Herança Real
9 Finais de conversa
Capítulo 9
— Nossa, Serena, você está linda! – Victorine exclamou e me fez dar uma voltinha na sua frente.
— Obrigada. – eu respondi. – Não sabia que iria caber.
De verdade, Victorine era mais magra que eu, ou seja, sua cintura era mais fininha e seu busto era menor, então seu vestido florido tinha ficado sutilmente apertado em mim.
— Não somos iguais, mas há semelhanças. E esse ficou lindo! Vamos!
Eu havia tomado banho na casa de Vic e usado um vestido seu para irmos à Arena, onde ela dizia que iria ter um aquecimento para os futuros jogos de tênis. Como a Arena ficava perto do palácio, era naquelas redondezas, mas a ruiva preferiu utilizarmos o carro da família. Seguimos pela estrada sinuosa, subindo ainda mais. Reconheci a casa de Conrad, a residência dos Hanôver, e após uma última curva, adentramos a uma área planificada.
Se era possível, ali parecia uma cidade em cima de outra. Havia uma fonte imensa no centro, jorrando água que, ao sol, criava arco-íris. Por trás, depois de algumas isoladas árvores havia uma gigantesca residência, que supus ser o palácio, pois ostentava um brasão e seu portão era ladeado por guardas.
O carro foi em direção oposta ao palácio e entramos onde parecia um estádio.
— Aqui é a Arena, Serena, viemos hoje assistir porque Vossa Alteza Alexandra convidou-nos ao treino do filho.
Escutei Vic, mas não respondi. Pensei em Conrad, no encontro pela manhã e não imaginava que ele fosse ter algum treino especial.
Segui a ruiva Victorine até a arquibancada e observei que tinha uma quantidade de pessoas considerável para assistir ao treino.
— Boa tarde, Vossa Alteza. – Vic cumprimentou a mulher de cabelo preto lustroso. Eu imitei Vic e, novamente, os olhos verdes de Alexandra me penetraram.
— Olá – ela respondeu. – Por que não se sentam ao nosso lado?
Percebi que acompanhando Alexandra estava Michele, a morena amiga de Blaire.
— Claro – Vic se adiantou me puxou para sentar ao seu lado. – Cadê Blaire, Michele? Ela me disse que viria cedo.
— Foi buscar uma limonada – a morena respondeu e me lançou um sorriso. – Olá, Serena.
Retribui o cumprimento e olhei para a quadra enquanto Vic engatava em uma conversa com Michele. O terreno alaranjada estava ocupado por alguns atletas, como um Conrad perfeitamente arrumado em um uniforme branco. Ele não usava viseira, mas mesmo assim seu cabelo preto estava penteado para trás e causava um enorme contraste com a camisa branca que apertava seu corpo.
— Como estou com sede! – Vic disse. – Onde ficam as limonadas, Michele?
— Lá atrás, perto do vestiário, Vic.
Percebi que Victorine não queria passar pelos olhos de Alexandra novamente, pois fez uma careta ao olhá-la.
— Quer que eu vá? – eu tentei ser solícita, porque Victorine era uma das únicas pessoas que me tinham ajudado sem esperar nada em troca.
— Você faria isso, Serena? Eu iria agradecer muito.
— Claro que sim.
Eu não ligava de passar por Alexandra Hanôver, mas me importava em saber o caminho.
Como hoje era o dia da perdição, eu não encontrei de cara onde ficavam as limonadas, mas tive uma surpresa desagradável.
Adrien DuVille estava impecavelmente bonito em seu traje tenista, com o costumeiro sorriso maroto brincando nos lábios e segurava uma bolinha. Eu já estava me virando para fugir dali quando ele me chamou.
— Serena!
Como ele ainda conseguia me dirigir a palavra sem parecer envergonhado?
— Serena, espere, por favor. – a mão de Adrien me puxou para encará-lo. – Eu sei que você deseja sair correndo da minha presença.
Que bom que sabia.
— E eu iria se você não tivesse me impedido. – tentei não soar tão chata, mas eu não queria outro incidente desastroso.
— Serena! – ele me repreendeu, parecendo desesperado. – Eu queria pedir desculpas, mas você é difícil.
— E você tem que ir com calma, cara – eu respondi. – Não deve funcionar com todo mundo já ir tentando algo!
— Eu sei! Interpretei errado nossa conversa – ele falou e eu percebi que tentava falar baixo. – Só queria pedir desculpa porque você parece uma garota legal e eu não queria que tivesse uma péssima primeira impressão.
Quase revirei os olhos porque aquilo já tinha acontecido. Mas Adrien parecia tão decidido a pedir desculpa, embora não tivesse o perfil disso.
— Tudo bem. Mas não tente outra vez.
— Só se você me pedir – Adrien sorriu, aliviado, e depois marotamente. Eu bati em sua mão, e ele riu.
— Estou brincando, Serena! – ele levantou os braços em sinal de rendição.
— Posso participar da brincadeira também? – a voz de Conrad veio por trás de Adrien, claramente ele tinha escutado o final de nossa conversa.
— Oi, cara – Adrien cumprimentou o amigo. – Você não iria querer saber da brincadeira que estávamos falando.
Fiquei vermelha pelo olhar interrogador que Conrad dirigiu a mim e a Adrien.
— Esqueça tudo que ele diz. – eu falei. – Então... Você vai ter um treino especial hoje.
Conrad suavizou seu rosto e um sorriso veio à tona.
— Mais ou menos. Iremos treinar para os jogos oficiais porque Adrien e eu iremos competir com o príncipe.
— Vamos massacrá-lo! – Adrien exclamou. – Vou, inclusive, buscar outra bola porque essa parece ruim. Vemos-nos na quadra, amigo. Até mais, Serena!
— É só um treino comum, mas minha mãe insiste em querer assistir e fazer propagando de tudo em que me envolvo. – Conrad continuou quando ficamos sozinhos.
— É uma mãe coruja?
— É porque sou filho único. – ele riu. – Mas você está atrasada, senhorita Serena, se deseja assistir ao treino completo. Já começaram.
— Vim porque Victorine pediu, nem sabia. – eu respondi. – Aliás, eu iria buscar uma limonada para ela.
— Ah, sim. – Conrad me indicou uma direção e falou que era por ali.
— Boa sorte, futuro duque! – brinquei com um apelido do qual ele falara desgostar, hoje mais cedo.
Ri ao ver a careta que Conrad fez.
— Não me provoque, Serena! Vou levar em consideração apenas o boa sorte!
Estávamos nos despedindo quando Blaire apareceu e, pela sua cara, estivera ouvindo o final de nossa conversa e interpretara errado. Era só o que me faltava.
— Bom jogo, Conrad. Tenho certeza que irá se dar bem. – ela ronronou para ele, que sorriu em agradecimento e se foi. A loira segurava o copo tão fortemente que os nós de seus dedos estavam brancos.
Não era boa coisa.
— O que faz aqui, Serena? — ela proferiu agressivamente. – Já não basta ter seu nomesendo falado por todos da sociedade? Deseja também que Conrad possa falar de você?
Eu fiquei chocada com as palavras tão ferinamente dirigidas a mim que não consegui responder na mesma hora.
— Você que não sabe do que está falando, Blaire. Acho melhor você se importar com o que lhe diz respeito. — respondi o mais friamente possível.
E eu ia dar as costas para ela quando a ouvi.
— Para você é senhorita de Rohan, da casa de Valentinois.
Eu quis verdadeiramente rir da arrogância da garota. Mas só disse indiferente:
— Que seja.
E não importava de verdade.
Saí.
Eu não tinha paciência nem tempo para lidar com uma garota tolamente apaixonada por alguém tão educado que acabava por iludí-la, achando que retribuía. Que Blaire me poupasse de seus comentários ardilosos, eu tinha mais com o que me preocupar.
(...)
(continua)
Da Autora
P.S.: Olá, pessoal, eu estou aqui para dizer que gostaria de saber mais de vocês sobre a história! Podem comentar que trago a outra parte!
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