tomando, quase cuspiu todo o conteúdo presente no copo.
"Me desculpe." Ele riu. "Bem, é claro que sim." Eles se entreolharam, Rey ficou feliz com a resposta.
"Por que?"
"Porque nenhum mestre quer perder seu aprendiz favorito." Os dois riram juntos após Rey respondê-lo que ela era a única que ele possuía. "Mas não será necessária minha intervenção. Você é melhor do que todos daqui. E você tem uma grande vantagem: é uma sensitiva da força enquanto que a maioria aqui ainda precisará aprender a usar e desenvolve-la. E não se preocupe, metade dos presentes nunca irão desenvolver essa habilidade, o que faz com que muitos sejam descartados logo de cara."
"Os cavaleiros de Ren prezam pela utilização da força?"
"Não necessariamente. Não são todos da ordem de Ren que usam a força. A maioria é guiada pelas ordens de Snoke e são habilidosos em defesa e ataque físico."
Era estranho pra Rey toda aquela conversa, ela sempre achou que para ser um grande Sith era necessário a utilização da força, assim como os jedis o faziam. Mas ela estava enganada, nem todos os seguidores da Primeira Ordem necessariamente conheciam a força, mas ela sim, ela conhecia.
Os dois terminaram a refeição. Kylo afastou a cadeira para que Rey se levantasse. Os dois saíram do quarto do rapaz e começaram um intenso tour pela nova base da Primeira Ordem. Kylo a informava como tudo aquilo funcionava. Cada compartimente, cada arma, tudo. Ela ficou sabendo de cada detalhe. Eles se divertiram bastante nesse tempo. Ao fim do dia Rey ficou encantada com a beleza de uma mulher que houvera passado por eles num corredor enquanto eles descobriam os locais. Ela era muito bonita, usava um vestido longo num tom azul marinho escuro e cintilante e por cima uma capa preta longa com um capuz. Ela tinha cabelos longos, enrolados e muito negros. A pele era pálida, seus olhos bem claros. O contraste era tão bonito quanto o de Kylo Ren aos olhos de Rey. Ela se impressionou com a mulher. A moça cumprimentou Kylo Ren com a cabeça ao passar por eles. Ela estava acompanhada de três jovens um deles era Hale. A garota acenou com a cabeça timidamente para Rey, ela achou estranho. Desde o baile Hale não estava mais falando direito com Rey, mal a cumprimentava.
"Quem é ela?" Rey perguntou baixo para Kylo.
"Essa é Mera Ren. Uma dos 7."
"Eu achei que eram apenas homens."
"Não, há duas mulheres no meio, Mera e Ava Ren." Ele pausou. "Quem sabe um dia 3?" Ele sorriu olhando para ela, ela sorriu de volta e continuaram seu caminho. Todos por quem eles passavam os observava com atenção. Rey se sentia cada vez mais importante quando andava ao lado de Ren. Era uma sensação boa, estranhamente boa.
Rey estava agora em seu quarto. Repousava dentro da banheira cheia de água quente. Já era noite e o dia de folga logo menos acabaria. Se encontrou pensativa. Pensava sobre o café que teve com Ren, sobre o dia com ele. Sobre como se divertiram juntos e sobre como seu ódio por ele a cada dia ia desaparecendo. Ela afundou a cabeça deixando com que seus cabelos fossem inundados por água.
Rey se sentiu estranha. Pela primeira vez começou a prestar atenção em seu corpo imerso na água. A imagem de sua pele era refratada pela água dando um tom claro à ela. Rey analisou suas mãos, seus dedos. Analisou os seios, o abdômen. Nunca tivera tempo para isso em Jakku. Nem sabia como seu corpo era. Foi tão estranho. À medida que pensava em Ren um calafrio se formava dentro de seu abdômen. Sua mão esquerda involuntariamente tocou a porção inferior de sua coxa, subindo levemente até sua partes enquanto que a direita tocava levemente o pescoço, descendo em direção aos seios. A garota arrepiava ao seu próprio toque. Ela tocava em seu rosto, em seus lábios e fechava os olhos, e imaginava ele, se imaginava sendo tocada por ele, e ardia em desejo.
Era tudo tão leve, a água a fazia flutuar, e ela realmente estava flutuando naquele momento. Ela percebeu que os pelos dos braços estavam arrepiados, a sensação era tão boa, nunca tinha sentido nada como aquilo antes na vida. Rey mordia seu lábio inferior à medida que imaginava os lábios de Ren tocarem os seus, suas mãos passearem por sua cintura, seus corpos se encostarem. Estava tudo tão maravilhoso, só ela com ela mesma e Ren em seus pensamentos quando repentinamente sua sanidade voltou à tona e ela se assustou consigo mesma.
Afastou suas mãos de seu corpo e saiu rapidamente da água. Se enrolou em uma toalha e parou em frente à pia. Suas mãos estavam apoiadas nela e seu corpo curvado em sua direção. Rey encontrou os olhos de sua imagem no espelho e então se perguntou o porquê de estar pensando em Kylo Ren naquela hora. Estava tudo tão confuso. Ela o estava desejando mas ela sabia que não poderia tê-lo, que era loucura e que precisava imediatamente parar de pensar besteiras. Mas por que não conseguia? Por que queria estar na companhia de um ser tão maldoso e repugnante como ele? Estava tudo tão confuso, tão estranho. O que estava a fazendo sentir isso?
Rey se deitou em sua cama e tentou esquecer aquele momento no banho.
Por outro lado, em seu quarto, Ren estava calmo. Ele analisava as estrelas ao lado de fora de sua janela e repassava mentalmente toda a conversa que tivera com Rey naquela manhã e fim de tarde. Ele se lembrava de quando ela disse que sabia que ela não era apenas uma insignificante catadora de lixo para ele, e ele concordava, mas tentava não transparecer. Tolo, não conseguia.
Ren se deitou em seu leito mas não conseguira dormir. Imagens da bela moça vinham à tona em seus pensamentos. Ele fechava os olhos e só a via. Seu sorriso, seus olhos, sua boca... Ele a queria também, e acabara de concluir isso quando uma vontade enorme de explorar sua vontade biológica invadiu o corpo dele. Mas ele evitou. Concretizar seus desejos fisicamente só o deixaria mais confuso em relação à ela. Ele afastou suas mãos de seu corpo evitando qualquer besteira. A então a noite continuou assim, os dois pensando um no outro, fora o maior sufoco de suas vidas.
Naquela noite tanto Ren como Rey sonharam um com o outro e, por incrível que aquilo parecia, o mesmo sonho apareceu para os dois. Talvez uma conexão? Talvez a força? Um vislumbre? Eles se viam juntos, aos beijos. Rey era preenchida de felicidade e Kylo de compaixão. Não existia lado sombrio ou luz, só existia os dois. Só existia paixão entre os dois, e eles se entregaram ao amor que seu sonho pedia. Sem culpa, nem rancor.
No outro dia nada parecia ter acontecido. É claro que eles não sabiam que tinham sonhado a mesma coisa um com o outro mas, a clareza com que as imagens se passaram naquela noite fez com que tudo parecesse muito real. Rey mal conseguia encarar Kylo no treinamento, o mesmo fazia o rapaz. Eles não trocaram muitas palavras e evitaram contato físico, sem ao menos darem satisfação um ao outro, foi natural.
Uma semana de treinamento havia se passado. A partir dessa semana os aprendizes passariam a lutar uns com os outros para se classificarem. Todos foram reunidos no grande salão. Eles treinavam sempre em duplas até que as lutas oficiais acontecessem. Rey pôde ver o rosto de todos os 7 cavaleiros de Ren. Todos muito sérios e aparentemente robustos. Ren analisava o treinamento de Rey ao longe. Entre lutas e treinos com a força Kylo e Rey se entreolhavam e eles entendiam o que significava aqueles olhares. Rey pedia a avaliação de Ren, ele assentia com a cabeça quando ela estava indo bem e negava quando ela precisava melhorar, ela sempre melhorava.
Rey costumava treinar com os aprendizes de Mera Ren, uma delas era Hale. As duas treinavam bastante juntas e aprendiam uma com a outra. Mera Ren sempre ficava ao lado de Kylo e fazia alguns comentários com ele sobre o treinamento de seus aprendizes. Rey se sentia incomodada com os olhares de Mera Ren. Ela ria quando Rey era derrotada e negava com a cabeça quando ela não conseguia realizar algum exercício. Kylo apenas observava.
Na manhã seguinte Rey fora surpreendida por Kylo Ren com a informação de que ocorreria a primeira disputa entre os aprendizes. Rey paralisou. Um nó desceu por sua garganta.
"Não precisa ter medo Rey." Kylo dizia acariciando os dois braços da garota com as palmas de suas mãos, a encorajando. "Você consegue! Eu cheguei a um acordo com Mera, você lutará contra Eleonora VanHale."
"O que?" Ela se espantou.
"Ué, qual o problema?" O jovem indagou.
"Ela é a unica amiga que eu tenho, eu não posso lutar contra ela."
"Foi justamente por isso que dei essa sugestão à Mera. Ela arrisca todas suas apostas na garota mas eu sei que você é mil vezes melhor do que ela. Dará tudo certo, você vai ganhar."
"Kylo, eu não vou matá-la." Rey sussurrou olhando para baixo.
"Ninguém falou nisso. Eleonora não te mataria, nem você. Então não há motivos para se desesperar, Rey!" Ele levantou o rosto dela. "Confie em mim."
Eles se direcionaram ao grande salão e dentro dele, as paredes estavam rodeadas de espelhos. Rey perguntara a Kylo qual a necessidade deles e ele explicou que aquilo ajudaria os combatentes a previrem ataques de seus oponentes. No futuro eles seriam retirados e o treinamento ganharia uma carga muito mais pesada, um grau de dificuldade muito maior.
5 duplas se apresentaram, lutaram. Rey apertava os olhos a cada soco que aqueles garotos e garotas levavam. Não havia piedade, em alguns casos homens lutavam com mulheres, era assim na vida real. Todos aplaudiam os belos golpes e vaiavam aqueles que se saiam mal. Rey estremecia e se sentia péssima. Após mais ou menos meia hora de lutas houve uma pausa e a próxima dupla chamada foi Rey e Hale. Ela paralisou.
Ao ouvirem o nome de Rey, todos naquele salão ficaram quietos. Era a aprendiz do mestre, todos a veneravam e a temiam. Ren se sentiu orgulhoso quando o nome dela fora chamado. Mera Ren se aproximou de seu mestre para que assistissem juntos a luta de suas aprendizes, e aquela luta em si era especial. Derrotar a aprendiz do mestre era tudo que Mera queria que Hale fizesse.
"Sabe Kylo, minha aprendiz foi muito bem treinada. Ela até apresenta alguns traços que me remetem a pensar que ela pode usar a força no futuro." Ela riu ironicamente. "Seria uma pena perder sua preciosidade tão facilmente no primeiro dia de disputa..." Ela riu mais ainda.
"Não acontecerá. Com licença." Kylo a respondeu friamente e saiu de perto de Mera. Ela ficou bem irritada com tal atitude.Os outros cavaleiros de Ren assistiam atentos. Rey se deslocou do local onde estava em direção ao centro, Hale fez o mesmo. Assim que chegaram perto uma da outra as duas se entreolharam e se cumprimentaram.
"Vocês sabem as regras, quem sair primeiro do círculo da arena perderá essa primeira prova e perderá pontos. Não será permitido empurrões, apenas saídas em decorrência da luta de sabres. Não poderão utilizar a força para tirar a outra da arena." Kylo disse olhando pra Rey. "Caso vocês não aguentem o cansaço físico podem desistir e também perderão pontos."
Hale parecia muito nervosa e evitava contato visual com Rey. Ela estava trêmula. Rey tirou seu sabre do cinto e Hale fez o mesmo. O salão foi inundado pela cor vermelha dos sabres reluzindo. E então começaram.
As luzes abaixaram e as duas começaram uma dança de ataques e defesa. Hale foi primeiro. Seu sabre ia em direção à Rey mas a garota o bloqueava. Hale permaneceu com incansáveis tentativas de ir para cima de Rey com o sabre mas ela sempre conseguia se proteger. Hale ficou cada vez mais agressiva e Rey começou a ficar assustada até que distraída, Hale a empurrou com as mãos para fora da linha circular.
"Ela não pode fazer isso!" Ren gritou. "Você não pode empurra-lá para fora, garota insolente."
"Cale a boca, deixe que elas se entendam!" Gritou Mera Ren.
"Como ousa?" Rey observava seu mestre discutir com Mera. Ela e Hale permaneceram paradas. "Vamos, comecem de novo, e sem empurra-la pra fora VanHale, ela tem que sair devido à luta e não você empurra-lá por conta própria!" Hale fitou Kylo Ren com ódio.
As duas se olharam novamente e agora Rey também já estava mais irritada. Ela acendeu novamente seu sabre e Hale fez o mesmo. Todos as olhavam com muita atenção.
(Continua...)
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