Herói Anônimo

12 Juramento parte 2 (final) - Reencontro


Notas iniciais
Como já havia comentado, era só uma transição, próximo capítulo iniciamos com a história do quarto livro!

Capitulo 12

— Mas que saco! – Depois de virar a vigésima esquina seguida, Esnest estava começando a se cansar – Se eu tivesse vindo procurar o Percy ou algo do tipo já estaria chovendo garras e armas sobre mim.

O parou e olhou ao redor, já eram 11h da manhã e não havia nem cheiro de monstro por perto, claro que ele não precisava correr, mas não estava nos planos passar dias foras do acampamento, era para ser uma viagem rápida.

— Vamos até o Olimpo – Sugeriu Cronos – A aura do prédio, do local, possivelmente é um chamariz de monstros.

O filho de Atena pensou por alguns segundos, claro que em situações normais ele manteria o titã longe do prédio, mas... O argumento fazia sentido e, claro, estava em um dia de pouca sorte, talvez um lugar essencialmente poderoso desse uma ajudinha. Decidido, o garoto começou a andar em direção ao prédio, porém, ao atravessar a rua – Ei! Desculpe! – Um enxame de cabelos ruivos surgiu em seu caminho, quase derrubando-o, se não fossem os rápidos reflexos para segurar o braço da garota, o rapaz estaria no chão e ela, bem, no meio da rua, possivelmente embaixo de um carro.

— Poxa, você é rápido! – A desconhecida exclamou, não parecia assustada com o fato de quase ser lançada na rua.

— Ahn, acho que sim – O rapaz piscou, como se já tivesse visto a garota em algum lugar – De qualquer modo, desculpe.

— Sem problemas – Ela franziu a testa, como se algo a incomodasse.

Um flash passou na cabeça do semideus, que quase sem pensar disse:

— Acho que te vi na Barragem Hoover, quase um ano atrás.

— Bem eu estava lá – A garota sorriu – Prazer, sou Rachel!

— Ahn, Ernest.

— Muito bem, sr. Ernest, preciso ir, tente não jogar pessoas embaixo de carros de novo! – Rachel saiu, sem olhar para trás.

— Ei! Você que quase me atropelou e... – O rapaz quase gritava, mas a ruiva sumira no meio da multidão – Ah, esquece! – E seguiu seu caminho até os arredores do Olimpo. Finalmente por lá, o rapaz passou a dar seguidas voltas nos quarteirões mais próximos, sem muita sorte nos primeiros 30 minutos.

Já cansado de caminhar a manhã toda, o mestiço parou em uma cafeteria para o almoço, já que não tinha muito dinheiro optava por sempre economizar, então se obrigou a contentar-se com um misto-quente e Coca-Cola. Sentou-se no canto mais afastado para revisar o planejamento:

— Isso não está dando certo, parece que todos os monstros sumiram de Nova York!

— Luke pode ter chamado a maioria de volta, provavelmente deve estar planejando um próximo ataque.

— Bom, preciso chamar atenção dos poucos que estão aqui... – Os olhos do rapaz percorreram todo o local, buscando algo que pudesse ajudar até que...

— Vamos sair daqui, tenho um plano – Ernest levantou-se e, perto da porta, esbarrou em uma mesa com um grupo de empresários conversando – Desculpem! Espaço apertado – Forçou um sorriso enquanto o grupo dirigia-lhe olhares repreensivos, afastando-se logo pela rua – Idiotas – O rapaz sorriu e olhou para o smartphone que havia pego na mesa.

— Muito bem – O senhor do tempo começou a listar – Primeiro, eu estou amarrado a você, então não precisa dizer “vamos sair daqui”, segundo, o plano pode funcionar e, terceiro, ligue isso logo, antes que os mortais percebam que você é um ladrão meia-boca.

— Meia-boca talvez, mas ladrão não! Só peguei emprestado, vou deixar em um lugar à vista – O rapaz discou um número qualquer, só falando quando o ilustre desconhecido atendeu do outro lado da linha – Olá! Tenho que enviar algumas informações sobre o acampamento para o Empire State!

Dito isso, o rapaz deixou o celular ainda em ligação no parapeito de uma janela qualquer e atravessou a rua, ficando longe do celular para o caso dos empresários aparecerem.

— Agora eu espero.

Parecia uma mágica digna de Héstia: Em poucos minutos uma garota com uniforme de líder de torcida apareceu e olhou para o celular.

— Ali! – Cronos se agitou – Ela!

O semideus deu um salto, atravessando a rua com pressa e rapidamente agarrando a garota, puxando-a para um beco próximo ao local.

— Ei! – A garota resistia – Semideus?

Os olhos da líder de torcida estavam arregalados quando percebeu a lâmina de bronze celestial em seu pescoço.

— Calma, não vim fazer mal, só quero achar Luke.

— Para quê?

— Talvez eu simpatize com sua causa.

— E se não simpatizar?

Uma ideia surgiu na mente de Ernest, se isso não desse certo, teria que matar a garota – “Igual no Hades, empresta o seu poder aí” – Pensou, buscando acessar o poder de Cronos, em seguida sentido a queimação no braço, pescoço e olhos.

A garota deu um sorriso horrível, seus cabelos agora eram chamas, as pernas, bem, uma de burro e a outra de metal: Uma empousa.

— Então você está vivo.

— Você?

A criatura esticou o pescoço e deu um beijo na bochecha do semideus, que ainda estava perplexo.

— Claro que pode ver Luke, assim como ele, você é parte do mestre Cronos. Na verdade, foi nosso pequeno teste e claro, ver que você está vivo e junto com o Senhor do Tempo traz boas expectativas.

O rapaz embainhou a adaga e ocultou o poder de Cronos, cruzando os braços.

— Vamos logo com isso.

Com uma risadinha, o demônio fez sinal para que ele a seguisse, andando por algumas ruas até chegar em um outro beco, onde virou-se para o filho de Atena e estalou os dedos, uma porta de fumaça vermelha se abriu diante deles, mostrando a imagem de um convés repleto de fileiras de monstros.

— Pode ir, um semideus sempre é bem recebido em nossas fileiras.

*Comentários do registro*

— Bizarro é a melhor palavra para descrever essa situação. Encontrei com meu passado e não pude confronta-lo por causa da droga de uma missão, fora que até hoje quero aprender aquele truque da porta de fumaça. Teria sido super útil em alguns vários momentos da minha vida.

*Narrativa*

Após atravessar o portal que a empousa conjurou, a primeira coisa que Ernest percebeu foi o cheiro de água salgada, a brisa marinha que lhe bagunçava os cabelos e o sol absurdo que parecia assar sua pele. Fora isso, os vários olhares de monstros e semideuses o preocupavam um pouco, mas buscou ser sensato e resolveu falar em alto e bom som:

— Vim ver Luke, não quero machucar ninguém – Levantando as mãos ao mesmo tempo.

Uma dracaenae surgiu sabe-se lá de onde e sibilou para o jovem:

— Vamoss ver ssse é messssmo digno de ver o messsstre. Lute!

O garoto ergueu uma sobrancelha e, em um movimento rápido, atirou uma das facas menores no monstro que, provavelmente não esperava um ataque assim à curta distância, transformando-se em pó instantaneamente.

— Isso conta como luta? – O filho de Atena olhava em volta, enquanto pegava sua faca no chão – Ou preciso bater em mais alguém?

Um murmúrio surgiu em meio à multidão, que apenas abriu espaço para o rapaz passar, levando direto à porta onde Luke estava com o caixão dourado de Cronos.

Toc-toc.

— Entre – A voz abafada pela porta falou calmamente.

Lentamente o mestiço girou a maçaneta, entrando na sala que possuía grande janelas e um espaço incrível, claro, assim como o navio.

— Você – Luke não sorria, mas também não parecia assustado nem nada do tipo – É um dos que estavam lutando contra nós no monte Tam, não é?

— Acredite meu caro, só estou aqui por causa de um juramento, não tenho nada para falar com você.

— Então o que veio fazer aqui?

— Ele— O jovem apontou para o caixão – Quer falar com você.

Por um momento o filho de Hermes parecia confuso, mas o mestiço não deu tempo para que o outro digerisse a informação, apenas invocou mais uma vez o poder do Senhor do Tempo, mas dessa vez algo diferente aconteceu, talvez pela presença do caixão, o tempo tornou-se fluido, toda a cor do ambiente pareceu sumir, a dor se tornou muito maior enquanto as tatuagens apareciam, porém, o poder parecia mais tentador, mais prazeroso, por alguns minutos Ernest sentiu como se nada pudesse pará-lo.

Claro que em alguns momentos a razão voltou a tomar conta do rapaz, que se pôs no lugar de expectador em sua mente e deixou a parte da alma de Cronos falar:

— Meu caro Luke, é bom falar com você pessoalmente.

O filho de Hermes estava mais pálido que o normal, parecia incrédulo quanto ao que estava acontecendo, mas manteve-se firme, os olhos fixos naquele que lhe falava.

— A marca de Aquiles funciona da mesma forma, porém poderá abrigar a minha real forma, esse só tem uma minúscula parte da minha alma, mas veja o poder.

— Entendo, devo seguir com o plano então.

— Isso mesmo, não falhará, desde que você não falhe diante do Estige.

— Não irei.

— Mais uma coisa, esse garoto é forte, terá que cuidar dele no fim, mate-o apenas na presença do caixão para recuperar minha alma.

Luke desembainhou mordecostas.

— Não agora criança, tenho um juramento com ele, essa é apenas uma viagem para troca de informações. Agora, mande-o de volta para o acampamento, deixe-o desfrutar de sua ruína.

— Espere – Ernest assumiu o controle e reprimiu o poder mais uma vez – Temos um último assunto a tratar.

Luke suspirou, gesticulando com a mão para que a fala do rapaz prosseguisse.

— Todos aqui juraremos pelo Estige manter em segredo esse encontro e tudo que foi falado aqui, assim todos os segredos e planos estão seguros para ambos os lados, sem interferência.

— Eu juro – Luke e Cronos falaram em uníssono, seguidos pelo filho de Atena.

— Ótimo, agora me mande de volta para casa.

Com um estalo de dedos, tudo rodopiou e o mestiço caiu estatelado ao lado da estrada que levava ao acampamento, parecia estar seguro, sem ninguém o perseguindo.

— Muito bem, acho que é isso, juramento cumprido. Apesar de não gostar de quando você instrui os outros a me matar – Incrivelmente Cronos ficou quieto dessa vez, o que podia ser um bom sinal, por fim, o rapaz seguiu para o acampamento a pé, eram poucos minutos para que chegasse lá, então não adiantava protelar, o dia já estava caindo e queria uma boa noite de sono.

Notas finais
Gostaram da transição? Espero que estejam prontos para voltar ao labirinto de Dédalo em breve!