Hell-a
43 Efeitos fucking alcoólicos
Notas iniciais
Catti’s POV
Eu acordei, me espreguicei como faço quase todas as manhãs, porque eu acho gostoso e talz. Eu não sei exatamente tudo o que aconteceu ontem, principalmente depois que a gente (também não sei de todos, só me lembro de mim, do Max e do Ronnie) desceu para a piscina, mas sei que eu devo ter bebido pra caramba, literalmente tomei um porre.
Só sei que acordei apenas de lingerie, sem fazer a mínima idéia de como tinha chegado àqueles trajes e só o que encontrei no lugar vago ao meu lado foi um pedaço de papel vermelho meio entreaberto.
O bilhete era dos Greenadke e da Greene: “Nós estamos no saguão, se você acordar antes de voltarmos para aí, deixamos uma muda de roupa sobre o sofá. Tome um banho pra relaxar seu corpo e mente; vista as roupas; tome o remédio que está preso à esse bilhete e assim que você se sentir melhor, desça pra lá com a gente, aproveitaremos nossos últimos momentos em LA ):”
Assim que acabei de ler o bilhete, pensei: “Mas eu não estou sentindo dor alguma!” E fui levantando... (¬¬’) Para quê? Sentei-me na cama e imediatamente senti como se tivessem jogado uma tonelada de cocos sobre a minha cabeça. Doía tanto que tive que voltar a deitar e respirar fundo antes de decidir me levantar de verdade... Teeeeenso!
Obedeci me afundando na banheira de mármore preto, aproveitando meu último mergulho ali. Fiquei o máximo que pude debaixo d’água, procurando esquecer por alguns instantes de tudo o que estava dentro da minha cabeça latejante.
Saí do meu demorado banho, retirei toda a maquiagem que borrava meu rosto, enrolei-me num roupão e fiquei numa mesma posição até que meu corpo dissesse que eu teria forças para me mexer. Não que isso fosse muito útil, porque dali um tempo eu poderia fazer de novo, mas eu nunca mais quero beber daquele jeito!
Quando me senti um pouco mais forte, fui ver as roupas que tinham separado para mim: um shorts boyfriend de couro preto; meia-calça cinza toda desfiada; uma camiseta do Ramones branca; suspensórios pretos com fivelas em prata; meu all-star de couro preto e alguns braceletes, fora a minha bolsa de maquiagens que a Greene, me conhecendo como me conhece, deixou bem ao lado das roupas.
Mesmo algo me dizendo que eles já tinham retirado tudo dos quartos, fui olhar cada um dos cômodos uma última vez. Comecei pela cozinha onde vi talheres e louças no escorredor e me lembrei dos diversos cafés da manhã que tomamos ali antes e depois dos Greenadke aparecerem; das invenções de bebidas que os meninos tinham e de mim mesma procurando comida quase toda hora.
No quarto dos Greenadke, revivi a cena do colchão e roupas de cama todos sujos de chá e vi também uns óculos escuros que o Ronnie costumava usar quando saíamos de carro, peguei para devolvê-los a ele.
Entrei no quarto onde eu e Greene dormíamos e vi o instante em que entramos correndo naquele quarto, eufóricas por estarmos em LA, e isso automaticamente me lembrou de quando corri puxando-a para lá e os Greenadke esperavam por nossa resposta na sala e de quando eu e ela ali adormecemos com as histórias deles.
Na sala, sobre a mesinha de centro ainda se encontrava o termômetro e a revista que estavam com Max quando voltei com Ronnie da farmácia. Olhei para o sofá e vi Max olhando apaixonado para Greene enquanto ela tirava as sobrancelhas, depois vi Ronnie com a cabeça no meu colo e suas tentativas sempre frustradas de falar o português.
Um raio de sol fortíssimo penetrou sua luz na sala, mesclando o ambiente com seu vermelho alaranjado de sol da tarde, fui à sacada do flat. Debaixo do mesmo sol forte, observei o lugar que foi praticamente o começo de tudo: o Hell-A!
No mesmo segundo em que eu pude divisar a ponte e o canal desativado, senti meu estômago embrulhar e o maxilar travar fortemente. Lágrimas frias e grossas rolaram por minha face.
Catti’s POV OFF
Catti desceu até o saguão onde faziam o check-in para avisar que se quisessem limpar o quarto já poderiam fazê-lo, porque elas infelizmente já estavam de saída:
— Mas já Srta. Kirsche? A senhorita tinha me informado que ficariam um mês ou mais... E agora que...bem... a senhorita e a senhorita Collins estão namorando os senhores Radke e Green, achei que ficariam por bem mais tempo! – dizia Sr. Sullivan, um tanto desapontado.
— Pois é Sr. Sullivan... a gente queria ficar mais por aqui, mas não vai dar jeito mesmo! Se bem que nosso visto vale por dois anos e acredito que daqui poucos dias ou um mês já estejamos de volta! – disse Catti, alimentando sua esperança de voltar o mais rápido possível.
— Tomara mesmo! – suspirou Sullivan. – Confesso que gostei muito de vocês duas. Sabia que foram as primeiras pessoas que se hospedaram no 666 e não nos deram trabalho? – disse ele, rindo.
— Sério? – perguntou Catti, rindo também. — Ainda bem que o senhor não me viu bêbada ontem HEHE!
— Não vi mesmo! Mas não deve ter sido assim tão horrível... A senhorita não parece ser uma alcoólica de plantão...
— E não sou mesmo, mas ontem HAHAHA’ acho que foi a saideira! – confessou Catti, em meio a risos.
— OK! Tem certeza que voltará daqui a no máximo um mês, Srta. Kirsche? – perguntou Sullivan, cordial.
— Não tenho muita certeza não... – disse ela, pesarosa.
— Porque se tivesse, eu poderia guardar o 666 pra vocês! – disse ele, prestativo.
— Jura? – exclamou Catti.
— Mas não será preciso Sr. Sullivan! Eu e Green ficaremos por aqui e no flat que elas estavam... – disse Ronnie, vindo e abraçando Catti pela cintura.
— Vocês vão ficar por aqui?! – perguntou Catti, depois de dar um selinho em Ronnie.
— Sim, sim! – disse Ronnie, olhando decidido para sua Catti. – Eu e Max ficaremos aqui no Heavens até que vocês duas voltem!
— Mas e quando o Ricky voltar com as turnês marcadas? – perguntou Catti, preocupada.
— Nós partimos em turnê, mas esse flat ficará guardado aqui! Aliás, será que podemos morar por aqui nos próximos 2 anos, Sr. Sullivan? Pagando, é claro! – disse Ronnie, animado.
— Acredito que sim, Sr. Radke! – respondeu Sullivan ajeitando seu crachá.
Uma voz ecoou do interfone à mesa de Sullivan, ele pediu licença e se retirou para onde o haviam mandado.
— Baby, você está melhor? – perguntou Ronnie, virando Catti de frente para ele.
— Estou sim... quer dizer, se não fosse pelo remédio que vocês deixaram lá para mim, eu estaria apenas menos bêbada! – disse ela beijando Ronnie levemente. – Obrigada, baby!
— Ontem você estava terrível, hein Catti?! – disse Ronnie, rindo maliciosamente. – Você se lembra de alguma coisa depois da cachaça toda?
— Vagamente... Na verdade mesmo, eu lembro até a parte que estávamos no elevador, agora fazendo o que eu já não sei. – confessou Catti, levantando os braços.
— Nadinha depois disso?! – perguntou Ronnie, surpreso.
— Nada, nada! – disse Catti, cruzando os indicadores nos lábios, fazendo juramento.
— Senhor! – surpreendeu-se Ronnie.
— Aliás, posso saber senhor Ronald Joseph Radke, por que é mesmo que eu acordei apenas de lingerie? – perguntou Catti, tentando intimidar Ronnie.
— Então...é uma história muuuuuito longa! – disse Ronnie preguiçoso.
— Anda, pode ir contando! – disse Catti, erguendo uma sobrancelha.
— OK... quando a gente estava no elevador, estávamos todos indo pras piscinas ali, mas exceto eu e a Greene, estavam todos “hiperbêbados” que assim como você nem devem fazer ideia do que houve ontem! – dizia Ronnie, meio atrapalhado.
— Aham.. continue! – disse Catti.
— Então... a gente desceu, todo mundo pulou na água e eu e a Greene ficamos fora para ver se alguém não iria se afogar por conta da quantidade de álcool que tinham no cérebro. – continuou ele, detalhista.
— Mas estava assim tão crítica a situação, RonnieRoxxie? – perguntou Catti, interessada.
— Pra você ver... aí nós, eu e Greene, vendo que vocês estavam um pouco lúcidos pra não tentarem se afogar, e decidimos pular na água. Detalhe: todos pularam de roupas mesmo! Então, você estava agindo muito estranha dentro da piscina... – disse Ronnie, tentando não olhar pra Catti, enquanto falava a sua última frase.
— O que foi que eu aprontei hein? – disse Catti, aflita. – Estou até com medo, sabe!
— Você estava meio...AH, você estava agindo de um jeito que nunca vi em você! – dizia Ronnie, encabulado.
— Ronnie, não fique com vergonha! – Catti argumentava com Ronnie pra que ele dissesse o que ela havia feito — Não fui eu quem aprontou?! Então, eu é que vou virar um pimentão daqui a pouco!
— OK... bem, você estava agindo meio... – Ronnie começou a falar, mas foi interrompido por Greene.
— Catti, a verdade é que você estava muito safada ontem! Tanto você quanto o Max! – disse ela, intrometendo-se.
— Max mais safado?! – riu Catti. – E há como?!
— Engraçadinha! – disse Max, mostrando a língua. – Mas algo me diz que eu estava bem pior do que já sou!
— Vocês estavam terríveis ontem... Max não sabia quem era Catti quem era Greene. Catti só faltava engolir a cabeça do Ronnie e vice-versa. E os meninos do FIR e do ETF sei lá se chegaram vivos em casa. – relatava Greene os fatos do dia anterior — O pinguço do Craig juntou sua vida cachaceira com a depressão de ver vocês dois, Ronnie e Catti, todos melosos e saiu daqui achando que ele era o The REV ressurreto. Enfim, vocês estavam bem altos ontem!
— SENHOR! Acho que algo se apossou da minha mente ontem! – assustou-se Catti.
— Pois é! – exclamaram juntos Greene e Ronnie.
— E essa Catti aí, eu nunca na minha vida inteirinha tinha a visto chapar o coco deste jeito! – dedurava Greene. — O máximo que eu já vi foi ela se acabar no whisky numa festa na casa da nossa amiga Enoe!
— AH verdade! – lembrou-se Catti. – Velho, um porre assim espero que nunca mais! Acho que nem o Max beberá tanto assim da próxima vez!
— Que nada! Nos tempos de Escape, Max chapava todos os dias de Warped Tour, e o merda ainda conseguia tocar baixo, enquanto eu me acabava no vocal onde nem screamo saía direito! – comentou Ronnie, frustrado.
— Nem vem que você ficava se acabando é na maconha, entre outras drogas lá no backstage... – disse Max, contando os podres de Ronnie.
— Caham...caham... quem estava lá comigo, virando álcool e narcóticos aos mesmo tempo hein, hein, hein Green? – comentou Ronnie, peitando seu amigo.
— Esse aí mesmo, o Green! Mais conhecido como eu! – riu Max de sua piada podre.
— Mas os dois pararam com as drogas né? OS DOIS NÃO? – gritou Greene em meio às vozes dos Greenadke que já se alteavam.
— SIM! – berraram os dois, e tudo ficou num silêncio de repente.
— Hey, chega de discutir passado, porque se lembrem de que o nosso presente vai acabar a daqui a exatamente... 90 minutos... – falou Catti, autoritária e todos concordaram.
— PRESENTE! Era isso que estava na minha mente, e que eu pareço estar quase esquecendo... – comentou Ronnie, em voz alta e saiu correndo pelo saguão até o elevador, mas voltou apara buscar o Green – Max, venha comigo e meninas, por favor, esperem aí mesmo quietinhas!
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