Hell Between Us
44 Capitulo 44 - Insegurança
Notas iniciais
Pov – Daryl
Larissa treme freneticamente nos encarando, todos mudos um diante do outro, que estupidez deixar esse lugar desprotegido, com tantas crianças e adolescentes era óbvio que em algum momento um deles faria uma tolice dessas.
─Não! Droga, droga! – Abby fica pálida, estremece enquanto olha para Larissa, a garota a encara com um olhar de incompreensão, eu também. – Sinto muito, sinto muito! – As espadas de Abby já estavam em suas costas agora que o perigo havia passado, mas ela puxa uma delas, num movimento rápido.
─O que foi? – Pergunto olhando em volta, mesmo que o olhar de Abby repousasse sobre Larissa o tempo todo.
─Deu certo uma vez com o Hershel, vamos repetir, Daryl preciso que a segure.
─O que foi, o que eu fiz? – Larissa pergunta surpresa.
─O braço! – Rick diz compreendendo primeiro, os dois dão um passo em direção a Larissa, ela olha para o braço, depois para Abby, corre para se esconder atrás de mim, me segura pela camisa.
─Não Daryl, não foi uma mordida, não deixa eles me cortarem!
─Calma gente! – Digo meio confuso, Abby e Rick param na mesma hora.
Me viro, ergo o braço de Larissa que sangrava, examino enquanto ela chorava tremendo, Abby se junta a mim, os olhos atentos.
─A mesa, foi a tampa de fórmica, me cortei na quina na hora que me escondi, eu juro, eu juro!
─Tudo bem, desculpe, pensei que era um arranhão de um deles.
Abby a tranquiliza, vejo o rosto das duas relaxarem, Larissa ainda segurava minha camisa, mas quando se convence que o braço ficaria, ela se solta e abraça Abby.
─Desculpem, não queria fazer nada errado, sinto muito! – Ela soluça, Abby se deixa abraçar, demora uns segundos se decidindo sobre retribuir, mas acaba abraçando a menina, não diz nada, acho que não sabe dizer.
─Vamos pedir ao Hershel que cuide disso, vem.
Abby a afasta, seguimos de volta para o pátio com a menina aos prantos, logo Sam corria para nos encontrar.
─O que aconteceu? Ela está bem? – Pergunta quando nota o sangue e a garota ainda grudada em Abby.
─Um susto, só isso, leva ela para o Hershel ver isso.
Tenta se livrar da menina, mas Larissa se recusa a solta-la.
─Vem comigo, ele pode querer me tirar o braço, por favor!
─Tudo bem! – Ela concorda sem escolha.
Fico do lado de fora, conversando com Glenn que nos conta como fechou a entrada, pelo que entendi não vai durar muito e o melhor é limpar aquele lugar mesmo que nunca mais tenhamos que voltar lá.
─Amanhã vamos fechar aquela saída, trancar bem.
─Ótimo, o susto de hoje já foi o bastante.
Glenn comenta quando Maggie se junta a ele, sim foi um grande susto e fico feliz de Larissa estar bem, seria uma perda da qual Abby não se recuperaria, ela não quer, mas se sente responsável por ela.
Quando entro no refeitório Larissa estava sentada e hershel fechava o ferimento, Abby estava de pé, os pés firmes no chão como fica toda vez que busca controle e força, olhava para Larissa, mas não a via, não via nada, a mente ia longe, não sei onde, mas definitivamente não estava ali.
─Obrigada Hershel. – Larissa beija o rosto do velho e se ergue, faz Abby despertar.
─Ela está bem? – Abby questiona Hershel.
─Ótima! Nem precisou pontos, foi apenas um arranhão mais profundo.
─Nesse caso vamos Larissa. – Abby a convida olhando para a menina, sua expressão é firme. – Chega de ser indefesa, chega de todos vocês serem indefesos, vamos Sam, e você Beth, o treinamento começa exatamente agora.
Beth olha para o pai pedindo autorização, ele sorri complacente, acho que vê aquilo como uma distração apenas, os três se entreolham sorrindo, animados com o plano.
Abby me encara, os olhos enigmáticos, mas posso decifrar seu medo, o peso da responsabilidade de mantê-los vivos, me preocupa porque talvez ela simplesmente não possa fazer muito, mas afirmo dando lhe força.
Ela segue de volta para o pátio com os garotos, Michonne estava sentada olhando o horizonte, deve estar louca para voltar as ruas e caçar o Governador, não demora e ela cai na estrada mais uma vez.
─Hora de exercitar samurai! – Abby a convida quando passa decidida por ela. Michonne da de ombros se erguendo, puxa sua katana das costas e sei que será no mínimo um bom show para os moradores da prisão.
As duas começam a treinar os garotos, fico de longe assistindo, logo um pequeno grupo se junta para assistir, Zack e Cliff entre eles, o cara não tira os olhos de Abby, se não a visse tão envolvida com o treinamento aquilo bem que poderia me incomodar.
Zack parece pedir para se juntar ao grupo, Michonne concorda mesmo com o olhar torto de Abby, sorrio, não devia me incomodar com esses dois, Abby não está nada interessada.
Eu não posso passar o resto do dia ali e decido seguir para o trabalho, ajudo Glenn e Ty a recolher os corpos que deixamos na administração, se vamos voltar amanhã não precisa estar fedendo mais do que estaria sem aqueles infelizes, colocamos na caminhonete, Sasha vai comigo queima-los.
Anoitecia quando retornamos, o treino parecia ter acabado, Abby estava sentada com Beth, com elas para minha surpresa e irritação, Zack e Cliff, para ao longe meio incrédulo.
Uns minutos depois Sam para ao meu lado, cruza os braços com a cara fechada.
─Algo me diz que a ideia estúpida de trazer esses dois foi sua! – Ele diz sem desgrudar os olhos da cena. – Não acha que já que trouxe devia pegar os dois e levar de volta para onde os encontrou?
─Talvez eu faça isso Sam!
─Até lá vou cuidar do que é meu. – Ele caminha decidido em direção ao grupo, não sou como ele, não vou entrar nesse tipo de disputa, caminho para dentro decidido a deixar que Abby faça o que quiser.
Não é nem um pouco agradável me sentir assim, odeio a ideia de que ela pode simplesmente se interessar por outra pessoa, odeio me sentir inseguro, odeio não conseguir dizer a ela para simplesmente ficar longe daquele palhaço.
Sem conseguir relaxar e detestando a ideia de ter que enfrentar sua indiferença sigo para torre. Tyreese estava lá.
─Acho que se confundiu Daryl hoje é minha noite de vigia.
─Não é confusão, sei disso, mas se puder me deixar aqui eu faço isso hoje.
─Está tudo bem? – Dou de ombros, finjo indiferença, não sei se ele acredita, mas de qualquer modo ele pega sua arma e desce me deixando sozinho, me sento, encosto a besta na pequena parede entre as grades ao meu lado.
Não olho para porcaria de lugar nenhum em especial, não penso em hordas de zumbis ou inimigos armados invadindo a prisão, só consigo pensar em Abby.
A mulher é linda, absolutamente perfeita, qualquer homem ficaria maluco por ela, além disso, se ela decidir sorrir então quem pode não se deixar envolver? Mas Abby é cheia de traumas, fechada, não dá espaço, tive que ultrapassar sérios limites para tê-la ao meu lado, e simplesmente não consigo ir além de onde já fui.
Eu a queria mais aberta as pessoas, joguei na cara dela mil vezes que éramos um grupo só, quando ela decide deixar outros se aproximarem escolhe logo aquele maldito estranho que ela nem sabe quem é e o que quer com ela?
Para mim chega, não vou correr atrás dela, deixe que faça como quiser, que durma sozinha e pense o que importa para ela, se quiser ir para os braços daquele estúpido que fica dizendo o que ela quer ouvir.
O céu escurece de uma só vez, algumas estrelas brilham, não presto atenção, é uma porcaria de mundo morto, os zumbis dominaram tudo, os humanos se renderam a eles de todos os modos, não temos mais nenhuma restrição, tudo pode ser feito, tudo pode ser perdoado.
Num mundo como esse não existe espaço para relações, ao menos não para pessoas como eu e Abby, marcados por um mundo de coisas anteriores ao fim, sempre estivemos no limite, sempre vivemos com um pé no apocalipse.
Nos adaptar a um mundo de morte e solidão foi bem fácil, difícil é achar espaço para viver qualquer coisa além disso.
Será que estou sendo injusto? E se estiver mais uma vez dando as costas a ela como fiz exatamente aqui, nessa torre quando a beijei e deixei que acreditasse que estava aqui para logo depois partir como se nunca tivesse me importado, isso ainda a machuca.
Hoje ela teve um momento bem complicado com Larissa, e talvez me quisesse por perto, e o que eu faço? Me arrasto para longe feito um covarde, será que não estou só buscando um jeito de fugir?
Mas eu vi, ela estava conversando com ele, se não quisesse estar teria saído, mas ficou, não sei quanto tempo, não passei mais que um minuto observando, passo a mão pelo cabelo indeciso sobre absolutamente tudo.
Não consigo falar sobre isso com ninguém, mas talvez seja ciúme, não conhecia metade das coisas que sinto até Abby cruzar meu caminho naquela linha de trem, não conheço as terminologias, mas não importa.
A porta lá em baixo se abre, será que as pessoas não podiam entender que quero ficar sozinho? Avisei o Ty que faria a porcaria da guarda da noite, devia ser o bastante para entenderem que não quero companhia.
O alçapão se ergue e vejo a mão delicada de Abby, depois seu rosto surge, o olhar um tanto inseguro quando termina de subir, se afasta baixando a tampa, me olha um instante antes de sentar ao meu lado em silencio.
Ela que chegou, ela que fale.
─Posso ficar? – Ela pergunta incerta.
─O Cliff não vai sentir sua falta? – Seu olhar de espanto me faz sentir um tanto ridículo.
─Isso é... Não sei como responder a isso.
─Ajudou muito. – Me irrito.
─A Larissa trouxe um pedaço do meu passado de volta, mais uma vez, não aquela dor de antes, mas a parte da solidão.
Não olho para ela, apenas deixo que fale, continuo olhando para frente, ainda com raiva.
─Eu fiquei sozinha desde que sai do reformatório e foi melhor do que antes, então achei que era o jeito certo de viver, ao menos para mim, foi assim que decidi enfrentar o fim do mundo.
─Não é sobre meu grupo, seu grupo! – Reclamo com dificuldade de me expressar.
─Não é. Encontrei o Sam e ele era tão eu, a Abby que foi atirada no reformatório, eu deixei ele entrar, achei que não tinha problema, Sam ocupava pouco espaço.
─Onde quer chegar Abby? –Parece querer me enrolar para dizer que mudou de ideia sobre nós.
─Nos trilhos, no nosso encontro, em tudo que veio depois, em como você é espaçoso, em não ter mais lugar para outro, você preencheu o buraco, é isso.
Olho para ela, mudo, engulo em seco, ela disse que me amava uma vez e foi a primeira vez que ouvi, mexeu comigo, depois eu disse a ela, mas isso foi de algum jeito mais forte.
Meus olhos ficam grudados nela, nos grandes olhos verdes, no que tem no fundo deles, nas coisas que o mundo não sabe e que eles me contam. Porque não posso dizer como me sinto? As coisas travam, estrangulam, e só consigo ficar ali, perdido naquele olhar.
─Posso ficar? – Ela repete a pergunta, eu sou um grande imbecil. Afirmo, ela se aproxima de mim, vem sorrateira com aquele olhar felino e sensual, se encosta em meu peito, passo meus braços em volta dela. – Eu não queria ficar me sentindo responsável por mais ninguém.
─A Larissa não é sua responsabilidade. – Ela me encara, isso não é verdade, ela sabe disso, eu sei. – Ela é nossa responsabilidade.
Abby me sorri, é doce quando estamos sozinhos, suave em meus braços, gosto assim.
─Vai dividir isso comigo?
─Isso também.
─Ela confia em você, viu como correu para se esconder atrás de você quando pensei em cortar o braço dela? – Abby sorri, sorrio de volta.
─Vi. Teria feito?
─Sem pestanejar.
─É forte. – Eu a admiro, Abby faz o que é preciso, é corajosa e decidida sobre tudo que não signifique nós dois.
─Vou continuar treinando eles até serem fortes como eu ou você.
─É boa ideia, mas...
─Eu sei, não é garantia de nada.
Ela se aconchega mais em mim, beijo seus lábios de leve.
─Tive um pouco de medo de ser expulsa daqui, fiquei um pouco triste também, queria que tivesse me procurado, pensei em te deixar em paz, mas senti sua falta.
Beijo seus lábios, sei o quanto ela gosta de palavras e o quanto cada uma delas me custa, mas ela se esforçou hoje e não precisava já que fui eu que me comportei como um imbecil.
─Não gosto daquele cara perto de você, me incomoda, pode me desculpar? Não era um bom dia para ter uma crise.
─Tudo bem.
─É uma namorada compreensiva?
─Mais ou menos. – Soa como uma advertência e me faz rir.
─Eu sei que prefere na cela. – Brinco com ela que me faz um ar enfadonho. – Mas expulsei o Ty daqui, não posso voltar atrás. Pode passar a noite aqui comigo?
─Acho que não sei mais dormir sem você.
─Não sabe? – Pergunto deitando Abby lentamente, ela tem os olhos verdes claros e límpidos, me enchem de desejo.
Minhas mãos seguem para dentro de sua blusa, as dela para os botões da minha, estamos ficando práticos nessa coisa de despir, sinto sua pele quente, lisa e perfumada, meus lábios vão seguindo os rumos que minhas mãos traçam, Abby gosta, deixa escapar um gemido, se rende muito rápido, nos conhecemos cada vez mais.
─Eu te amo Abby! – Seus olhos brilham de um modo que parece que é a primeira vez que digo, me sinto um tanto culpado por não me mostrar tanto. – Amo. – Repito já que ela parece precisar ouvir.
─Agora sim como no sonho.
Então ela se entrega, não como das outras vezes, Abby vai além, sinto em seus beijos e gestos o quanto está inteira para mim, isso só me faz amar ainda mais.
─Nunca precisa de mim. – Olho para ela meio confuso, estava quase amanhecendo, depois de muito tempo perdidos um no outro estávamos apenas ali, quietos, abraçados. – Não sei como retribuir, nunca precisa de mim.
─Do que está falando? – Aquilo é estranho, só de pensar em perde-la para outro já fico perdido, como ela pode achar que não preciso dela?
─Eu preciso de você, fiquei ferida, cuidou de mim, me alimentou, carregou, divide comigo os cuidados com a Larissa e até o Sam, mas não precisa de mim para nada.
─Minha calça está rasgada, quer costurar? – Ela faz careta, não consigo evitar o riso.
─Idiota, vou dormir um pouco antes que amanheça. – Abby me dá as costas, a cabeça ainda em meu braço que logo vai começar a formigar, adoro quando a menina mimada dá as caras fazendo manha.
─Vai dormir virada para a parede? – Provoco.
─Não tem parede aqui. – Ela resmunga de costas para mim.
─Olha a princesinha republicana ai.
─Vá para o inferno Daryl Dixon! – Ela, como sempre, perde logo a paciência.
Me movo envolvendo Abby, colo meu corpo ao dela, o braço livre a envolve, ela não me empurra, só mantem os olhos fechados fazendo birra.
─Quando usa meu nome inteiro parece aquelas mães bravas. – Ela finge não ouvir. – Não a minha, a minha nunca fazia isso, não acho que lembrasse meu nome inteiro.
Não pretendia fazer nenhuma confissão do passado, a verdade apenas escapa, mas não passa despercebido para Abby, ela se vira para me olhar, me espera continuar.
─Ela não era muito atenta. – Digo apenas por dizer, os dedos de Abby vem para meu rosto, traçam meu contorno, ela sempre faz isso. – Me perdi uma vez na floresta, tinha nove anos, mas ela já não existia mais.
─Quem te encontrou?
─Ninguém. Me virei e um dia achei o caminho de volta, nem deram pela minha falta. Foi meu batismo, desde então a floresta virou meu refúgio.
─Gosto de como é forte. – Abby não sente pena, não tenta me consolar com palavras vazias, ela conhece a dor e sabe como viver com ela, por isso é perfeita para mim.
─Aprendi a me virar desde cedo, mas cuida de mim quando está por perto, quando vem me procurar mesmo quando não mereço isso.
─Não é fácil, passo por cima de muitas coisas, mas estar em outro lugar se tornou inaceitável, então eu venho.
Ela se encosta em meu peito, eu a abraço fechando meus olhos, um vento gelado sopra e puxo uma coberta sobre ela, Abby sorri.
─Viu como sempre cuida? –Ela diz sem abrir os olhos, não respondo, não é preciso, realmente gosto de ser necessário a ela, principalmente quando ninguém nunca precisou de mim.
Agora dividimos Larissa, é um novo passo para nós, caminhamos cada vez mais um para o outro. Ainda vou ter ciúme e ficar irritado com aquele imbecil, mas é bom saber que ela luta por mim.
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