Hello Twice!

3 Quando é para dar errado, vai dar errado #ésóocomeço


Notas iniciais
Já desisti de postar em um dia específico porque eu SEMPRE ESQUEÇO!!! AGORA VAI QUANDO EU LEMBRAR MESMO

Com seu copo de chá preto com limonada na mão esquerda e o celular de capa escura na direita, Chaeyoung alcançou o restaurante e se sentou na primeira cadeira livre que encontrou.

Não demorou muito para que decidisse trocar de lugar, porque um vento bastante gelado atravessou a avenida onde estava e a pessoa com quem ia se encontrar parecia que ainda ia demorar bastante para chegar. Suspirou profundamente quando jogou o celular no banco ao seu lado na nova mesa que pegou, bebendo uma boa parte do chá de uma só vez.

A verdade é que não levou muito mais tempo para que a outra pessoa chegasse, mas ela já estava impaciente o suficiente com seus motivos e já tinha esperado tempo demais para que ficasse menos irritada com o atraso.

— Desculpa, peguei um trânsito imenso no caminho ate aqui.

Ela avisou, jogando a bolsa que levava no ombro no mesmo banco onde o celular estava. Seus cabelos curtos e tingidos de preto tocavam levemente seus ombros, acariciando-os a cada movimento. Vestia-se em uma calça jeans azul clara na parte inferior e uma camiseta branca coberta por uma blusa de pelos longa e mais avermelhada na parte superior.

— Pediu algo pra mim? To morta de fome.

Chaeyoung revirou os olhos e voltou a beber um pouco do chá enquanto encarava a garota à sua frente com descrença. Quando viu que ela não perceberia o desgosto em sua cara, resolveu se explicar:

— Ta brincando né, Jihyo?! Você quem chegou atrasada, desgraça. Queria que eu adivinhasse que horas ia aparecer?

— Acordou bem hoje, pelo visto — a garota, Jihyo, respondeu. — Peço depois, então. O que te deixou tão irritada?

Chaeyoung, que estava mais apoiada na mesa do que na própria cadeira, voltou a deitar o corpo no encosto. Cruzou os braços, não sabendo se deveria ou não falar daquele assunto.

— É que... Tem umas coisas acontecendo lá na república. Só isso. Deixa pra lá, não quero explicar.

Jihyo fez uma cara de decepção para ela, mas não insistiu logo de cara. Ao invés disso, chamou uma garçonete para fazer seu pedido.

— Me faz um desse, por favor?

Ela pediu, apontando para o Vanilla Latte no cardápio. A mulher que anotou seu pedido saiu de prontidão.

Ela, por outro lado, voltava para Chaeyoung mais uma vez: — Vamos, Chaeyoung, eu não quero ter que implorar pra falar o que tá acontecendo, dá pra ver nos seus olhos que é importante pra você. É melhor se desabafar e sabe disso. Você não é tão durona assim, eu te conheço.

— Você não marcou aqui comigo pra me ouvir chorar, marcou? — Chaeyoung insistiu. — Vamos falar sobre outras coisas. Como vai o trabalho? Ou tá de folga de novo? Você parece que só tira folga toda hora. Queria um trabalho assim.

— Eu divido os dias da semana com outras pessoas agora, não tiro várias folgas, só trabalho poucos dias mesmo. É temporário. E como vai a república?

Chaeyoung revirou os olhos mais uma vez com a insistência.

Não sabia se queria tocar naquele assunto ainda. Talvez estivesse errada e conversar fosse bom para colocar os pensamentos no lugar... mas não sabia se Jihyo era a pessoa certa para isso.

Por si só, o assunto não era algo muito legal de se falar. E, apesar dela ser uma das pessoas que considerava mais próximas... conhecia-a bem demais para saber que seus julgamentos nunca eram dos melhores e mais bem pensados. Não ia entender bem e era provável que incentivasse justamente os comportamentos que Chaeyoung queria evitar.

O problema, na verdade, é que não tinha escolha. Seria com ela, ou seria com Tzuyu... mas não mencionaria a falta que Tzuyu fazia com ela mesma. Seria estranho e com certeza nada agradável.

— Vai, Chaeyoung! — Jihyo pressionou mais uma vez. — Eu tô curiosa, poxa. Quero te ajudar.

— E quem disse que pode? — Chaeyoung respondeu, com a voz mais grave de quem já estava bastante irritada, mas se dando por vencida. Ela fez um "tsc" e voltou a virar o olhar para o lado, evitando encarar a amiga. — ... Tenho uma colega de quarto nova, não tem nada que você possa fazer. A menos que queira pagar para ela sair e Tzuyu voltar, claro, senão você não pode me ajudar.

Jihyo ficou quieta um momento enquanto absorvia a informação que recebeu. A garçonete chamou seu nome durante esses instantes, mas ela demorou a levantar porque ainda encarava a amiga, que evitava seu olhar. Percebeu, pela forma que ela falava, que era um assunto bem delicado.

Depois de buscar sua bebida e voltar à mesa, ainda deu um longo gole antes de continuar:

— Qual o nome dela?

— Dahyun.

— E ela é tão ruim assim...?

— Esse não é o ponto...

— Sei que não, mas acho que seria bem pior se não tivessem se dado muito bem logo de início.

— Não, ela é... Ela não é ruim. Ela é ok. Me pegou beijando Mina na porta quando nos despedíamos e não disse nada. Pelo menos... até agora. Parece não se importar, sei lá. Eu provavelmente estaria um pouco encrencada se a dona da república ficasse sabendo disso... Pagamos multa ou algo assim, não li as regras direito.

— Ok, então... — Jihyo parou mais uma vez, movendo em círculos o canudo de seu copo. Olhava para ele ao invés dos olhos de Chaeyoung. — ... Bem, você ainda tem a opção de fazer um inferno na vida dela. Ela vai sair de lá rapidinho...

— Jihyo?! — Chaeyoung a interrompeu, falando mais alto, inconformada.

— O quê? Vocês moram no mesmo quarto! Se for sutil, não tem como te expulsarem antes dela sair. É sempre uma opção, ué.

— Eu não vou fazer isso... Eu não sou durona assim, esqueceu? Você mesma disse.

— Não mesmo... mas eu sou.

— Não, Jihyo, não — ela pediu, voltando a ficar irritada, curvando o corpo sobre a mesa. Não ia admitir algo como aquilo. Não seria capaz de fazer mal à Dahyun então não tinha motivos para deixar que outra pessoa fizesse. — Não é para se envolver. É sério.

— Tá bom, tá bom... Que estresse — Jihyo levou a mão livre à mesa, onde começou a bater, sincronizadamente, as longas unhas que crescia, pensativa. — Ok, não vou me envolver. Mas se é assim... Vai aprender a conviver?

Chaeyoung suspirou. Tinha escolha? Não podia voltar no tempo, tecnologias assim, para seu azar, ainda não existiam.

— É, acho que sim... Ela não é... ruim nem nada, como eu disse. Também não reclamou quando pedi para ficar com o lado da janela da bancada. A outra menina que veio visitar antes dela não pareceu gostar muito da ideia.

— Entendi — Jihyo disse, apenas. Apoiou a cabeça na mão e continuou: — Quero conhecer ela.

Quando ouviu essas palavras, os mesmos olhos irritados de antes voltaram ao rosto de Chaeyoung. Para ela, parecia estar falando novamente sobre se intrometer, e ela queria impedir isso a qualquer custo.

Em resposta ao olhar, no entanto, Jihyo levantou as mãos no ar, as palmas viradas para a amiga, na defensiva.

— É só curiosidade! Eu prometi que não ia me envolver, droga.

— Eu juro, Jihyo... Se fizer algo com ela, sou eu quem vai se prejudicar. Você é minha amiga e só minha, ligar o que faz na Belle Époque a mim é só questão de tempo. Não posso ser expulsa de lá. Precisa me prometer que vai se comportar.

Jihyo riu das palavras que usou para dizer aquilo.

— Claro, mamãe, vou me comportar.

Chaeyoung apenas revirou os olhos mais uma vez e voltou a beber seu suco. Não podia garantir que não faria nada, mas... era o melhor que podia ter até então. Torceria para que ela realmente não se envolvesse e que Dahyun fosse uma colega de quarto minimamente decente. Era tudo o que lhe restava.

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Na noite daquele mesmo dia, Mina chegou em casa após seu cansativo dia de trabalho. Os passos pesados que dava fizeram bastante barulho no pequeno corredor entre a porta de saída e a sala.

Chaeyoung e Sana estavam sentadas no sofá jogando um jogo de cartas quando isso aconteceu, e Chaeyoung, que reconheceu o som dos saltos, não hesitou nem um pouco em deixar sua mão sobre o assento para ir encontrar a namorada que chegava do trabalho, cansada. Sana, que não era besta, aproveitou para olhá-las e saber mais facilmente qual deveria ser sua próxima jogada.

— Por que tem que trabalhar aos sábados mesmo? — Chaeyoung perguntou, assim que alcançou Mina.

Antes de responder, ela recebeu o selinho de Chaeyoung. Sorriu em seguida.

— Porque não quero perder meu emprego... porque se perder meu emprego fico sem o quarto, e sem o quarto não moro mais na república... até porque todos as outras vagas estão ocupadas agora, né?

— Você sabe que eu sairia pra você continuar morando aqui se precisasse — Chaeyoung disse, esticando a mão para que a outra, que guardava seus sapatos no pequeno armário do corredor, pegasse. — Vem, vou fazer algo para você comer.

Nesse meio tempo, Jeongyeon alcançou a sala e flagrou Sana trapaceando uma segunda vez. Tinha se esquecido quais eram as cartas da mão de sua adversária e precisou conferir novamente. Ela balançou a cabeça para a trapaceira, mas não a delatou. Não era importante, nem pretendia demorar muito tempo ali, e sabia que Chaeyoung já devia suspeitar. Ela passou diretamente para a cozinha porque tinha de preparar seu chá da noite. Tinha adquirido o hábito de tomar chá de camomila para dormir por conta do sono ruim, e, apesar de ainda duvidar um pouco dos resultados, ainda insistia na estratégia. Suas olheiras pareciam se tornar cada dia piores mesmo com todas as técnicas que usava.

Enquanto isso, Mina foi sendo puxada com gentileza por Chaeyoung, que a levou até a primeira cadeira da mesa. Ela seguiu para o fogão para ligar a máquina de café que ficava logo ao lado e se encostou no balcão para poder conversar com Mina.

— Acho que você devia procurar outro emprego. Não ganha tão bem quanto deveria pro tanto que trabalha.

— E quanto ela ganha? — Jeongyeon se intrometeu, entretida demais colocando a camomila na pequena peneira sobre sua caneca para olhar para qualquer uma das duas ou se importar se estava entrando em assunto que não devia. — Dependendo de quanto for vou me candidatar também.

— Ganha pouco — Foi a própria Chaeyoung que respondeu. — Mas conhecendo seu jeito acho que vai se adaptar bem, devia tentar mesmo.

— Meu jeito? — Jeongyeon se virou para ela, confusa. — Que jeito?

— Esquece, Jeong — Mina respondeu, enquanto Chaeyoung apenas ria. — Não posso mudar de emprego, amor... Tenho contas demais por enquanto, e marketing é bom pra experiência. Eu aguento mais alguns meses.

Sana, que apenas mexia no celular ouvindo a conversa de longe, se cansou de esperar, largou também suas cartas e foi para a mesa da cozinha conversar. Chaeyoung a encarou com as sobrancelhas franzida logo que saiu do sofá.

— Sei que roubou, viu? Nós vamos recomeçar.

Sana a respondeu torcendo a boca:

— Não vamos porque não roubei. Além do que, já peguei você fazendo isso também. Vou ganhar as moedas que apostamos você querendo ou não.

Apesar do discurso, Chaeyoung nem chegou a prestar atenção na resposta. Seu celular, que nunca fazia barulho porque ela odiava, vibrou em cima do sofá e tomou sua atenção. Ela foi atrás dele sem demora e, enquanto ia, algo bastante inusitado aconteceu: o celular de Mina também tocou de dentro de sua bolsa, que ainda estava ao redor de seu pescoço. A diferença foi de dois segundos. Pelo som, ela reconheceu que também seria uma mensagem.

Chaeyoung, no fim, leu o texto bem antes de Mina, que nem se importou tanto assim com a notificação. Não devia ser nada importante, afinal, e ela não respondia a nenhuma mensagem de seu chefe fora do horário de trabalho porque não era obrigada a isso.

O problema foi que... o olhar assustado de Chaeyoung foi capaz de deixá-la bem paranóica. Por que teriam tocado quase ao mesmo tempo daquela forma? Era de se suspeitar, realmente. Todas ficaram no mais completo silêncio enquanto Chaeyoung e Mina se encaravam.

— Gente... O que aconteceu? — Jeongyeon perguntou, confusa e assustada.

— Chaeyoung?! — Sana também se pronunciou, pedindo por uma explicação. Por que não falava nada?

Mina, por outro lado, virou o olhar da namorada para a bolsa. Abriu-a e pegou o celular sem demora... E leu a tal mensagem. O olhar com que encarou Chaeyoung foi exatamente o mesmo que tinha recebido instantes antes. Ela levou a mão à boca aberta, todas as outras imensamente confusas ao seu redor.

Os olhos de Mina seguiram de Chaeyoung para o celular, e do celular para as outras meninas, e então para Chaeyoung mais uma vez antes de finalmente falar:

— Ela quer nos expulsar?

Notas finais
Se gostou e quiser deixar um comentário, eu fico muito feliz, fique à vontade :)