Herói Anônimo

5 Despedidas - Um novo lar!


Notas iniciais
Vamos finalizar aqui a parte referente ao livro "Maldição do Titã", espero que estejam gostando, deixem um comentário ou uma recomendação pra dar uma força se quiserem, se não quiserem, bem, boa leitura de qualquer jeito! :)

Capítulo 5

*Narrativa*

Aquilo parecia simplesmente irreal, Ernest não havia perdido tanto tempo na luta contra as víboras, mas foi o suficiente para ficar estático ao ver Percy segurando o fardo de Atlas, ao passo que Artêmis lutava contra Atlas ferozmente, uma luta de imortais e, sinceramente, não era a vontade do semi-deus se meter ali. Preferiu tomar a decisão mais lógica: Ajudar Jackson com o problema do céu.

“Ah cara, não vim preparado para tanta encrenca em um dia” – Pensou o garoto, com um suspiro – “Esperava sair do deserto, comer uns tacos e seguir viajem”.

Logo o garoto estava ajoelhado ao lado de Percy, estendeu as mãos lentamente, tocou aquela atmosfera gélida, repleta de nuvens e sentiu como se estivesse sendo comprimido contra a terra (o que não deixa de ser verdade), aumentou a pressão contra a massa que seguravam, tentando dividir o peso com o outro semi-deus, mas ao sentir as juntas de seu corpo inteiro estalarem a insegurança tomou conta do menino, fazendo-o tremer.

— Jackson, firme, não quero ser esmagado hoje! – O garoto falava desesperadamente, vendo que o parceiro estava sucumbindo à dor de segurar sozinho o peso do céu. Por mais que o esforço fosse incrível e Ernest soubesse que não aguentariam mais um minuto, tinha uma coisa na consciência: Percy não dividiu o fardo, estava com a maior parte do peso para si, recusando ajuda. O esforço foi aumentando, os garotos já viam tudo em flashes, até que em um lapso de percepção viram Atlas sendo atirado contra eles, rapidamente soltaram o corpo, deixando que o corpo do titã os empurrasse para longe.

Ao terminar de rolar, Ernest buscou sentar-se, mas parecia que seu corpo estava descoordenado, todos os músculos tremiam e pareciam não ter uma resposta adequada, após poucos segundos de muito esforço, o garoto estava de joelhos, tentando se levantar sem muito sucesso e claro, observando Percy falhar miseravelmente, assim como ele, na mesma tarefa. Um zumbido percorria seus ouvidos, mas a cena diante de seus olhos era clara: Thalia e Annabeth discutindo sobre algo, Luke estava acuado em sua luta com Thalia até que, após um movimento brusco do filho de Hermes, este recebeu um chute digno de Leônidas no filme “300”, sendo mandado montanha abaixo.

“Caramba” – A mente do garoto parecia mais clara – “Não posso irritar essa garota”.

Os próximos segundos foram de correria, o exército de Saturno estava subindo, Thalia e Annabeth pareciam abaladas ao extremo com o golpe sofrido por Luke e por fim, Artêmis cuidava de uma moribunda Zoe, acabada devido a batalha e ao veneno do dragão Ládon.

*Comentários do registro*

— Certo, vamos parar um momento aqui: Hoje é super emocionante ver a constelação de Zoe nos céus, mas cara, aquilo foi de rasgar o coração, nenhum de nós esperava... Tá, eu esperava alguma complicação, mas não que ela morresse pelo veneno. Bom, os acontecimentos a seguir não são tão importantes, por mais que sejam memórias muito legais: Ver o sr. Chase voando no seu avião de guerra e depois voar no trenó de Artêmis valeram a noite de luta, claro, tirando a coisa de salvarmos o Olimpo e tal.

*Narrativa*

Não restava muito tempo, palavras foram trocadas, mas era inevitável... Ernest balançava sobre seus pés, não ouvia nada, sentia apenas o frio do vento ao encontrar a pele coberta de suor, não sabia mais se estava assim pelo fato de segurar o céu ou se apenas era o pesar que caia sobre ele – Eu disse que podia ajudar com o veneno – falava para si mesmo, bem baixinho, enquanto os olhos da caçadora ficavam cada vez mais nublados, até perderem seu brilho. O tempo parecia ter parado, as cores sumido do cenário, os sons se tornado nada mais que zumbidos incômodos, o torpor pela perda da amiga tomou conta de todo o grupo, mesmo para Ernest que não tinha conhecido tão bem a garota, tudo parecia um choque, afinal ver monstros morrerem é uma coisa, agora, uma companheira de batalha é outra completamente diferente, é cruel, doloroso. De fato, o garoto só voltou a si quando ouviu a deusa falar que precisava ir ao Olimpo, mas que enviaria ajuda.

Logo quatro pégasos estavam diante dos semi-deuses, aparentemente Percy podia conversar com eles, mas Ernest não tinha energia para se impressionar mais, apenas montou e apagou nas costas de seu respectivo animal.

*Comentários do registro*

— Eu me arrependo de ter dormido, até hoje me zoam por ter perdido a visão do Olimpo todo iluminado, colorido e tal... Droga.

*Narrativa*

Ernest acordou ao ser jogado no chão por seu pégaso, levantando se em um pulo graças ao susto, soltou uma exclamação silenciosa ao ver o ambiente ao seu redor, recuando um passo quando os grandes portões de prata que estavam no caminho se abriram para permitir a passagem dos semi-deuses.

— Que visão magnífica – Saturno parecia estranhamente animado – Vai ser ótimo quando transformar tudo isso em cinzas – E com esse feliz comentário na mente do semi-deus, os quatro heróis entraram na grande construção branca que ficava após os portões: O tribunal dos deuses.

Por um momento bastante constrangedor, todos os deuses se viraram para o grupo, parecia que os garotos entrariam em combustão espontânea com tamanha intensidade nos olhares, mas nada aconteceu, apenas Grover que foi relatar o que havia ocorrido com ele e Bessie, o Ofiotauro, e em seguida Artêmis começou sua fala, dizendo que o conselho escolheu por agir, caçar monstros, abater o navio de Luke e que não deviam desintegrar nenhum de nós. Após um pequeno momento de discussão, foi decidido também manter o Ofiotauro vivo e que haveria uma festa! Ernest se sentia derreter, nunca havia estado em uma festa tão grande, a animação vibrava por todo seu corpo, mas não tinha tempo a perder, precisava encontrar algum deus que não quisesse o matar para fazer algumas perguntas.

— Sr. Apolo – Chamou o garoto, quase ficando cego quando o deus se virou sorrindo – Preciso fazer algumas perguntas e... Bem, tenho um pedido, por mais que seja exigir demais uma vez que não nos mataram.

— Não se preocupe, não se preocupe – O deus estava radiante – Como a minha tão grande sabedoria pode te ajudar? Quer aprender a fazer algumas rimas? Poesia? Haikai?

O menino estremeceu, ouvira falar da péssima habilidade do deus com a tal poesia japonesa, mas manteve-se firme e continuou – Não senhor, podemos até tocar alguma música um dia, mas não é sobre isso que gostaria de falar – O garoto olhou para os lados, um pouco nervoso, um pouco ansioso – Poderíamos ir para um canto mais afastado, não gostaria que ninguém ouvisse o que vou falar.

Caminharam para um ponto mais afastado da festa e, respirando fundo, Ernest começou:

— A primeira coisa que gostaria de perguntar, sr. Apolo, é se saber me dizer que é meu pai ou minha mãe divina...

— Só isso menino? Deixe-me ver – O deus olhou, encostou o dedo indicador direito no queixo como se pensasse e logo sorriu como se achasse graça – Ares – O garoto empalideceu – E Atena – Agora estava estático, não entendia como isso era possível – Seus pais são semi-deuses, mas sua linhagem são desses dois, claro, se não fosse assim, seria um deus.

“Eu sabia” – A voz do titã soou em sua cabeça, fazendo o menino fervilhar de raiva, mas, respirando fundo mais uma vez, recomeçou a falar:

— A outra coisa é... Se poderia dar um jeito em um problema, tem uma voz que fica falando na minha cabeça, qual a chance de silenciar ela?

O deus mais uma vez sorriu, ofuscando todas as luzes do Olimpo:

— Eu sou o deus da cura de certa forma, então vamos ver, talvez seja uma esquizofrenia leve ou algo do gênero...

Apolo tocou a testa do garoto e este, na mesma hora, sentiu um agradável calor se espalhando pelo seu corpo: Cabeça, pescoço, peito... Até que em seu braço direito sentiu uma onda de choque, quando o calor se tornou um frio intenso até o deus do sol recuou, retirando a mão da testa do garoto:

— Garoto, isso é... – O deus parecia perplexo – Muitas coisas, maldições e... Cronos?

— Senhor, não pode fazer nada em relação a isso?

— Por hora não, preciso rever alguns encantamentos antigos, mas seria mais sábio te matar...

— Eu o tenho sob controle, ele me enche a paciência todo o dia, mas fora isso, é inofensivo.

— Não tenho tanta certeza.

— Por favor mestre Apolo – Ouvir o título parecia acalmar o deus – Deixe-me cuidar disso enquanto o senhor procura uma solução em sua grandiosidade, todos vocês votaram por não nos matar – O menino esperava que o deus desconsiderasse a parte de ter o maior inimigo do Olimpo em seu braço.

— Certo – Apolo ainda estava um tanto sério – Vou ver o que posso fazer – E sumiu no meio da multidão, virando as costas para Ernest.

“ Não vai ser agora que vai se livrar de mim” – A voz de Saturno ecoava de forma zombeteira na mente do semi-deus – “E eu prefiro como ele disse, Cronos, não Saturno”.

Com o coração pesado, o corpo cansado e a cabeça latejando, Ernest encontrou os amigos e seguiu para o mundo mortal, atravessaram Manhattan e foram para o acampamento meio-sangue, onde mais uma vez o garoto parou, exatamente no limite mágico, como se pudesse vê-lo e disse:

— Tem certeza absoluta de que isso é uma boa ideia?

Dessa vez foi Grover quem respondeu:

— Claro, não importa se você é filho de um deus ou se seus pais são semi-deuses, apesar de ser um pouco incomum... O acampamento é para heróis!

As palavras confortaram um pouco o jovem, que por fim adentrou o local, perdendo o fôlego ao ter a visão do alto da colina, o anfiteatro, o lago, as praias, as quadras, a casa grande... Tudo parecia mágico, bem, por mais que fossem realmente mágicos. Apesar de tudo uma pontada de tristeza atingiu o garoto, saber que poderia ser rejeitado a qualquer momento se descobrissem sua relação com o senhor dos titãs era um risco que pesava totalmente contra as possibilidades de fazer parte daquilo, mas não tinha para onde ir, então... Ali estava, junto a todos no conselho da casa grande.

O conselho seguiu normalmente, Ernest se apresentou previamente e, por mais que Quíron lhe dirigisse um olhar desconfiado, parecia que estava tudo bem. Em pouco tempo, o susto de Nico di Ângelo aparecer e, na sequencia desaparecer, fez com que a reunião fosse encerrada para que Percy, Annabeth, Grover e o novo integrante do acampamento fossem procura-lo na floresta. Toda a conversa que Percy teve com Annabeth sobre Nico ser filho de Hades, profecia e tal, bem, tudo que Ernest pôde fazer foi ouvir e, no fim das contas dizer:

— Sou um bom rastreador, voltarei aqui amanhã e procurarei mais pistas, a noite tudo fica um pouco confuso e posso deixar passar algo.

O filho de Poseidon assentiu:

— Tudo bem, vamos encobrir o que aconteceu, mas faça o possível... Não podemos deixar que mais ninguém descubra quem ele é, devo isso a...

— Bianca – Ernest o interrompeu – Eu ouvi da primeira vez.

— Certo, vamos voltar – Annabeth encerrou o assunto, levando a todos de volta para a casa grande e, após uma troca de informações com o centauro, cada um foi para seu lado.

Ernest deixou os três amigos e foi para o chalé de Atena, decidiu escolher esse lado da família, parecia ser mais interessante para seus planos futuros – “Melhor descansar garoto, vai ter trabalho se quiser encontrar o menino de Hades” – Ignorando a voz de Cronos, adentrou o chalé e largou-se em uma das camas, não se deu ao trabalho de trocar de roupas ou tirar os tênis, por mais que magicamente sua antiga mochila tivesse aparecido no acampamento, estava cansado demais para isso. Logo mais, já adormecido, sonhou com um garoto fugindo por entre as árvores de uma floresta, a vegetação parecia ficar cada vez mais seca, o ar mais quente, até que uma criatura alada apareceu, interrompendo o sonho e fazendo o semi-deus acordar, ensopado de suor.

— Isso vai dar um trabalhão – Murmurou para si mesmo, rolando na cama até achar uma posição mais confortável, apagando logo em seguida, mais uma vez.

Notas finais
Bom, é isso, nos vemos em breve para o próximo capítulo!