Hell Between Us
10 Capítulo 10 - Insano
Notas iniciais
Pov – Maggie
Era só uma busca, eu e Glenn em uma saída segura, com destino certo, apenas uma ou duas horas na rua, perto de casa, fomos bem, encontramos latas de leite o bastante por alguns dias, o lugar estava praticamente limpo, nada muito dramático e até gostei do silencio.
A prisão é segura, mas aqueles gruídos dia e noite me deixam desejando umas horas de silencio, e aqui eu senti isso, o silencio que alguém que nasceu em uma fazenda na Geórgia precisa.
Depois que tudo está pronto, que já decidimos voltar para casa o tal irmão Dixon surge, já tinha ouvido uma coisa ou outra sobre o Dixon mau, mas nunca me passou pela cabeça dar de cara com ele, ser refém do irmão de Daryl, aquilo só podia ser um engano, conheço Daryl, passamos um inverno lutando juntos, ele nunca concordaria com aquilo.
Acabamos presos, perdidos, ferrados por inteiro, não sei que lugar é aquele, o que querem de nós, mas fica claro para mim que não tem nada a ver com encontrar Daryl.
Fico separada de Glenn, ouvindo enquanto Merle o tortura e ameaça, não vamos viver para contar isso, algo me diz quando fico ali, sozinha, sentindo a dor de saber que Glenn está sofrendo, lutando por nós, por mim, aquilo me dói de um modo que nada no apocalipse doeu.
Mesmo todas as perdas que vivemos, os dias de medo e fome, tudo aquilo passamos juntos, lutando pela vida, com inimigos mortos, apenas o apocalipse, mas aquilo é diferente, aquilo é sobre inimigos vivos, sobre gente ruim querendo nos destruir, aquilo é a maldade humana e essa pode ser devastadora.
Se faz silencio, estou sentada, amarrada os sentidos em alerta, esperando e esperar é algo que não sei fazer, nunca soube, não esperei a dor de minhas perdas passar, na adolescência criei todo tipo de problemas que pude, depois quando voltei para casa e o apocalipse chegou também não esperei por uma solução, tomei as rédeas de tudo e com Glenn não foi diferente, eu o queria e tomei atitude, mais uma vez por não saber esperar.
Agora não tem nada que possa fazer a não ser me manter em espera, rezando para ele estar bem, respiro fundo, apuro os ouvidos, nada uns minutos depois a porta de ferro faz barulho e me ponho em alerta, ela se abre e um homem entra, o tipo elegante e poderoso, seus olhos não escondem uma leve crueldade, mesmo que encobertos por uma máscara de falsa gentileza, uma calculada postura de tranquilidade, não sou uma tola que se deixe levar por coisas tão absolutamente superficiais.
O homem puxa a faca, meu coração dispara, então ele me liberta, solta a fita que me mantinha presa com as mãos nas costas, se senta em minha frente, fala de modo suave, diz que foi um mal-entendido e que vai nos levar de volta, mas quer saber onde estamos.
Fica fácil saber que sua intenção não é nos libertar e sim saber de onde viemos, peço para falar com Glenn, ele se recusa, sabia que faria isso, nos acusa de sermos perigosos, usa a história de Merle preso num telhado, se Merle conviveu mesmo com o grupo sabe que isso não é verdade, assim como esse homem também sabe.
Como não consegue nada ele decide seguir por outro caminho, o tom suave da lugar a um ar imperativo, do tipo que não aceita recusa, me manda ficar de pé, não me movo, a ordem fica mais urgente, penso em Glenn, no que passou na sala ao lado, no que ainda pode passar e me ergo odiando obedecer aquele monstro.
─Tire a blusa! – ele manda eu o encaro firme – Tire a blusa!
─Não! – Olho firme para ele, não é como me sinto por dentro, mas é o que quero que pense, que não pode me dobrar.
─Tire a blusa ou mando trazer a mão do Glenn aqui.
Posso fazer isso por ele, é o Glenn, ele é a pessoa mais importante em minha vida, os motivos porque sempre me mantenho forte, obedeço segurando o choro e com medo de onde aquele ser desprezível pretendia ir.
─Continue! – ele exige, engulo o choro, o ódio e tiro o sutiã, protejo meus seios com os braços cruzados no peito, me sinto um pedaço de carne com menos valor do que qualquer um daqueles mortos que caminham depois daquelas portas.
Ele se ergue, tira o cinto com suas armas, caminha até mim, se aproxima, tento controlar o medo e o nojo, não quero mostrar o quanto aquilo me fere, venci muitas coisas para me deixar cair por aquilo.
Sua mão toca meu cabelo, luto com minhas lágrimas, tento afastar o pensamento, ignorar aquele homem podre que funga em meu pescoço de modo lascivo.
Sem que eu espere e com violência me atira contra a mesa, a mão segurando meu pescoço.
─Você vai falar?
─Dane-se, faça o que tiver que fazer e vá para o inferno! – Agora o que sinto é ódio, não medo.
Ele toca minha pele, força seu corpo contra o meu e depois se afasta, sou levada para Glenn posso sentir seu ódio ao me ver sem blusa, escondendo minha nudez com as mãos, o maldito homem aponta uma arma a Glenn decido a saber onde está nosso grupo e não consigo me manter calada, não com uma arma no rosto de Glenn já tão ferido, conto, tudo, sobre a prisão, como limpamos e quantos somos, ficamos sozinhos ali, um zumbi abatido por Glenn caído ao chão, cheios de ódio e medo
Glenn pega ossos daquele corpo me oferece como arma, nos preparamos para tentar, ele me dá sua blusa, agora é tentar a sorte, não temos mais nada a perder, quando Merle e outro homem tenta entrar nós os dominamos, enfio aquele osso na garganta do infeliz enquanto Glenn mesmo fraco tenta lutar com Merle, mato o homem, não tenho pena, apenas rancor, queria que fosse o tala Governador ali, pego sua arma tento dominar Merle mas homens armados chegam e acabamos rendidos e levados para um lugar onde sei que acabou.
Penso em meu pai, Beth, as pessoas que conheci, por quem lutei, os que perdemos na batalha, não quero morrer, não quero me despedir de Glenn, não quero ser abatida como um animal num lugar imundo, com um capuz na cabeça, olho para Glenn pela última vez, ao menos somos nós dois ali, não suportaria não estar com ele nos momentos finais.
─Fica olhando para mim! – Ele me pede e é apenas isso que quero, manter Glenn em minha retina enquanto faço o caminho final.
─Eu te amo! – Ele sabe, mas quero dizer mesmo assim, então o capuz me cega, agora é o fim, ninguém nunca vai saber como foi, como me senti, agora só quero que seja rápido.
Pov – Abby
Queria desesperadamente ignorar Daryl e sua necessidade de puxar assunto, não acreditei muito em seu pedido de desculpas, sei que fez por ele mais do que por mim, foi para aplacar sua culpa, não diminuir minha dor, aceito, quero só salvar Maggie e Glenn e voltar para perto de Sam, enfrentamos obstáculos, mas no fim chegamos ao lugar.
Michonne, esse é seu nome que descobri faz pouco, nos leva até um lugar onde garante que foi interrogada, não tem nada ali, ficamos um instante confusos, não tem como sair por ai olhando de prédio em prédio sem chamar atenção, não com tantos homens armados.
Um homem aparece, é rendido, nega saber de qualquer coisa e acredito nele, Daryl quer dividir o grupo e procurar, não sei se é boa ideia.
Quando o homem está apagado e estamos sem direção ouvimos tiros, seguir na direção do som é nossa única esperança, espero que não tenha sido Glenn e Maggie sendo executados.
Ganhamos as ruas protegidos pela escuridão e o pânico causado pelos estrondos, chegamos a um lugar estranho, fica claro que aquele é o matadouro da gangue.
Ouvimos conversa e por uma janela dá para ver que eles estão encapuzados, a hora chegou, atiramos algumas bombas, minhas espadas não serão muito uteis nesse momento e pego uma pistola, Daryl está com a arma mais pesada, as explosões os confundem atiramos e no meio da correria conseguimos tira-los de lá, chegamos a um lugar que por mais estranho que pareça lembra um restaurante, nos escondemos lá, agora a cidade está toda do lado de fora.
Michonne sumiu, Glenn está muito ferido, de novo o nome Merle, ele fez aquilo, Daryl falou sobre ele, descubro que é seu irmão, belo irmão! Penso sem entender porque fez isso com o casal que pelo visto ele conhecia e sabia que estava com Daryl.
Temos que tirar todos dali, não tem saída pelos fundos e só tem um jeito de fazer isso, lutando, abatendo inimigos a tiros, mas depois de ver Glenn não acho que vai ser problema para nenhum de nós mata-los, afinal não é uma visita.
Daryl quer procurar o irmão, tentar um acordo, Rick pede que fique, ajude.
─Eu preciso de você, está comigo? – Rick diz e posso notar a angustia e confusão de Daryl, a força que aquela frase tem sobre ele, o quanto é difícil deixar o irmão para trás, mas ele diz sim, não posso negar que o admiro por isso.
─Nos preparamos para deixar o lugar, chegar ao carro com Glenn sem conseguir se defender será um problema, Michonne foi ter sua vingança, nos deu o que queríamos e foi buscar o que ela queria, foi um prazer conhece-la, desejo sorte a ela, já busquei por isso e depois de conseguir não me senti muito melhor, mas isso não importa mais, ainda tínhamos um mundo naquela época.
Nos reunimos na porta, Daryl solta as bombas todas de uma vez e usamos a fumaça para nos proteger enquanto corremos atirando, é insano atirar assim, de peito aberto, sem proteção, mas vamos seguindo em frente, tentando chegar aos portões, mal consigo enxergar meu grupo, mas sei que só tem um jeito de deixar o maldito lugar atirar e derrubar, derrubo um homem, vejo Daryl abater outro que estava sobre pneus ele cai e corremos.
Um gritando pelo outro, tentando se encontrar e chegar a saída por sobre um caminhão que fechava muros, Oscar ajudava Glenn quando leva um tiro, Maggie tenta ajuda-lo, só penso em atirar, ela grita por Rick, não há o que fazer e Maggie acerta a cabeça de Oscar, acho um gesto bonito, Rick se junta a nós, grita por Daryl.
O idiota é o tipo herói, manda irmos enquanto dá cobertura, me irrita, mas sem alternativa sigo para o lado de fora e os tiros cessam nos reunimos do lado de fora, encolhidos, Glenn ferido, Oscar morto, Michonne sumida e Daryl ainda lá dentro.
Michonne surge, Rick está transtornado, tira sua Katana e para mim aquilo é ofensivo, ela nos levou até lá, ajudou, não precisava, é um mundo morto, fez mais do que qualquer um faria, mais do que eu faria por desconhecidos, ela se oferece para continuar ajudando, está ferida e não sei se conseguiu o que queria, mas voltou, está aqui, mais uma vez está aqui.
─Devolva a arma dela! – Digo firme – Ela não é nossa inimiga, nos ajudou! – Rick me olha, está de novo com o olhar desfocado – Vamos Rick, devolva a arma, mande-a embora se não precisa dela, mas devolva a arma, e pense no que importa, resgatar o Daryl, acho que está claro que está preso ou morto!
Não gosto de pensar nisso, mas não sou o tipo de pessoa que cria ilusões, se o tal governador não tem planos para ele já o mandou para o inferno e aquilo me machuca de um jeito que não consigo esconder.
Rick devolve a arma, pede que ela siga com Glenn até o carro e nos espere, os dois seguem e ficamos, eu, Rick e Maggie, três pessoas contra uma maldita cidade de malucos insanos, mas já que estou aqui e Daryl está lá, vou ficar e ajudar.
Fico repetindo para mim mesma que a preocupação é com o ser humano Daryl Dixon, que faria o mesmo por qualquer um, a verdade é que talvez eu fizesse, mas não com o mesmo empenho, não com esse medo maluco de algo acontecer a ele.
Penso no beijo, não no depois, depois é só magoa, mas quando estava em seus braços foi... merda, que hora estúpida para pensar nisso.
Ficamos prontos, não é difícil encontrar onde está a confusão, o lunático tem uma arena, é como a volta do império romano, andamos para trás, passos rápidos, logo chegamos a idade da pedra e um dia não seremos mais do que macacos.
Vejo Daryl ser levado para o centro da arena, um capuz sobre seu rosto, amarrado, sinto raiva, imbecil, podia ter vindo conosco, mas quis salvar todos e acabou ali, como a atração principal da noite.
O homem que Glenn e Maggie disseram ser o governador, faz um longo discurso de ódio a nosso grupo, nos pintando como terroristas perigosos, assassinos impiedosos, as pessoas clamam por justiça, é assustador pensar onde um homem pode levar uma multidão alucinada.
Então Merle é posto na arena para uma luta entre irmãos até a morte, ele jura fidelidade a Woodbury, aquilo é ridículo, me deixa furiosa, o estúpido vai mesmo lutar contra um irmão?
Penso no meu irmão, ele agiria igual, duvido que tivesse um pingo de piedade por mim, não teve quando precisei, não seria diferente agora.
Os dois começam a trocar socos, Daryl está levando a pior, sei que não quer acertar o irmão, de algum modo fica fraco diante dele e aquilo é algo que me mostra que tem mais nessa relação, coisas que não sei e nunca vou descobrir porque quando salvar o idiota quero ficar bem longe dele.
Algo muda entre eles e então estão lutando juntos contra zumbis trazidos para apimentar o espetáculo bárbaro e nós é que somos os terroristas sem piedade? Hipocrisia pura a desse homem e seus súditos.
Sinto urgência, angustia, quando Rick pretende atacar afinal? Não estamos aqui para assistir aquilo.
─Merda! – Digo quando um zumbi se aproxima de Daryl e sem poder esperar mais eu o acerto, Maggie começa a atirar e Rick atira uma bomba de fumaça, fica difícil atirar com toda aquela fumaça, sem saber onde ele está, torço para que sozinho no meio daquilo ele possa sair.
─Daryl! – Rick grita e então ele surge com sua besta, meu coração se acalma de um jeito que me perturba.
Saímos todos, ele está ali, Daryl está vivo, tem sua besta e nos olhamos, mais uma vez fico presa ali, tinha jurado que não deixaria nunca mais acontecer, mas ali estou eu, presa a Daryl mais uma vez.
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