Hell Of A Girl
9 Ex's
Notas iniciais
— Oi, meu amor.
Escutando o coração bater nos ouvidos e hipnotizado com a imagem de sua ex-noiva, Rony congelou na porta. Lilá estava com um enorme e sensual sorriso, daqueles que, em outros tempos, faria o ruivo suspirar e lhe agarrar, ignorando o mundo a sua volta.
Ainda não conseguia dizer nada e piscou de surpresa quando ela se esticou e lhe deu um rápido beijo, empurrando-o para dentro do quarto e batendo a porta com um pé. Tudo aconteceu rápido e permaneceu com os olhos abertos — quase esbugalhados -, quando a loira tinha abocanhado sua boca, em um beijo selvagem.
Estava estático, com os braços ao lado do corpo e Lilá nada de se tocar de que ele não queria.
Rony pode sentir, depois de quase três meses, depois de ficar deprimido por tanto tempo, que os beijos de Lilá não mexiam mais com ele. Não sentia mais aquele calor gostoso de quando a beijava, ou quando a tinha em seus braços. A alegria que explodia em seu peito quando a via não cruzava mais seu corpo em ondas cada vez maiores.
Simplesmente não sentia mais nada.
Arfou quando suas pernas bateram em algo duro e acordou de seu transe ao notar o caminho para o qual a loira o levava em meio ao seus pensamentos. Empurrou-a pelos ombros e não resistiu em passar a mãos na boca — como se isso de alguma forma fizesse com que o contato de antes sumisse -, e afastou-se dela, indo para o outro lado da cama.
— O que pensa que está fazendo? — indagou, raivoso.
— Beijando meu noivo, algum problema? — Lilá retrucou e se aproximou mais do ruivo. — O que deu em você? Por que está fugindo de mim?
— Noivo? — esganiçou Rony. — Enlouqueceu de vez, Lilá? Não somos mais noivos!
— Somos sim!
— Não, não somos! Nosso noivado acabou no dia em que você disse que não me suportava mais e que não passaria o resto da sua vida com alguém medíocre!
— Eu não estava muito bem naquele dia, Rony, eu menti! Você sabe que eu te amo — ela falava em um tom melosamente apaixonado. O ruivo não entendia o porque daquilo e em como ela o tinha encontrado. Mas não era um dos seus maiores problemas.
— Mas eu não — respondeu calmamente, tentando recuperar e manter a paciência. — Não mais.
— Não diga isso — Lilá tentou mais uma aproximação e Rony não teve outra alternativa a não ser lhe afastar bruscamente. Não queria realmente fazer aquilo mais queria que aquela impertinente fosse embora o quanto antes.
O enorme quarto de hotel de repente ficou sufocante com ela ali e foi com alivio que o ruivo escutou a porta se abrir e passos soarem. Se fosse algum funcionário do lugar ou qualquer pessoa estava aponto de abraçá-lo quando viu uma cabeleira castanha surgir no hall.
Hermione estava centralizada olhando para a tela de seu celular e tinha as delicadas sobrancelhas franzidas, sua boca comprimida em uma linha rígida.
— Você não vai acreditar, Rony, no que eu acebei de receber. Acredita que o imbecil do Córmaco me mandou uma mensagem pedindo perdão? — e ergueu o celular para o amigo, virando o rosto quando notou que ele tinha os olhos grudados em outro lugar. — Oh, cheguei em má hora?
— Em péssima hora! — berrou Lilá, cruzando os braços, assumindo uma expressão de raiva. — Quem é essa mulher, Ronald?
Hermione arqueou as sobrancelhas e avaliou a mulher. Os longos cabelos loiros combinavam com os olhos claros dela e seu corpo era belíssimo. O vestido verde de alças transadas apertava tanto os seios da loira que a morena por si só começou a ofegar. Era a vista de uma mulher que todo homem desejaria.
Inclinou-se um pouco para Rony, ainda de olhos nela, sua mente ligando o que lembrava que o ruivo lhe dissera da ex-noiva ao que observara.
— Essa é a vadia? — sussurrou.
— Quem você chamou de vadia? — Lilá gritou e circulou a cama. — Quem você pensa que é para entrar no quarto de um homem noivo?
— Pela última vez, Lilá, não somos mais noivos! — Rony intercedeu, entrando no meio das duas. — Entenda que eu não quero e nunca mais vou querer você!
— Ai, — Hermione soltou, ficando nas pontas dos pés e sorrindo debochada. — essa doeu.
— Olha aqui, sua vadi...
— Olha aqui você, loira azeda — a morena apontou o dedo para o rosto dela, que era segurada por Rony. — Quem está se comportado como uma é você. Rebaixando-se ao ponto de aparecer aqui depois de três meses de dá um pé na bunda no Rony...
— Eu ainda estou aqui.
— ...o fato é que você não o merece. Ele é uns dos poucos homens que conheci e que tem caráter, aceitando numa boa um fim de noivado tão em cima do dia do casamento. Outro encheria você de porrada. Então eu acho melhor colocar-se em seu lugar e usar o pingo de dignidade que te reste e ir embora de uma vez daqui.
Rony desistiu de segurar Lilá e franziu o cenho para Hermione. Assim como ela, respirava ofegante e não entendia o porque daquelas palavras. Antes que a morena fosse agredida, a puxou para trás de si e barrou os socos de Lilá.
— Vai embora Lilá e não volte mais — falou e viu naquele momento dizer o que vinha reprimindo a meses ao sentir os dedos de Hermione nos seus. — Está devidamente casada agora e espero, do fundo do meu coração, que seja feliz. Faça jus as suas palavras e as minhas quando lhe pedi em casamento e seja fiel ao seu marido, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte os separe.
A loira tinha os olhos marejado e foi com uma rebolada de cabelos — e um olhar falso e de ódio para Hermione -, caminhou para fora do quarto de cabeça erguida.
Hermione, quando notou que ela finalmente saíra, rodou no centro do quarto de braços aberto, em uma dancinha ridícula — mais extremamente fofa para Rony — e gargalhou.
— Viu a cara dela? — indagou, pulando na frente do ruivo. — Até que a morte os separe?
— Ah, fica quieta — Rony resmungou. — Foi a primeira coisa que surgiu.
— Inquestionavelmente clichê. Quem hoje, em sã consciência, pede uma pessoa em casamento com essa palavras?
— Uma pessoa na qual acreditava está apaixonado.
A esse ponto, tinham se jogado na cama, rindo sem parar pelo ocorrido. Suas férias estavam uma bagunça e aquilo, no momento, se tornou muito cômico para uma desgraça.
— Por que falou aquilo? — soltou Rony.
— Aquilo o quê?
— Aquilo... — murmurou ele vermelho e a morena riu.
— Não sei. Só... saiu.
— Saiu? — repetiu o ruivo. — Como assim?
— Fiquei com raiva — explicou, erguendo-se em um cotovelo e olhando para as orbes azuis do homem. — Meu trabalho envolve muitas vezes divórcios bem complicados e quando digo complicados, são bem complicados. Do tipo de homens colocarem tópicos exigindo que suas ex-futuras-esposas não voltem a ter qualquer tipo de envolvimento amoroso. Com a desculpa de não traumatizarem os filhos, sabe. Ou de não tornar aquilo publico.
— E isso é possível?
— É claro que é — ela respondeu e voltou a se deitar. O simples ato de ajeitar os cabelos para o outro lado fez Rony se embriagar com o cheiro dela. Encarou-a olhar o teto e se moveu ficando de lado. Hermione fez o mesmo após um tempo e sorriu para ele. Foi impossível não sorrir de volta.
O espaço em que o braço do ruivo tinha estendido era convidativo demais e a morena se aproximou, afastando uma mecha de cabelo para trás da orelha e aconchegando-se no peito dele. O lugar onde estavam era quentinho e foi sem perceber que fecharam devagar os olhos, sonolentos.
***
Acordou assutado, em um sonho onde misturava uma viajem, duas garotas doidas e uma guerra, onde Lilá surgia no final com uma bandeira com o simbolo nazista fincada no peito de Hermione.
Balançou a cabeça e notou que estava sozinho na cama. Lembrou subitamente de seu compromisso e olhou para o relógio. Nele, havia um bilhete equilibrado ao lado.
"Te espero as oito no bar do hotel"
Eram sete e meia. Correu para o closet e procurou uma roupa. Optou por uma camisa social branca — rindo quando lembrou de quando Hermione dobrou as mangas da que usava na primeira noite em que saíram — e vestiu uma calça jeans. Desembaraçou os cabelos ruivos com as mãos.
Batucava os dedos na perna enquanto esperava o elevador chegar ao saguão do hotel e assentiu quando um casal entrou.
A movimentação no bar estava grande e o som do jazz baixo distraía as pessoas que falavam alto. Rony procurou Hermione e não conseguia vê-la.
A bebida que pedira era deliciosa e saboreava seu Mojito de morango calmamente.
Vestia um delicado vestido rosa claro com a saia decorada de pequenas rosas de mesma cor. O cabelo estava preso e podia ver sua imagem refletida no espelho no teto se ergue-se a cabeça e gostava do que via. Pensava no que tinha acontecido no quarto de Rony — a briga, seu tagarelar desmedido sobre o ruivo... sobre terem cochilado abraçados.
Corava só de lembar. Ter acordado com os braços dele em volta de sua cintura e seu rosto enterrado na cura do pescoço dele fazia seu coração palpitar e pedir por mais, mais e mais. Era loucura, afinal, se conhecia a poucas semanas! Não poderia está...
— Oi, gatinha — alguém tocou suas costas, assustando-a. Olhou para o lado e se segurou no balcão quando um homem a segurou pela cintura, quase a levando ao chão. Pelo cheiro que saia dele, com certeza estava bebendo a horas.
O ignorou, tirando a mão dele de seu corpo.
— Fazendo de difícil — ele retornou a murmurar, embolando as palavras em meio a soluços. — É assim que eu gosto.
— Por favor, não me incomode — Hermione retrucou. — Estou acompanhada.
— Não sou ciumento, docinho — a voz era repugnante perto do seu ouvido. A morena sentiu nojo e arregalou os olhos para o sujeito quando sentiu uma mão lhe apertar a coxa por cima do vestido. O medo surgiu e buscou em algum lugar de sua garganta voz o suficiente para gritar... até a mão ser tirada com força.
— Ela já disse que está acompanhada — era Rony.
Sorriu ao vê-lo e desceu do banco, agarrando o braço dele em total alívio.
— Ei, cheguei primeiro, parceiro — o homem continuava a falar e a morena ficou a alerta.
— Cai fora e a deixe em paz — Rony rosnou e o olhar que lançou ao tal sujeito o fez cambalear e sair dali. Hermione suspirou.
— Você está bem?
O tom dele era preocupado e o sentimento que sentira antes se fez presente de novo.
— Sim.
Ele acariciou o rosto dela com a mão e depois retornaram ao balcão. Não falaram muito sobre o assunto "Lilá", mas riram bastante.
A companhia que faziam um para o outro era confortante e sem uma pressão implícita para que acontecesse outro tipo de relação — mesmo já tendo avançado o sinal algumas vezes -, que acontecia entre uma amizade homem-mulher.
O celular da morena apitou de novo e como ele estava ao lado dela, foi impossível não escutar o barulho se repetir mais duas vezes.
— Algum problema? — Rony perguntou. Estavam perto o bastante para sentir o perfume amadeirado dele e balançou a cabeça assentindo. Desbloqueou a tela e leu a primeira das três mensagens de Córmaco.
"Eram 1:30 da manhã, e eu só conseguia pensar em duas coisas: você e nós"
— Brega — o ruivo murmurou e deu mais um gole em sua bebida.
— E clichê — concordou Hermione e se olharam, rindo logo em seguida.
— Desde quando aquele idiota está te mandando mensagens?
— Desde essa tarde. Ele me manda uma a cada hora e isso está me incomodando.
— Denuncie ele — arriscou ele. As ideias brilhantes que o ruivo tinha eram engraçadas no ponto de vista para a morena — até parece que ela denunciaria um herdeiro de uma empresa milionário de petróleo.
Com ele sempre dava as melhores gargalhadas e se esquecia da realidade que a cercava em dois dias: teria que voltar para Londres e, se tudo ocorresse de uma maneira diferente, seria forçada a esquecer o ruivo, cortando qualquer tipo de contato e se concentrar para não lembrar daquelas melhores semanas de sua vida. Teria que usar o restante de pedaços quebrados que Córmaco a deixou e olhar para frente.
— O que foi?
Olhou para cima e notou os olhos ansiosos de Rony.
— Vou ter que voltar para Londres — disse baixinho. — Minha assistente ligou essa manhã, a carga de processos aumentou e eu sou a principal naquele escritório. Já chega de férias.
— Londres? — repetiu, o semblante assumindo um sorriso maroto. — Não me diga que vive lá.
Hermione não entendeu a pergunta e abriu a boca de espanto logo depois. Deu um pequeno soco no braço de Rony, fazendo-o derramar um pouco de sua caipirinha. Ele continuava rindo.
— Seu desgraçado! — guinchou ela. — Por que não me disse que também é de Londres?
— Nunca perguntou.
— Não interessa! — sorriu empolgada e pulou no banco.
— Vai ter que me aguentar até lá também. Fique pronta para noites e noites de balada.
— Não sei não — retrucou a morena, coçando o queixo levada. — Prefiro noites regadas a filmes de comédia romântica e muito sorvete.
Ele bufou e seus rostos estavam perto demais.
Mas uma sombra negra atraiu a atenção da mulher e ela arregalou os olhos ao vê-lo ali. Bem ali.
Córmaco estava na entrada, olhando para ela com os olhos semicerrados e transbordando ódio. O terno preto impecavelmente alinhado caia super bem no corpo musculoso dele. O cabelo castanho claro não atraia mais Hermione, que, nos primeiro tempos de namoro, ansiava para sentir a textura.
Apertou a mão do homem que tinha ao lado e não sabia realmente o que aconteceria.
— Ora, vejam só — Córmaco estava perto deles e tinha uma mão no bolço. — Não perdeu tempo, hein, Mione?
Ela se levantou. Não sabia como ele a descobrira em Nova York.
— O que faz aqui, Córmaco?
— Vim buscá-la, meu amor, mas acho que peguei você no flagra... me traindo — e lançou um olhar sombrio ao ruivo que se posicionara ao lado da morena.
— Te traindo? Não venha tratar de traição a essa altura! Terminamos a dois meses!
Hora de terminar com você
É bom quando acordo de manhã, deixo o sol entrar
Não estou pensando em você
Me sinto bem quando olho no espelho, meus céus estão azuis
— Demos um tempo! — esclareceu descaradamente Córmaco.
— Um tempo? Tempo para quê? Para que pudesse transar com qualquer uma enquanto eu não estava no caminho?
— Hermione — um sussurro lhe despertou. Ofegava e os olhos de Rony circularam o local cheio de pessoas, que, a essa hora, estavam de olho nos três. Se recompor, limpando a gargante e peando na mão dele.
— Qualquer assunto nosso está acabado, Córmaco.
A porta para a saia do hotel parecia bem mais longe e não conseguiu arrastar Rony por muito tempo, até ser puxada pelo braço.
— Ninguém termina com Cómaco McLaggen — falou ameaçador. — E não vai ser uma advogada de quinta que fará isso.
Dormi a noite pela primeira vez
Em meses, eu finalmente estou onde quero estar
E todos os meus sonhos estão se realizando
Advogada de quinta?
— Olha, com todo respeito, cara — Rony se meteu, deixando a voz calma. — Está bem claro que Hermione não quer falar com você. Seria bem melhor para você que fosse embora.
— Uma ameaça?
— Veja isso como quiser — ele respondeu. — Mas quando um cara transa com outra no próprio apartamento da namorada é descaramento fora do limite.
Córmaco inflou as bochechas de raiva e olhou para Hermione.
— O que pensa que é para sair contando nossa vida íntima para qualquer um?
— Nossa vida? — a morena repetiu, largando a mão que a estava mantendo calma. — Não faço mais parte da sua vida e merda!
Retornou a andar para fora, quando foi parada outra vez.
— Talvez eu tenha errado um pouco, ok, confesso isso. Mas sou homem e tenho minhas necessidade naturais.
— Então eu espero que mantenha suas necessidades naturais bem longe de mim, Córmaco! — Hermione parou, já cansada daquilo. Sentiu os olhos arderem e não queria chorar. — Você estragou tudo e para o quê? Por um inferno de garota!
Então, qual é a sensação de saber que você estragou tudo?
Você estragou tudo, você estragou tudo
Aposto que você se sente tão estúpido que jogou com meu coração
A discussão caminhava para um lado suspeito. Rony se sentiu um intruso ali.
— É um bom adjetivo para ela. Aquela filha da mãe.
Olhou espantada para o ex-namorado.
— Ela te traiu, não foi?
Olhar de idiota que ele a lançou respondeu sua pergunta. Riu sem humor. Tudo que começa errado não tem como durar e a prova estava bem ali na sua frente: a cara de cachorro molhado de Córmaco era deprimente.
— Por favor, Córmaco, eu te peço, vai embora. Não quero mais te ver, não me importa mais nada relacionado a você. Eu me enganei ao pensar que te amava e espero que entenda isso de uma vez.
Não me importo em te ver, não me importo onde você está
Eu sei que você não pensou que volta, oh
Karma, karma, karma, ela é um inferno de garota, oh, oh
Você estragou tudo, você estragou tudo, você estragou tudo
(...)
Ele não disse mais nada e partiu sem olhar para trás. O impacto do que acontecera fez o corpo de Hermione ficar fraco a medida que a adrenalina que a briga lhe proporcionara se esvaia. Não conseguia ver Rony por perto e ficou com desnorteada quando suas pernas ficaram moles e sem movimento. Antes que fosse ao chão, sentiu-se ser segurada pela cintura.
Abriu os os olhos para um lugar não totalmente diferente. O quarto estava escuro e a pouca luz do abajur não iluminava quase nada.
Sentou na cama e notou que não lembrava de ter tirado o vestido... ou de alguém tê-lo tirado. Suas bochechas ficaram rubras quando, ao levar a gola da camisa que usava ao nariz, sentiu o perfume de Rony. O que tinha acontecido?
Afastou o edredom e ficou um momento tonta. O relógio da mesinha de cabeceira marcava duas da madrugada e um odor surgiu no quarto. Era horrível e Hermione notou de onde vinha: da sacada. Caminhou devagar e viu Rony colocar um cigarro na boca, sugar com força e soprar uma fumaça esbranquiçada pela boca e nariz.
— Isso faz mal para a saúde — murmurou e o ruivo inclinou a cabeça para trás, vendo uma Hermione de cabeça para baixo com uma blusa sua que ia pelo meio das coxas. Voltou a colocar o cigarro na boca.
— Como é teimoso! — Hermione falou e arrancou o cigarro da mão dele. Amassou a ponta no parapeito e jogou fora. Não disseram nada e o vento da noite era frio.
— Eu desmaiei, não foi?
Rony assentiu e se afundou na poltrona. Aquela reação já estava começando a irritar a morena.
— Vai continuar sem falar comigo? — outra vez silêncio. Ela bufou. Aquela altura já tinha consciência do que sentia e ignorou o fato de está apenas com uma blusa, sentando ao lado dele e puxando o seu braço por cima dos ombros. A ventania que arrepiou seu corpo não foi mais sentida com os braços quentes dele em sua volta e não pode deixar de suspirar satisfeita.
— Você é doida.
A declaração de Rony a fez sorrir vitoriosa. Ergueu o rosto e viu que ele a fitava.
— Ele fala! — sussurrou em um tom de comemoração.
Era um momento tão maluco. Uma mulher chifruda e um homem que tomou um pé na bunda estavam mesmo se gostando? Daria certo ou estavam só comparando suas desgraças? O certo, e disso eles não podiam mais negar, era que algo crescia dentro de seus peitos, algo quente e bom, de sensação indescritível e que diziam sentir por seus antigos companheiro.
Seus olhares ainda estavam sustentados quando o ruivo tomou iniciativa e se inclinou, roçando os lábios nos de Hermione. Os dela estavam ansiosos e fez uma careta quando ele desviou sua boca para a bochecha.
— Namora comigo?
A pergunta não foi, assim, tão inesperada. Pelo menos não para a morena que, se ele não a fizesse, ela faria.
— Sim — respondeu e não se conteve: atracou a boca dele em um beijo urgente. O enlaçou pela nuca e deixou-se ser puxada para o colo de Rony. Beijar ele era sempre uma experiência nova e nunca poderia compará-los ao de Córmaco. Os do castanho era mais com força do quecarinho e o frio em sua barriga tinha sumido logo depois do segundo ou terceiro toque.
E por que não?
Se prenderem aos seus passados, as decepções e mágoas não os resultaria em nada e seria um pecado não aproveitarem o agora.
E o agora daquele casal se seguiu pelo resto da noite.
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