Herdeiro do assassino
1 Sonhos cativantes...
Notas iniciais
Olho adiante, vejo então aquele brilho devastador, olhar sanguinário vindo até mim. Como eu quero sair daqui, como eu desejo uma fuga rápida e despercebida, estou prestes a morrer, e tudo que eu faço é apenas ficar mais nervoso ainda.
Não posso morrer hoje, nem agora. Não quero que meu sangue seja exposto assim, em qualquer lugar, e muito menos naquela lamina afiada.
Mas ele vem a mim rindo de meu desespero, e eu permaneço parado e inativo. A carnificina volta, tudo muda, o que eu sentia antes inverteu, e então começo a rir loucamente. Isso é muito estranho, mas eu o pedi para ele tentar cravar a maldita faca em meu pescoço.
–Venha, tire-me este medo, assassino desgraçado!!
Assim eu disse euforicamente, mas com um leve arrependimento.
Não estava tão confiante, acredite, eu desejava aquela ação que com certeza sabia que não daria algo bom no final. Mas então ele foi com tudo, e eu peguei a maldita faca com meus próprios dentes. Não sei como consegui fazer isso, mas gostei até.
E então ele se assustou perante minha ação inesperada. Até mesmo para mim.
– V-você!!
– Como fez isso? Maldito!!
Assim ele falou com sua voz desgastada e fraca, quase nem consegui ouvir o que havia dito, seu medo reinou sobre seu corpo por completo.
Peguei a faca e olhei fixamente em seus olhos, acredite, não foi nada fácil, pois eu não costumo, de forma alguma, conseguir olhar nos olhos das pessoas.
Talvez eu me identifique com ele, ambos insanos, olhares nada humanos... Consegui então refletir sobre aquele ato de crueldade?
Eu não desejei mata-lo, então eu o imobilizei e guardei a sua faca em minha cintura, continuei andando, e ao mesmo tempo sorrindo de uma forma irônica.
Olhei para trás, e bem distante avistei a policia prendendo-o. Mais a frente eu vi uma jovem chorando, chorando muito, e toda ensanguentada. No mesmo momento eu perguntei.
–Hey, está tudo bem? Assim disse calmamente.
– Meu bebê... Está morto!! O que irei fazer agora? Tire-me a vida, eu imploro!!
Percebi que ela falou isso ao ver a faca em minha cintura, e então eu perguntei o que havia ocorrido.
– O que aconteceu? Levante-se e tente se acalmar!
– Fui estuprada a pouco tempo, e depois isso ele enfiou a faca em minha barriga, começou a rir de minha dor, mas espere ai... FOI UMA IDÊNTICA A ESSA!!
Eu fiquei um pouco nervoso, claro, mas então eu lhe expliquei tudo o que tinha acontecido, ela logo ficou mais calma, e eu então me livrei da faca no caminho para o hospital.
Ao chegar no hospital, deixei meu contato e disse que voltaria no dia seguinte, para ver se estava tudo bem.
Após algumas horas, fiquei pensando sobre aquela noite estranha, e se conseguiria dormir. Bom, eu consegui dormir, no final de contas.
Liguei a TV e vi uma noticia que me chamou atenção.
" — Jovem assassina matou 3 médicos e roubou 2 crianças em hospital próximo ao antigo caso de outro assassino que estava desacordado na calçada ".
Fiquei nervoso, e então vi a foto dela no mesmo instante, ela não estava grávida, e foi tudo uma mentira! O assassino que tentou me matar, achou que eu era o estuprador, provavelmente ela inventou essa mentira para ele também, e ele obviamente tentou me matar. É o que eu faria, afinal.
Fui para o mesmo local onde tudo aconteceu, onde a encontrei é claro. Cheguei lá e não tinha nenhum vestígio de sangue, mas tinha 2 corpos secos e aparentemente em decomposição. Olhei atentamente, e vi que eram os corpos dos médicos no qual havia entregado a garota ensanguentada.
Tentei deixar tudo aquilo, afinal, minha vida nunca foi normal, então isso seria apenas mais um dia estranho, em minha maldita rotina.
Como se não bastasse, ela apareceu na minha casa, comendo uma maçã e rindo.
Olhou para mim e disse.
– Você é bem esperto, e um cavalheiro também... Obrigada, mas eu não precisava de sua ajuda.
Assim ela disse a mim com um tom bastante serio. Eu então peguei a faca e a ameacei, ela riu como eu nunca havia visto uma pessoa rir tanto, e me desprezou no mesmo momento, pegou a faca sem medo algum, e me arrancou um beijo.
Um dos melhores beijos que eu já tive em toda a minha vida.
Fiquei perplexo, inativo e confuso. Perguntei o porquê dela ter feito isso. E ela mais uma vez disse.
– Te achei interessante, pensei em te matar e apagar todo o rastro, mas decidi te incriminar, para você vir comigo,
vamos deixar todo este teatro de lado agora.
Eu sei quem você é... Jeff! O antigo assassino, que agora acha que todo sua vida foi esquecida.
– Não se lembra de mim? Sou eu, aquela que tanto o vangloriava. Você está um pouco diferente, não está tão pálido, e suas cicatrizes sumiram, e agora tem pálpebras? Mas eu não consigo esquecer este olhar e sorriso que também diminuiu... Não deixou de ser insano, mesmo depois de várias cirurgias plasticas, hein?
Fiquei pensando e cheguei a conclusão que ela tinha me confundido com o meu pai, herdei seu nome, mas não seus feitos, ele já havia morrido a muito tempo. E então tentei explicar para ela todo o caso.
Ela então riu mais ainda, mas acreditou em mim.
– Então você puxou mesmo o seu pai, mas agora é tarde, você tem um instinto sanguinário idêntico ao dele, é o seu destino vir comigo, estou atrás de umas vitimas, e você não tem escapatória, afinal, foi incriminado graças a mim.
Eu então fui com ela, pois ela tinha razão e poucos minutos depois a policia foi para minha casa, pegou meus pais adotivos e os levou para a delegacia.
Após muito tempo, eu continuei mesmo não querendo muito, o legado de meu pai, continuei matando mais e mais...
Eu gostava disso, afinal, temos o mesmo sangue, e o mesmo desejo. A partir dai passei a me denominar de "Pequeno Jeff".
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