Heróis
1 A Coragem
Notas iniciais
Espero que gostem! ♥
Era tarde quando James, Peter e eu havíamos finalmente saído da biblioteca. Eu detestava aquele lugar, sempre significava extensas horas de estudo ao lado de um Peter faminto e um James sonhador.
— A escola vai fechar daqui alguns minutos, rapazes! Vamos, vamos! — gritou a bibliotecária, contrariando suas próprias regras sobre não gritar na biblioteca.
Duas garotas e outro garoto também saíram conosco, já que estávamos sendo praticamente expulsos do lugar. Mentalmente eu agradeci àquela mulher.
— Sabe do que estou precisando? — questionou Pontas, suspirando levemente.
— Da Lily?
— Não, Sirius, não especificamente dela. Mas sim de um grande e suculento hambúrguer — Peter imediatamente concordou.
Caminhamos lentamente até o estacionamento da escola, onde estavam nossas bicicletas. Antes de partirmos, James cutucou-me, olhando atentamente para um grupo de garotos, não muito longe.
Olhei atentamente para a cena habitual; quatro garotos definitivamente maiores que nós estavam cercando outro, tão baixo quanto eu ou James.
— Não é o garoto da nossa turma? Aquele que sempre chega atrasado e tira as melhores notas? — indagou James, com o semblante preocupado.
— A gente deveria fazer algo, não devia? — retruquei, receoso.
Não éramos medrosos, longe disso. Éramos realistas, entretanto. Éramos três contra quatro caras com o dobro do nosso tamanho e idade.
— Cadê o Peter?
Agora éramos dois.
Não chegamos em um consenso verbalmente, já que o garoto menor havia levado um soco. Então eu só vi James correr e eu fui atrás.
— Ei! Parem com isso! — gritou James, tirando coragem de algum lugar desconhecido.
Os caras realmente pararam. Nos olharam com um sorriso no rosto. Era um sorriso debochado, como se soubessem que aquela tarde terminaria bem para eles.
— Deixem o garoto em paz — avisei-os, com a voz também cheia de coragem.
— Vocês não deviam estar na cama, pirralhos?
— Ei, Tom, vieram defender o amiguinho viadinho deles… Quanto amor!
Eles deram alguns passos para trás e foi o suficiente para o garoto correr até nós, se posicionando ao nosso lado. Agora éramos três garotos de recém quatorze anos, com ossos frágeis e punhos cerrados. Como se fossemos heróis de algo ou alguém.
Mas, herói de verdade era Dumbledore, nosso professor. Chegou do nada, silenciosamente, atrás dos garotos maiores. Colocou as mãos em seus ombros e questionou amigavelmente:
— Olá, garotos! Que linda noite, não concordam? O que temos aqui?
— Professor Dumbledore! — exclamou o garoto ao nosso lado, como se estivesse realmente aliviado (ele estava).
— Nada, professor. Estávamos apenas dizendo pros garotos irem logo pra casa, já está noite, não queremos as crianças se perdendo por aí, não é? — disse o maior deles, Tom, com aquele sorriso detestável e falso na cara.
— Muito bem, Sr. Todd. Mas o Sr. também deve lembrar que ainda é uma criança, também. Então o aconselho a ir para casa, juntamente de seus amigos — a voz amigável do professor era como o sinal indicando fim de aula; extremamente agradável.
Eles partiram, com os olhos faiscando. O garoto ao nosso lado não encolheu por nenhum segundo, inclusive os encarou, assim como eu e James. Nem parecia que estávamos tremendo de medo por dentro.
— Eu estou atrasado para um compromisso importante, Srs. Black, Potter e Lupin, por isso não poderei acompanhá-los até suas casas, mas acredito que os três poderão fazer uma ótima companhia um para o outro. Tenham uma excelente noite! — piscou e partiu, vagarosamente.
Ficamos lá, parados, olhando para o professor, até que sua imagem distante ficasse embaraçada.
— Obrigado — murmurou Lupin, com as bochechas coradas.
— Imagina! Foi legal confrontá-los… Acho que vencemos, não é? — disse James, sorrindo.
— Ele tá sangrando e aqueles caras não estão, então não, não vencemos, James — retruquei, observando o corte na boca do outro.
— Olhando por esse lado…
— Qual o seu nome, aliás? — questionei-o, vendo-o bagunçar seus cabelos castanhos.
— Remus. Remus John Lupin. Prazer! — esticou a mão branquela e pequena.
— Eu sou James, James Potter. Esse é o Sirius — apertou sua mão e eu fiz o mesmo, com um sorriso no rosto.
— A gente tava indo comer um hambúrguer, minha mãe é garçonete aqui perto. Quer ir com a gente? — convidou James.
Remus pareceu pensar, mas abriu um largo sorriso e assentiu.
Então finalmente pegamos nossas bicicletas e nos dirigimos até a lanchonete mais próxima.
—
A Sra. Potter nos xingou por dois minutos, não pode fazer por mais tempo porque um cliente precisava dos serviços dela.
— Não esquenta com minha mãe, ela é assim mesmo, toda preocupada — disse James, abocanhando o hambúrguer.
Logo depois, a Sra. Potter voltou, dando a Remus uma sacola de gelo, para colocar no canto da boca.
— Não vai comer nada, Remus? — questionei.
— Não estou com fome — respondeu, com um sorriso gentil.
Ele era da nossa turma, disso sabíamos, mas nunca havíamos conversado com ele, nem mesmo o cumprimentado. Ele sempre chegava atrasado, tinha olheiras abaixo dos olhos e andava com roupas de segunda mão.
E, obviamente, isso não o impedia de ser legal. Descobrimos que ele gostava de filmes de terror e dos mesmos jogos que nós, apesar de quase nunca poder jogar.
— Estou orgulhosa de vocês, apesar de ser perigoso. Defenderam o amigo de vocês como os heróis que vocês tanto gostam fazem — ainda disse a Sra. Potter. — Vocês foram muito corajosos!
Claro que aquilo nos deixou bobos. Remus era o que mais estava corado, enquanto James tinha um sorriso vitorioso no rosto.
Não éramos heróis de verdade, mas aquele simples gesto corajoso nos deu uma grande e nova amizade. E isso já vale a pena.
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