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18 Capitulo dezessete (Caio)


JuneSouza: preciso encontrar vocês dois

JuneSouza: eu diria que preciso de um porre, mas sou menor de idade

JuneSouza: então eu aceito um porre de chocolate

CaioSarazate: eu estou sempre pronto para porres de chocolate

PedroValdeva: eu sei um lugar onde podemos comer chocolate de graça

Pedro passou o endereço e anotei em um pedaço de papel com pressa.

– Felipe! — gritei.

– Que é?

– Vamos comer chocolate.

– Nah

– É de graça!

Ouvi ele vindo para a sala, onde eu estava. Vestia pijamas e tinha o cabelo úmido.

– Eu fiz uma prova muito cansativa Caio, quero dormir.

Ele tinha razão. O vestibular era incrivelmente cansativo.

– Me ajuda pelo menos a entrar no taxi?

Ele suspirou.

– Certo, espera que vou me trocar.

Ele entrou e voltou com jeans e uma camiseta branca.

– Obrigada Felipe.

– Não há de quê.

Quando chegamos na entrada do prédio já tinha um táxi nos esperando. Felipe me ajudou a entrar e sentou-se ao meu lado.

– Você vai? — perguntei surpreso.

– Eu já coloquei uma roupa e já desci. Além do mais, é chocolate depois de um dia cansativo.

Sorri.

– Obrigada — falei passando o braço pelo ombro dele.

Dei o endereço para o taxista e ele se pôs a caminho. O carro estava extremamente silencioso, o que era muito estranho levando-se em conta que estávamos em um táxi (alguém já viu um taxista que fique calado enquanto dá uma corrida?) e meu irmão estava comigo (alguém já viu meu irmão e eu calados ao mesmo tempo?). Virei-me para Felipe e descobri que estava dormindo.

Eu ia pedir para o taxista voltar, mas tínhamos chegado e Pedro estava olhando para o taxi e me reconheceu.

– Você chegou! Demorou ein? Tudo bem, a June ainda não... tudo bem com ele?

– Está só cansado. Vai na frente, eu vou acordar ele.

Pedro assentiu e entrou na loja.

Sacudi um pouco Felipe até ele abrir os olhos, esfregando-os.

– Você quer voltar pra casa? Eu não vou me importar.

– Não, a gente já chegou e eu sei que você quer se divertir com seus amigos. Vamos.

Ele me ajudou a sair do carro e entramos na loja.

– Olá Felipe! — cumprimentou Pedro quando sentamos — Você já é um membro oficial da nossa panelinha?

Meu irmão riu e se encostou na parede.

– Vai ser um prazer entrar na panelinha.

– A June ainda não chegou? — perguntei.

– Não, mandei uma mensagem e ela disse que mora um pouco distante, mas está chegando.

– E aí, já sabem o que vão querer? — indagou um homem ao nosso lado. Ele tinha a pele um pouco mais escura que a de Pedro e olhos verdes, vestia um uniforme da loja com um crachá escrito "Valdeva".

– Sabe, depois de passar vinte e quatro anos da minha vida sem nunca encontrar uma única pessoa chamada Valdeva, acho que agora elas estão me perseguindo.

O homem riu.

– Sou Samuel, primo do Pedro.

– Por isso o chocolate é de graça.

– Não exagera pirralho.

Olhei para o lado, mas Felipe já tinha desmaiado de novo.

– Acho que meu irmão vai querer um chocolate quente quando acordar — declarei.

– Eu quero um sunday bem grande e cheio de chocolate — disse Pedro gesticulando.

Samuel olhou para mim, esperando minha resposta.

– O que você pediria?

– Para ser sincero, tudo.

Ri.

– Traz um pouco de tudo então.

O primo riu.

– Pode deixar.

Ele foi embora, bem no momento que June sentou.

– Desculpem a demora — ela então notou meu irmão capotado — Ele está bem?

– Cansado — respondi.

– Ele fez algo a mais que a prova?

– Felipe não fica muito bem em época de prova, ele não dorme quando está perto nem nos dias que elas acontecem, então quando elas passam, ele desmaia. O mundo pode cair e ele não vai acordar.

Ela assentiu e logo desviou a atenção.

– A prova foi cansativa, quando saí hoje pensei que meu cérebro fosse derreter.

– Por isso precisava de um porre de chocolate? — perguntou Pedro rindo.

– Isso. Um porre de chocolate. E faltar a aula amanhã para dormir.

Eu ri.

– Mas você vai perder Felipe dormindo na carteira! É muito engraçado. Uma vez, quando ambos estávamos na escola, eu no ensino médio e ele no quarto ano, a coordenadora me chamou para tirá-lo da sala por que ele tinha dormido durante a aula, ela tinha acabado e ninguém conseguia acordá-lo para fazê-lo sair da sala.

Pedro e eu rimos. June apenas deu um sorriso.

– Eu prefiro dormir na minha cama macia.

Samuel chegou com uma bandeira lotada de uma variedade de chocolates nunca vista antes pela espécie humana.

– June, esse é o primo bonito do Pedro — apresentei, arrancando risadas dos Valdeva — Aprochegue-se, vamos comer.

– Eu estou trabalhando, talvez uma outra hora.

Dei de ombros.

– Vamos pensar em você enquanto fazemos esse sacrifício de comer tudo isso.

Samuel riu.

– Pobres nobres pessoas. Eu vou lembrar de vocês quando estiver bem e vocês com diabetes.

Foi uma noite muito saborosa. Tinha chocolate de todos os gostos, com todas as texturas e de todos os tipos.

No meio da conversa, Felipe acordou (suspeito que estava sonâmbulo), aceitou o copo de chocolate quente que lhe ofereci, embora já estivesse gelado por causa do ar condicionado do lugar, bebericou um pouco, balbuciou algo sobre o seno do cateto adjacente e voltou a dormir.

No final da noite, com meu irmão mais uma vez capotado e dessa vez pra valer, Samuel me ajudou a entrar no táxi.

– Obrigado — falei quando já estava acomodado.

– Qualquer coisa pelo amigo do meu priminho feio.

Ambos rimos e ele fechou a porta.

Então, na viagem de volta, enquanto traçava um plano para sair do carro e chegar até a porta de casa arrastando Felipe, eu percebi uma coisa que iria mudar minha vida.

E tudo se iluminou como se eu tivesse acendido uma lâmpada. Toda minha vida fez sentido pela primeira vez.

Nem lembro como cheguei em casa, acho que o taxista ajudou. Eu estava tão extasiado com a descoberta que não notei qualquer coisa.

Notas finais
E então? Quem gostou? Quem shipa algum casal? Eu quero saber quem shipa June+Caio, June+Pedro, June+Felipe, Pedro+ Caio, Pedro+Felipe... São muitos possíveis casais!