Hell Between Us
36 Capítulo 36 - Ternura
Notas iniciais
Pov – Abby
Quero desesperadamente controlar o choro, não gosto de ser dominada por tanta fraqueza, mas nos braços dele me sinto como alguém que pode se entregar, a crise vai aumentando a cada recordação, tudo misturado em minha mente numa infinidade de imagens de dor e medo.
Os anos vividos sob o domínio de Selena, a escuridão da solitária, o cheiro de iodo e ataduras da enfermaria, as tumbas, Mike morrendo diante dos meus olhos, Selena mais uma vez tocando meu corpo, minha espada atravessando a cabeça do pequeno corpo reanimado de um menino que uns minutos antes agonizava em medo e dor.
A cabeça de Selena girando no ar e rolando para longe do corpo que despenca em jatos de sangue, a fraqueza nas pernas, a visão nebulosa, a luta para manter a consciência, a vontade de me entregar a escuridão.
Os rostos de Daryl e Sam me mantendo presa a vida, tudo aquilo me leva para um mundo de angustia que só todas as lágrimas do mundo poderiam apagar e me deixo ficar ali, no aconchego dos braços de Daryl, onde posso ser apenas eu.
Ele me disse uma vez para confiar e esperar, que eu não estava mais sozinha e tive medo de ser apenas mais uma mentira entre tantas que vivi, mas ele chegou, eu o vi, senti sua presença, mal me mantinha acordada, mas ele me ergueu nos braços mais uma vez e me salvou, eu disse a ele, em voz alta, disse que o amava, não devia ter dito, estava atordoada e com medo e então confessei, ele ficou calado, não disse que sentia o mesmo e foi tolice achar que diria, nem sei se achava que ouviria algo parecido, não sei como vai ser agora.
O que importa é que Daryl cuidou de mim, ficou a minha volta com sua voz preocupada quando Hershel me examinava, me limpou, trocou minhas roupas sujas e se tivesse conseguido falar como queria teria dito mais uma vez que eu o amava, mas não conseguia, a mente estava embaralhada, a voz presa em algum lugar no meio de minha luta pessoal, mas o fato é que ninguém nunca me tratou com tanta ternura.
Aspiro o ar, encho meus pulmões, prendo uns segundos e solto lentamente, repito mais uma vez, tentando aplacar aquela angustia e me refazer de mais um desmoronamento, as lágrimas sessam finalmente, não quero me mover dali.
Gosto de me esconder em Daryl, de sentir seus braços em volta de mim prometendo segurança e proteção, ninguém nunca me deu nada nem parecido e quando ouvi ele pedindo a Beth para cuidar de mim sozinho meu coração transbordou.
─Melhor? – Ele me pergunta, nego com a cabeça, agora sem muita coragem de olhar para ele, minha cabeça lateja, não sei se por conta da coronhada ou pelo choro, a perna dói também, me lembro da faca da vadia cortando fundo minha perna próximo ao tornozelo, os pontos se abriram pela terceira vez, mas acho que foi apenas isso, considerando que ela está sem a cabeça agora, acho que estou em melhor estado.
─Deu tudo certo lá fora? – Sei que Sam e Beth estão bem, mas não tenho certeza sobre os outros, não reconheci as vozes a minha volta, se perdemos alguém é melhor eu saber de uma vez.
─Sim, pegamos todos, salvamos uma garota e infelizmente James morreu.
Fico calada, não sei quem é James, não conheço absolutamente ninguém que vive nesse lugar além da família de Daryl, queria sentir por ele, mas não encontro esse sentimento, me sinto vazia de tudo no momento, uma coisa estranha isso.
─Como está se sentindo?
─Não sei.
─O que dói? – Ele me afasta um pouco me forçando a olha-lo, é tão bonito, os olhos estão sempre tão preocupados comigo.
─A cabeça, a perna, só isso.
─Bateu a cabeça? – Ele pergunta quando busco o local e encontro um caroço dolorido.
─Coronhada – Aviso voltando a me encostar nele, não quero sair de seu colo nunca mais, que me chamem de covarde, pouco me importo.
─Ainda temos aqueles remédios, posso te dopar até amanhã, o que acha?
─Ainda quero continuar engolindo a vida a seco, chega disso, não quero remédio.
─Tudo bem, você decide.
─Ela apareceu aqui com Mike de refém, não tive escolha senão segui-la para as tumbas, depois ela o feriu na barriga, ele ficou sangrando, eu estava algemada, apaguei uns instantes com a coronhada, mas me refiz, então ele morreu e... Eu queria salva-lo, era só um menininho, eu tentei, não fui negligente, juro que tentei, quando ele morreu eu lutei, matei ela, como disse que seria, arranquei sua cabeça, cumpri minha promessa e esperei por você.
─Enterraram Mike.
─Ele tinha medo de mim, medo dela, era um garotinho, morreu por minha culpa.
O nó volta a dominar minha garganta, mas me sinto tão esgotada, é como se as lágrimas tivessem secado, como se meu corpo não tivesse mais forças nem mesmo para as lágrimas.
─Não pode dizer isso, não faz sentido, ela o odiava, usava o menino, já te tinha nas mãos, matou o menino porque quis, não foi sua culpa, você tentou.
─Se eu...
─A vida é cheia de “ses” Abby, se não tivéssemos trazido as pessoas de Woodbury, se tivéssemos separado o menino dela quando descobrimos a verdade, se eu tivesse te deixado ir comigo como pediu.
─Não é fácil lidar com a morte de uma criança, o rosto assustado dele fica dançando na minha mente, me assusta pensar que eu podia ter feito mais, ter ao menos feito diferente.
─Sei como é, mas esse mundo que temos agora, Abby não temos muitas escolhas, está viva, por um segundo eu achei que... Não importa, está aqui e não pode se consumir com culpas que nem acho que são suas.
─Pensou que eu estava morta? – Os olhos dele escurecem com a lembrança, me faz bem pensar que ele se importa.
─Sim.
─Eu percebi você entrando, fiquei aliviada, tive medo que achasse que eu tinha ido embora mais uma vez e não me procurasse, disse que se eu fosse embora de novo não ia atrás de mim.
─Mas fui, estava indo ao menos, mas me lembrei da pistola sobre a cama e me dei conta que não tinha saído, que estava com problemas.
Olho para ele, Daryl estava indo atrás de mim, disse que não iria, mas foi e cuidou de mim, está aqui agora, me acalmando como só ele consegue, não é amor, mas pode ser um dia, mesmo que agora seja um sentimento terno e carinhoso um dia talvez ele me ame.
─Obrigada, vou agradecer sua família quando sair daqui, eles desceram com você não é?
─Sim, descemos todos, mas acho que ninguém está preocupado com agradecimentos.
─Eu sei, mas posso agradecer mesmo assim, eles não precisavam fazer isso, não dou muito espaço para nenhum deles então...
─Não pensa mais em como as coisas eram até hoje mais cedo, vamos só recomeçar, vamos tentar seguir daqui, a prisão está segura de novo, podemos relaxar um pouco.
Suspiro, duvido que isso dure muito, espero que dure ao menos o bastante para me recuperar fisicamente, não quero mais ninguém lutando por mim, sou Abby Coleman, ferida, cansada, mas uma lutadora, e vou continuar sendo, Mike é só mais uma cicatriz, preciso me convencer disso quando a culpa começar a me consumir.
─Com fome? – Ele pergunta e nego – Frio? – Nego mais uma vez – Não vai me pedir para chamar o Sam para cuidar de você, vai?
─Não, você já fez isso, eu me lembro, me limpou e trocou – Ele sempre acha que é ele que tem que cuidar de mim, não sei bem porque, mas se ofende se qualquer outra pessoa tentar. – Mas acho que não saiu daqui não é? Eu posso esperar que coma e sei lá, ande por aí um pouco, deve estar cansado de ficar aqui.
─Estou bem, vou chamar o Hershel para ver você.
─Não precisa, não tem nada errado comigo.
─Mesmo assim, vou ao menos avisá-lo que está melhor e chamar seu garoto, eu sei que quer vê-lo.
Sorrio, ele tem razão, quero Sam um pouquinho, olhar bem para ele e ter certeza que está vivo e bem, mas não quero sair dos braços de Daryl, continuo no mesmo lugar, escuto seu coração, é bom ouvir, é estranho também, quando nos conhecemos ele me tirava do sério só por existir, agora é o único a me colocar de volta nos trilhos.
─Eu sei que fico sempre repetindo isso, mas eu não sou fraca Daryl, parece que sim, mas não sou, eu...
─Depois da coragem que teve hoje, de tudo que foi capaz de passar duvido que alguém pense isso de você.
Esfrego meus pulsos, eles coçam um pouco, a pele um pouco irritada pela pressão das algemas e por minhas tolas tentativas de me libertar, Daryl toma uma de minhas mãos, examina as marcas, me olha preocupado, não queria faze-lo se sentir assim, me liberto e toco seu rosto, ele beija minha mão, depois meus lábios, só um beijo rápido.
─Fica aqui um pouco, eu já venho, vou chamar o Sam, falar com o Hershel e te trazer algo para comer, depois vai dormir.
Sem alternativa saio do seu colo e sinto todo corpo reclamar quando me deito, não sei se finjo bem o bastante, ele faz uma careta de contrariedade que demonstra o quanto percebeu minha dor, vai querer me carregar pelas escadas por cem anos.
─Volto logo! – Fico sozinha, o silencio me oprime e assusta, quero correr para longe daquela cela, mas então Sam entra sorrindo e sorrio de volta.
─Eu acho que devíamos pegar nossas coisas e correr daqui X – Ele diz se deitando ao meu lado, ficamos os dois olhando para o teto, ele procura minha mão, segura firme e meus olhos marejam – Desde que chegamos aqui só se ferra!
─Sim, ainda bem que estamos aqui, se fosse lá fora eu já teria ido para o inferno.
─Eu cuidaria de você X, sou forte agora, salvei uma garota hoje.
─Um herói é?
─Sim, um grande herói, e eu matei Abby, essa parte não é engraçada nem emocionante, mas eu matei um cara hoje, um ser humano, não zumbis, um homem.
─Sinto muito! – Digo sem ter mais muito a dizer.
Ficamos em silencio algum tempo, Sam é agora um homem, alguém capaz de se defender, isso é grande e triste, no mundo de antes ele seria um garoto apenas, mas nesse mundo precisa ser um homem.
─Sabe que disse a ele que o ama?
─Sei, todo mundo ouviu?
─Acho que sim.
─Ele não disse nada, ficou apenas calado, eu estava confusa, não teria dito de outra maneira, mas...
─Mas agora essa sua mente doentia trabalha rápido contra você e está dizendo que ele não te ama.
─Mente doentia? – Aperto sua mão, ele ri.
─Sim, sempre pessimista, sempre achando que tudo é uma merda.
─Cala a boca Sam! – Reclamo – Ainda mando em você, para de querer me dizer como sou e como tenho que viver.
─X você está toda estrupiada, que outra chance eu vou ter? Preciso aproveitar agora e trouxe suas espadas.
─Obrigada, e a Beth, está bem?
─Sim, apenas triste, como todo mundo, o que aconteceu com você lá em baixo e o menino, bom... Foi dolorido, enterramos ele, fizemos uma cerimônia.
─Isso não serve para droga nenhuma, do que adianta uma porcaria de enterro quando o menino...
─Para Abby, chega, precisa superar essas coisas, hoje tudo isso acabou, pode ser feliz agora. Vire a página!
─Claro, principalmente agora com esse mundo tão perfeito que temos.
─Pensei sobre eu e a Beth quando estava lá fora, acha que a gente pode... você sabe. Sexo? – Ele muda de assunto me ignorando.
─Como vou saber disso Sam? Pergunta para ela.
─O Daryl perguntou?
─Não. – Não resisto a um sorriso e ele ri de mim, beija minha mão presa a dele.
─Já fica toda feliz, você dá muita bandeira, ninguém se surpreendeu quando confessou seus sentimentos na hora da morte.
─Para de rir de mim Sam, que coisa, eu devia deixar suas orelhas em paz e me concentrar na língua!
─Tenho usado muito ela, prefiro as orelhas.
─Não fosse pela Beth eu bem que poderia arrancar sua língua, mas a menina merece alguma alegria.
─Obrigado! – Ele se senta – Melhor ficar sentado, vai que seu não namorado chega e nos vê deitados juntos ai sim ter orelhas e língua não farão a menor diferença.
─Sam, me acha a mesma de antes? Quando olha para mim pensa que sou fraca?
─Você está mudando, mas não a parte física, ainda é tão forte e capaz quanto sempre, é sobre como é por dentro.
─Estou ficando meio tola.
─Não, tem o espirito forte e um coração bom que ficava escondido e agora quer aparecer e devia deixar, não precisa se isolar.
─Prefiro assim, as pessoas ainda morrem a toda hora, ainda estamos cercados por maldade e não gosto de baixar a guarda.
Sam me beija a testa, depois se ergue, sorri, parece mais aliviado.
─Vou te deixar descansar, amanhã o não namorado te leva lá para baixo, se cuida e grita qualquer coisa.
─Antes de ir deixa minhas Sai aqui do lado.
Ele obedece, depois acena e some, fico sozinha, mas não dura muito o que é bom, o rosto de Mike não sai da minha cabeça e acho que é melhor não dormir nunca mais, já sinto que vou ter pesadelos.
─Come, são ordens do Hershel, precisamos saber se vai sentir enjoo, é sobre a coisa na cabeça, e toma todo o leite depois, ele mandou, por conta do sangue que perdeu.
Seu tom é completamente autoritário, odeio obedecer ordens e sinto uma vontade louca de dizer não só para rebate-lo, me sento de cara fechada, quando olho para ele Daryl ria.
─O que? – Pergunto aceitando o prato que quase arranco da sua mão.
─Me diverte essa sua cara de mau humor quando acha que estou mandando em você.
─E não está? – Ele adora me irritar.
─Não, mas não sei ser todo delicado, e já devia saber disso.
─Ótimo, também não sei ser toda delicada! – Digo encarando o prato.
─Sabe sim – Não preciso olhar para ele para saber que está rindo – Mas assim de mau humor fica linda.
Meu coração idiota dá um pequeno pulo, ele disse mesmo isso? Não é seu estilo, a menos que estejamos enroscados na cama, olho para ele de pé com a besta nas costas como se estivesse prestes a enfrentar uma horda de zumbis, um sorriso guardado no canto da boca, um daqueles que ele reprime tanto, podia dizer agora mesmo que o amo, mas não faço isso, apenas desvio meus olhos de volta para o prato e começo o trabalho forçado de comer.
Só consigo comer metade, mas tomo o leite com o vingador dos estômagos vazios me vigiando atentamente.
─Ótimo, agora boa noite, vou levar isso e você vai dormir.
─Vá para o inferno! – Resmungo do tom dominador que ele usa mais uma vez, sei que dessa vez sua única intensão é me provocar, mas caio feito um pato, ele me dá as costas rindo e some pelo corredor, me deito mais uma vez, a cabeça lateja ainda, um inferno isso, me arrumo na cama deixando espaço para ele, examino a perna, dois curativos, pelo menos é na mesma perna.
Daryl entra de volta, tira a besta das costas e se senta na cama, me olha sério.
─Talvez eu devesse dormir na outra cama hoje, você está muito machucada.
Eu disse que o amo e ele quer dormir longe de mim, quando vou parar de seu estúpida? Meu coração se aperta, me viro para a parede, não dou boa noite, não agradeço os cuidados, só me encolho em silencio porque se abrir a boca vou chorar e não aguento mais me derreter em lagrimas, só quero ser de novo a mulher solitária e forte que enfrenta o apocalipse.
Sinto o peso de seu corpo afundar um pouco o colchão, um de seus braços passar por baixo do meu pescoço enquanto o outro me envolve me puxando para ele, nos encaixamos perfeitamente, ele beija meu ombro em silencio quando me aconchego.
Nenhum dos dois diz nada, como dois pré-humanos que não sabem expressar sentimentos com palavras. Ainda vamos, quem sabe, descobrir a roda e o fogo, e então talvez depois disso possamos dar um passo na evolução e dizer como nos sentimos, por enquanto nossos corpos falam por nós.
Adormeço, mas o sono é agitado, rostos surgem diante de mim em meio a gritos e gemidos, hora são zumbis, hora é Mike, as vezes Selena rindo, acordo num sobressalto ainda envolvida pelos braços de Daryl, não me movo, ele dorme e só trago seu braço protetor para mais perto de mim, a cela está escura e me enche de angustia.
Algumas lagrimas escorrem, aperto os olhos na tentativa de voltar a dormir, vai passar, tento me convencer, é só o primeiro momento, eu devia estar feliz, aquela mulher odiosa está morte e nunca mais vai ferir ninguém, mas a morte de Mike maculou meu momento de glória, é quase como um castigo por ter desejado e planejado a morte de Selena com todos os detalhes sórdidos.
─Um dia tudo isso vai estar no passado – Daryl me diz, é bom saber que está acordado, me viro para ele, que se dane a perna ferida, não estou perto o bastante, ele só me envolve mais.
─Falta muito para amanhecer?
─Um pouco, mas precisa dormir.
─Fica acordado comigo?
─Eu estou acordado com você – Ele me diz e sorrio.
─Mas está de olhos fechados, como vou saber? – Ele abre os olhos que parecem negros por conta da escuridão, sua mão toca meus cabelos e ele sente o caroço.
─Mas que merda, esse negócio está enorme! – Reclama mais desperto – Tem certeza que está bem?
─Sim, esquece essas coisas, só te preocupo, mas agora acabou, uns dois dias e vou estar ótima e cuidar de mim e sair em busca de suprimentos, enfrentar as dificuldades e implicar com o Rick e com os outros, vai ver.
─Ótimo! – Ele sorri, depois eu o beijo, não resisto a tocar seus lábios com os meus, como diz o Sam, é meu não namorado e não tem nada de errado em beija-lo se sinto vontade, não que vá fazer isso toda vez que sinta vontade, se não eu não faria mais nada além disso.
─Essa menina que salvaram é bonita?
─Não sei, eu estava com tanta pressa de chegar que sei lá, nem olhei direito.
─Ah! – O que isso quer dizer, que se não tivesse pressa ele olharia? – Quer dizer que amanhã vai saber dizer se é bonita ou não?
─Isso é sobre não ser possessiva só com coisas materiais? – Ele pergunta antes de me dar um leve beijo, já está se desculpando com beijos aposto que é isso.
─Você disse que não notou porque estava com pressa, amanhã não vai estar com pressa.
─Não, mas isso não muda nada, amanhã ainda vai ser minha... amanhã as coisas vão ser como hoje – Ele diz meio atrapalhado, mordo o lábio, é estranho saber que sou uma garota ciumenta, descobri muitas coisas sobre mim desde que ele chegou – Precisa saber que ela tem quinze anos.
─Ah pensei que era uma mulher, devia ter dito logo.
─Como eu ia saber que estava com ciúme? – Ele diz naquele tom severo, nunca é muito paciente, as coisas logo o tiram do sério e ele é ríspido.
─Não estou com ciúme! – Me apresso a me defender, ele logo se arrepende do tom irritado me beija, as coisas todas perdem a importância, meu corpo amolece um pouco só com o beijo, mas ele se afasta.
─Dorme, amanhã tira suas próprias conclusões sobre a garota.
Me encosto mais a ele, fecho os olhos, até que é bom ser uma garota e poder me encolher nos braços dele quando o medo me domina como agora.
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