Heróis
2 O Protetor
Notas iniciais
— Você ouviu isso?! — sussurrou Remus, encolhendo-se.
— Ouviu o quê? — sussurrei de volta, vendo-o virar-se de frente pra mim, encarando-me com medo.
— Eu acho que foi um lobo — respondeu, mordendo o anelar.
— Não tem lobos aqui, Remus.
Não foi muito de ajuda, já que ele encolheu-se ainda mais quando ouviu um uivo, provavelmente algum cachorro de rua.
Era uma noite de sábado, o último sábado do mês e, como de praxe, acampávamos na floresta perto da escola. Nada muito denso ou perigoso, perfeito para um banho no riacho e histórias de terror à noite. Infelizmente, entretanto, as histórias de terror tiveram grande impacto no Remus, pois agora ele estava crendo fielmente de que havia um lobo sedento por sangue perto da nossa barraca.
Aliás, dormíamos os quatro, juntos e muito apertados, já que a barraca do James quebrou no processo de montagem.
— É lua cheia, sabia disso? E se for um lobisomem? — ainda sussurrou, com olhos arregalados.
— Lobisomens não existem, Remus — revirei os olhos e levantei a cabeça, observando Peter babar (nojento!) e James sussurrar algo como “minha querida Lily”.
— Eu vi na internet… eles realmente existem e aparecem na lua cheia, sabe? Perdem a consciência e machucam as pessoas, mesmo sem realmente saber. — retrucou, com convicção na voz.
— Você está fora de si, Remus, não pode acreditar em tudo que está na internet. Tenta dormir, não vou deixar lobo nenhum nos pegar, entendeu? — prometi, vendo-o sorrir, pouco mais aliviado.
— Vai mesmo fazer isso?
— Claro, Aluado, não deixaria um lobo ou lobisomem machucar nenhum dos meus amigos — afirmei, sorrindo-lhe calmamente.
— Então você está concordando que lobisomens existem?
— Fica quieto e dorme, Aluado! — ele sorriu, apesar da minha voz autoritária.
Fechou os olhos e eu o observei. Estava escuro, mas o luar e o tecido fino da barraca era o suficiente para que eu o enxergasse.
— Ei, Sirius… Por que me chamou de Aluado? — questionou, de olhos fechados.
— Você é um maroto agora, Remus. E todos os marotos têm um apelido entre eles. Almofadinhas, Pontas, Rabicho e agora… Aluado — expliquei.
— O que significa Aluado?
— É tipo uma pessoa que é lunática ou que ficou amalucado por causa da lua… Não é a sua cara? — questionei, debochadamente.
— É mais a cara de um lobisomem, isso sim — respondeu-me, relaxando o corpo.
— Vocês podem calar a boca? Eu tava tendo um sonho ótimo! — exclamou James, bufando.
— Desculpe, desculpe!
— Foi mal, Pontas. Dorme bem e tenta continuar seu sonho com a Lily — falei, arrancando um sorriso de Remus e provavelmente de James também.
— Valeu, Sirius. Eu sou a pessoa mais sortuda por ter amigos tão legais assim… Obrigado por me aceitar e me salvar — murmurou Aluado, com a voz arrastada.
Sorri, sentindo-me feliz por batizar Remus e o tornar um verdadeiro Maroto.
— Amigos são para essas coisas, não são? — não obtive resposta, já que havia caído no sono. Adormeci em seguida, rezando para que nenhum lobo aparecesse realmente (maldito Remus e suas maluquices!).
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