Hell Between Us

62 capítulo 62 - Juntos


Notas iniciais
Oieee Tudo bem? Feriado acaba que sempre me atrapalha mais. Mas aqui está, espero que gostem.

Pov – Sam

─Amanhã tem reunião, estava pensando em nós dois, onde nos encaixamos. – Beth me diz com a cabeça apoiada em meu braço enquanto estávamos na cama.

Ainda não me acostumei que dividimos um quarto e a vida, na hora de dar boa noite ao Glenn e a Maggie ainda ficamos constrangidos e subimos os dois vermelhos de vergonha, é estranho que todo mundo saída o que vamos fazer, o que acabamos de fazer.

O que podíamos fazer o tempo todo se dependesse de mim.

─Ainda não sei bem também. Acha estranho eu querer correr na Abby para saber o que posso ou não fazer? – Pergunto a Beth, não tenho vergonha de dividir nada com ela.

─Claro que não, sei o quanto ela se importa conosco e me sinto assim também, sempre achando que Maggie vai saber melhor o que devo fazer, estamos aprendendo a ser adultos. Que bom que fazermos isso juntos, e que temos Maggie e Abby para ajudar.

– Às vezes acho que ela só liga para a Bela agora.

─Está com ciúme.

─Claro que estou. Eu era tudo que ela tinha, agora estou lá no fim da lista.

─Mas é o primeiro da minha! – Beth me diz, está brava e acho aquilo engraçado, aperto seu nariz apenas porque ela odeia e se irrita ainda mais. – Você é tão irritante, sabe que odeio isso, parece coisa de criança. Odeio que me trate como criança.

─Não chora bebê! – Brinco e ela acaba rindo enquanto empurra minha mão para longe. – Me ama que eu sei.

─Idiota. – Beijo Beth, depois nos arrumamos mais na cama, voltamos a nossa conversa inicial.

─Estava pensando sobre tudo isso, esse lugar, se vai mesmo dar certo. No começo, quando éramos apenas eu e a Abby, acho que eu estava mais pronto para acabar. Estava sempre achando que em algum momento ela simplesmente não iria conseguir impedir uma daquelas coisas de me devorar e tudo bem. – Beth me abraça mais, acho que pensar a assusta. – Eu tinha mais medo de deixar a Abby de novo sozinha do que de morrer, porque ela não tinha nada, mas não desistia, é forte e essa merda nunca vai acabar com ela, Abby é como uma rocha, tudo desaba a sua volta, mas ela fica de pé e continua.

─Você a admira.

─Muito, mas então depois de tudo achamos vocês, eu achei você, temos a Larissa, sua irmã, a pequena Bela, Judith, tenho tanto a perder, quero tanto que dê certo, não mais pelos motivos de antes, agora eu quero que esse lugar fique de pé.

─Sim, também quero, sabemos como é ter um lugar e como é não ter.

─Por isso eu pensei sobre mim, sobre o que posso fazer, eu sei que a Abby me treinou, que sou bom o bastante para lutar com o grupo que vai lá fora, ou faz a segurança.

─Isso me daria muito medo por você, porque por mais treinada que eu me sinta sei que não está em mim fazer isso, acho que o que quero mesmo é usar o que aprendi com meu pai e trabalhar como enfermeira, acho que isso é muito importante Sam, tenho bons conhecimentos, posso ajudar dessa maneira.

─Vai fazer muita diferença, e sim é mesmo um trabalho importante, acho que todo mundo vai concordar. Eu quero fazer outra coisa, quero construir e preparar esse lugar para o futuro, gosto de mecanismos, construção, quero ajudar o Eugene, ele não é muito talentoso para ficar vivo, mas sobre deixar esse lugar melhor sei que ele pode.

─Ele vai precisar de ajuda, principalmente de alguém mais corajoso que ele, acho que será perfeito.

─Eu era bom aluno.

─Um nerd. – Beth brinca e afirmo, era isso que eu era. – Eu também era Sam, por isso nos damos bem.

─Está certa, somos mesmo dois nerds, vamos cuidar desse lugar. E sempre podemos ajudar na segurança se der algo errado.

─Não quero parar com o treinamento, principalmente porque sei que a Abby vai ficar um tempo em casa. Não consigo imagina-la deixando a Bela, será bom ocupa-la com nosso treinamento. – Beth me diz enquanto arruma as cobertas, é hora de dormir.

─Ou ela vai acabar contando umas cabeças. – Eu brinco.

─E a Ellen seria a primeira! ─ Beth comenta sem esconder uma ponta de preocupação. ─Mulher maluca não acha?

─Acho, e a Abby mãe também está meio doida. – Amo Abby e sua força, mas seus instintos de proteção estão em alerta máximo. Eugene que o diga.

─Abby não conhece esse tipo de amor Sam, é novo para ela. Bela precisa dela, depende dela para as coisas mais básicas, chama por ela. Abby pode nos proteger, amar, mas somos adultos, temos nossas próprias escolhas, Bela não e ela não consegue lidar com o medo de fazer a escolha errada.

─Seu lugar é mesmo na enfermaria, conhece a alma humana como seu pai.

─Isso é mesmo o melhor elogio que podia me fazer. – Ela me beija emocionada.

─Eu sei, mas gostosa também não é mal. – Ela me olha chocada, abre e fecha a boca.

─Sam, me diz, como a Abby resistiu tanto? Não entendo como ela com aquelas duas espadas não cortou sua língua.

─Ameaçar é mais divertido.

─Maggie acha que se tudo der certo ela e o Glenn podem ter um bebê.

─Puxa! Isso é grande, sei lá, depois da Lori eu achei que ninguém nunca mais se arriscaria. ─Me dá medo só de pensar, já lutamos tanto por vida, porque alguém se arriscaria assim?

─Eu sei, mas eles podem, não seria impossível, de jeito nenhum.

─Seria possível é claro, mas a gente viu o que passamos nas ruas, com a Judith e depois a Bela também, um bebê, que coisa.

─Eles se amam, querem dar mais um passo.

─A gente não né? Não queremos dar passos. Queremos? – Ela me beija, ri de mim.

─Claro que não, que bobagem, nem mesmo se o mundo fosse diferente eu estaria pronta.

─O que pretendia ser?

─Estava em dúvida, talvez algo com a música, ou seguir a carreira do meu pai, mas não sei, nem importa, agora quero ajudar essas pessoas quando as coisas ficam mesmo ruins.

─E eu quero construir um lugar para as coisas nunca ficarem mesmo ruins.

─O que nos torna uma boa dupla! – Concordo e então beijo Beth, é tarde, mas adoro a ideia de que podemos ficar ali, deitados numa cama, seguros, conversando sobre a vida.

─Certo, vamos dormir, amanhã vamos nos colocar a disposição e ver o que as pessoas acham de nossas escolhas.

─Combinado. – Beijo Beth antes de nos enrolarmos e fecharmos os olhos, é realmente perfeito sermos um casal, dividirmos uma vida.

─Boa noite.

─Boa noite.

Pov – Abby

─Já acordada? – Daryl me pergunta quando o dia amanhece, estou em seu peito, as pernas enroladas nas dele, mas com os olhos abertos, definitivamente não dormi bem.

─Péssima noite. – Conto a ele, falamos baixo para não acordar Bela.

─Ellen? – Ele me conhece.

─Sim, acha que fui dura demais com ela, com o Bill? – Daryl brincava com uma mecha dos meus cabelos, e beija meus lábios de leve, é seu jeito de dizer estou aqui.

─Talvez, mas mesmo que tenha sido, ela ainda não deve se aproximar muito.

─Sobre isso estou mais certa, eu sei que não vai fazer bem a ela e além disso tenho um pouco de medo dessa fixação.

─Eu também. A mulher não parece psicologicamente bem.

─Não. Eles não seriam bons o bastante para proteger uma criança, não podemos confiar, acontece que minha cabeça... Fico recriando em minha mente a história que o Bill contou e sempre vejo Bela e meu coração parece que vai se partir.

─E isso não te deixou dormir? – Ele me pergunta.

─Também isso.

─Ela está conosco Abby, isso não vai acontecer, sabe disso, somos capazes, atentos, estamos sempre de olho em tudo. Você já disse que os mortos não são páreo para você.

─Tem razão. – Me tranquilizo um pouco, somos mesmo muito fortes. – Mas sabe que tem coisas que fazíamos sem ela que não podem ser feitas agora carregando uma criança.

─Por isso não vamos deixar nada nem ninguém tomar esse lugar. Vamos deixa-lo seguro para ela e todos os outros. Pensa em todos que temos para nos ajudar nisso? Rick, Glenn, Maggie, Michonne quer dizer, temos os melhores, não tem como esse lugar dar errado.

─E precisamos ter certeza sobre as pessoas todas que vivem aqui.

─Rick vai cuidar disso, Maggie é boa diplomata Abby, estamos tranquilos quanto a isso.

─Se não tivermos um vizinho psicopata. – Eu brinco e ele me beija mais uma vez. – Não é nada difícil alguém enlouquecer.

─Definitivamente não, mas não é só isso que está te preocupando, sempre estivemos preocupados com sobrevivência e segurança, não foi apenas isso que te tirou o sono.

Ele está mais uma vez certo. Suspiro, será que ele seria honesto?

─Acha que sou má?

Daryl se move, fica surpreso com minha pergunta, quer me olhar e acho muito bom que me olhe.

─O que?

─Eu sei que isso é muito existencial para um apocalipse, que ninguém se importa, nem eu me importava antes de Bela, você me ama. Ainda me ama não é? – Decido confirmar, ele sorri com a testa franzida numa expressão engraçada.

─Amo. Amo como amava antes de Bela.

─Bom saber. – Beijo Daryl, depois continuo. – Antes não me importava, você me ama, e o Sam também, então estava tudo bem, não ligava a mínima para os outros.

─Mas agora?

─Acho que agora quero que Bela me admire, não quero ensinar coisas ruins e nem nada que a faça sofrer, ela não pode ser como nós dois, precisa ter boas lembranças, mas não sei onde está o limite, entre ser bom e ficar vivo e seguro. Não gostei de me descobrir tão egoísta.

─Quando foi egoísta?

─Não dei a mínima para a dor do Bill, só queria todos eles longe da minha filha.

─Depois de tudo que vimos lá fora, não é de se estranhar esse comportamento.

─Acha que sou ou não? Má eu digo, preciso mesmo ter certeza sobre isso.

─Abby vamos repassar as coisas? Se lembra de tudo que viveu antes do apocalipse, tinha tudo para ser má, para não ligar a mínima, mas não fez isso, nunca faz. Protegeu o Sam, depois ajudou todo mundo na prisão, enfrentou perigos por pessoas que nem conhecia.

─Foi instinto eu acho.

─Instintos que são exclusivos de pessoas boas. – Ele me puxa para me abraçar. ─Sei que quer cuidar da Bela, construir esse lugar, ser uma boa mãe, mas está querendo tudo hoje, se questionando demais.

─Então eu sou boa?

─Sim. É boa, linda e uma mãe muito perfeita.

─Que você ama. – Ele me beija, se move ficando sobre mim.

─E desejo. – Seus olhos brilham, toco seu rosto, amo Daryl Dixon e o mundo de transformações que ama-lo me trouxe.

─Você está certo, não posso ter conquistado seu amor e ser má, amo você.

─Eu sei, me mostra isso quando me deixa te amar. Era intratável no começo, mas agora...

─Agora sua uma princesinha republicana. ─Faço um ar suave.

─Com um profundo senso estético. – Ele brinca e rimos baixinho, depois Daryl toma meus lábios, meu coração dispara. Tudo ganha vida.

─Mamãe. – Paramos no mesmo instante, Daryl sobre mim, olhamos para o berço. – Papai.

Daryl rola para o lado, me sento, ela choraminga esticando os bracinhos querendo sair do berço, tão linda.

─Vai mamãe, ela que vir conosco. – Daryl me diz num sorriso pálido. Pego Bela. Ela sai dos meus braços e se deita entre nós, se arruma fechando os olhos. – Acho que ela não queria mesmo acordar.

─Não, acho que seus planos eram somente nos empatar. – Brinco me arrumando.

─Parece que sim. – Daryl faz um carinho nos cabelos dela, depois fica me olhando.

O diabo é que ele fica lindo pela manhã, sem camisa, os cabelos bagunçados e aqueles olhos azuis me encarando do travesseiro ao meu lado.

─Que foi? – Ele me pergunta.

─As coisas estavam... Agora terão que esperar.

─E nós podemos nos acostumar a isso. Parece que as manhãs agora são dela.

─Com quantos anos ela pode ter um quarto? – Brinco e ele se move para me beijar. Bela se mexe, se arruma mais com a cabeça em seu peito.

Faço careta. Ele ri se diverte comigo. Sempre faço Daryl rir.

─Meu lugar favorito acho que é o dela também. – Ele concorda. De novo acaricia os cabelos de Bela. – Acho que só mesmo Bela pode me tirar isso e continuar respirando.

─Nossa que possessiva apenas com as coisas que não são materiais.

─Acho que já estamos em um nível que pode usar a palavra ciúme, não vou ficar brava.

─Eu adoro que sinta ciúme, agora sabe bem que antes de você não tinha nada e gosto de ter você, de ser importante a esse ponto.

Ficamos nos olhando, esperando um tempo até Bela realmente despertar, depois quando ela começa a se remexer na cama, sentar e deitar, chutar aqui e ali, decidimos sair da cama e seguir para reunião.

O grupo estava reunido no meio da calçada, todos os nosso e pelo visto todos os dele, agora era a hora que começam os discursos, as decisões e sinto falta da prisão e de como tudo era mais fácil por lá.

─Bom dia, acho que estamos todos aqui. Podemos começar. – Roxana está lá na frente, olho em volta, encontro Ellen, ela me olhava, sinto sua magoa, seu olhar fixo em mim e Bela.

Aquilo me causa arrepios, envolvo Bela em meus braços, só quero protege-la, só quero minha filha segura.

Amo dizer minha filha, sinto um braço de Daryl me envolver pelo ombro. Ele beija meus cabelos. Não somos muito de demonstrações públicas, isso não é mesmo fácil para nenhum dos dois.

Esse não é um carinho apenas, é sobre as coisas que decidimos, é sobre as escolhas que fizemos, sobre Bela em meus braços e a decisão de darmos juntos uma chance a ela. Isso é o nosso jeito de mostrar que somos uma família agora.

─Estou aqui, estamos juntos nessa, vai ficar tudo bem. – Ele diz no meu ouvido, olho para ele, Daryl encarava Ellen e sei que ele sentiu o mesmo. Perigo.

Notas finais
Então gente. O que acharam? Os dias tranquilos talvez fiquem um pouco distante, logo vamos ver Daryl e Abby em ação mais uma vez. Beijos