Herói Anônimo

26 Batalha final parte 1 - Spatium


Notas iniciais
Estamos chegando ao fim da saga "Percy Jackson e os Olimpianos", mas em breve temos "Os Heróis do Olimpo"! Gostaram do que se passou até aqui? Deixem um comentário para melhorar a adaptação e a história para a próxima saga!

Capítulo 26

*Comentários do registro*

— Muito bem, nesse momento eu preciso concordar com uma frase que Percy disse depois de passarmos pela batalha de Manhattan: Existem dragões e existem drakons. Cara, aquilo era monstruosamente aterrorizante, setenta metros de pura selvageria.

— O engraçado foi que dessa vez eu não batalhei tanto, Percy deu um grito de “eu fico com o drakon” e, como Annabeth foi com ele, fiquei junto com Quíron pra manter o exército ocupado.

*Narrativa*

Enquanto Rachel corria para dentro do Empire State e Percy junto com Annabeth partiam para cima do drakon, Ernest tentava manter o controle das ruas dando orientações aos campistas, mas, no atual momento da guerra, tudo acontecia de forma mais instintiva do que planejada.

— Ei, tirem aquele carro dali! – O jovem estava preocupado com os mortais no caminho – Ou talvez se tirarmos só os corpos dos veículos... Os carros são boas barreiras...

— Decida!

— Ah, tire o carro – Ao mesmo tempo em que falava, desviava de um projétil atirado pelo inimigo – Arqueiros, ocupem eles!

Quase que imediatamente as preocupações do mestiço mudaram: O drakon em um rasante devorou uns três centauros que estavam nas fileiras de frente, ajudando os semideuses.

— Droga, cuidado com o drakon ­— Gritou o garoto, olhando para os lados para ver a situação de Percy e Annabeth – Gigantes vindo, concentrem-se!

Infelizmente já era tarde, o exército de Cronos, juntamente ao drakon que agora estava engalfinhado com a Sra. O’Leary aterrorizavam a resistência do Olimpo, dispensando suas forças. O filho de Atena até tentava tomar o controle da volta, mas o pânico era grande demais, se os guerreiros não parassem para pensar e se acalmassem, a batalha terminaria logo para todos eles.

Foi quando tudo parecia perdido que, em um estalo, juntamente com um estridente grito, tudo pareceu parar.

— Ares!

Carruagens puxadas por cavalos-esqueleto com crinas de fogo cruzaram o ar, dardos de bronze preenchiam a boca do monstro quando ele a abria para mostrar as presas. Todos os combatentes, monstros, demônios, gigantes e semideuses haviam parado para assistir ao duelo que se seguia entre os filhos de Ares e o drakon. Todos só se deram conta de que os reforços haviam chegado quando umas seis carruagens pararam perto do Empire State e tumultuaram o exército inimigo.

*Comentários do registro*

— Os próximos acontecimentos foram tão rápidos que qualquer um poderia jurar que eram apenas flashes de lembranças: Clarisse atacando o monstro, o monstro revidando e cuspindo veneno em seu rosto, Clarisse descendo sem armadura de uma carruagem, Clarisse derrotando o drakon com UM FUCKING GOLPE e a descoberta de Silena como a falsa Clarisse (e espiã, mas isso não vem ao caso).

*Narrativa*

A fúria de Clarisse foi tão efetiva após a morte de Silena que todo o grupo de semideuses, caçadoras e centauros passaram a lutar com mais empenho e coragem, conseguindo obrigar os monstros do exército de Cronos a recuarem um pouco.

— Essa cena seria muito digna de um ano-novo chinês, não? – Ernest ergueu os olhos para ver a reação de Percy e Chris ao comentário enquanto passavam por ele.

— Você vai ficar aí sentado? – Perguntou o filho de Poseidon, visivelmente cansado e abatido.

— Não tem muito o que fazer, vou ficar aqui para dar cobertura, caso ela precise.

— Vou ficar aqui olhando-a – Chris completou, sentando-se ao lado do filho de Atena – Ela vai acabar cansando-se. Vou me certificar de que entre.

— Minhas caçadoras vão ajudar a montar guarda... Percy e Annabeth, vocês deveriam ir para o Olimpo, tenho a impressão que serão necessários por lá – Thalia se uniu ao grupo juntamente com Annabeth – Para preparar a defesa final.

(...)

— Acha que temos chance? – A filha de Zeus estava sentada ao lado do mestiço – Quero dizer, uma chance real.

O filho de Atena suspirou, olhando para o horizonte e imaginando se tudo não estaria perto de acabar.

— Bom, enquanto Percy estiver vivo, acho que temos chance... Afinal a profecia diz que ele vai decidir o destino de tudo – Refletiu o jovem – Sua pergunta foi: “Acha que temos chance?”, a resposta é: Sim. Mas tenho uma outra pergunta pra você, Thalia: Será que sobreviveremos pra ver Percy vencer?

A jovem de olhos azuis abraçou as próprias pernas, escondendo o rosto ao abaixá-lo.

— Espero que sim... Não quero pensar que tudo vai dar certo e não vou estar aqui pra ver.

— Falando assim até parece mais humana – Riu o rapaz, arrancando um sorriso cansado da garota.

— Idiota, na próxima vez te bato com Aegis.

— Certo – O jovem parecia estar se divertindo, sabia que Peggy estava lá em cima do Empire State, não corria perigo imediato e, se dependesse dele, não correria tão cedo. Claro que isso só ficou nos pensamentos do garoto, em poucos minutos pareceu que todo o Hades foi liberado naquele local: Gigantes, demônios e todo o tipo de monstro irromperam em um ataque furioso, marchando à frente estava ele: O senhor do tempo.

— Organizem-se! – Thalia berrou, vendo em pouco tempo ondas de flehas serem disparadas, mas sem potência para dispersar o inimigo.

O mestiço lançou-se em meio a batalha: A espada desembainhada e a faca de caça na outra mão descreviam ataques rápidos em todos os ângulos, o jovem girava sobre seus calcanhares e não parava em um lugar por tempo suficiente para dar oportunidade de contra-ataque aos inimigos.

— Você vai pagar, vai morrer! – Um semideus que estava do lado inimigo berrou para Ernest, mas em pouco tempo o filho de Atena já havia lhe passado uma rasteira e feito ao menos uns dois bons cortes com suas armas, nada fatal, mas o suficiente para tirar o outro jovem do combate. Infelizmente, por mais que parecesse avançar, as linhas inimigas se tornavam mais estreitas e sufocantes, obrigando o garoto a diminuir o seu ritmo de ataques.

— Ernest, cuidado! – Um grito que poderia ter sido de qualquer pessoa fez o jovem sair de seu transe de batalha, parando para perceber o que estava para acontecer: Um gigante hiperbóreo soprou na direção do filho de Atena, que só teve tempo de pular para o lado e ver uma fileira toda de monstros congelar. Claro que o monstro não parou por aí: Continuou tentando acertar o rapaz, que continuou pulando para onde havia um espaço, mesmo que mínimo, até ficar longe o suficiente do monstro do gelo para focar sua atenção nos outros que estavam ao seu redor, o que não havia sido planejado era encontrar-se com um par de olhos dourados encarando-o divertidamente.

— Bom, então você ainda está aqui – Luke, ou Cronos, sorriu friamente para o filho de Atena, fazendo sinal para os monstros ao redor se afastarem um pouco – Me deem um pouco de espaço.

Ernest se recompôs rapidamente, ainda um pouco ofegante e, dando alguns passos para trás, encarou o senhor dos titãs.

— Bom, acho que isso era inevitável, não?

— O experimento contra o produto pronto, parece perfeito, não é? – A sinistra foice do titã foi sacada, o ar começou a pesar em torno do jovem.

— Venha me pegar então! – Desafiou o garoto, guardando sua faca e montando guarda com a espada, tentando ignorar que sua mobilidade estava ficando comprometida.

O senhor do tempo avançou caminhando calmamente, parecia estar curtindo o momento, desferindo uma estocada despretensiosa contra o peito do mestiço, que por sua vez girou a espada rápido o suficiente (e com muita dificuldade) para repelir o ataque do titã.

— Oh – A figura de Luke ergueu uma sobrancelha – Talvez ter um pouco de mim aí permita uma certa resistência ao meu controle temporal.

Ernest tentou aproveitar o tempo de monólogo que Cronos estava tendo para atacar-lhe com um corte da diagonal de baixo para cima, da esquerda para a direita na altura do umbigo, porém, como se aquilo não fosse nada, o senhor do tempo lhe desferiu um chute no peito antes que a espada sequer o ameaçasse. O chute teve potência o suficiente para lançar o garoto para trás, deixando-o no chão.

— Maldito covarde, se eu pudesse me mover! – Murmurou o jovem, esforçando-se para se levantar.

— Isso está muito divertido – Cronos girou sua arma na mão direita – Talvez devesse ter deixado com que você se movesse livremente, mas não confio nas suas capacidades.

O esforço fez a visão do mestiço tremular, o ar pareceu ficar leve ao seu redor por um momento, mas não interferindo na luta. O senhor dos titãs continuou com um sequencia simples de ataques, porém o rapaz prosseguiu bloqueando seus ataques de forma superficial, mesmo que na maioria das vezes fosse quase que penoso para manter a espada erguida, porém em alguns momentos parecia fácil acompanhar o senhor do tempo. Era difícil explicar.

— O que você está fazendo? Lute comigo! – O titã parecia frustrado.

— Deixe-me em minha velocidade normal, vamos ver!

— Se quer lutar comigo de forma igual, fique mais forte.

Essa última frase aborreceu o jovem, que partiu para cima de Cronos com um grito, talvez fosse a adrenalina, mas nesse ataque as velocidades pareceram se igualar: O jovem tentou um corte de cima para baixo, visando a cabeça de Luke, porém sua lâmina foi desviada facilmente pela foice que, logo em seguida, girou para interceptar o braço do semideus. Infelizmente o titã não contava com a velocidade normal do rapaz, que girou nos próprios calcanhares e, com consciência de tudo o que estava ao seu redor e do espaço entre si mesmo e o inimigo, desferiu um golpe com o antebraço esquerdo, para aproveitar o impulso do giro. O golpe atingiu Cronos em cheio no rosto, porém a maldição de Aquiles o manteve em pé, ileso.

— Eu devia ter me lembrado disso – Ernest resmungou enquanto recolhia braço dolorido e encarava aqueles olhos dourados.

— Cansei de você, vou terminar com isso agora – Luke partiu para cima do jovem, que mais uma vez sentiu o ar ficar denso sobre si.

— Não dessa vez – Em uma velocidade maior do que a do senhor dos titãs, o filho de Atena girou sua espada, rebatendo o ataque e, por consequência, perdendo o equilíbrio ao tentar voltar à posição de guarda. Um estranho formigamento tomava conta de seu braço esquerdo, a percepção parecia estar maior.

— Você se atreve – A ira parecia transbordar de Cronos – Usar meus poderes contra mim?

Foi aí que o mestiço percebeu as tatuagens brilhando no braço, devia estar também com um olho dourado e o outro prateado: Na situação de vida ou morte deve ter acessado as forças da alma de Cronos sem querer.

— Eu não vou perder tão fácil.

— Inseto irritante – Dessa vez o senhor do tempo estava preparado para um contragolpe em velocidade normal, não sendo pego desprevenido e conseguindo passar uma rasteira no garoto – Irá pagar por usar MEUS poderes contra mim. Humano imundo.

Foi nesse momento que uma flecha se quebrou no braço esquerdo de Luke, fazendo-o mudar de foco: Quíron que parecia bastante irritado já havia preparado outro projétil em seu arco, mirando na cabeça da de se pai.

*Comentários do registro*

— Bom, esse foi o momento que Quíron e Cronos duelaram e bem, quando o inferno invadiu a terra, literalmente.

*Narrativa*

Ernest ainda estava estatelado no chão, olhando o céu vazio um pouco zonzo quando o chão ribombou e os guerreiros esqueleto começaram a aparecer.

— É o que? – Rapidamente o rapaz sentou-se e olhou em volta, percebendo que o exército do titã havia recuado um pouco em meio ao novo caos, o motivo era óbvio: Hades próprio liderava o ataque.

Após poucas palavras trocadas, Cronos isolou a área do Empire State com as barreiras mágicas, liberando as que mantinham Manhattan dormindo, ou seja, milhares de mortais despertando e pirando com o que ocorria ao seu redor.

— Annie – Berrou o mestiço – Vamos segurar o exército, parem Cronos! Conto com vocês!

A garota não parecia muito bem, mas fez um comentário bem pertinente:

— Isso são tatuagens?

— Você deve estar zonza, pegue Percy e vá!

Enquanto a irmã e os amigos subiam para o Olimpo, Ernest encarou a batalha à sua frente: Nico, Hades, Perséfone e Deméter combatendo com os guerreiros esqueleto e os remanescentes do acampamento, porém sendo quase sufocados pela enorme quantidade de monstros que seguia Cronos.

— Bom, não temos nada a perder, não é? – Perguntou o filho de Atena.

“Não mesmo” – Cronos respondeu em sua mente.

— Então vamos! – O rapaz partiu para cima do exército, mantando-se na divisão da barreira que isolava o Olimpo, impedindo que mais monstros tentassem entrar e atrapalhar seus amigos. O jovem cortava com sua espada em todas as direções possíveis, já havia lançado suas três facas em algum momento que não se lembrava e ainda assim não paravam de aparecer inimigos. Finalmente o jovem se deteve em um semideus que aparou um de seus golpes.

— Má escolha amigo – Comentou ao olhar para o guerreiro de armadura negra.

— Eu é que digo isso.

— Uhnf, me respeite – Não esperando para ver o desfecho da conversa o filho de Atena atacou e, com um pouco de dificuldade, o outro jovem bloqueou o golpe inicial.

— Muito devagar!

— Ah é? – Ernest usou a pequena distância que tinha entre os dois combatentes para dar uma ombrada e, rapidamente, efetuar um corte na altura da coxa do outro rapaz, que cambaleou enquanto o sangue escorria por sua perna.

Os olhos do inimigo transpareciam raiva, contragolpeando o mestiço com uma estocada violenta, deixando pouco tempo para que o rapaz aparasse o ataque e dessse um passo para o lado. Logo em seguida o outro guerreiro girou sobre a perna boa, obrigando o filho de Atena a mais uma vez correr com sua lâmina e bloquear o golpe com um estridente barulho de metal contra metal.

— Por que vocês não desistem? – O atacante parecia frustrado – Estão em menor número, Cronos já está dentro do Olimpo, não há esperança! Isso é perda de tempo!

— Entenda uma coisa – Ernest respondeu ofegante – Nem eu, nem ninguém aqui é bom em desistir. Todos temos algo pelo que lutar, alguém por quem lutar. Eu não vou deixar o Olimpo simplesmente cair, não sem luta!

— Desista! – O jovem de armadura negra em um golpe desesperado se atirou contra o mestiço, como se desse uma estocada com o corpo todo, porém o filho de Atena apenas saltou para o lado, vendo o atacante se estatelar no chão.

— Já disse, sou ruim de desistir – O jovem parecia cuspir as palavras – E enquanto eu levar essa espada, nunca vou deixar meus amigos! Não vou deixar meus objetivos!

— O que a espada tem a ver com isso?

— Ela é um lembrete, o nome gravado nela é um lembrete, não deixarei ninguém na mão!

— Um lembrete?

— Sim, para que eu seja persistente. Para que eu não desista e saiba que tenho algo pelo que lutar, alguém para proteger. Se eu não olhasse para essa espada durante a batalha que tivemos até aqui, não só com você, mas com todos, eu já teria desistido há um bom tempo.

O jovem continuava no chão, cansado.

— O nome dessa espada é Spatium. Com ela eu só desisto se morrer!