Hell Between Us

58 Capítulo 58 - Duas conversas o mesmo tema.


Notas iniciais
Olá pessoas! Desculpe se demorei, mas trabalhei mais esses dias para poder aproveitar um pouco o feriado, vamos ver se dá certo e consigo postar mais uns capitulos.

Pov – Abby

─Sam não viu perigo em deixar Bela com Ellen. – Beth comenta quando nos sentamos nos degraus dos fundos da casa, diante de nós apenas grama bem cortada e algumas árvores.

─Veio defender o Sam?

─De você? – Ela ri. – Claro que não, você mata e morre por ele, Sam não precisa ser defendido de você.

─Está certa, não precisa mesmo, sei que foi muito mais tolice minha do que dele.

─Falamos com Maggie, queremos ficar juntos, morar juntos eu digo.

─Eu e ele falamos sobre isso ainda na prisão, fico feliz pelos dois.

─Maggie aceitou bem, achei que ela pudesse criar empecilhos, mas ela gosta da ideia. – Beth mexe em suas pulseiras. – Mas decidimos ficar com ela.

─Morar na mesma casa que a Maggie? – Não consigo pensar nisso de modo tranquilo, acabo rindo. – Perdi meu irmãozinho?

─Boba! – Beth ri. – Seremos vizinhos. Pode se levantar todas as manhãs e ir ver se o Sam está na cama, deixo a porta aberta.

─Muito engraçado! – Resmungo.

─Vai ser bom para mim e para Maggie, não está sendo fácil para nenhuma das duas, o papai era... – Seus olhos marejam e seguro sua mão, ela sorri por entre as lágrimas, sempre querendo parecer forte, sempre querendo mostrar esperança. – Vamos vencer essa perda, nem é mesmo uma perda, tem muito dele em todos nós.

─Hershel deixou seu legado, você é sua legitima representante. Será uma velha sábia!

Rimos, depois passamos por um momento de silencio, instintivamente nosso modo de homenageá-lo.

─Também será bom para o Sam, ele precisa sair debaixo de suas asas. Crescer.

─Essa culpa é toda minha, sei que o encho de proteção.

─E ameaças. Pobre das orelhas! – Voltamos a rir.

─Me sobra Larissa.

─Acho que não, ela decidiu que vai morar na casa dos solteiros.

─Onde? – Não sei que lugar é esse.

─Estávamos falando sobre isso agora, uma casa para os solteiros dividirem. Sasha, Mich, Tara, Noah, Eugene e Carol. Todo mundo achou melhor assim. Ninguém quer ficar realmente sozinho, mas nenhum deles quer ficar morando com os casais.

─E Larissa quer isso? – Acho que ela pode escolher, ainda vou ficar de olho, mas Larissa não é mais um bebê, e esse mundo não espera as pessoas crescerem, eu a preparei bem, nosso grupo é de pessoas confiáveis, isso é no fim apenas geografia.

─Quer. Não vai se opor. Vai?

─Não tenho esse poder, nem quero ter, ensinei tudo que sabia a ela, agora ela faz suas escolhas.

─Que bom. O grupo já está até organizando tudo. Rick vai se mudar para casa ao lado com Judy e Carl. Ficamos com as duas casas seguintes.

─Quantas decisões enquanto dávamos uma voltinha! – Brinco e ela ri me empurra de modo suave. – E eu e Daryl ficamos aqui mesmo. É isso?

─Sim.

─Uma casa desse tamanho só para nós dois? Entramos para o time dos casados e nem fomos comunicados?

─Já passaram da idade. – Beth diz séria. – Além disso não são mais apenas os dois. Tem a Bela.

─Chegamos ao assunto afinal.

─Definitivamente. Esse é o ponto.

─Tem tanta coisa no meio disso. – Não sei se alguém pode me entender, não sei se alguém como Beth pode. Somos tão diferentes, mesmo no meio do apocalipse, mesmo depois de tudo que ela perdeu, ainda assim ela não entenderia. – Coisas...

─Que eu não entenderia? – Beth pergunta e afirmo. – Tente.

─Sophia. Daryl ainda carrega o peso de sua morte, não falamos, mas sei que sim. Mike, não o salvei, era pequeno, indefeso, eu assisti, eu não evitei. Ele ainda assombra minha mente.

─Ninguém está mesmo a salvo, nunca, não se pode evitar as pessoas por conta disso, ou é melhor mergulhar logo na boca de um zumbi.

─Foi uma longa estrada, suei para chegar aqui, onde estou, numa família, em um relacionamento verdadeiro.

─E agora a estrada se fechou? Porque não terminou o percurso, vai parar no meio do caminho?

─Eu.... Não é apenas sobre mim Beth, tem o Daryl também.

─O cara que está cuidando dela no momento? – Ela brinca e afirmo. – Daryl te ama, ele também percorreu essa estrada. Fez o percurso ao seu lado, ao menos foi o que assisti.

─Me abri Beth, completamente, ele sabe tudo sobre mim, todas as minhas dores, cada trauma, contei, conto cada vez que algo me atormenta. A primeira vez foi difícil, mas depois que comecei então não pude mais parar, eu sempre conto tudo e isso me ajuda.

─Mas ele não consegue.

─Nunca, uma ou duas histórias sobre o passado que soltou sem querer, coisas que me dão noção de quem ele é, mas nunca se abriu.

Beth suspira, fica pensativa. Depois me encara, tem aquele ar delicado, mas sempre acha as palavras certas, gosto de como é sempre sensata.

─Você não pergunta?

─Não. Aceito quem ele é, aceito o que ele pode me oferecer. Ele me dá tudo que tem, eu sei disso, então é o bastante para mim.

─Ou era. Agora tem a Bela e você quer a pequena, eu sei que sim, vejo nos seus olhos.

─Também quero que os mortos voltem para as tumbas. Não se pode ter tudo.

─Pensamento pequeno. Abby Coleman é maior que isso.

─Acho que tenho medo. – Admito, amo Daryl demais para correr o risco de perde-lo. – Medo dela me separar dele, e se ele não puder aceita-la e se eu não souber o que fazer com ela? Se for demais para ele? Para mim?

─Se descobrisse que está grávida. O que faria? – A ideia me espanta um pouco, não seria impossível, nem sempre nos prevenimos, mas as coisas são sempre tão difíceis, tanta pressão, tudo tão tenso, o corpo de ninguém é mais o mesmo e nunca aconteceu, mas podia ter acontecido, pode acontecer.

Fico muda um tempo, pensando a respeito, uma vez falamos superficialmente sobre filhos e ele quase teve um ataque, me lembro de ter me sentido até magoada, mas se acontecesse nada me afastaria do meu bebê.

─Lutaria por seu bebê não é? Enfrentaria o inferno, mas não abriria mão dele, é esse tipo de amor que Bela está pedindo e embora ela pudesse pedir a qualquer um ela escolheu vocês, não devia me meter nisso, mas realmente acho que é tudo tão evidente, Abby acho que ela é um presente que o universo, Deus ou o que quer que exista além de nós enviou aos dois.

Seu rostinho delicado me invade a mente, o jeitinho como ela dorme sobre o peito de Daryl, os dentinhos pequenos, os olhos brilhantes, dedinhos grossos, as poucas palavras, os cabelinhos que criam cachinhos nas pontas, finos e sempre perfumados.

─Ela é a coisinha mais perfeita desse mundo não é?

─É. E acho que você e Daryl deviam falar sobre isso, algo me diz que ele tem os mesmos medos que você.

─Pode ser, já o peguei muitas vezes perdido de encantamento por ela. – Ela me aperta a mão, sei que só quer meu bem, Beth é uma das pessoas mais próximas que tenho, olho para ela tão indecisa e assustada quanto antes. – Não sei ser mãe Beth, não sei como é esse sentimento, não tive mãe, não aprendi, acho que o que devo fazer é achar logo alguém para Bela. Menos aquela Ellen, não gosto dela.

─Está certo. – Beth se levanta. – Faça isso, ou tente. A vida sempre dá um jeito.

Ela me sorri depois me da as costas, fico mais um tempo ali, olhando para o nada, pensando na vida e suas armadilhas.

─Pensativa? – Michonne se aproxima.

─Oi samurai! – Ela ergue uma sobrancelha.

─Oi ninja. O que aconteceu? Brigou com o marido?

─Quando foi que subimos de posto? – Só porque apareceram umas casas no nosso caminho agora somos casados?

─Não sei, mas que importa o nome?

─Tem razão, não importa. – Fico de pé. – Não brigamos não. Aliás vou lá ficar com ele, eu o deixei sozinho com a Bela.

─Que evolução! Daryl Dixon babá? Mas eu vejo que ele gosta.

─Acho que gosta. – Subo os degraus, me viro antes de entrar. – Mich, acha que esse é o lugar? Acha que vamos ficar?

─Eu acho que precisamos tentar, as ruas estavam nos destruindo, aqui temos uma chance. Eu quero tentar. Todos queremos.

─Sabe que vai dar merda em algum momento?

─Claro que sim. E quando acontecer vamos resolver e continuar aqui.

─As pessoas... Gosta delas?

─Quase não conheci ninguém. – Ela dá de ombros. – Vamos ver.

Deixo Mich e caminho para o quarto, Daryl deve estar querendo me matar, quase uma hora sozinho com a menina, será que ela chorou? Definitivamente não estamos prontos.

Pov – Daryl

Então é isso. Entro no quarto com Bela grudada em mim, acho que vou ter que parar de usar esse colete, ela aprendeu a se grudar nele e nunca consigo me livrar dela.

Olho para os olhos verdes e penso se não é pecado ficar falando em me livrar dela.

─Aqui bonequinha, senta na cama. – Eu a coloco sentada na cama, ela ainda se segura em mim. – Vou ficar por aqui pequena, fica tranquila.

Me sento também na cama e ela acaba me soltando, pega o peixe que tanto lhe faz companhia.

─Peixe! – Me diz estendendo o brinquedo.

─Isso mesmo, peixe. – Quando quer fala bem direitinho não é mesmo senhorita Bela? – Ela ri, pisca, coça o nariz, pisca de novo. – Esse seu cabelo nos olhos não é bom, vai criar mania de piscar.

Ela continua me olhando, aposto que não está entendendo nada do que estou falando.

─Tira os cabelos dos olhos.

─Peixe.

─Eu sei, já entendi, agora tira... Deixa que eu faço isso. – Empurro sua franja para o lado, seu rosto delicado fica mais visível. – Melhor? Claro que está melhor, mas são lisos, logo voltam, melhor pedir para a Abby cortar um pouco, ou prender com essas coisas de mulher.

Ela não dá a mínima para minhas palavras, balança o peixe na minha frente.

Pego ele, está meio úmido, ela vive mordendo aquilo. Será que tem germes? E se ela pegar alguma doença? São tantos os perigos, passo na camisa para limpar um pouco.

─Tome. – Ela não quer, prefere engatinhar até chegar mais perto de mim, se apoia em meu braço para ficar de pé na cama, a superfície mole não ajuda muito e preciso segura-la para que a pequena se sustente em pé. –O que você quer Bela?

─Esse. – Ela aponta a besta encostada num canto da parede.

─De novo isso? Não pode. Brinca com o peixe. – Entrego o brinquedo para ela, Bela se senta resignada, aproveito para me deita um pouco, a mente passeando pelas possibilidades que esse lugar oferece.

Bela sacode o peixe, ele voa de sua mão, rola pela cama e cai no chão, sorrio quando noto sua decepção momentânea, me viro para me esticar um pouco e pegar o brinquedo ao lado da cama.

Basta um segundo e lá vem ela sem medo do perigo quase se atirando da cama em busca do brinquedo, eu a seguro pelo pé.

─Você é muito sem noção! – Reclamo quando a arrasto pelo pé para o centro da cama, com a outra mão seguro o brinquedo, ela solta uma risada alta, olho para ela, a menina adora ser arrastada, repito só para ouvir sua risada, ela gargalha. – Aventureira. Perigosa também, se fosse o Sam agora estaria com a cara amassada.

Sento Bela na cama, entrego o brinquedo, um sorriso ainda dança em seu rosto infantil.

─Sabe que esse seu lado radical dificulta muito a tarefa de achar alguém para você? Não pode ser qualquer um, é muito esperta e poucos estão prontos para tal missão.

─Peixe! – Ela me estende o brinquedo mais uma vez.

─Obrigado. – Suspiro pegando o brinquedo. – Gostou da Anna? Estava pensando sobre isso e acho que ela não é boa influência, é muito mais velha que você, vai ser mal exemplo, melhor andar com a Judy, ela é só um pouquinho mais nova.

─Bebê! – Bela olha em volta e aponta a boneca, acho que sabe que estou falando da Judith, associa ela a sua boneca, pego o brinquedo, entrego e de modo instintivo como que provando que é uma garota ela abraça a boneca. Acaricia a boneca, resmunga algo que não compreendo.

─Voltando a Anna, não tente desconversar. Eu tive um irmão mais velho, entre cuidar de mim e ensinar o que não presta ele ficou com a segunda opção, e olha aqui no que deu. Não quero ser chato nem nada, mas vamos evitar Anna e aquela mãe dela. Tudo bem?

─Bem! – Ela balança a cabeça concordando, aquilo é tão engraçadinho que sinto até vontade de pega-la no colo e abraçar.

─Que conversa longa da Abby! – Não acho bom ficar tanto tempo sozinho com Bela, a pequena é muito bonitinha. – Acha que ela e você... Você sabe Bela. Acha que a Abby aceitaria você? Ela é bem maternal. Não podemos dizer isso a ela porque a ofende um pouco, mas ela é. Vocês duas podiam se entender, seria... Não, eu nem me atreveria a dizer isso a ela, acho que Abby mandaria nós dois para o inferno, ela não é má, apenas... Aconteceram coisas e ela ficou meio com medo.

Me deito de novo, Bela coloca a boneca do meu lado, com dificuldade se deita também, esfrega o nariz no travesseiro, me olha e decide que a boneca está atrapalhando, empurra para longe e se aproxima de mim, ou dos meus botões, fica ali brincando com um deles que logo vai cair.

─Esse lugar é bom, vai ser seguro, mas preciso investigar as pessoas, ainda não conheci todos, preciso ter certeza que é seguro para você ficar aqui. Se zumbis não vão aparecer.

Bela me olha um momento, ela nunca chora, parece sempre corajosa, nem quando cruzamos zumbis na estrada ela demonstrou medo, aquilo me assusta, muito, tanto que me ponho de pé.

─Não pode não ter medo deles. E se um dia um se aproximar, precisa chorar, gritar, se esconder, posso estar longe, Abby também, como vamos saber que está em perigo? – Ando de um lado para outro, isso não é bom, isso é péssimo. – Menos coragem Isabelle, mais prudência.

─O que aconteceu? – Abby surge no quarto, se espanta com minha indignação.

─Ela não tem medo de zumbis.

Seus olhos atentos passeiam pelo quarto, talvez em busca de um zumbi caído, claro que não tem nada, estou apenas trabalhando com hipóteses, coisas que podem acontecer no futuro.

Não devia relacionar futuro a Bela, ela não vai estar tão perto assim, deitada me olhando completamente alheia aos meus medos.

─Pense se um zumbi surge do nada, se estamos distraídos, ela deveria gritar.

─Talvez ela grite. – Abby responde sem saber muito como agir, acho que só quer mesmo me acalmar um pouco.

─Talvez não é o bastante. – Respondo tenso. – Quando se é criança e está sozinho é preciso ser esperto, se não a vida te devora. Agora mais do que nunca.

─Ela não está sozinha! – Minhas palavras ofendem Abby, sinto pelo olhar magoado que me lança. – Tem toda a comunidade por ela. – Completa indecisa, depois suspira, retira as espadas das costas, encosta ao lado da besta e se senta na cama. – Estão todos se mudando.

─Para onde vamos? Ninguém me disse nada!

─Não vamos Daryl, o grupo está só se ajeitando nas casas a nossa volta, nós dois ficamos aqui e ela por enquanto. – Abby se deita parece cansada.

─Acho que ainda é cedo para isso.

─Estão ávidos por um pouco de normalidade, todos sonhando com a rotina de uma vida suburbana.

Me sento com Abby, acho que agora é que realmente começa nossos desafios, nosso mundo é o caos, o inferno de zumbis, a incerteza, essa coisa de dia a dia com vizinhos e tortas de frutas não combina com nenhum dos dois.

─A gente vai ter que conseguir Daryl, eu e você, se por um lado não quero ficar aqui brincando de mundo perfeito por outro não quero mais correr.

─Eu sei. – Me deito a seu lado, ela vem para meus braços, sua cabeça em meu peito, acho que precisamos de um momento só nosso. – Sinto falta da nossa cela.

─Eu também, sinto falta até da parede.

Rimos os dois, bons momentos, tínhamos a segurança de um teto, mas era tudo tão improvisado que nunca esquecíamos do fim do mundo, os zumbis gemiam em nossas grades sempre nos lembrando que a morte estava a nossa espreita, agora corremos o risco de enfraquecer.

Bela passa por cima de Abby, se movimenta toda fazendo um grande esforço para acabar no meio de nós dois, muito tranquila por estar ali.

─Uma hora ela dorme. – Abby concorda com um meio sorriso. – Então eu a levo para o outro quarto.

─Deixa-la lá sozinha? – Abby arregala os olhos.

─Ou ela fica aqui mesmo. – Abby se tranquiliza, sorri.

─Acho o Sam um traidor, ele não tinha nada que ir morar com a Maggie. Ele é muito imaturo, quem vai ficar de olho nele?

─Você é muito maternal. – Deixo escapar me esquecendo que ela sempre me manda para o inferno quando digo isso, mas dessa vez o que recebo em troca é apenas silencio.

Notas finais
Beijos!! No próximo alguma adrenalina.