Hell Between Us

15 Capítulo 15 - Aguente


Notas iniciais
Olá pessoas! Mais um capitulo deveria ter saído mais cedo, mas não aconteceu desculpem, aqui está, espero que gostem. Quero muito oferecer esse capitulo a minha querida JUSSARA ROGERS, uma linda amiga que está aqui desde minha primeira fic, duvido que achem um capitulo de uma fic minha que não tenha um recadinho carinhoso dela, então JÚ só posso ser muito grata pela sua amizade e desejar que continue sempre comigo, OBRIGADA pela recomendação, mais do que isso pelo carinho de sempre, adorei ! Beijos!!!!

Pov – Beth

Ela resmunga caçando com a boca em busca do leite assim que a ergo em meus braços, os olhos azuis brilham por conta das horas de sono, um pequeno milagre que nos faz lembrar que é possível, eu me aproximo, beijo sua testa aspirando seu perfume suave, ela reclama, está faminta, alheia ao mundo morto ao seu redor.

Me sento na cama com ela em meus braços, alcanço a mamadeira ao meu lado e ofereço a ela que aceita imediatamente, sugando o leite cheia de coragem.

─Isso querida, não desista nunca, está gostoso? – A fome a faz se concentrar no leite e mais nada importa, não sabe que a mãe está morta, que não temos certeza sobre nada, nem mesmo se vamos ter um amanhã, olho para minha mochila pronta encostada num canto da cela, sempre esteve pronta, sempre vai estar, nunca se sabe quando é hora de partir – Você é muito preciosa pequena, e precisa aguentar firme!

─Todos precisamos! – Sam surge na porta sorrindo daquele jeito vivo que ele tem – Posso? – Afirmo e então ele se senta ao meu lado, toca a mão de Judy que apoia a mamadeira com medo de perde-la, tão pequena e tão decidida.

─Ela é linda!

─Sim. Tudo bem? – Eu pergunto a ele que dá de ombros.

─Faz quase uma semana, acha que essa coisa de ataque ainda vai acontecer?

─Não sei Sam, apenas espero que não, mas eles têm tanta certeza que só posso esperar que sim, o tal Governador deve vir.

─É talvez ele venha, Michonne andou falando umas coisas, o Merle também, gosto do Merle, é estranho porque todo mundo meio que odeia ele, mas acho ele um cara legal, do tipo que faz o que tem ser feito para sobreviver.

─É, mas é natural que goste dele, sua melhor amiga é a Abby né? Quer dizer, ela me lembra um pouco os Dixons.

─Sim! – Sam me sorri, ele adora Abby e acho bonito que sejam tão próximos, que se adaptaram mesmo com todas as diferenças e que se tornaram uma família. – Ela constrói, ela destrói!

─Uma mulher forte! – Fico olhando para Judy, a mamadeira pela metade, a fome mais acomodada e agora ela se dá ao luxo de saborear o leite – Com uma história dramática, não tenho uma história assim, sou só a garota do interior, protegida e bem cuidada, que vem sobrevivendo à custa dos esforços dos outros.

─Se tem em muito baixa conta, além disso não concordo com isso.

─Está tudo bem Sam, não precisa dizer nada apenas para que me sinta melhor! – Eu tento sorrir, ele afasta alguns fios de cabelo do meu rosto, sorri de novo para Judy, depois me encara.

─Fico pensando que grande líder o Rick seria se tivesse que sair por ai matando zumbis e enfrentando inimigos com um bebê nos braços, teria mesmo conseguido resgatar sua irmã e o Glenn com a Judy no colo?

Eu sorrio, Sam faz meu coração se acalmar.

─Acho que não.

─Eu sou como você Beth, um cara simples, era só um garoto normal, tinha uma vida normal, não tenho traumas que me marcaram e me fizeram forte, sou apenas um menino que teve sorte, e não me envergonho disso, estou vivo é isso que importa.

─Mas tem aprendido a se defender, já luta com eles, eu as vezes tenho medo, medo de ser só alguém que se precisa carregar nas costas, um peso.

Judy termina a mamadeira, tiro de sua boca, limpo os lábios, ela fica ali, encostada em mim, pertinho do meu rosto, relaxada e feliz.

─Tem que ser uma mente superficial e tola para pensar isso de você, não quero te agradar, acredito mesmo nisso, primeiro que não está viva por acaso, segundo que não é nem de longe frágil e fraca, você equilibra as coisas, nem só de matar zumbis se vive, é preciso pessoas como você por trás, ter para onde olhar, em que se agarrar, alguém que está disposto a fazer o que é preciso, pergunte a Abby se ela aceitaria ficar aqui, deixar de treinar seus talentos só para manter um bebê vivo? Duvido que estaria no seu lugar, que qualquer um estaria, quando se dispõe a isso deixa de se defender também, coloca essa coisinha e todos os outros na sua frente, é preciso ser muito forte para isso.

─Fico feliz que ache isso, quem sabe me faz pensar mais a respeito do meu espaço no grupo, não me sinto mesmo muito decidida no momento.

─Que tal um passeio nos fundos para Judy tomar um solzinho?

─Vamos! – Deixamos as celas, vamos aos fundos onde um sol leve batia, o dia parecia ir bem, Sam se senta ao meu lado mais uma vez, Judy fica ali olhando o dia, é ainda muito bebê, mas já sinto certa curiosidade dela pela vida.

─Abby tem uma história difícil não é?

─Sim.

─Conhece os detalhes?

─Quase tudo, não gosto de ficar perguntando, principalmente aqui, sinto que ela ainda tem um bloqueio com o grupo, mas para mim ela costuma responder.

─Achei que ela e o Daryl estavam caminhando para algo, mas nos últimos dois dias não os vi trocar uma palavra.

─Também acho que eles têm uma coisa, mas ela tem muito medo de relações, Daryl teria que querer muito e lutar um pouco e acho que não está muito nos planos dele fazer isso.

─É parece que não.

─Mas está nos meus Beth, se me der uma chance.

Fico muda, não esperava, sinto meu rosto queimar, pisco meio confusa a boca aberta, encarando Sam, tenho pensado muito em nós, em ter uma chance, mas ao mesmo tempo tem uma guerra a caminho e todos tem a mente voltada para apenas isso, não achei que ele estava pensando em nós.

─Sam eu... Quer dizer que pensa em nós desse modo?

─Penso, não sou um Dixon, ou qualquer coisa assim, não posso prometer proteção, mas gosto de você, temos mais em comum que qualquer um aqui, eu sei que não é momento para isso, mas quando essa guerra acabar eu quero tentar.

Sorrio, também quero, de que adianta seguir em frente se não damos chance a felicidade? Temos tão pouco, afirmo, sem palavras, apenas aceito me dar essa chance, se vivermos, ele que parecia um tanto ansioso sorri de volta.

─Beth! – Carl surge um tanto ansioso, eu olho para ele que carregava uma arma quase do seu tamanho – Andrea está aqui, meu pai pediu que fique lá dentro com a Judy, só até termos certeza, estão todos lá a espera dela.

Me levanto na mesma hora, achei que Andrea tinha mesmo desistido de todos nós e isso estava me deixando triste.

─Quem é Andrea?

Sam me pergunta enquanto caminha ao meu lado para as celas, coloco Judith no berço agora meio tensa pensando se ela não vem apenas de algum jeito nos trair e trazer o tal Governador?

─Beth! – Sam me chama atenção – Quem é Andrea?

─Ela era do nosso grupo, quando a fazenda caiu nos separamos e achamos que estava morta, depois descobrimos pelo Merle que ela namora o tal Governador.

─E ela está aqui agora? Acha que pode trair vocês?

─Não sei, não tenho ideia.

─Fica aqui, vou saber como as coisas estão e venho te avisar.

─Obrigada Sam! – Eu seguro sua mão, ele sorri, vem até mim, me da um beijo suave, um roçar de lábios que me faz sorrir um tanto tímida.

─Não demoro!

Ele some em direção ao refeitório e fico onde estou, na porta da cela, apertando a grade tensa, ouvindo a conversa que rola no refeitório.

Andrea parece meio confusa sobre quem é o governador e o que ele quer, fala em unir os grupos e sinto a tensão que isso causa, ela acusa Merle enquanto tenta tirar do tal Governador a culpa pelo que aconteceu, Rick quer que ela ajude o grupo a entrar, deixa claro que vai matar o cara, o clima fica cada vez pior.

Andrea é alguém de quem gosto, a única que me deu a chance de escolha num momento em que precisava daquilo, ela quer negociar, evitar uma guerra, pode estar iludida e talvez isso seja apenas a cegueira natural de quem quer consertar o que não tem mais jeito, mas consigo entende-la. Ela fala sobre os planos dele, o cara está armando a cidade contra nós, treinando pessoas para nos matar, isso responde as dúvidas minhas e de Sam, a guerra vem, se não chegou ainda é apenas por estratégia, um arrepio percorre meu corpo e olho meu doce anjo batendo os bracinhos no berço, que tipo de demônios esse mundo criou, ou eles sempre existiram e eu estava mergulhada em meu mundo encantado e não vi?

Daryl ameaça arrancar o outro olho de Phillip, Glenn deixa mais uma vez sua fúria evidente, sem acordo eu me dou conta quando Rick a deixa falando sozinha e entra, ele para diante de mim, olha um instante o berço, ali só o que vejo é um pai assustado e sozinho, é muito para qualquer um carregar, tento sorrir, ele apenas me olha e desaparece.

Sam retorna apressado.

─Ouvi tudo daqui, não vai ter jeito não é?

─Parece que não, Michonne e ela estão conversando lá fora.

─Já estávamos esperando uma guerra, já sabíamos que seria desigual, nada mudou realmente! – Eu tento tranquiliza-lo e Sam concorda, Carol se aproxima.

─Oi, deixa eu ficar com ela, quero que Andrea veja a nossa Bravinha antes de partir.

Ela leva a menina, também quero falar com Andrea, nunca pude dizer como me sinto pelo que fez, talvez nunca tenha outra chance, ela entra no bloco e caminho até ela.

─Beth! – Ela para diante de mim, não tivemos muitas chances de conversar depois do que houve na fazenda, de todas as acusações que sofreu por minha causa, então ela fica confusa diante de mim, me olha num meio sorriso, eu a abraço e sinto que relaxa, nos afastamos com os olhos marejados – Que bom ver você! – Ela me faz um carinho no rosto, segura minha mão firme, admiro essa mulher, não importa o que digam.

─É bom ver você também, estou muito feliz que está viva, quis me desculpar com você muitas vezes, não tive chance, depois do que aconteceu... Você sabe, até a fazenda cair eu ficava meio que cercada de olhos preocupados, não tive como fazer isso, me desculpe.

─Bobagem! – Ela aperta mais minha mão.

─Não, jogaram em você o peso de uma decisão que foi minha, não teve nada a ver com o que fiz, pelo contrário, sem você eu talvez estivesse ainda hoje choramingando feito um bebê, contando minhas perdas.

─O que importa é que superou, não pensa mais naquilo não é?

─Não, mas se não tivesse feito e me arrependido eu pensaria, me deu a chance de escolher, todo mundo tem que ter esse direito, me respeitou mais do que qualquer um, obrigada!

─Não tem muito daquela menininha mais em você.

─Eu aprendi a aguentar, aprendi a aguentar firme!

Ela me abraça mais uma vez, quando nos afastamos sorria satisfeita, me olha com toda aquela força que vem dela, Andrea não nasceu para esse mundo, mas aprendeu a viver nele, me faz pensar que um dia eu também posso.

─Se cuida, não deixa esses machões mandarem em você! – Então ela se afasta em direção a Carol e Judy, aproveito para sair em busca do resto do grupo, o clima parece bem tenso, as coisas agora estão definitivamente claras, vamos nos despedir de Andrea e nos preparar para uma guerra.

Pov – Abby

Andrea parece ser o tipo que luta, mas está claramente do lado errado, não entendo esse tipo de mulher, ela podia ser livre, dona do próprio destino, mas fica sob o cabresto de um homem apenas porque não pode viver sem um, como se faltasse um membro.

Esse tipo de mulher me irrita, deixou Michonne, uma amiga e preferiu a cegueira de uma cama quente, isso para mim é inaceitável, não acredito nesse tipo de sentimento que não pode ser refreado, contido, suspiro parada ao lado de fora como todo mundo quando assisto os velhos amigos se despedindo dela, será que todos eles sabem que é a última vez?

Um dos lados vai cair, de um jeito ou de outro, depois da guerra acabou. Rick entrega a ela um carro e uma arma, só isso me bastaria para saber que lado eu estaria, ela veio a pé, trazendo um zumbi na coleira para chegar viva, volta com carro e arma, qualquer pessoa com a mente limpa saberia a diferença entre uma pessoa e outra.

Mas Andrea não sabe, está cega, se fosse amor, eu entenderia, acredito no ódio, então só me resta acreditar em seu oposto, mas não é amor, é apenas a necessidade de afeto, a maioria aqui não sabe viver sem isso, não são como eu, não aprenderam antes como é não ter nada, só podem mesmo cair na tolice de uma busca frenética por algo que não pode te salvar, apenas te leva para a morte.

─O que acha X?

─Sam, acho o que achava antes, vamos cortar umas cabeças! – Ele ri assistindo Merle fechar o portão depois da partida de Andrea, ninguém pode acusa-la de não ter tentado.

─A gente pode conversar um pouco X?

─A gente pode se lembrar que me chamo Abby e que quer muito usar essa língua na boca de Beth Grenne?

Ele ri enquanto caminha ao meu lado em direção a minha cela, passo por Daryl e desvio meu olhar, isso é um movimento tão claro que Sam me olha com a sobrancelha erguida, sim, tenho evitado Daryl de todas as formas, o que ele faz comigo não tem explicação, estar perto é estar entregue e não quero isso, minha cota de dor foi totalmente preenchida para duas vidas, além disso tem muitas outras coisas que se quer me dei chance de pensar, preciso ficar longe e isso é tudo.

─Beijei a Beth! – Ele diz me encarando, me fez caminhar até aqui para me fazer uma confissão típica de um garoto, achei mesmo que pretendia me informar sobre a cura da infecção.

─Então já andou usando a língua?

─Não esse tipo de beijo, um selinho!

─E me fez vir aqui por isso? Até o pai dela deve ser mais ousado que isso.

─Não foi por isso que te chamei e sobre ela, vou esperar a gente resolver essa coisa de guerra.

─Se um dos dois morrerem, se nos perdermos por alguma razão? Nunca vai saber. Porque não faz logo o que quer antes que seja tarde?

─Vê? – Ele ri com gosto, fico olhando para ele sem entender qual a graça – Foi exatamente por isso que te chamei e contei isso, sabia muito bem qual seria sua resposta, ouviu bem o que disse? A pergunta é porque foge tanto do Daryl se quer ficar com ele?

─Porque minha vida sentimental te interessa tanto? – Pergunto entre irritada e angustiada.

─Tem sentimentos por ele é? – Sam ri muito contente com seu feito, me tira do sério.

─Eu estava poupando sua língua por conta da Beth, mas se só pretende usa-la para dizer bobagens, então a Beth que se contente com selinho! – Dou as costas a ele em direção as escadas.

─Pense nisso X! Você devia se dar uma chance, se não nunca vai saber, é bom ter uma mão para segurar, alguém que te ajude a aguentar!

Ele grita do corredor quando eu terminava de descer as escadas e deixava o prédio, o pátio está ainda claro, o sol que mais cedo estava infernal agora está mais leve e posso apenas ficar ali, olhando a metódica caminhada dos mortos, os maltrapilhos e mórbidos devoradores de carne humana, a morte em pequenos e constantes passos.

Fico ali até a noite cair, depois me junto ao grupo, passo por Merle que parece tão distante quanto eu, trocamos um olhar que eu chamaria de respeitoso agora, nada lascivo como ele parecia me dirigir antes, nem raivoso, como deveria ser depois de como ele agiu comigo, não foi como se tivesse mentido.

Estão todos reunidos, me aproximo sem me sentir ainda parte daquilo, diferente de Sam, que está sentado no chão entre Beth e Carol, Rick se junta a nós trazendo a filha nos braços, melhor assim, é dele, é onde deve estar, em seus braços.

Beth e Sam trocam um longo olhar romântico, sorrio de onde estou, amor adolescente, deve ser bom, nunca tive.

Quando menos espero a voz suave de Beth ecoa pelas paredes firmes da prisão, reverberam pelo ambiente, Tom Waits, a canção fala sobre aguentar, sobre alguém como eu, alguém que manda tudo para o inferno, alguém que precisa de uma mão para segurar enquanto enfrenta a vida.

Meus olhos vão mais uma vez ao encontro dos dele que me engolem, agora que sei como é seu gosto é difícil estar ali diante dele e não pensar em seus braços mais uma vez me envolvendo, o que eu faria se Daryl Dixon realmente me estendesse a mão?

A música acaba, o grupo se dispersa, encaro Sam, ele armou para mim com a amiguinha Beth, a música foi muito bem pensada, decidida com cuidado pela dupla de cupidos, ele dá de ombros.

Quando saio para o pátio é noite de Daryl vigiar, a última vez que nos falamos ou algo assim foi há dois dias, exatamente aqui, desça vez sou eu quem vai até ele.

─Não quer que faça isso? ─ Me ofereço, não sei o que me trouxe até aqui, apenas não pude mais uma vez evitar.

─Falando comigo? – Ele diz de modo cínico olhando em volta.

─O dia hoje foi... confuso! – Ignoro seu comentário.

─Rick vai sair amanhã com Michonne e Carl, vão dar umas buscas em lugares que conhece e que talvez tenham armas, temos que juntar tudo que pudermos.

─É boa ideia, posso dar umas buscar por ai também.

─Faça como quiser, deixa sempre claro que é livre, que não faz parte do grupo, então são suas escolhas, pode mesmo partir agora que temos certeza que a guerra está a caminho.

─Está sendo injusto. – Ele parece sentir um raro prazer em me magoar, me atingir parece o fazer feliz.

─O que tem de justo nessa porcaria toda? Temos um bebê e o cara está a caminho com tudo que tem.

─Não provoquei isso.

─Vá em frente, jogue na minha cara que meu irmão é culpado de tudo e depois me dê as costas e me ignore por mais alguns dias.

─É você que fica o tempo todo culpando seu irmão, não eu, já disse o que acho dele, já deixei bem claro que eu o quero aqui, assim como já disse que vou lutar com vocês.

Daryl tem um jeito de gesticular quando está nervoso, andar de um lado para outro, feito um bicho preso em uma jaula, não me assusta, ao contrário me atrai, meu jeito é diferente, finco os pés no chão, ergo o queixo e me concentro em manter o foco, canalizar as forças é o que aprendi a fazer.

─Não pode lutar uma guerra que não é sua! – Ele diz alto, mantendo a postura de fera enjaulada – Isso vai matar você e quem estiver ao seu lado! – Me aponta firme.

─O que quer de mim? – Eu grito, não sei o que ele espera, não sei o que posso oferecer a essa gente.

─Que pare de se esconder nessa máscara de garota malvada e faça parte disso.

─Como se fosse muito diferente de mim!

Eu o acuso, ele faz o mesmo, vestiu a marcara de garoto rebelde, com seu colete de asas e sua moto envenenada, com seu andar encrenqueiro e sorriso escondido.

─Estou cem por cento com eles – Aponta o prédio – Você está sempre com um pé na saída, como podemos confiar em você?

─Não podem, não devem, eu posso mesmo simplesmente... – Me calo, queria dizer partir, mas o nome certo é fugir.

─Fugir? – Ele diz e continuo calada, olhando para ele, me perdi há muito tempo, não tem mais volta para mim, eu o olho, não sei se ele percebe que meus olhos suplicam por qualquer coisa que me tire da escuridão – Só precisa... Aguente firme!

Notas finais
Posto na terça, a guerra está agora ainda mais perto. Beijos!!!