Hell Between Us

34 Capitulo 34 - Frente a frente


Notas iniciais
Oi gente, desculpe pela demora em tudo, pelos atrasos estou tentando me organizar, mas prometo que semana que vem tudo volta ao normal! Espero que gostem.

Pov – Selena

Beth foi uma ótima surpresa, nada como uma garota tola e enciumada, era óbvio que seria fácil iludi-la, acenei com a chance de tirar Abby de seu caminho e isso foi o bastante para traze-la para meu lado.

E aconteceu no momento certo, desde que a patricinha de bom coração e o namorado caçador salvaram aqueles infelizes, o grupo se prepara para novos inimigos e Beth ao meu lado resolveu todos os meus problemas, não tinha tempo para armar nada maior ou melhor que isso.

A garota é querida por todos, cuida do bebê, é protegida por Abby e só de poder tê-la como refém já sinto que vamos vencer, quando a virem cercada por nosso grupo e com uma faca na garganta eles vão estar de mãos atadas, duvido que qualquer um deles tenha coragem para colocá-la em risco.

Talvez Abby tivesse, mas o tiro na perna veio bem a calhar, claro que debilitada como está ela não vai arriscar nada, tudo está dando tão certo que devia até agradecer a Deus, mas não acho que ele tenha nada com isso.

Daryl vai cair, Steve sabe que ele tem que cair, e Abby será minha, vou coloca-la onde quero, presa em uma cela escura nas profundezas da prisão, ali, ela vai ter suas lembranças e quando perceber que está de novo em minhas mãos, que seu caçador caiu então ela vai ser de novo a garota que implora para meu deleite, eu realmente mereço isso.

─Ainda não está de dia Selena, onde vai? – Mike acorda quando deixava a cela, suspiro para buscar paciência meus dias como mãe desse pequeno demônio estão chegando ao fim, preciso ser paciente, apenas mais umas horas disso.

─Eu já venho, vou fumar um cigarro lá fora, durma de novo e não sai da cela até eu chegar, já sabe o que acontece com crianças que desobedecem.

Ele aceita com os olhos tristes, que se dane, saio sorrateira, isso é algo que os anos de reformatório me ensinou, chego ao pátio caminho em silencio e então fico aguardando Beth, se ela não vier estou com problemas, de outro modo não consigo um refém, ela precisa vir por sua própria vontade.

Quando a vejo fico aliviada, garota tola, caiu feito um patinho, sabia que seria assim.

Partimos e posso ver seu medo, ela sabe que se der errado perde o respeito da família, se mete numa grande confusão e o namorado vai manda-la para o inferno na mesma hora, ele nunca perdoaria Beth.

Não vai ser difícil, entrego Beth ao grupo, seguimos para a prisão, os fortes terão saído em busca de suprimentos, tomamos o lugar e quando voltarem é só derruba-los, nós do lado de dentro, eles do lado de fora, será irônico!

As torres podem ser uma boa ideia para derruba-los.

Beth caminha ao meu lado e vamos conversando, vou distraindo a tola com algumas histórias e promessas, ela está cada passo mais insegura, assim que chegar lá vai ver no que se meteu, será bem feito.

Eu tenho que derrubar um ou outro zumbi que surge em meu caminho, a garota não ajuda, por mim tudo bem, aqueles caras vão dar muita canseira nela, o problema vai ser convence-los a atacar primeiro e se divertir depois.

O dia finalmente clareia por completo, essa hora o grupo começa a se preparar, Beth tem medo de encontrar Michonne no caminho, não vejo como isso pode acontecer, mas adoro vê-la tensa.

Quando estamos a um passo de colocar meu plano em ação, Michonne surge na nossa frente, não consigo acreditar nisso, ela quer levar Beth de volta, puxa a espada e odeio me ver sem argumentos, só me resta voltar, as duas trocam um olhar, um único olhar e sei o que aconteceu, aquele simples olhar me faz compreender tudo.

Fui enganada, Beth Greene a doce e inocente babá me enganou completamente, mas ainda vou ter a minha vingança, tenho sangue frio o bastante, Abby ainda está lá, ainda pode ser minha, eles ainda podem chegar.

Steve não é de todo idiota, ele vai perceber que não cheguei e virá, então já vou estar com Abby e depois Beth vai conhecer minha ira.

Assim que chegamos a prisão me afasto delas. No bloco, Mike me esperava como mandei, olho para ele, é só um garoto tolo e fraco, esse mundo não é para ele, os fracos não sobrevivem, com a idade dele eu já era capaz de me defender, de onde eu vim ele seria apenas lixo.

─Você demorou! – Está sempre exigindo, o pequeno ingrato já devia saber que dou a ele muito mais do que merece, eu o alimento desde que a inútil da mãe morreu, eu o trouxe até aqui, ele me deve isso sim, me deve os meses a mais de vida que teve e agora é hora de acertarmos nossas contas, eu, Mike e Abby vamos acertar finalmente nossas contas, foi bom esperar, vai valer a penas, não tenho dúvidas.

─Desculpe querido, vem, vamos dar uma volta comigo?

Ele abre um largo e tolo sorriso, como é fácil iludi-lo, basta um sorriso e alguma suavidade na voz, crianças são mesmo uma lástima, acho que nenhuma vai sobreviver, é a lei da natureza, a lei dos mais fortes e ele ainda não é forte o bastante.

─Onde vamos mamãe? – Ele pergunta segurando minha mão, sinto um incomodo físico com o toque, estou cheia de ser a mamãe, mas aguento, são só mais alguns minutos disso.

─Escute Mike, as coisas aqui no bloco vão se complicar e vamos lá no outro bloco, lá vamos ficar seguros, mas precisa ser discreto, se não eles não vão te deixar ir comigo.

─Sim, faço o que quiser.

─Ótimo! Agora só vamos caminhar em silencio sem olhar muito para ninguém.

Até Hershel está lá com o bebê, eles só podem mesmo ser idiotas se acham que não notei que estão prontos para um ataque.

Mas isso é bom, significa que Abby está sozinha no bloco, e vou colocar meu plano em ação, será muito fácil.

Michonne e Carl estão nas grades com suas armas, tão atentos aos perigos externos que se esquecem do inimigo interno, tolos, eles me arrancam um sorriso e sigo em direção ao bloco C, como previ está vazio, o refeitório e as celas no andar de baixo, subo as escadas fazendo sinal para Mike fazer silencio, tem alguém que ele teme mais que os zumbis, Abby Coleman e é para lá que vamos, mesmo com toda aquela inocência ele já notou isso, paro próxima a cela, sorrio para Mike.

Seus olhos se arregalam, é como um animal, seus instintos gritam lhe avisando do perigo, naquele pequeno segundo em que puxo a minha faca e encosto em seu pescoço, o filhote de cervo se dá conta que afinal eu sou o lobo.

POV – Abby

Não sou o tipo que se encolhe, não sei assistir as pessoas com quem me importo saindo para o perigo enquanto fico segura e solitária, essa não sou eu, ao menos não quero ser.

Daryl está certo, eu atrapalharia. Andando mancando, sem condições de lutar de igual para igual só deixaria Daryl e Sam em risco, eles estariam muito mais preocupados comigo que com eles mesmo e acabaria matando um dos dois, mas isso não torna a ideia de estar aqui mais fácil, não tira o maldito nó da garganta.

Volto para a cela com a raiva me consumindo, tem que ter um jeito, uma maneira de ajudar e não ficar apenas aqui, encolhida esperando.

Suspiro olhando as grades da cama de cima, a perna lateja, me sinto fraca, de mãos atadas e de algum modo indefesa como nos tempos do reformatório e odeio isso, sem Daryl e Sam por perto me sinto apenas uma maldita adolescente assustada.

Olho para os comprimidos que Hershel me receitou, eu bem que podia tomar ao menos um, me sentiria melhor e depois poderia tentar achar o rastro do grupo, não seria tão ruim, além disso pode mesmo acontecer de tudo dar errado e o tal grupo chegar aqui, talvez se estiver bem eu possa fazer algo, nem que seja tirar as crianças daqui.

Me sento, pego os comprimidos, o rosto de Daryl me invade a mente, sua preocupação sempre me deixa meio tonta e sem chão, nunca aconteceu antes, mesmo Sam com todo seu carinho e cuidado, quando me olha, vê alguém forte, mas Daryl não, ele percebe minhas fraquezas, seu olhar sempre atravessa as paredes de proteção.

Já que quero mandar a dor embora e fazer algo decido tomar logo dois, engulo com um gole de água e volto a me deitar, assim que fizer efeito eu tomo uma atitude, só uns minutos e logo a dor vai embora de vez.

Abro os olhos assombrada, não acredito que peguei no sono, não sei quanto maldito tempo passou, me ergo o mais apressada que posso, a mente ainda um tanto confusa pelo sono pesado, arrumo minhas espadas, prendo os cabelos de modo rápido, respiro fundo, pego a pistola e coloco no coldre preso a cintura.

Será que dormi muito tempo? Beth pode estar de volta e Michonne, talvez eu devesse já estar de prontidão à espera do inimigo ou a volta do grupo.

─Merda! – Reclamo irritada, depois me viro para deixar a cela e estaco diante da cena a minha frente.

Na porta da cela Selena me olhava com olhos firmes, tinha Mike como refém, o garoto chorava silencioso e assustado com uma faca encostada em seu pescoço.

─Bom dia! – Ela sorri, os olhos não escondem a leve demência, me assusta, mas procuro manter a calma, o menino não tem culpa, não posso arriscar sua vida.

─Deixe o menino ir Selena, o que quer que aconteça não é da conta dele.

─Não comece a me entediar logo de cara, sabe que não vou largar o garoto, ainda não é tempo de implorar, espere seu momento.

Enfrento seu olhar, a garota que implora morreu há muito tempo, fico calada olhando para ela, tento ignorar a criança, me compadecer demais de sua dor não vai ajuda-lo agora, preciso de alguma frieza.

─Gosto desse seu ar imponente, sua pose de rainha, você não sabe, mas sempre foi assim, mesmo lá no reformatório, mesmo quando implorava ainda mantinha essa pose de soberana.

Continuo calada, apenas olhando para ela de modo fixo, não responder é um bom modo de deixa-la tensa e assustada.

─A pequena Beth Greene me enganou, veja como é a vida, a garota mais tola e inocente da prisão me passou a perna, mas tudo bem, você está aqui, eu estou aqui, o Mike está aqui. Não é Mike? – Ela ri, olho para o pequeno, ele tremia assustadoramente, os lábios brancos, o rosto pálido, não devia ter encarado seu olhar de súplica, ele me atinge por inteiro, meu coração se aperta – Vamos! – Ela exige.

─Quer que saia daqui com você? Acha que o grupo vai apenas assistir enquanto deixamos a prisão com um garotinho como refém?

─Que disse que vamos sair? – Selena ri, um riso tenso, ela perdeu completamente a sanidade, noto seu desequilíbrio em cada palavra e gesto de desespero – Vamos as tumbas, venha de uma vez, ninguém vai nos encontrar lá, não será divertido? Imagine se por algum asar seu caçador conseguir sobreviver, ele corre para cá, louco para ver sua amada e nada de Abby, ele vai achar que foi embora, soube que já fez isso, porque ele a procuraria justo nas tumbas?

─Está cheio de zumbis, vai acabar devorada lá em baixo.

─Anda logo Abby, você vai na frente com suas espadas.

─Posso errar o alvo e um zumbi acabar devorando você.

─Ou pode ser que eu entregue o pequeno Mike aqui de presente para eles, quer o sangue de uma criança nas mãos?

Não, ela sabe que nunca aceitaria algo assim, que vou fazer o que for preciso para deixar o pequeno viver e me calo.

─Isso, agora solta a arma, nada de pistolas, apenas as espadas.

Com movimentos lentos deixo a pistola bem a vista sobre a cama, Daryl vai entender a mensagem, vai saber que não fugiria deixando minha pistola, ele vai me procurar e se não conseguir viver pelo menos Mike pode ter uma chance.

Ela se afasta com o menino e passo em sua frente, desço até as tumbas, as malditas chaves comigo, eu sempre quis assim, todos sabem que durante a noite as chaves ficam comigo, abro a grade, saco as espadas, odeio a ideia de manter a vadia viva, mas ela não vai hesitar em jogar Mike para os zumbis, começo a caminhar, escuto os soluços de Mike logo atrás de mim, meu coração volta a doer no meio da escuridão.

O primeiro zumbi surge e eu apenas passo a espada em seu pescoço a cabeça rola, ótimo, quanto mais melhor, assim deixo meu rastro de morte e será mais fácil nos encontrarem.

Mais um e depois outro, Mike soluça no meio da morte caótica que as tumbas escondem, ela me manda ir mais fundo e obedeço, vou derrubando zumbis pelo caminho, estamos fundo, numa parte da prisão que ainda não foi controlada, isso fica cada vez mais perigoso, ela percebe.

─Aqui! – Se decide por uma maldita solitária, entro na frente e ela fecha a porta atrás de si, passa o trinco usando o vão por onde um dia os funcionários passavam a comida para os presos – Zumbis não abrem trincos e estamos bem.

Fico ali olhando para ela, o ambiente é escuro, ela também me observa, Mike ainda chora baixo, soluços assustados apenas, vou matar essa vadia, nem que seja a última coisa que faça.

─Agora solte suas espadas querida, não vamos usa-las está bem? – Ela me diz e penso um instante, mas então a faca afunda um pouco o pescoço de Mike, não estou perto o bastante para impedir isso, sem alternativa obedeço, solto as espadas – Que linda e obediente garota! – Ela abre um largo sorriso – Vai queria, encosta na parede, bem bonitinha.

Odeio obedece-la, mas ela vai ter que soltar o garoto em algum momento, fico alerta, o tempo todo alerta, ela tira uma mochila das costas que nem mesmo tinha percebido que carregava.

O ambiente começa a me oprimir, o cheiro de mofo em meio a umidade me sufoca um pouco, puxo o ar com força, não posso pensar nisso, não quero pensar nisso, não sou mais a princesinha republicana, não tenho medo, posso suportar isso.

─Mike, abra, pegue as algemas.

As mãos pequenas tremem loucamente quando ele obedece, sinto tanta pena, é tão pequeno.

─Joga para ela seu traste! – Ela grita com o pequeno, mãos começam a arranhar a porta da cela, escuto os gemidos do outro lado, mesmo que mate Selena não posso sair daqui, logo a porta vai estar repleta deles.

O Menino obedece, ela faz um movimento com o olhar, pego as algemas, ela exige que as aperte bem e faço o que me pede, só preciso de uma das espadas e nem mesmo essa maldita algema pode me impedir de matá-la.

─Calma Mike, vamos sair daqui, não tenha medo! – Digo ao pequeno que estremece.

─Acredita mesmo nisso? –Selena ri cheia de escarnio. – Vamos começar logo com nosso jogo – Uma mão apontava a faca no pescoço de Mike, a outra que segurava seu ombro o solta um instante, saca a pistola.

─Selena se matar o menino não tenho nenhuma razão para te obedecer, deixo o ai e venha resolver comigo.

─AH! Abby, sempre subestimando minha inteligência – Ela suspira – Ás vezes você é enfadonha sabia? Linda, gostosa e enfadonha.

Sinto asco em suas palavras, meu rosto demonstra isso e ela nota, seu olhar cintila de ódio, fico imaginando as maneiras que tenho para matá-la, quais partes de seu corpo vou decepar primeiro, é um bom jeito de esperar, me faz sorrir, mas meu sorriso logo some quando a faca desce do pescoço do menino e crava em sua barrida fazendo-o se dobrar enquanto ele escorrega para o chão num grito de esmagar a alma.

─Não se atreva! – Ela grita com a arma apontada para a cabeça de Mike assim que me precipito – Ele ainda pode viver ou pode sangrar até a morte, isso é você quem decide.

Paro, Mike se arrasta um pouco para longe dela, os olhos assustados e o rosto coberto pelas lagrimas, não vou chorar, não vou fraquejar diante dela, ela não tem mais esse poder sobre mim.

─Mike! – Busco a voz mais tranquila que consigo – Escute com atenção, não se preocupe, não tente tirar a faca, Hershel vai cuidar de você, aguente só um pouquinho.

─Adoro como sempre mantem o coração inocente de patricinha rica e mimada, aposto que fazia doações a abrigos de animais não é? Tão delicada.

─Vá para o inferno vadia, vou matar você, pode apostar nisso!

Selena me olha cheia de fúria, caminha em minha direção, chuta exatamente o local do tiro, sinto os pontos se abrirem na mesma hora o sangue escorrer, mas me mantenho firme, mesmo com dificuldade não me dobro.

A arma de Selena agora aponta para mim, odeio profundamente essa vadia, podia avançar sobre ela agora mesmo, mas ainda posso salvar Mike e não vou me arriscar, ainda não vou, isso não quer dizer que vá me submeter.

─Admita, a dor está insuportável não é? É só fazer como antes, implore Abby, vamos gosto quando faz isso.

─Não vou chorar, não vou implorar, eu vou matar você! – Ela encosta a arma em minha têmpora, os olhos cheios de ódio fixos em mim, sorrio para ela, ela é só uma psicopata idiota e cheia de si, não me assusta mais – Não vou implorar.

─Vai sim, quer salvar o garotinho não quer? – Sua mão livre desliza por meu corpo, o velho nojo me invade.

─Atira! – Eu digo juntando minha coragem, ela não faria isso, não ainda, não tão rápido, esse não é o jeito Selena – Prefiro morrer a sentir seu toque! – Cuspo em seu rosto, seus olhos se enchem de mais fúria e sinto um baque quando o cabo da arma acerta minha cabeça, junto com a dor vem uma forte tontura e a visão embaça um instante para logo se apagar.

Sinto os lábios de Selena descerem por meu pescoço, estou no chão, ela está sobre mim, as mãos tocam minhas pernas, olho em volta em busca de Mike, ele está olhando assustado, tão pequeno, tão indefeso, a sua volta o sangue escorre em uma poça, é tudo tão triste, tão nojento para ser assistido por uma criança.

─Feche os olhos Mike, já vai acabar! – Ele apenas faz o que pedi.

─Acordou! – Ela me olha, minhas mãos presas pelas algemas estão sobre minha cabeça, Selena sorri vitoriosa, não devia, não ainda, não quando vejo o corpo do pequeno pender para o lado sem vida – Senti muito sua falta, falta da sua pele de seda, diga que me quer Abby, implore, use o francês, se lembra que ficava confusa e assustada, misturava as línguas? Adorava aquilo.

─Tenho nojo de você.

─Não seja frigida meu bem, vamos nos divertir um pouco antes que eu acabe com você.

─Eu não sou, adoro as mãos do meu homem, o cheiro dele, o gosto, mas você é nojenta, você é a escória, um lixo que ninguém nunca quis, todas as garotas que teve foi por puro medo, força, ninguém jamais vai querer você!

─Vadia! – Ela me acerta um tapa, a arma vem de novo para minha testa enquanto com o joelho ela acerta a perna ferida – Vou matar você Abby Coleman.

─Foda-se! – Grito em meio a dor na perna – Faça de uma vez! – Ela me olha fria, horrorizada – Não vou implorar!

Ela se deita sobre mim mais uma vez, quer me punir, não pode, não mais, eu venci aquela vadia uma vez e posso fazer de novo. Junto toda a força física que me resta e quando a arma sai da minha testa e sinto seu peso sobre meu corpo eu uso as mãos presas para cima para travar em seu pescoço, ela se debate tensa, a arma vem em minha direção, me viro e no movimento a arma escorrega de sua mão, agora estou sobre ela, acerto as mãos algemadas em seu rosto, ela fica atordoada e me arrasto para longe.

Ela segura meu pé quando já chegava as duas sai encostadas na parede, chuto, me debato, ela me solta, tateia o chão em busca da arma, mas em meio a escuridão desiste, alcanço minhas armas quando ela puxava a faca que ainda estava cravada no corpo de Mike, apavorada começa a cortar o ar vindo em minha direção, me dobro de dor quando sinto a faca abrir um corte em minha perna, mas agora é tarde, tenho uma de minhas sai nas mãos presas e agora ela não pode me vencer.

─Fique de pé Vadia! – Digo com a espada em punho e os olhos fixos em Selena, queria que estivesse mais claro, queria assistir em detalhes sua morte, ela apoia a mão no chão para se erguer, sem dó eu passo a espada em seu punho, a mão se solta, ela grita, o sangue jorra e lá está Selena no chão – Foi com essa maldita mão que me violou não é? Com ela que matou uma criança, esse é só o começo.

─Se não sair vai morrer aqui, eles estão na porta! – Ela chora se arrastando para longe.

─Não vou a lugar nenhum! Vou cortar sua cabeça como prometi, o resto não importa! – Ela se encosta na parede ao lado do corpo sem vida do pequeno Mike.

─Você podia ter tido tudo! – Ela me conta.

─Eu tenho tudo! – Me aproximo, mas paro quando o pequeno corpo se move, escuto seu gemido, ela merece, sim, Mike tem todo direito de ter sua vingança e dou um passo para traz quando o que um dia foi uma criança indefesa e agora é só uma máquina de matar se move faminto e ataca o braço de Selena, ela grita, empurra aquele ser pela testa, ele leva com ele uma parte de sua carne, enfio minha espada em sua cabeça, sinto pena, raiva, nojo, só isso que pode vir dessa mulher, puxo de volta a espada e o pequeno desaba, não consegui, não salvei Mike, era só um menino assustado.

─Você fez isso, você! – Grito, lá fora os mortos arranham a porta frenéticos, no fim terminamos as duas no mesmo lugar, eu disse que seria assim, me sinto cansada, meio tonta e ergo a espada antes que apague e a deixe viva, ainda vejo seus olhos aterrorizados quando a espada desce certeira e passa por seu pescoço, num corte exato e mil vezes planejado, que faz a cabeça rolar e o corpo pender sobre o pequeno zumbi apagado a seu lado.

Sem forças deixo a espada cair ao longo do corpo, minhas pernas fraquejam e estou no chão.

Meus olhos estão apagando, sinto por não poder olhar mais uma vez Sam, dizer a ele para se cuidar, Daryl deve cuidar dele, meus olhos ficam úmidos, Daryl, eu o amo, nunca disse a ele, devia ter dito, todo aquele medo que tinha perde o sentido agora que sei que não vou vê-lo mais uma vez.

Queria tanto estar em seus braços, queria tanto sentir seu cheiro, olhar os preocupados olhos azuis mais uma vez, queria tanto que ele soubesse, eu o amo.

─Amo você Daryl Dixon! – É bom dizer em voz alta ao menos uma vez.

Notas finais
Finalmente, espero que tenham gostado! Comentem. Beijos!!!!!!!!!!!!!!!!!