Herança de Ódio : O Som do Silêncio

4 ​Capítulo 4: Sinfonia de Pecados e Segredos




​O beijo no corredor da Ala Sul fora um erro. Um erro delicioso, aterrorizante e que reescrevera todas as regras do jogo entre Dante Vancamp e Aria Moretti. O ódio ancestral não desaparecera, mas agora estava coberto por uma camada fina e inflamável de luxúria.

​Aria acordou no dia seguinte com o gosto de uísque e desespero ainda em seus lábios. Ela sabia que tinha que ser mais inteligente. Dante Vancamp era um mestre na manipulação, e se ela quisesse derrubá-lo, teria que aprender a jogar o jogo dele.

​A oportunidade surgiu naquela tarde. Aria estava no escritório privado de Dante, o violoncelo posicionado entre as pernas. Ela tocava uma peça de Elgar, uma melodia que falava de amor perdido e esperança quebrada. Dante entrou, vestindo apenas uma calça de linho preta e uma camisa branca com os primeiros botões abertos. Ele parecia exausto, mas seus olhos dourados brilharam quando a viram.

​— Você toca como se o mundo estivesse terminando, Aria — disse ele, caminhando até a mesa de bebidas e servindo-se de uísque.

​Aria parou de tocar, pousando o arco.

— Talvez o meu mundo esteja terminando, Dante. E o seu? Como você consegue viver com o peso de tantos segredos?

​Dante sorriu, um sorriso predatório que não chegou aos olhos. Ele se aproximou, parando a centímetros dela. O cheiro dele, uma mistura de tabaco e sândalo, era inebriante.

​— Segredos são como uísque, Aria. Eles queimam no início, mas depois de um tempo, você se acostuma com o sabor. E alguns segredos... alguns segredos são deliciosos demais para serem compartilhados.

​O Jogo Começa

​Ele estendeu a mão e tocou a ponta do arco dela.

— Você é uma musicista talentosa, Aria. Mas eu me pergunto... você sabe tocar outras músicas? Músicas que não falam de dor e sofrimento?

​Aria olhou nos olhos dele, uma faísca de desafio brilhando nos seus.

— Depende do maestro, Dante. Você sabe conduzir uma orquestra? Ou você prefere apenas dar ordens?

​Ele soltou uma risada baixa, rouca.

— Eu sou um mestre em conduzir orquestras, Aria. E eu sei exatamente como fazer cada instrumento tocar a melodia que eu quero. E você... você é o instrumento mais fascinante que eu já encontrei.

​Aria sorriu, um sorriso que era metade promessa, metade veneno.

— Então me mostre, Dante. Mostre-me o maestro que você afirma ser.

​Ela se levantou, o violoncelo esquecido no chão. Ela caminhou até ele, parando tão perto que suas respirações se misturaram. Ela tocou o colarinho da camisa dele, seus dedos deslizando pela pele quente.

​— Eu ouvi dizer que você gosta de jogos, Dante. Que você gosta de controlar cada movimento. Mas eu me pergunto... o que acontece quando o controle foge das suas mãos? O que acontece quando o jogo se torna real demais?

​Dante segurou o pulso dela, parando o movimento dos dedos. O olhar dele estava escuro, carregado de uma intensidade que a fez estremecer.

​— Eu nunca perco o controle, Aria. E eu nunca permito que o jogo se torne real demais. Porque eu sei que, no final, eu sou o único que ganha.

​Aria riu, uma risada baixa, provocante.

— Você tem certeza disso, Dante? Porque eu acho que você já perdeu o controle. Eu acho que você já está apaixonado pelo som do meu violoncelo. E por mim.

​A Tensão Aumenta

​Dante soltou o pulso dela e a puxou para perto, segurando-a pela cintura. O corpo dela estava colado ao dele, e a química entre eles era explosiva.

​— Você é uma loba em pele de cordeiro, Aria Moretti. Mas eu sou o leão que governa esta selva. E eu não tenho medo de lobas. Eu gosto de caçá-las.

​Aria inclinou a cabeça para trás, expondo o pescoço.

— Então me caça, Dante. Mostre-me o caçador que você afirma ser. Mas cuidado... a loba pode ter dentes que você não conhece.

​Ele aproximou o rosto do dela, os lábios a centímetros dos seus. O desejo entre eles era palpável, uma força que ameaçava consumi-los a qualquer momento.

​— Eu gosto de dentes afiados, Aria. Eles tornam a caça mais interessante. E eu sei exatamente como domar uma loba.

​Antes que ela pudesse responder, a porta do escritório se abriu e a empregada entrou, segurando uma bandeja com café.

​— Desculpe interromper, Sr. Vancamp. O Sr. Sterling está na linha, ele disse que é urgente.

​Dante soltou Aria lentamente, os olhos ainda fixos nos dela. O jogo fora interrompido, mas a tensão entre eles permanecia no ar, uma promessa de pecados e segredos que ainda estavam por vir.

​— Eu tenho que ir, Aria — disse ele, sua voz rouca. — Mas o jogo... o jogo está apenas começando.

​Aria sorriu, um sorriso predatório que espelhava o dele.

— Eu sei, Dante. Eu sei. E eu mal posso esperar para ver quem vai ganhar.

​Ele saiu do escritório, deixando-a paralisada. O jogo de sedução fora iniciado, e agora ela teria que usar todas as suas armas para derrubar o homem que ela aprendera a odiar, mas que agora, secretamente, ela desejava com uma intensidade que a aterrorizava. Ela tinha entrado na gaiola do leão, e agora, ela teria que aprender a ser a domadora.