Herança Real

12 Convite Real


Capítulo 12

Eu lidei com o abatimento e saudade do meu pai da única forma que eu conhecia: me isolando. Tinha chego à casa de meu padrinho pela tarde, após o treino de tênis, então nem o vi. Fugi das perguntas de Marie, a governanta, e passei o dia no quarto. Até descobri que os canais franceses são ótimos! Bem como os filmes.

Nos dois dias que se seguiram após àquele, somente vi Jean Burnier nas refeições da tarde, e o clima entre nós melhorou. Ele disse que não me esconderia coisas de meu pai e que entendia minha rebeldia que se passou. Tínhamos voltado à boa convivência. Porém fiquei mais sozinha do que nunca. Depois de um dia ensolarado, lá fora, eu fiquei dormindo e assistindo até Marie me obrigar a conhecer o resto da casa. Eu cismei, claro, debaixo de minhas, já amigas, cobertas, porém a segui depois de uma discussão.

E encontrei o melhor lugar do mundo: uma biblioteca particular!

Ao fim do meu segundo dia de enclausuramento, nem voltei ao meu quarto, madruguei naquele ambiente, totalmente mergulhada em um romance e afundada na poltrona vermelha acolchoada. Marie viera me alimentar e eu continuei aumentando a pilha de livros que tinha separado com o intuito de ler. A biblioteca de Jean não era um cômodo gigantesco, mas era maior que dois quartos juntos e eu estava satisfeitíssima.

O mais intrigante do meu dia de Indiana Jones na biblioteca de Jean foi, sem dúvida, meu descobrimento acerca de um documento profundamente envelhecido e escondido entre as estantes.

Marie, no momento, estivera arrumando uma bandeja na mesa da biblioteca e ralhava comigo sobre precisar sair de casa para ver os ares impressionantes de Mônaco.

— Marie. – eu a interrompi e levei o papel até ela. – O que será isto?

Ela olhou o envelope coberto de poeira em minhas mãos.

— Deve ser algo de seu tio de muito tempo, pelo que parece, Serena.

Então a governanta voltou a falar sobre darmos um passeio naquele dia, mas eu só me interessava em abrir aquele papel. Até que consegui e tirei o que parecia um convite que, pelo tempo, estava desgastado, sobrando somente algumas frases como:

"A Sua Alteza Real Sereníssima Jorge Albert, da Casa Grimaldi, soberano de Mônaco"

"Mademoiselle Alexandra Hanôver"

"Bodas reais"

Era um convite de casamento?

Perguntei a Marie, e ela observou o papel, sem ver os nomes, mas confirmou que parecia sim um convite.

Alexandra Hanôver? Aquela? Mas ela não era uma duquesa? Será que pôde ser princesa?

E quem era o príncipe Jorge?

— Marie, o nome do pai do príncipe Pierre não é Louis?

— É sim, senhorita Serena. Será que a senhorita poderia deixar um pouco este ambiente e sairmos? Preciso fazer as compras da casa e irá fazer bem para sua pele tão alva! – A governanta começou a tagarelar sobre outro assunto.

Fiquei bem curiosa com aquilo e teria que perguntar a alguém que estivesse disposto a abrir a boca.

— Vamos, Serena! Dessa vez não ficará em casa!

Como eu não estava com coragem para entrar em uma discussão com a governanta, não me opus porque até sentia falta de um sol, porém minha mente estava completamente ativa tentando descobrir mais sobre aquele passado que tinha tanto a esconder.

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Se Marie afirmara que eu estava branca antes, eu deveria estar torrada depois do nosso 'passeio' tão demorado. Para quem queria companhia a fim de comprar coisas para casa Marie levara muito tempo. Andamos sob o sol brilhante de mais um dia naquele lugar que parecia ter saído de uma tela de cinema até que uma figura ruiva interceptou nosso caminho.

— Serena! – era a voz de Victorine Beaumont. – Aí está você, garota! Estava te procurando.

Ela nos alcançou, tentando correr com seu salto.

— Você sumiu, Serena! Há três dias que combinamos de planejar a festa do príncipe.

— Sabe como é, Vic, me desculpa, tive algumas ocupações esses dias.

Marie arregalou os olhos ao meu lado e eu quase a belisquei para que ficasse quieta.

— Bom, não fui procurá-la porque estávamos esperando encomendas, de qualquer forma, mas finalmente chegaram! Poderemos começar! – Vic exclamou, alegre. – Já estou indo para a casa de Blaire, por que não vem comigo?

Eu ia arrumar uma desculpa para não ir e voltar à biblioteca, porém Marie fez questão de aceitar o convite com a maior polidez possível e eu não queria transformar uma Victorine tão exultante em uma desapontada.

Suspirei. E eu achando que teria meu próprio tempo livre...

— Vamos, Serena! Obrigada, querida Marie!

Victorine me arrastou do jeito que eu estava – com short comum, uma blusa comum, e de rabo de cavalo – para o carro rumo à casa de Blaire, que estaria impecavelmente arrumada e me faria, com toda certeza, se sentir humilhada.

Oh, Deus.

Notas finais
gente, aproveitem porque pretendo excluir a fic. Bjs.