HelpMe.net
15 Capitulo quatorze (Caio)
— Alô?
— Oi mãe.— Caio! Há quanto tempo! Eu viajo uma semana e vocês esquecem que tem mãe! Mas aposto que com a Angela é diferente.— Eu não ligo para a Angela, mãe. Eu nem sei o número dela.Ela bufou.— Estava começando a ficar preocupada.— Não precisa ficar preocupada, mamãe! Eles já me deram alta.— Quê?— Então, houve um acidente quando estávamos indo para o show do cover da Legião Urbana, mas eu já estou bem e em casa.— O que aconteceu? — ela estava começando a ficar histérica.— Nada! Está tudo bem. Foi só um arranhão.Felipe pegou o celular de mim.— Foi minha culpa mãe, ele caiu de uma escada... Não mãe, ele já está bem... Desculpe não ter avisado, não queríamos... Ele quebrou uma perna e teve algumas contusões, mas o médico disse que não é nada com o que se preocupar... Sim mãe, eu fiquei com ele o tempo inteiro... Certo. — ele tirou o telefone do ouvido e me deu — Ela quer falar com você.— Oi mãe.— Eu estou com muita raiva, Caio! Vocês deveriam ter me ligado antes.— Foi exatamente por esta reação que não ligamos.— Isso é um absurdo, sou sua mãe!— E eu sou seu filho, mas eu tenho 24 anos mãe! Não sou mais uma criança. Eu entendo sua preocupação, mas eu sei o que eu faço da vida.Ela ficou muda por um tempo.— Desde que você tinha dez anos, já sabia o que queria da vida...Ela estava falando com aquele tom de voz nostálgico de uma mãe que vê seu filho crescendo. De repente senti uma enorme saudade da minha mãe.— Mãe?— Sim?— Eu te amo, viu?Quase pude ver ela sorrir.— Eu também te amo, minha estrela. Eu tenho que ir. Confio em você.— Estamos lhe esperando.— Dê um beijo bem grande no seu irmão por mim.Eu ri. — Certo.Então ela desligou.— Felipe!— Oi! — falou ele vindo de dentro do quarto correndo.— Vem aqui, mamãe pediu para eu te dar uma coisa.Ele chegou perto e eu o puxei para lhe dar um beijo.— Sai! Que chato! Tenho que estudar! Faltei três dias de aula e o vestibular de medicina é esse fim de semana.— Então adeus meu caro.Ele revirou os olhos e foi para dentro do quarto.Meu celular vibrou e eu o peguei com pressa.JuneSouza disse "me ajudem!"Destravei o celular e entrei no chat.JuneSouza: eu não lembro em que ano o Brasil foi descoberto!CaioSarazate: olha na internet JuneSouza: não posso, prometi a mim mesma que não olhariaCaioSarazate: mas pra gente pode?CaioSarazate: você sabe que nós podemos olhar, não é?CaioSarazate: isso seria burlar sua própria regraPedroValdeva: é por isso que o Brasil não vai para frentePedroValdeva: 1500PedroValdeva: essa é fácilJuneSouza: valeuJuneSouza: tchauJuneSouza está off-line PedroValdeva: estranhoCaioSarazate: pensei a mesma coisaCaioSarazate: fazendo o que de bom Pedrinho?PedroValdeva: eu estou ajudando minha nova namorada a estudar para a prova de físicaCaioSarazate: nova namorada?CaioSarazate: esse menino é rápido demais!PedroValdeva: a vida é assim! PedroValdeva: a fila anda rápido quando se é bonito que nem euCaioSarazate: eu me apaixonei CaioSarazate: me diz aí, quando podemos ficar?PedroValdeva: não sei se minha namorada vai gostar muito dissoCaioSarazate: ela não precisa saberPedroValdeva: então pode ser hoje mesmo! PedroValdeva: estou em casa a partir das sete, Fofinho!Então ele me passou o endereço e foi embora dizendo que precisava terminar de ajudar a namorada a estudar.As sete horas em ponto avisei a Felipe que iria sair e peguei um táxi. Era mais perto do que eu imaginava.Pedro morava em uma casa de um só andar com um muro muito colorido e a plaquinha "aqui moram dois Valdevas muito felizes" na frente.Toquei a campainha e o portão se abriu quase imediatamente.— Caio! — falou Pedro sorrindo, dessa vez ele estava sem máscara — Você já está de alta?— Sim — falei passando a cadeira para dentro da casa — Com licença.— Olá — disse MaePreocupada, uma mulher baixinha e muito parecida com o filho com um sorriso encantador — Você deve ser Caio.— Sou sim — falei apertando a mão dela.— Vou fazer pasteis para nós três.— Vou colocar minha máscara.— Por que?— Você veio da rua, é cheio de germes e outras coisinhas irritantes, minha imunidade é muito baixa.— E como você beija suas namoradas?— Minha mãe não sabe — sussurrou ele.— Saquei.— Vamos lá pra fora, aqui é muito quente.Então nós fomos para o gramado. Me arrastei para fora da cadeira para deitar no chão.— Você pode fazer isso?— Eu não sou acorrentado na cadeira. Depois eu consigo subir sozinho, tenho prática.Nos deitamos lado a lado e ficamos olhando as estrelas.— Sabe — iniciei — Uma vez eu fiz uma música sobre aquela estrela em específico — apontei para uma das infinitas estrelas no céu.— Por que ela?— Eu era muito próximo do meu avô, quando ele morreu aquela estrela estava brilhando mais forte e no outro dia voltou ao normal.— Nossa, nunca vi algo assim.— Eu também nunca tinha visto. Talvez tenha sido minha imaginação arranjando um modo de aceitar a perda do meu avô, eu não poderia dizer.— Você fez sucesso com ela?— Foi a primeira música minha que tocou no rádio. Foi incrível, quase como um tributo ao meu avô.
— Você não toca mais?Suspirei.— Não.— Por que não?— Porque seria como quebrar todo o encanto que tive e...Eu não pude continuar.— Aceitar que agora nada daquilo vai voltar?— Isso.Ficamos um tempo calados.— Sabe Caio, existem muitos artistas deficientes. — É diferente. Embora não pareça, é.— Algum dia você vai dizer o que aconteceu?Dei um sorriso.— Talvez.— Meninos! O jantar está servido!Pedro me ajudou a subir na cadeira e entramos para comer os pastéis.E eu tenho que dizer: nunca comi pastéis tão deliciosos em toda a minha vida.
Notas finais
Reviews suas lindas, venham para mim!
Fale com o autor