“Johnny... Cara, eu to varado de fome.” Pedro sussurrou para o primo, cada um em sua cama.

“Cara, a gente tá em um quartinho minúsculo... Todo mundo pode ouvir.” Lembrou Duca, deitada na própria cama. “Mas eu também to com a barriga roncando.”

“Agora sim falamos a mesma língua. Onde é a cozinha dessa espelunca?” Questionou Cobra, pulando de sua cama.

“É lá nos fundos, ouvi o advogado explicando para as meninas.” Avisou Jeff, sentando na própria cama. “Só não sei se tem comida lá.”

“Ótimo, ainda temos que ir no mercado.” Bufou Bruno, coçando os olhos. “Isso aqui está melhor a cada minuto.”

“E nossas colegas não fazem muito o tipo prendadas. Será que podemos contratar uma doméstica?” Perguntou João, escorado no braço esquerdo.

“Não seria uma má ideia, até porque esse lugar precisa de uma faxina.” Concordou Duca. “Mas é melhor chamarmos as meninas e pensarmos no jantar.”

“Eu faço isso.” Jeff saiu para o quarto feminino, enquanto os demais desciam. Cobra fazia piadas e comentários maldosos a respeito da sexualidade do dançarino, insinuando que ele viraria BFF das garotas logo e mudaria de quarto.

“Me dá vontade de dar uns tapas nesse cara.” Resmungou Pedro.

“Para que? Levar uma surra daquelas? O cara quebra a gente rapidinho, Pedroso, vamos ficar na nossa.” João parecia apavorado.

“Eu vou chamar o Jeff para ficar com a gente.”

“Ou, gosto dessas coisas não.”

“Se liga, João, o Jeff não é gay. Eu vi ele dando uma bela olhada na bunda da pianista, olhada que gay não dá. E ele parece ser gente boa, só bem tímido... E acho que dos quatro, ele é o menos pior.”

“Isso é verdade.” O nerd observou o rapaz descer as escadas com as meninas. “Tá bom, pode chamar ele.”

“Vocês viram se tem alguma coisa na cozinha?” Perguntou Karina, enquanto Duca e Bruno vinham daquela direção.

“Tem doze cestas básicas embrulhadas na dispensa. Na geladeira tem três caixas de ovo, uns pacotes de linguiça e alguns hambúrgueres. Também tem alface e alguns vegetais. E esse bilhete, na porta da geladeira.” Bruno estendeu o papel, que Jade apanhou.

Jovens herdeiros, quando seus avós vieram para a Fábrica, eles tinham 15 hambúrgueres, um saco de linguiça, um pacote de alface, três caixas de ovos. Tinham também as sementes para plantar batata, cenoura, espinafre e tomate. Deixo vocês em iguais condições, mas com um bônus: doze cestas básicas. A partir de agora, terão que comprar sua própria comida. Bom apetite.” Leu a bailarina, irritada.

“Bianca, lembra que o pai falava que a vovó tinha virado uma estrela no céu? To começando a achar que ela virou foi um meteoro para cair nas nossas cabeças.” Resmungou Karina, bagunçando os cabelos.

“Eu vou amanhã procurar um centro espírita, porque acho que isso é encosto. Aliás, onde guardei meus incensos? Seriam ótimos.” Vicki saiu em direção a escada, enquanto João franzia o cenho.

“Essa menina fala umas coisas muito nada a ver... Só falta ser aquelas estranhas que fazem yoga ao nascer do sol.”

“Ao pôr do sol, queridinho... Me recuso a acordar antes das 10h.” Ela gritou do andar de cima, fazendo ele pular.

“Acho que ela que é a assombração da casa, brother. Taca sal grosso, pelo amor de Deus.” Ele resmungou.

“Ok, gente, vamos focar. Temos linguiça e alguns hambúrgueres, certo? E na cesta básica tem arroz, correto?” Todos concordaram com Bianca. “Ótimo. Meninos, achem algum lugar que tenha vassoura, rodo e pano, e limpem algum lugar para comermos. As meninas vão me ajudar na cozinha.”

“Eu não vou limpar nada.”

“Ah, vai sim, Cobreloa. Porque se não, não vai comer. Se vamos ter que enfrentar essa loucura, vamos fazer isso todos juntos, goste você ou não.” Avisou Fatinha, encarando o rapaz de forma séria.

“Vigarista, acelera aí em cima... Se vou fazer arroz, você vai fritar hambúrguer!” Gritou Jade, irritada.

“Preciso purificar esse lugar!”

“Deixa o incenso purificando a sua cama e acelera, que tá todo mundo com fome.” Retrucou Karina, parando na cozinha. “Esse lugar é estranho, não parece uma casa.”

“É porque não é. Isso devia ser o refeitório do local, onde os alunos comiam. Aqueles quartos tão com cara de coisa nova, já que nossos avós dormiam pela Fábrica. E pelo que entendi, vamos tomar banho no vestiário.” Comentou Mari, enquanto abria um dos pacotes da dispensa.

“E eu, que nunca dividi nem quarto em acampamento, agora vou dividir até banheiro. É o fim da picada.” Reclamou Jade, abrindo a geladeira. “Não é por nada não, gente, mas essa comida vai dar?”

“Os meninos têm cara de que comem bem.” Concordou Vicki, entrando na cozinha.

“E eu também. Pelo menos três hambúrgueres para mim, falou?” Rebateu Karina.

“Desse jeito não vai dar nem pegando esse pacote de linguiça.” Jade tirou as coisas.

“Ué, frita uns ovos.”

“Ai que pobre.” Jade e Vicki gritaram juntas.

“Ah, queridas, acabou caviar e saladinha grega. A não ser que vocês se banquem, vai ter que ralar.” Comentou Fatinha, que já tirava as panelas dos armários. “Mari, por favor, pergunta para os meninos o quanto eles comem?”

“Para o Pedro são três hambúrgueres, porque ele não come linguiça. O Cobra quer quatro hambúrgueres e uma linguiça, o Duca falou que quer três gomos de linguiça, prefere não comer hambúrguer. O João quer dois hambúrgueres e uma linguiça, e o Jeff uma de cada, assim com o Bruno.” Mari voltou depressa, tentando contar tudo nos dedos. “Isso dá onze hambúrgueres e sete gomos de linguiça.”

“E sobre quatro hambúrgueres e uma linguiça para nós seis? Nem a pau.” Bianca se irritou, indo até a porta. “Meninos, venham aqui. Já.”

“O que foi, mandona?” Cobra foi o primeiro a aparecer, já reclamando.

“Muito bem: temos oito gomos de linguiça e quinze hambúrgueres, e somos em doze. Não vai rolar vocês comerem tudo.” Explicou Karina.

“Ué, vocês ainda têm salada.” Observou Pedro.

“E se você continuar, não vai é ter filhos.”

“Eita, calma aí, ô esquentadinha.” O rapaz se escondeu atrás de João.

“Esquentadinha vai ficar a sua cara, seu...”

“Ka, chega. Vamos decidir o jantar, por favor.” Implorou Mari.

“A gente tem ovo. Vocês comem ovo frito?” Perguntou Jade, pegando uma das caixas.

“Comemos.”

“Então tá... Cada um de vocês tem direito a um gomo de linguiça; como o Duca e o Pedro só escolheram uma das guarnições, o hambúrguer do Duca fica para o Pedro, e a linguiça do Pedro para o Duca.” Fatinha fez a divisão sobre o balcão.

“Cara, isso ficou muito ambíguo.” João riu alto, sendo fuzilado por todos, menos Cobra que gargalhou junto.

“Sobram três hambúrgueres. Um para a Karina, um para o Pedro e um para o Cobra. Todos de acordo?” Todos concordaram com a moça de Carambolas. “E essas duas linguiças a mais, uma para o Duca e uma para a Bianca, que tinha dito que gostava.”

“Eu me viro com salada.” Jade avisou, e Vicki concordou.

“Eu cozinho um ovo para mim.” Avisou Mari.

“Hum, fecho um ovo cozido também.” Fatinha bateu as mãos, feliz da vida. “Ótimo, e quantos ovos fritos?”

“Eu encaro um.” Avisou Cobra.

“Dois.” João endossou.

“Três.” Jeff ergueu a mão.

“Eu vou de ovo cozido também.” Bruno pediu.

“Tá, alguém anotou tudo?” Perguntou Vicki, e Bianca mostrou o celular. “Ai, gente, vai ser assim todo dia?”

“Nós vamos no mercado amanhã, Vicki. Juntamos a grana que temos e compramos misturas, porque o básico já temos aqui.” Propôs Jeff, recebendo alguns acenos.

“Acho que temos muito o que resolver, não só quanto a comida. Mas estamos todos cansados, estranhando o lugar novo... Vamos jantar, dormir, e amanhã pensamos nisso, ok?” Todos concordaram com Duca, voltando aos afazeres.

Aquele havia sido o primeiro desafio que haviam vencido. Mal podiam imaginar os que ainda estavam por vir.

Notas finais
Heeello, quem é vivo sempre aparece, né? Desculpa o sumiço, gente, eu to numa correria insana com a vida. MAS EM 8 DE NOVEMBRO ACABA TUDO E EU VOLTO A VIVER, SEM FACULDADE, SEM TEATRO, SEM NAAAADA. Tá meio confuso ainda esse bolo de gente, eu sei. Mas logo começaremos a ter uma concentração menor de pessoas por cena, quando as coisas forem se delineando. Vocês viram que o "esquentadinha" apareceu pela primeira vez? Muito amor, né? Anyway, comentem o que estão achando, e nos vemos em breve. See you ;* http://www.facebook.com/fanficswaalpomps