Herança Real
38 Eu Amo Você
Perfect — Ed Sheeran
Capítulo 35 — Eu Amo Você
"Você é a lua da minha vida. É tudo que eu sei e tudo que preciso saber. E se isso for um sonho, eu matarei qualquer homem que tentar me acordar."
Khal Drogo
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Logo depois de sair do palácio, segui tio Jean para sua outra casa dentro do principado. Era fora dos arredores da cidade, mas não tão longe quanto a outra.
— Estaremos mais seguros aqui, minha querida — ele me disse quando entramos em uma rua discreta e paramos em frente a uma singela casa.
— Meu pai já está aí?
— Sim, e também trouxe Marie, achei que gostaria de vê-la.
Eu estava morrendo de saudade daquela mulher, por isso corri para sair do carro e poder encontrá-los.
Marie me encheu de comidas e se revezava para cuidar de mim e de meu pai, que aparentava estar um pouco melhor. Eu ainda me sentia temerosa com toda a situação política instalada, mas também me sentia mais leve por ter falado com Conrad. Ele claramente tinha se tornado uma peça importante para meu bem estar e eu não queria perdê-lo.
A tarde se foi e eu fiquei pensando em meu quarto. O desta vez tinha uma varanda aberta com direito à cadeiras para aproveitar a tarde perto da natureza.
Tio Jean se retirou alegando precisar contatar seus amigos e discutirem meu caso, então fiquei à vontade.
Minha cabeça se embaralhava com todas as coisas. Eu precisava ajudar meu pai e sua sobrevivência no principado, mas as cenas de tantas pessoas protestando por melhores condições, melhores governantes, pairavam em minha mente a todo instante. E se eu quisesse fazer mais por eles? E se eu quisesse atender as suas necessidades? Eu queria ajudar, eu sabia o que era estar do outro lado, esperando mais do que se tem e sempre perder a esperança por algo melhor porque simplesmente não querem te escutar; não somos todos esquecidos por nossos governantes? Somos apagados de suas vidas assim que eles se assentam no poder e minha indignação com esse panorama me impulsionava a fazer algo diferente. A provar que a vida podia ser diferente.
Podia ser melhor.
Fiquei o tempo todo pensativo, saindo de meus devaneios só para tomar banho e jantar, mas depois meus pensamentos não me deixaram. A noite chegou com uma lua admirável e calmaria.
Meu telefone tocou e pude ver que era ligação de Conrad. Só ele para dissipar tão rápido qualquer outra coisa de minha cabeça.
— Olá, sereia.
— Olá, Conrad — respondi mordendo a parte de dentro da bochecha, feliz e nervosa ao mesmo tempo. A amizade que cultivamos antes de nos aproximar era o que nos ligava ainda mais.
— Você não sabe o quanto que me segurei para não te ligar e parecer um louco perseguidor. Desculpe-me se estiver pensando isso.
Eu ri de seu comentário.
— Não é problema nenhum. Pelo menos você me faz relaxar.
— Muito tensa?
— Pensativa, apenas. Muitas coisas acontecendo.
— Entendo... É verdade. Mas qualquer que seja sua decisão. confie em si mesma. Eu não conheço alguém com um coração tão bom quanto você.
— Muito obrigada — eu suspirei. — Queria ter essa mesma fé em mim. Às vezes me sinto muito perdida.
— Você não 'tá sozinha, ok?
A segurança de Conrad me acalmava, por isso disse:
— Obrigada por isso.
Ficamos escutando a respiração um do outro, aqueles momentos em que você se sente tão próximo de alguém que mesmo em silêncio é confortável.
— Estou com saudades de você — Conrad deixou escapar o comentário depois de nossa pausa ao telefone.
— Eu também — confessei, baixinho. Meus olhos capturaram o sutil movimento da bela lua que brilhava através das estrelas.
— Por que a gente não pode se ver?
— Não sei bem, Conrad... A cidade está coberta por manifestantes e tenho andado com medo de sair pra qualquer lugar. — suspirei. — Eu adoraria te ver.
Ouvi seu suspiro resignado.
— Posso dar um jeito. Você realmente quer, sereia?
Se ele soubesse o salto que meu coração tinha dado ao ter esperança com aquela sugestão, ele não duvidaria do meu querer.
— Sim... Mas como?
— Ninguém vai saber que saímos hoje. Essa é minha promessa — eu podia imaginar com exatidão o sorriso que desenhava os lábios de Conrad naquele momento. — Acredita em mim?
Ele parecia nervoso e ansioso com minha resposta, visto que nossa relação parecia frágil depois do que passamos. Porém, tudo que eu conseguia sentir por ele era amor. Muito forte, eu desejava estar com ele na oportunidade que viesse.
— Acredito.
— Você não vai se arrepender, sereia. Eu amo você.
Sorri ao desligar o telefone e ficar que nem boba parada no parapeito da varanda, mirando a noite silenciosa.
Ele me amava.
Eu não me cansava de ouvir aquelas palavras da boca dele porque era surreal.
Eu ainda lidava com um pequeno receio de ser novamente magoada, ainda mais na situação extremamente confusa em que eu me encontrava, mas o que sobrepujava todo e qualquer medo era minha coragem em dar uma chance a ele. Dar aquela chance não era só fazê-lo feliz, mas trazia mais paz para meu próprio coração.
Como eu tinha descrito onde estávamos, Conrad iria aparecer a qualquer instante. Tratei de trocar meu pijama por uma calça jeans e uma camiseta preta, por precaução em caso de frio, pus também um casaco e então me posicionei nas escadinhas em frente à porta principal da casa.
Sai o mais silenciosamente possível para não acordar ninguém enquanto torcia nervosamente as mãos. Eu mal podia acreditar que estava novamente podendo sorrir ao me lembrar de Conrad e nossos momentos.
Em meio aos meus devaneios, o baralho de cascalho sendo esmagado me fez observar um carro se aproximar e parar na entrada. Conrad desceu e me olhou, com um sorriso brotando.
Aquele sorriso era envergonhado.
— Boa noite — eu o saudei, me aproximando com as mãos suando dentro do casaco.
— Boa noite, sereia — ele disse suavemente e me estendeu uma mão. — Você não sabe como estou feliz em sair escondido para cruzar essa cidade e encontrá-la tão adorável assim.
Eu me abriguei em seus braços quando me enlaçaram.
— Fico lisonjeada, duque — sorri contra seu peito. — Está me acostumando mal em realizar todas promessas.
— Quero fazer isso pra sempre, Se.
— Acho que é suficiente para me satisfazer — brinquei, envergonhada, e mordi o lábio. Mesmo após diversas situações divididas ao lado dele, eu ainda era capaz de sentir vergonha por algo bobo.
— Exigente — ele beijou a ponta do meu nariz. — Topa sair comigo? Quero te levar a um lugar.
Franzi o cenho.
— Mas pra onde iríamos a essa hora, Conrad?
— Surpresa! — ele já estava me empurrando para entrar no carro. — Vai aceitar o desafio?
— Estou topando tudo, mas temos que voltar antes que acordem e achem que fui raptada.
— Eu te conduzo, sereia — Conrad selou sua promessa com um delicado beijo em minha boca e depois voltou para seu assento no motorista.
Ele sorriu enigmaticamente, me deixando curiosa a cada segundo. A viagem toda, ele segurou minha mão e não a soltou.
Passamos pelo centro onde a cidade dormia, incluindo vários manifestantes que habitavam dia e noite seus postos. A praia ficava mais deserta à medida que nos afastávamos do centro, a parte mais turística, e íamos enveredando por um caminho que me trazia lembranças. Parecia o porto no qual eu havia vindo com as meninas para conhecer o barco de Conrad.
— Oh, oh, para onde está indo? — eu indaguei quando passamos das docas e paramos em um local totalmente fechado, porém com uma única entrada pela qual Conrad entrou e estacionou.
— Vou te mostrar a outra parte mais importante da minha vida.
— Outra parte? — eu tirei meu cinto e desci do carro para segui-lo.
— Sim, depois de você, Se — ele murmurou, como se fosse a coisa mais natural do mundo me falar essas coisas. Meu coração estava malhando dentro da minha caixa torácica de tanto que batia mais forte nos últimos tempos. — Você pode me ajudar?
— Posso, mas pra que tudo isso?
— Deixa de tanta pergunta, pequena — Conrad sorriu pra mim e me entregou uma garrafa de vinho. Ele segurava na outra mão uma cesta fechada em que eu imaginava que havia comida para completar o banquete. — Me dá a mão.
Desconfiada, eu segurei sua mão e ele seguiu para um deck mais separado.
— Você vai me mostrar seu barco. — eu conclui o pensamento quando ficamos de frente para uma embarcação de luxo. Ela não grande, tampouco pequena. Abrigava um andar visível e eu imaginava que havia uma parte embaixo tendo em vista as escadas que seguiam nessa direção.
— Vou fazer melhor — Conrad subiu e estendeu a mão para me ajudar a subir. — Vou te levar para um passeio nele.
Minha boca se escancarou.
— Você 'tá de brincadeira.
— Não mesmo. Essa é a melhor hora para um passeio, não tem nenhum barco em operação e a noite está mais bonita do que o costume. Deixa eu te mostrar por que amo o mar, sereia.
Eu não sabia nem o que responder. Observei melhor a embarcação quando Conrad seguiu para a parte dianteira e fez barulho com o motor.
O barco tinha um suporte opaco rodeando-a, o suficiente para proteger quem quisesse se sentar no sofá disposto dos dois lados do perímetro. Havia uma escada na parte dianteira e eu não consegui me conter em não desbravar o que me faltava aos olhos.
Eu me vi animada quando o barco ganhou vida e começamos a sair devagarinho de perto do deck e avançar pela água negra. Lá em cima tinha uma parte coberta e mais à frente era descoberto. Ultrapassei a cozinha, uma sala, banheiro e quarto para ir mais adiante e observar a noite na parte final do barco.
Para minha surpresa, não havia cadeira ou algo do tipo e sim uma leve depressão ao centro em que cabia uma cama tão branquinha e grande, cheia de travesseiros que fiquei fascinada.
— Já conheceu minha parte favorita do barco. — Conrad apareceu atrás de mim.
— Por que tem uma cama aqui?
— Você não acha maravilhoso poder observar as estrelas desse modo? — ele passou a mão por minhas costas se aproximando. — Ver o infinito que é mostrado no céu. Não há palavras. Deixo muitas vezes o barco à deriva em meio ao oceano só para dormir debaixo desse teto de estrelas.
Conrad murmurava em meu ouvido, muito próximo, tocando a base de minha coluna e fixando minha atenção no céu. Negro, pontilhado em prateado, sem fim.
— Obrigada por dividir isso comigo — sussurrei com medo de quebrar a sensação boa que se apoderava em nós. Toquei seus dedos e os entrelacei em minha cintura.
— Não há de quê, sereia — seus dedos tocaram em meu rosto a fim de fitar seus olhos verdes. — Você é a única pessoa com quem dividiria isso.
Ansiosa por nossa proximidade, toquei seus lábios e acariciei seu rosto.
— Me sinto sortuda por isso, duque.
Ele riu baixinho, o olhar baixo, as mãos passeando delicadamente desde as costas, os braços, o pescoço, deixando minha pele aquecida mesmo por de baixo do casaco.
— Não sou duque, sereia. — ele respondeu, plantando um cálido beijo perto de meus lábios. Depois deixou mais um em minha bochecha.
— Nossa brincadeira — eu disse, tão embriagada por suas carícias e beijos que nem conseguia me expressar.
— Obrigado por voltar pra mim — ele beijou minhas mãos, a ponta de meu nariz, minhas têmporas e parou. — Eu vivi dias horríveis sem você. Percebi tarde demais o quão terrível pode ser estar longe de você.
Eu me apertei mais em seus braços, tentando transmitir toda a confiança e o amor que explodiam em mim.
— Não precisa mais pensar nisso. Não pense mais nisso — segurei seu rosto entre minhas mãos. — Eu estou com você agora.
— Não vá embora. — ele sussurrou para minha boca.
Eu não queria mais palavras. Queria a ele. Conrad me beijou e nos entrelaçamos ao ponto em que observei que meu casaco já não estava em mim, porém o frio não me atingia. O calor entre nós era maior.
— Precisamos parar — ele murmurou com aqueles lábios vermelhos e olhos verdes pairando sobre mim. — Não sei até onde eu poderia parar.
Sorri devagar para Conrad. Eu não queria parar.
— Não precisa parar, Conrad, eu também quero você.
— Não precisa apressar as coisas, sereia, leve o tempo que precisar para ajeitar tudo dentro de seu coração — ele me deu a mão e tentou se afastar.
— Não, eu quero. De verdade. — ratifiquei minha decisão quando meus dedos tentaram desabotoar os botões de sua camisa. — Você não sabe como meu coração quer tanto você, Conrad.
— Você tem certeza, Se? — seus olhos eram uma mistura de cautela e regojizo contido.
— Nunca tive tanta em minha vida.
E era a mais pura verdade. Dividi aquilo com ele só me fazia amá-lo mais. Querê-lo mais, por isso não me distanciei nem fiquei nervosa quando fui conduzida lentamente para a sentar na cama branca debaixo do teto de estrelas.
— Você é perfeita — Conrad disse em tom de confissão e com olhos semicerrados. Ele terminou de desabotoar a própria camiseta e fui privilegiada por uma tremenda visão de seu torso desenhado. Pousei minhas mãos em seu peito e pude sentir o coração bater acelerado.
— Olha o que você faz comigo, sereia — um brilho surgiu nos olhos que me encaravam e fazia reflexo nos meus próprios. Acompanhei suas risadas amorosas quando ele pôs uma mão sobre a alça de minha camisa.
— O meu está da mesma forma — respondi ainda sentindo seu pulsar forte. Conrad me olhou como se pedisse permissão e assenti, deixando que ele abaixasse uma alça.
A cama era muito confortável como pude notar ao deitar sobre ela. Conrad pairou ao meu lado enquanto ainda me fazia carinho no braço.
— Como você pode fazer tudo isso comigo? — ele perguntou parecendo confuso consigo mesmo mas me fitou.
Eu só podia explodir de dentro para fora tamanha a emoção em estar com ele. Seu rosto estava sobre o meu, minha mão sobre a dele. As estrelas brilhavam e era a visão perfeita para mim era ter seu sorriso. Aquele sorriso.
Aquele que eu sabia que estávamos irremediavelmente ligados. Não dependia mais de nós.
Então eu soltei pela primeira vez:
— Eu amo você.
E Conrad me fez mais feliz do que eu pudesse imaginar que ficaria algum dia. Sob as estrelas, eu me tornei por completo sua.
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