Hello? Hell...o?
1 One-Shot
Notas iniciais
Estava em uma lan house jogando. Sim, eu sei. Jogar em uma lan house é muito ruim, mas como não tinha nada de melhor há fazer após a aula e no caminho à casa ela sempre estava ali, decidi dar uma passada e descansar um pouco.
Comecei a procurar por um jogo qualquer, sabe, só para passar o tempo. Porém, quem diria que uma coisa tão simples como esta, iria resultar em algo horrível.
Sempre me senti atraído pelo sobrenatural e envolvia-me muito com essas coisas, lembro-me que estava começando a cansar-me de buscar algo para me entreter e acabei clicando em um site qualquer, lá abriu-se uma aba e revelou um jogo de labirinto. Aparentava ser bem feito e ótimo para passar o tempo, então eu, muito retardado, cliquei em Download.
Demorou cerca de cinco a seis segundos, não cheguei a estranhar. Iniciei o jogo e montei o meu personagem, o qual nomeei: EssEs.
O objetivo era sair do labirinto enquanto era perseguido por alguma coisa, uma espécie de pega-pega, não havia descrição sobre essa criatura e não sabia dizer o que era, pois sempre que apontava a lanterna em sua direção, ela começava a distorcer-se e a visão começava a ficar turva, ouvia-se uma risada um tanto tenebrosa, e sendo assim, GAME OVER, AGORA ESTÁ COM VOCÊ. O jogo em si tinha um ar muito tenso e amedrontador.
Enquanto jogava, uma janela no canto superior direito surgiu e nela dizia: JOGADOR 2 acabou de entrar. Achei bacana ter um chat naquele jogo e então comecei a conversar.
(18:56) EssEs: Eae
Esperei alguns segundos, mas não houve resposta.
(18:56) EssEs: Do u speak english?
Novamente sem resposta.
Voltei a jogar normalmente, sabendo que agora, havia alguém no servidor.
Depois de várias tentativas falhas de zerar este jogo, vi que com o passar do tempo, o cenário aparentava mais familiar, como uma cidade que conhecia, porém nada de conseguir achar a saída. Notei que no canto superior direito, destacava-se o chat novamente e com ele uma mensagem.
(21:27) JOGADOR 2: Behind you.
Foi o que estava escrito, que no caso seria: “Atrás de você. ”
Virei-me para trás apontando a lanterna, mas não tinha nada ali, nem mesmo a criatura do jogo, era apenas uma parede. No entanto, algo se aproximou de minha cadeira e senti seus dedos tocarem brutamente o meu ombro, levando-me a saltar e retirar os fones rapidamente.
— Calma, Felipe! – era o homem que ficava no caixa da lan house, um velho conhecido meu – Você devia parar de jogar esses jogos de susto.
— Mals, Coronel. – desculpei-me – Nem vi você chegar.
— Bem, só vim aqui te dizer que estamos na hora de fechar e você é o único aqui – Coronel voltou ao seu posto no caixa.
Olhei em volta e realmente percebi que estava sozinho, todos o qual estavam ali quando entrei, tinham saído. E quando me tornei a olhar para a tela do computador novamente, não vi mais a criatura e nem mesmo o JOGADOR 2, o jogo havia fechado sozinho.
Peguei a minha mochila e dirigi-me ao caixa, pagando a quantia que deu o total das horas que fiquei ali.
— Até mais, Coronel – despedi-me.
— Se cuide, Felipe – ele disse.
E fui para casa normalmente, exceto pelo fato de alguns minutos de caminhada, comecei a sentir uma sensação de que estava sendo perseguido, porém sempre ao olhar para trás, não conseguia enxergar direito o que era.
Comecei a apressar o passo e a virar as ruelas, mas pelo visto, o que estava atrás de mim também fez o mesmo. Continuei fazendo isso até ficar em um beco sem saída.
— Olá...? – minha voz saiu tremula – O-olá? Quem está aí?
Algo apareceu em minha frente, aparentava ser uma mulher.
— Ora, ora... – sua voz fazia a espinha gelar – Sou eu, Felipe. Não me reconhece? Estávamos juntinhos até agora pouco... – ela então, começou a distorcer-se.
— O que é você?! – gritei, o que provocou uma risada sombria vinda dela. Não conseguia esconder, sentia muito medo.
— Boa pergunta, Felipe... – respondeu-me – Mas há alguns minutos você me chamava de criatura.
(Opcional se quiser ouvir uma música junto á leitura)
— Você... – por mais que tentasse, minha voz não saía. Era sobre isso que o JOGADOR 2 estava querendo me alertar quando mandou aquilo no chat? O que deveria fazer?
Meus olhos começaram a ficar inquietos e minha respiração junto ao batimento cardíaco, anormais. E ela, aproximava-se lentamente de meu corpo. Por mais que tentasse achar alguma solução, não conseguia, estava à beira de uma crise de pânico.
— Porém – passando seus dedos em meu pescoço, sussurrou ao pé do meu ouvido –, você também me chamava de JOGADOR 2.
Não conseguia dizer mais nada, apenas entendi o recado dela, o jogo agora era real e minha vida estava em jogo.
Comecei a correr com todas as forças que tinha, sem nunca parar para olhar atrás, pois sabia que ela estaria lá. E ela somente ria, com aquela mesma risada sombria o qual me fazia ficar sem ar de tanto pânico.
— Pronto ou não – começou a cantarolar –, aí vou eu.
Correndo aos prantos, mesmo tropeçando, fugia por minha vida. E como um déjà vu, percebi que naquele jogo, o cenário era as ruas da cidade, por isso demonstrava tanta familiaridade.
Consegui chegar a tempo em minha casa e fui direto esconder-me.
E aqui estou eu, em meu esconderijo enquanto narro esta história para quem a ache escrita neste papel, estou com medo e muito...
Eu só lhe peço, não jogue qualquer jogo que você encontre do nada, ainda mais se você é perseguido nele, tome muito cuidado, eles sempre estão de olho em você e quando conseguirem, eles iram se manifestar.
Se você está lendo isto, espero que siga este meu conselho e não vá atrás de coisas assim.
Estou aqui há tanto tempo preso que irei arriscar-me e sair do guarda-roupa, não creio que esta criatura consiga me encontrar, mas, não sei se continuarei vivo após isso, então, nunca se esqueça e siga o meu conselho.
Espero muito que ela não m
GAME OVER
O JOGO ACABOU, NÃO TEM MAIS NINGUÉM
AGORA ESTÁ COM VOCÊ
Fale com o autor