Herói Anônimo

20 Preto e branco: O plano para afundar um cruzeiro!


Notas iniciais
Quem diria que chegaríamos aos 20 capítulo, não? Em breve estaremos entrando na série "Heróis do Olimpo"! Estão gostando? Deixem em review ou qualquer coisa do tipo como feedback!

Capítulo 20

*Comentários do registro*

— A maioria dos semideuses do acampamento não ficavam por lá durante a época de aulas, eu já havia atestado isso durante o último ano e, como eu novamente não tinha lugar para ir, acabei por ficar para ajudar por lá. Foi um saco, não tinha o que fazer e, por causa do clima de guerra, tudo estava tenso... Nem Peggy ficou dessa vez, foi completar o último ano do colégio para ir pra faculdade e me deixou sozinho para aguentar um ano torturante.

*Narrativa*

— Quíron, os estábulos estão limpos, o depósito organizado e os morangos colhidos. Tem mais alguma coisa pra fazer? – Ernest olhava para o centauro na cadeira de rodas mágica, poderia se passar por um senhor qualquer olhando o acampamento da varanda da casa grande.

— Ernest, meu jovem, vá com calma ou vamos ficar sem serviço pelo resto do verão – O centauro sorriu.

— É que estou entediado, desculpe – O rapaz coçou a lateral da cabeça, sorrindo sem jeito – Vou achar algo pra fazer.

— Por que não tira o dia pra descansar?

— Ah, não gosto de ficar tanto tempo sem fazer nada... Pelo menos no verão passado eu estava machucado, então parecia sempre ocupado cuidado de mim – O garoto recordava – E Dédalo também ajudava nos treinos.

— Bem, muita coisa mudou em pouco tempo – Quíron refletiu.

O jovem assentiu, mexendo inconscientemente no colar de couro em seu pescoço, com a única conta que possuía: A que tinha o desenho do labirinto.

— Que tal um jogo? – O instrutor propôs.

— Ahn, você não está machucado pra isso?

— Não pro que estou pensando.

O centauro entrou por um momento na casa, voltando dentro de alguns minutos com um tabuleiro tão empoeirado quanto a múmia do oráculo.

— Isso é xadrez, já jogou?

— Bem... – O rapaz sentiu o rosto enrubescer – Não.

— Me disseram que você é um dos nossos melhores estrategistas, talvez goste disso – Quíron sorriu e montou o tabuleiro – Venha, sente-se.

Curioso, o filho de Atena tomou um lugar na outra ponta do tabuleiro, ouvindo cada palavra do instrutor.

(...)

— Então, o objetivo básico do jogo é capturar o rei? – O mestiço repassava em sua mente tudo o que ouviu: O modo de movimentar cada peça, sua disposição no tabuleiro e como a captura de cada uma era realizada.

— Simplificando bem esses minutos de explicação, sim, o objetivo base é capturar o rei.

— Certo, vamos jogar – O garoto adiantou a mão para mover um peão, porém o instrutor bateu em sua mão – Ai!

— Não seja apressado, as brancas jogam primeiro, ou seja, eu.

— Certo, essa é nova pra mim.

Após quase meia hora os dois estavam na segunda partida, o velho centauro mostrou que os anos de experiência fazem diferença e venceu a primeira facilmente.

“Bom, se eu jogar meu cavalo ali” – O rapaz mordeu o dedão da mão direita – “Consigo diminuir as chances do rei dele escapas na próxima rodada”.

O movimento foi feito, até que Quíron trocou as posições do rei e da torre, uma manobra de proteção chamada “roque”.

— Espere, pode isso?

— É uma das jogadas, pode sim.

— Depois me fale das condições para isso – O jovem arregalou os olhos: Sua jogava foi desconstruída – Mas desse jeito, vai perder a torre.

— Às vezes – O centauro observou sua torre ser capturada, mas pegando o cavalo de Ernest com seu rei logo em seguida – Precisamos sacrificar uma peça importante para um bem maior, mesmo que não queiramos.

O filho de Atena refletiu sobre isso, movendo um peão enquanto imaginava se o instrutor estava falando apenas do jogo.

— Xeque-mate.

— Heim? – O rapaz ficou surpreso ao perceber que havia perdido, não havia percebido as jogadas de Quíron antes que o desfecho ocorresse – Droga.

— Não se frustre criança, está jogando com um mestre de milhares de anos. Agora, vá limpar o refeitório, a noite se aproxima.

— Certo, obrigado pelo seu tempo Quíron – O rapaz bateu a poeira do colo enquanto levantava, olhando para o tabuleiro – Na próxima vez jogarei melhor!

— Acredito nisso rapaz, estarei esperando.

(...)

Os primeiros raios de sol da manhã pairavam sobre o acampamento meio-sangue, iluminando com tons de laranja, amarelo e vermelho tudo o que se encontrava ao seu alcance, incluindo o rosto de Ernest, que havia dormido em um beliche vazio perto da janela.

— Hmmm – O rapaz espreguiçou-se – Ontem o trabalho valeu a pena, dormi como pedra.

— Você está falando comigo, certo? – A voz de Cronos surgiu em sua mente – Não tem mais ninguém no chalé, de qualquer modo.

— Tanto faz – O rapaz levantou-se e caminhou até o banheiro, olhando para o espelho sobre a pia enquanto escovava os dentes. O jovem tinha seus 17 anos e observava sua aparência: Os cabelos negros aparados, porém nunca penteados, a barba sempre mantida curta que lhe vestia o rosto e os mesmos olhos castanho-esverdeados de anos atrás. O corpo era magro, sem grandes músculos, mas bem definidos pelos exaustivos treinos e batalhas, assim como as cicatrizes que foram recebidas durante os últimos tempos.

— Quem diria que você viveria tanto tempo, não? – O senhor dos titãs comentou.

— Pois é, ainda mais com você me enchendo o saco nos últimos quatro anos...

— Não esqueça que eu te mantive vivo, você me deve.

— Não, você me ajudou.

— Você não daria conta com a própria energia.

— Certo, chega – O semideus ligou o chuveiro – Já estamos entendidos.

(...)

O dia estava um pouco preguiçoso, não haviam muitas tarefas imediatas para realizar, então o filho de Atena repassou os movimentos do xadrez em sua mente, buscando antecipar alguns movimentos para usar contra Quíron da próxima vez. Após um tempo caminhando, o rapaz se viu em frente à casa grande, entrando na varanda e encontrando o centauro observando os campos repletos de morangos.

— Quer que faça uma faxina na casa?

— Você precisa arranjar algo para fazer, meu jovem – Quíron fitou o rapaz, como se estivesse pensando em algo – Quantos anos você tem?

— Dezessete, senhor.

— Hmmm, você irá até a cidade com Argos, tenho uma coisa para você fazer.

(...)

— É sério isso? – O semideus se virou tão rápido para olhar para Argos que quase esbarrou em uma senhora que ia passando por perto, mas não se importou, a animação era tanto que o garoto correu para dentro da construção onde estava o letreiro “autoescola”.

(...)

*Comentários do registro*

— Meu, acho que foi a partir desse dia que vi o Quíron como um pai, ninguém nunca tinha feito nada do tipo antes. De qualquer modo, vou adiantar a história até um pouco antes do verão chegar.

*Narrativa*

A luz do luar iluminava o acampamento, na varanda da casa grande podia-se ver dois jovens e um senhor na cadeira de rodas, onde esse último jogava xadrez com um dos garotos.

— Xeque – Ernest analisava o jogo, mas a cabeça se dividia entre vários pensamentos.

— Bom, fico feliz em saber que sua incursão contra o ônibus de monstros tenha sido um sucesso Beckendorf, talvez possamos encontrar mais alguns alvos e diminuir a força de Cronos – Quíron coçou a cabeça, bagunçando levemente os cabelos.

O filho de Atena arregalou os olhos, um estalo ocorreu em sua mente.

— Xeque-mate – O rapaz olhou para os companheiros, como se o jogo não fosse nada – Estava pensando agora, talvez um ataque do tipo, só que em maior escala... Poderíamos afundar o Princesa Andrômeda.

O velho centauro e o filho de Hefesto trocaram um olhar, como se considerassem a ideia.

— Tem algo mais específico em mente? – O instrutor parecia interessado na ideia.

— Vamos jogar, vou pensar enquanto isso.

Rapidamente o tabuleiro foi montado, dando início à uma nova partida: Quíron teria que guiar as peças brancas, já Ernest as negras.

O primeiro movimento do mestre foi básico, andou duas casas com o peão em frente ao rei, tendo como resposta o mesmo tipo de movimento, só que com o peão em frente à um dos bispos.

“Bom, o aniversário de Percy está se aproximando, então creio que em breve o cruzeiro deve rumar para o ataque, vindo pra Nova York”.

O jogo prosseguiu por um tempo, até que em um ponto Ernest tinha cinco peões, o rei, a rainha, uma torre e um bispo, enquanto Quíron tinha cinco peões e o rei, que apenas fugia das outras peças.

“Se entrarmos em um grupo grande de semideuses, vamos chamar atenção e temos chance se sermos aniquilados. Um grupo de no máximo três deve dar conta, precisamos entrar furtivamente, instalar os dispositivos para explodir tudo e sair”.

O mestiço perdeu um peão, mas pegou outros três de Quíron no processo, movendo o bispo logo em seguida.

“Beckendorf terá que ir, só ele pode instalar essas coisas tão rápido... Tempo é crucial, mas não podemos apenas contar com a sorte para esse tipo de missão”.

O centauro capturou mais um peão, mas o filho de Atena moveu a rainha.

— Xeque – “Precisamos de um modo de entrar e sair sem chamar atenção. Podemos usar um Pégaso, ainda mais se formos durante a noite, chamará pouca atenção... Para sair é complicado, é arriscado um Pégaso voltar, caso chamemos atenção”.

Quíron andou com o rei mais uma vez, já sabendo o desfecho. Ernest suspirou, movendo a rainha pela última vez.

— Xeque-mate.

— Bem, jogou seu jogo, mas e agora? Temos algo para trabalhar? – O ferreiro observava de braços cruzados.

— Você aprendeu bem, já mal consigo te vencer – O instrutor deixou o tabuleiro de lado, fitando o jovem.

— Bem... Tenho uma ideia, considerei algumas variáveis, mas preciso saber o que vocês pensam – Ernest já sabia que ia falar muito – A primeira coisa que considerei é o número de semideuses enviados na missão: Um navio cheio de monstros com olfato apurado e outros sentidos que podem detectar heróis, somado ao fato de que o navio deve ter alguma vigia por parte dos seguidores de Cronos, não é seguro nem três semideuses irem, já chamaria muita atenção. Porém, um herói sozinho não daria conta, então vamos trabalhar com a hipótese de duas pessoas, é fácil de entrar e sair, assim como o deslocamento dentro do navio.

Os dois assentiram, escutando com atenção.

— A ideia de afundar o navio se baseou na missão de explosão do ônibus – Recordou o estrategista – Então lidaremos com explosivos, fogo grego e dispositivos para detonação, isso tudo deve ser instalado e executado rapidamente. Só existe um herói nesse acampamento que pode fazer isso rápido o suficiente: Você, Charles. Não sabemos quanto tempo teremos para instalar tudo, então não podemos levar qualquer um para lá, precisamos de alguém que saiba o que está fazendo e que tenha destreza e habilidade o suficiente para a execução em tempo recorde.

O filho de Hefesto pareceu empalidecer, mas não teve nenhuma reação aparente além dessa.

— Para escolher o parceiro de Charles considerei alguns fatos: Precisamos de um guerreiro que possa segurar monstros, que caso necessário crie uma distração e consiga sair vivo. Também precisamos de um modo de sair do cruzeiro, não podemos ficar contando com ajuda externa caso algo saia do controle... Infelizmente é quase certo que algo dará errado, principalmente em relação à percepção dos monstros – O jovem tossiu de leve, prosseguindo – Com esses fatores, indico o Percy para a missão, ele pode levar Beckendorf e a si mesmo pelo mar, assim como se comunica bem com os pégasos em geral. No geral, esse é a ideia, mas temos que acertar alguns detalhes com os dois, caso aceitem ir.

Quíron encarava o rapaz após a explicação básica do plano, não era loucura, todos os pontos faziam bastante sentido, mas ainda era uma missão suicida. Após um suspiro, o mestre questionou o filho de Atena:

— Você consideraria ir com eles? – O instrutor parecia preocupado.

— Não, iria dificultar ainda mais a missão para eles. No meu planejamento, os membros são imutáveis, os dois são a escolha certa, com melhores chances de sobrevivência.

— Talvez um acompanhamento externo? Para ficar em torno do barco?

— A movimentação pode chamar atenção das sentinelas, assim como o cheiro.

— Não conseguirei te convencer a enviar mais reforços, não é?

— Não. Sinto muito – O rapaz hesitou – A não ser que cancelemos a ideia da missão. Não precisamos fazê-la, de fato.

— Esperem! – Foi a vez de Beckendorf se pronunciar – Eu faço, entendi os riscos, mas eu confio no Jensen! Ele talvez seja o melhor estrategista, claro que não pode prever tudo, mas ele já avaliou todos os riscos imediatos e fez um plano bem sólido.

O mestiço estranhou ser chamado pelo sobrenome, mas não se incomodou, esperando a resposta de Quíron.

— Bem... Vou falar com alguns outros semideuses, vamos ser se aprovaremos a missão.

(...)

Os dois semideuses caminhavam lado a lado em direção aos chalés, já estava quase na hora do toque de recolher.

— Desculpe por te colocar nessa Charles... – O filho de Atena parou de andar, olhando para os próprios pés. Sentia-se um pouco culpado, era uma missão suicida e Beckendorf era um dos melhores caras do acampamento, se algo acontecesse com ele... Não era algo que o rapaz queria considerar.

— Não se preocupe, é como eu disse – O filho de Hefesto colocou a gigante mão sobre o ombro do companheiro – Eu confio no seu plano. Se fosse outra pessoa organizando... Bem, não teria nem cogitado aceitar a missão.

— Bem, obrigado... – o comentário do ferreiro não havia ajudado o mestiço a sentir-se melhor, apenas aumentou o peso da responsabilidade por mandar o colega para uma missão – Melhor dormirmos, amanhã teremos trabalho a fazer com tudo isso. Boa noite cara.

— Boa noite – Beckendorf deu um tapinha no braço de Ernest, afastando-se para seu chalé e deixando o estrategista com seus próprios pensamentos, buscando mudanças no plano, porém falhando miseravelmente ao enfrentar sua própria lógica.

Notas finais
Entramos no "O Último Olimpiano" no próximo capítulo! Aguardem...