Notas iniciais
Olá amados seguidores fantasmas, como vocês estão? Venho pedir mais uma vez que comentem alguma coisa, já que as visualizações estão altas e não estou tendo o retorno de vocês : ( Enfim, até lá embaixo, boa leitura!

Poderia dizer que foi a pior noite da minha vida, mas estaria mentindo.

Depois de passar horas conversando com Francis e arrumando minhas coisas, tomei um banho bem quente, deitei na cama e acordei hoje de manhã com um despertador tocando incansavelmente.

-Que horas são? -Resmunguei tirando lentamente meu tapa-olho, ainda não pronta para encarar o dia.

-Hora de levantar. -Respondeu Francis sentando-se na cama e soltando seus cabelos. Já falei que o cabelo dela é lindo? Bem escuro com umas ondinhas bem sutis. -Melhor levantarmos logo se queremos tomar um banho decente.

-Matar aula é uma opção? -Perguntei levantando-me vagarosamente e enxergando as outras meninas, que ainda estavam deitadas em suas camas. Não conversei com mais ninguém ontem à noite, mas tive a sorte de não cair no mesmo quarto que Pansy e sua cara rechonchuda.

-Pode até ser, se você quiser ser devorada viva pelo Snape. -Severo Snape, diretor da Sonserina. Nossos olhares se encontraram no jantar de ontem, ele tem um semblante bem sério. Nunca tinha ouvido falar dele. -Vamos logo. Não estou a fim de pegar fila.

Encarei-me mais uma vez no espelho e estreitei meus olhos procurando por algum defeito. O uniforme é obrigatório para todos os alunos, então tive que fazer certas adaptações no meu look. Por baixo da capa, coloquei um body de manga comprida e uma saia quadriculada, além de uma meia calça preta e meus saltos Jimmy Cho. Não vou deixar de estar magnífica só porque esses bruxos não sabem conhecem Christian Dior.

-Que horas vai ser o desfile? -Perguntou Francis olhando-me de cima a baixo. Ela está vestida com o uniforme completo, desde o pulôver até a capa, o único diferencial é sua sapatilha de verniz de muito bom gosto. -Vai ficar em cima desse salto o dia inteiro?

-Meus pés nasceram no formato de salto agulha, querida. -Respondi fazendo-a rir.

Quando voltei do banho, havia uma carta sobre minha cama assinada pelo diretor Dumbledore. Segundo ela, todo o material necessário para começar as aulas estava no meu baú junto com os uniformes e minha varinha. Separei alguns livros que Francis mandou e deixei a varinha nova guardada na gaveta do criado-mudo, meu pai me deu uma varinha no meu aniversário de dez anos e jamais a trocaria por qualquer outra.

Antes de sairmos do quarto, passei mais uma camada de brilho labial e coloquei os meus acessórios. Eu amo anéis, por isso uso um em cada dedo. Todos são de ouro, é claro. Sou alérgica a bijuterias.

O café da manhã passou bem rápido. Tomei umas boas xícaras de café e comi uma salada de frutas maravilhosa com bastante mel. E fui obrigada a assistir à carnificina logo cedo, com todos aqueles alunos devorando bacons e linguiças.

-Mia Hathaway. -Chamou uma voz grave enquanto eu saia do Salão junto com os outros alunos. Virei-me e encontrei Severo Snape parado. -O diretor Dumbledore quer falar com a senhorita.

-Ah, claro. -Concordei procurando Francis com olhar de desespero fazendo a mesma rir e avisar que guardaria meu lugar na classe.

Segui o diretor da Sonserina pelo corredor até encontrarmos o barbudo que continha um sorriso leve em seu rosto, diferente de Snape que parecia querer rosnar para mim a qualquer instante.

-Queria me ver?

-Sim, sim. -Respondeu Dumbledore fazendo um sinal com as mãos para liberar o seu colega de trabalho. -Recebeu meu pergaminho?

-Recebi sim e, por falar nisso, pode enviar a conta dos materiais para minha mãe.

-Já foram pagos há anos. -Ergui minha sobrancelha e ele percebeu minha confusão. -Seus pais biológicos já haviam deixado tudo separado para você há anos, seu nome está na lista de Hogwarts desde seu nascimento.

-Ah, sim. -Murmurei um tanto infeliz. Então quer dizer que os bruxões já esperavam que sua filha fosse amarrada a essa maldita escola? -Estou atrasada para a aula.

-Sim, sim. Só queria saber se está tudo certo com você.

-Tudo bem na medida do possível. -Retruquei fazendo-o sorrir mais uma vez. Ele sabe mais do que ninguém minha infelicidade por ter que estar aqui. Há anos ignoro suas cartas, inclusive já enviei uma de volta com um enorme dedo do meio desenhado. Não me orgulho disso, mas estava farta de tantos convites bestas. -Realmente, preciso ir.

-Tenha uma boa aula, senhorita Hathaway. -Agradeci mentalmente e virei contra ele descendo as escadas. Se tudo der certo, e eu não me perder, chegarei à aula daqui a cinco horas.

-A senhorita está atrasada. -Resmungou um senhor, ou seria um anão?

-Estava com Dumbledore. -Respondi indo em direção à cadeira ao lado de Francis.

-Diretor Dumbledore. -Corrigiu o professor rigidamente fazendo-me revirar os meus olhos disfarçadamente. -Como eu ia falando antes da senhorita Hathaway interromper a aula, hoje vamos revisar um feitiço muito importante aprendido no ano passado, o Accio é um feitiço extremamente usado, e deve ser aplicado com moderação.

Accio? Sério? Conjuro esse feitiço desde que tenho cinco anos de idade, não é possível que eles só estejam aprendendo isso agora. Apesar da imensa vontade de abandonar a classe, limite-me a puxar uma lixa de unhas e aparar meus cantinhos.

-Por que a senhorita não mostra o que sabe? -Perguntou o professor e Francis me cutucou. Ele estava falando comigo. Merda.

-Porque ela não sabe. -Intrometeu-se uma menina de cabelos ondulados rindo ao lado de Pansy. -O senhor não ficou sabendo? Ela nunca teve contato com magia, é uma trouxa por completo. -Mais algumas meninas riram junto delas e senti minhas mãos fecharem-se de raiva. Francis sussurrou alguma coisa que fui incapaz de ouvir.

-Não me lembro de ter falado com você, Louisa. -Ele rosnou para a menina que não se amedrontou.

-Professor, está claro que ela não faz ideia do que está fazendo aqui. Seu lugar é no primeiro ano junto com as criancinhas.

-Ascendio. -Berrei apontando minha varinha para a menina que bateu fortemente contra o teto e caiu sobre a carteira. Toda a turma paralisou por uns instantes, mesmo suas amigas não se moveram até a tal Louisa começar a choramingar.

-Oh, meu Deus! -Exclamou o professor correndo em sua direção. -Está tudo bem? Está consciente?

-Meu pai vai ficar sabendo disso! -Esbravejou levantando-se rapidamente e ajeitando suas vestes. Limitei-me a mandar um beijinho para ela enquanto a mesma corria para fora da sala esbaforida. O que eles iriam fazer? Expulsar-me? Seria ótimo.

-Para a sala do diretor agora! -Ordenou o anão professor apontando para mim. Revirei os olhos mais uma vez e me arrastei até a porta. Parece que estou de volta ao ensino primário.

A sala de Dumbledore era realmente fascinante. Tudo parecia exalar magia, móveis flutuavam, fontes de águas saiam por todos os lados e tenho certeza que vi uma fênix voando um pouco acima de nós.

Quando entrei na sala, Snape estava conversando formalmente com seu amigo e os dois ergueram as sobrancelhas quando me viram. Afinal, não havia nem uma hora desde que nos encontramos pela última vez.

-Você fez o que? -Perguntou Snape com a voz rígida batendo as mãos na mesa nos fazendo encara-lo, Dumbledore aparentou ter achado sua postura um pouco, quem sabe, exagerada?! -Isso porque é seu primeiro dia de aula, por Merlim. -Lamentou ele ajeitando seus cabelos sebosos.

-Severo. -Chamou o diretor olhando para o professor que me fuzilava com ódio. O que foi que eu fiz para ele? -Mia, não é admissível usar magia contra seus colegas fora de um duelo. Eu, realmente, esperava que a senhorita soubesse disso.

-Tenho sérios problemas de controle, Dumbledore. -Lamentei enrolando meu cabelo nos dedos. -Eu juro que pensei antes, mas aquela menina me tirou do sério. Não é todo dia que sou tão subestimada assim.

-Diretor Dumbledore. -Corrigiu Snape levando mais um olhar de advertência. Se o próprio Dumbledore não se incomoda de ser chamado pelo nome, por que esses professores idiotas insistem em me corrigir? Minha paciência está se esgotando.

-Ainda não ouvi todas as versões do acontecimento, mas tenho certeza que outras medidas poderiam ter sido aplicadas. -Sua voz calma me constrangia um pouco, ele tinha um jeito bem sereno de resolver as coisas. -Olha só, algumas pessoas realmente estranharão o fato de você estar em uma turma avançada. Elas não têm obrigação de saber que Eron lhe deu aulas, muitas delas veem você como uma iniciante no mundo bruxo, não podemos culpa-las. No entanto, também entendo que você tenha sentindo-se ofendida. Conversarei com a senhorita Louisa e resolveremos isso, porém a sua atitude não pode sair impune, a Sonserina acaba de perder trinta pontos pelo seu mau comportamento.

-Ótimo. -Exclamou Snape fazendo-me encara-lo. -O que foi mocinha? Acha que, como diretor da Sonserina, estou feliz com seu comportamento?

-Mia Hathaway. -Corrigi-o e ele empalideceu prontamente, talvez com raiva. -Vou recuperar os pontos perdidos, não se preocupe Snape. -Enfatizei seu nome e senti que ele seria capaz de voar no meu pescoço a qualquer momento, mas ao invés disso, o professor apenas pediu permissão para sair e me deixou sozinha com Dumbledore.

Não era minha intenção atacar ninguém e nem me indispor com professor algum, mas me recuso a ficar-me repudiando pelo que aconteceu. Severo me trata de uma forma estranha desde o momento em que pisei em Hogwarts e aquela garotinha metida testou minha paciência. Não tenho culpa de ter sido provocada.

-Acho melhor não brigar com o diretor Snape. -Aconselhou Dumbledore oferecendo-me um pote com balinhas de caramelo, recusei-as com educação. Está muito cedo para doces. -Isso tudo é muito novo para você, compreendo sua rebeldia. Eron deixou bem claro para mim que seria uma difícil missão lidar com a senhorita.

-Vocês conversaram sobre mim? -Perguntei no susto. Meu pai nunca comentou sobre eu ter sido alvo de seus papos com seu bruxo favorito. Pouco ele falava sobre mim com outros bruxos.

-Inúmeras vezes. -Falou com um sorriso no rosto estalando os dedos e trazendo um álbum à suas mãos. -Ele falava muito sobre sua personalidade forte e também sobre a trabalheira que você dava com suas aventuras. -Sem perceber, me peguei sorrindo. -Sempre soube que não seria fácil, mas prometi a ele que cuidaria de você. Eron foi um grande bruxo, um dos mais especiais que já conheci. -Suas mãos folheavam as páginas e então pararam em uma foto de uma turma bem grande. “Turma de 1976”. -Olha só o Eron aqui. -Exclamou apontando para um jovem de cabelos castanho agarrado de lado com um homem de cabelos escuros. -Com seus fiéis amigos Tiago e Sirius, claro.

Minha mente viajou até minhas conversas antigas com meu pai. Ele sempre falava muito desses seus amigos, principalmente de Tiago Potter. Pelas suas histórias, eles eram conhecidos como “marotos” e causavam pelos corredores de Hogwarts. Sempre desconfiei que ele aumentasse um pouquinho sua fama, mas ao ver essa foto e o imenso sorriso em seu rosto, pude perceber que independente de fama, ele era muito feliz ao lado de seus amigos. Queria muito que ele estivesse aqui apresenta-los a mim.

-E aqui está sua mãe. -Meu sorriso rapidamente desmanchou. Dumbledore apontou para a menina de cabelos longos e olhos cor de mel. -E ela com sua melhor amiga Lilian. -Engoli seco e ajeitei meus cabelos. Não é que eu sinta raiva ou algo parecido por minha mãe biológica, mas não me sinto bem falando sobre ela. -Ela também não era uma menina fácil de lidar. Sua mãe era dura na queda, uma vez, Clarice tentou fugir de Hogwarts e passou duas noites escondidas na Floresta Proibida. Sabe Merlim, o que aconteceu por lá, mas ela voltou viva e com um buquê de flores para a professora Minerva. Foram bons tempos.

-E meu pai? Não está na foto? -Perguntei, mesmo sabendo a resposta. Eu sei que o paradeiro do meu pai biológico é completamente desconhecido e que, jamais seria capaz de conhecê-lo.

-Ah querida. -Ele falou fechando o álbum. -Ainda não descobrimos quem é. -Seus lábios se comprimiram e ao invés de estalar os dedos, como tinha feito antes, levantou-se para guardar seu livro de memórias na prateleira. -Temo já ter roubado muito do seu tempo. É melhor você se apressar se quiser assistir a aula do professor Severo.

-E se eu preferisse ficar aqui com você? -Retruquei sorrindo marotamente. -Existe algo no mundo que eu não posso aprender contigo? Creio que não.

-Não adianta me encher de elogios, Mia. A aula do Snape é muito importante, era a preferida de sua mãe: poções! -Odeio poções. -Teremos muitas oportunidades de conversar mais. Foi muito bom passar um tempo na sua presença.

-Eu também gosto de você. Dumbledore. -Confessei e ele sorriu abrindo a porta para mim. Seria exagero pensar que estou indo em direção a um abatedouro? Aula do Snape nas masmorras. Cenário perfeito para um homicídio.

Notas finais
E aí? O que acharam? Essa Mia é terrível, por isso que eu amo tanto ela. Estou aberta a críticas, gostaria muito que vocês participassem mais para a história render ainda mais! Beijinhos de luz, jajá volto com o próximo capítulo.