Hell Between Us

51 Capítulo 51 - A rainha do apocalipse


Notas iniciais
OLA PESSOAS!!!!!!!!!! Desculpem a demora, tive um problema e por isso a demora. Cortei a mão lavando louça, eu sei, nada glamuroso, mas foi isso, levei uns pontos, bem a mão direita, tentei escrever com a esquerda apenas, mas demorava uma eternidade e me irritava muito, agora melhorei, não está doendo e já dá para movimentar a mão, então estou de volta. Vou responder aos comentários e depois já pego outra fic para escrever. A pessoa que escreve sobre apocalipse zumbi se corta com um copo lavando louça, não duraria um dia no apocalipse, Abby deve morrer de vergonha alheia de mim.

Pov – Abby

Caminho pelo corredor principal ouvindo os passos arrastados de Noah atrás de mim. Só me concentro em buscar os policiais, meu andar é firme, as espadas firmes em minhas mãos o olhar erguido.

Viro um corredor e um policial surge, no primeiro segundo ele apenas se surpreende, em seguida tenta sacar a arma, sou mão toca o coldre a minha é mais rápida e a espada atravessa seu peito antes que possa reagir, vejo o terror em seus olhos, penso no sofrimento que aquele ser desprezível infringiu a tantas mulheres e não sinto nada além de nojo, a espada volta trazendo sangue e entranhas, seu corpo cai enquanto ele geme, logo uma poça de sangue se forma sob seu corpo.

Me aproximo, nossos olhos se encontram mais uma vez antes que eu feche os dele com a ponta da espada em sua testa. Não quero zumbis assustando ainda mais os inocentes do lugar.

Balanço a sai para limpar o sangue, olho para trás, Noah me encarava assustado, desvio o olhar e continuo meu caminho logo depois de recolher a pistola do policial. Ainda escuto os passos de Noah em meu encalço.

─Na segunda porta a direita, sempre tem um deles lá, fazendo exercícios. – Ele me avisa e sorrio sem olhar para trás.

Não perco tempo com formalidades, chuto a porta que se abre com estrondo, um policial se exercitava numa bicicleta ergométrica e aquilo é absurdamente ridículo diante do mundo morto que existe lá fora.

Mais uma vez sou notado com olhos apavorados, o homem toca a cintura procurando a arma, mas seu cinto descansa sobre uma mesa ao seu lado.

─Procurando por isso? – Pergunto erguendo o cinto com a pistola ainda presa a ele. – Tarde demais.

Cruzo as espadas em seu pescoço, o homem ergue as mãos em rendição. É pouco, ao menos para mim.

─Por favor! – Ele pede, elas devem ter pedido também, eu pedi muitas vezes no passado, gente como ele não escuta, eu não escuto, minhas espadas se encontram depois de cumprirem seu caminho por dentro do tecido, a cabeça rola enquanto o corpo cai para frente de apoiando no guidão da bicicleta o sangue escorre como uma torneira aberta.

─Abby...

─Se tranque numa sala se não tem estômago garoto, isso é só o começo.

Meus pés deixam marcas de sangue pelo corredor do hospital, um homem vestido em trajes do hospital surge numa porta, os cabelos brancos não o impedem de se chocar com minha imagem.

─Volte para o quarto senhor, é mais seguro. – Digo ao passar por ele, o homem obedece sem questionar, fecha a porta atrás de si. – Onde encontro os outros Noah?

─No refeitório talvez ou com alguma enfermeira quem sabe.

Sua voz soa incerta, ele ainda me segue de perto, talvez agora com medo de ser deixado para trás. O refeitório não é longe, paro na porta evitando ser vista, com cuidado analiso o ambiente, um policial segurava uma bandeja com sua refeição, com ele apenas uma mulher de olhos baixos arrumando os alimentos.

Vejo seu sorriso tolo ao sussurrar qualquer coisa no ouvido da mulher que se encolher cheia de medo e nojo, depois ele ergue a cabeça, tão cheio de soberba que nem sonha que vai morrer em segundos.

Apoiando a bandeja em uma única mão ele usa a outra para empurrar a porta, quando ganha o corredor sente a lamina da espada atravessas sua têmpora sem nada poder fazer, a bandeja vai ao chão criando um som estridente que ecoa pelo hospital, depois enquanto retiro a espada seu corpo cai deixando um rastro de sangue na parede atrás de si.

Me abaixo para recolher sua arma, um disparo me desperta, me ergo e Noah tinha o braço erguido a arma em riste, os olhos perdidos, me viro e na outra ponta do corredor o corpo de mais um policial.

─Ele virou o corredor do nada, ia atirar em você.

─Obrigada! – Eu consigo dizer, imagino que não deva ser fácil para ele. – Quantos faltam?

─Dawn e mais um policial apenas, aposto que estão juntos.

─Agora com esse disparo estão a caminho. Fica sempre atrás de mim.

Caminho pelo canto do corredor, os sentidos todos atentos. Pretendia virar quando escuto passas.

─Para os quartos todos, estamos sendo atacados. – A voz de Dawn chega a mim antes que eu a visse. Puxo Noah para um quarto e fecho a porta logo atrás de mim. Uma mulher me olhava assustada.

─Está tudo bem. Não quero te machucar.

Ela afirma com a cabeça, Noah se aproxima dela.

─As coisas vão ficar melhores agora, apenas não tenha medo.

Os passos se aproximam, guardo as espadas mais uma vez, saco a pistola e me encosto atrás da porta.

─Talvez estejam tentando sair pelo poço do elevador. Vamos.

A voz de Dawn soa abafada, mesmo assim entendo perfeitamente, espero o som dos passos ganhar distância e giro a maçaneta da porta, Noah segura minha mão.

─Vamos aproveitar e correr para a saída.

─Ainda não acabei Noah, pode fazer isso se quiser, tenho um encontro com a Dawn e estou atrasada.

Abro a porta e caminho mais uma vez pelos corredores do Grady.

O doutor Stevens surge, puxo as sais assim que seu vulto surge atrás de uma porta, ele ergue as mãos em rendição, pálido e tremulo me encara.

─Não se preocupe doutor, não está em risco.

─Você não devia fazer isso, ela vai matar você.

─Já morri algumas vezes doutor, posso suportar. – Encaro Noah. – Você fica aqui.

─São dois. – Ele me alerta.

─Tenho duas Sais, uma para cada um. Não se preocupe.

Me apresso, a porta que dá para o corredor onde se encontra o poço do elevador está fechada, paro um segundo para me concentrar.

Daryl me vem a mente, ele iria se orgulhar? Talvez me achasse louca, mas sim, Daryl Dixon ficaria orgulhoso de me ver lutando por mais alguém além de mim e Sam. Abro a porta com cuidado.

A primeira coisa que vejo é uma luta corporal entre Dawn e o policial, ela chuta o homem que bate na parede, ele a empurra com força, Dawn se desequilibra, o homem puxa sua arma.

Não vai tirar meu prazer, eu vou matar essa vadia não ele. Chuto sua mão a arma voa em direção ao poço só então sou notada, puxo minhas espadas, o homem dá um passo em minha direção, tão auto confiante que vem de peito aberto, me faz sorrir.

Minha espada passa primeiro por seu rosto, ele grita de dor e apenas cravo fundo a espada esquerda em seu peito, com o pé eu o empurro para o buraco do poço, fico imóvel ouvindo sua queda deselegante e barulhenta, logo vem os gemidos.

─Obrigada! – A voz de Dawn chega aos meus ouvidos, vadia estúpida, acha mesmo que a ajudei, um sorriso de escarnio se forma em meu rosto quando me viro para encara-la.

─Acha que fiz isso? Acha que ajudei você? – Ela sente o peso do meu olhar, me encara com olhos arregalados.

─Essas pessoas... Esse lugar, você não entende. – Sua mão procura a arma na cintura, não está mais lá, caiu e chuto para longe quando ela busca a arma com o olhar, sorrio quando seus olhos voltam de encontro aos meus. – Um dia a ajuda vai chegar, todo mundo tem algo a oferecer.

─As mulheres o corpo não é isso? Menos você? Porque não foi para cama com todos eles como a vadia que é?

Acerto um tapa em seu rosto, ela leva a mão ao local agora vermelho, seus olhos não escondem o ódio por mim.

─Reaja! – Ordeno. – Faça algo.

─O sistema...

─Não tem mais sistema! – Grito com ela. – Matei um por um dos seus homens! – Acerto outro tapa. – Vou matar você.

─Posso fazer isso antes! – Dawn avança sobre mim, tem muita força, mas pouca técnica, acerta o primeiro soco e meu rosto arde um pouco, mas conheço a dor e não me importo com ela, me esquivo do segundo com facilidade, ela fica surpresa e mais uma vez investe contra mim. Mais uma vez apenas me esquivo, tem algum sadismo de minha parte em apenas cansa-la quando sei que poderia acabar com tudo de modo rápido. ─Vadia! – Ela grita quando tenta pela terceira vez, eu a empurro. – Podia ter ido embora!

─E deixar as mulheres sendo escravizadas por você? Fingia não ver, fingia não ser importante! – Minha mão segue para seu pescoço, eu a prendo contra a parede, enquanto seu rosto vai ficando vermelho suas mãos tentam se livrar da minha.

─Socorro! – Ela geme se debatendo, me afasto dela dando uns passos para tras, ela leva as mãos ao pescoço, tosse e cospe tentando recobrar o folego, depois num movimento rápido ela salta para o lado em busca da pistola agora perto, cai com a mão no cabo da arma, se vira no momento que puxo mais uma vez a espada, uso para prender sua mão ao chão, a arma se solta enquanto ela grita de dor. Chuto a arma para longe e puxo minha espada de volta.

─Você não é digna de morrer por minhas espadas. – Elas voltam para minhas costas formando o costumeiro X, puxo a pistola quando Dawn se erguia, miro sua testa, ela sabe o que vai acontecer, apenas arregala os olhos e então tem a testa perfurada, seu corpo desaba e quando me dou conta metade do hospital me encarava da porta do corredor. Doutor Steven liderava o grupo de curiosos, me abaixo, pego a pistola e caminho para ele.

─Abby. – Ele me encara, não encontra nada para dizer e apenas fica a minha espera, ergo sua mão, coloco a pistola em sua palma.

─Cumpra seu juramento doutor. Salve pessoas.

Pego o rumo da saída como disse que faria, escuto mais uma vez os passos arrastados de Noah a me seguir.

Sou Abby Coleman, eu disse que não saia pelos fundos. Abro as portas principais do Memorial Grady Hospital, a luz do dia me ofusca a visão por um longo instante, quando me acostumo com o sol e seu brilho intenso uma pequena horda de zumbis se aproximava vindos de todas as direções, sujos, cambaleantes, fétidos, descompostos e famintos, a morte em movimento.

─Não vamos conseguir. – Noah diz atrás de mim com o pânico expresso em seu tom de voz.

─São só os mortos Noah. Apenas os mortos. – Puxo minhas espadas.

É só mais um dia no apocalipse, é só cortar cabeças e cravar cérebros, é só sangue e tecidos espirrando para todos os lados, é só seguir em frente.

Limpo o caminho até um dos carros de polícia, Abro a porta para Noah, ele salta para dentro assustado, empurro um zumbi com preguiça de mata-lo, dou a volta no carro em direção ao volante, chuto mais um deles e entro.

A chave está no contato como achei que estaria, a arrogância dos policias visível em cada pequeno detalhe, giro e o motor ronca, dou ré atropelando alguns corpos, paro diante do portão, troco a marcha.

─Estão fechados! – Noah soa ainda apavorado, reviro os olhos antes de pisar fundo no acelerador. Cubro a distância entre mim e o portão com o pe fundo no acelerador, as correntes se rompem com a força da lataria, aço e zumbis voam pelos ares quando ganho em alta velocidade as ruas de Atlanta. É hora de voltar para ele.

─Então garoto, o que vai ser? Te deixo em algum lugar ou segue comigo até a prisão, te consigo combustível e suprimentos e segue seu caminho, você decide.

─Vou com você! – Olho para ele pregado no banco do carro com os olhos fixos na estrada, me lembra tanto o Sam que apenas sorrio.

O tanque está cheio, os policiais deviam ter suas conexões, a estrada está limpa, o dia claro e apenas me recosto no banco com as mãos firmes no volante.

Agora posso sonhar com ele, sei que vai estar preocupado, talvez tenha saído a minha caça, talvez pense que estou morta, desde que não ache que o abandonei como tentei uma vez, por mim tudo bem, posso lidar com o resto.

Quase posso sentir seu cheiro, sua mão entrelaçada a minha, meu rosto queima com a ideia, devo ser mesmo a princesinha republicana, ao menos perto dele é como me sinto.

─Nunca vi ninguém como você. – Noah me diz meia hora depois.

─Tem muitos como eu aqui fora, sobreviver Noah não é nada fácil, é bom saber disso, não tem espaço para os fracos.

─Mesmo assim, você... Nossa! É muito forte, corajosa e preparada.

─Não nasci assim, acredite. A vida me preparou, esse não é meu primeiro apocalipse.

─Qual foi o primeiro?

─Já passou, está enterrado agora. Eu vinha deixando tudo aquilo para trás a um tempo e hoje eu destruí o sistema, destruí junto o reformatório o resto do passado, salvei aquelas mulheres todas e com isso me salvei.

Sinto todo peso do passado me abandonar de uma só vez, estou livre, estou finalmente pronta para viver e ser feliz, mesmo no meio do fim do mundo. Vou voltar para casa, construir com Daryl, Sam e todos os outros uma nova vida. O medo acabou.

A estrada denuncia a proximidade da prisão com sua antiga placa de aviso, agora enferrujada e suja de sangue, o alivio logo e substituído pelo pavor quando enxergo a torre destruída, meu coração parece sair do peito.

─O que foi? – Noah pergunta ao perceber minha palidez.

─Não pode ser! Não pode! – Um nó se forma em minha garganta quando salto do carro diante das grades caídas da prisão, zumbis caminhavam perdidos por entre escombros e corpos pelo chão, a horta estava destruída, um tanque no meio do pátio contava uma história de terror que tornava o apocalipse um conto de fadas.

─O que aconteceu? – Noah questiona como se pudesse responder a isso, alguns zumbis me percebem, mudam de seu estado de letargia para o ataque. Puxo minhas espadas. – Melhor irmos.

─Ir? Eu não tenho para onde ir, essa é minha casa! – Grito caminhado por entre os corpos, em busca dos meus, não estão mortos, não estão, são minha família, são tudo que tenho. – Vá se quiser, leve o carro.

Desvio de um zumbi, depois de outro, meu peito cheio de dor e fúria, os braços cansados de tanto matar e matar.

─Daryl! Daryl! – Ele está vivo, não morre, não Daryl Dixon, o apocalipse não é páreo para ele.

Fico cercada pelos mortos, a visão embaçada pelas lágrimas, não se pode parar.

Uma fúria sem limites me invade, acabo com os zumbis que me cercam sem poupar força, destruo um por um com todo requinte que minhas Sais permitem, cabeças e membros rolam pelo que um dia foi o quintal de minha casa.

Meu peito sobe e desce cansado quando finalmente me sinto livre, esgotada e sozinha. As lágrimas correm sem fim, não sei ficar sozinha, não quero, ele não pode ter me deixado, olho para a infinidade de corpos a minha volta, entre soluços vou de um em um, procurando pelos meus, com medo de encontra-los ali, mortos.

Lá está a razão da queda, o corpo com um tapa olho e o rosto semi-desfigurado por um tiro, talvez mais que um. O maldito Governados finalmente voltou em busca de sua vingança.

Fico algum tempo ali, me consumindo pelo ódio. Ergo meu olhar e continuo minha busca, puxo o ar com força e cravo firme meus pés no chão quando noto o corpo de Hershel estendido ao leu, eles tiveram que sair as pressas ou jamais teriam deixado o corpo do velho Hershel sem um funeral.

O corpo de Cliff não está muito distante, nenhuma das crianças, nenhum dos meus, paro diante da cadeirinha de Judy, está no meio do pátio suja de sangue, sinto meu peito se abrir, minhas pernas se dobram diante daquele horror.

Não quero mais continuar, quero esperar que me devorem, mais do que isso, quero correr ao encontro dos mortos e pedir por uma caridosa mordida. Sinto meu corpo estremecer entregue as lagrimas, ouço um disparo, não me importo.

─Abby. – A mão de Noah repousa em meu ombro. – Tem muitos, mais do que pode conter, precisamos ir.

─Já disse, essa é minha casa, não tenho para onde ir.

─Sua casa é onde está sua família, ela não está aqui, precisa se levantar e procurar por eles.

Suas palavras fazem todo sentido, é exatamente isso que vou fazer, me ponho de pé, encaro Noah com os olhos firmes e decididos mais uma vez.

─Você está certo, vou tirar você daqui, depois pode ir para onde quiser, vou caçar os meus.

Olho em direção ao carro, está cercado de zumbis que pegam a estrada atiçados por nossa presença.

─Vamos, tem outro caminho.

Só paramos de andar quando a noite seguia alta, me sento um instante em um troco de árvore, apoio os braços nos joelhos e apenas fico ali um longo momento, Noah continua de pé, uma faca na mão, olha de um lado para outro tão assustado que não vai chegar a lugar nenhum sozinho, mas não tenho forças para sentir pena.

─Eles não sabem que estou viva, não sabem que voltei a prisão, não sei para onde podem ter ido, os rastros que podem ter deixado foram apagados pelo tempo.

─Mas me disse que Daryl é um caçador, ele pode te encontrar, então tem que continuar.

Um barulho entre as folhagens me põe de pé, os gemidos entregam o dono do som e só voltamos a caminhar. Amanhece quando ainda estamos andando sem destino, chegamos a uma linha de trem, presa a ela uma placa, Terminus, será que eles iriam para esse lugar? Tem um mapa, precisamos seguir os trilhos.

Encaro Noah, ele dá de ombros.

─Devíamos tentar. – Me diz despreocupado, afirmo.

─Não devia estar a caminho de Richmond?

─Fico até achar sua família, diz que são fortes e agora estão na estrada, talvez eu possa convencer vocês a seguirem comigo.

─Talvez.

Voltamos a caminhar, raramente um zumbi cruza nosso caminho, mas quando o fazem procuro apenas desviar e seguir em frente, meu corpo está esgotado demais para lutar, não conseguimos agua desde que deixamos a prisão, minha garganta está tão seca que nem consigo falar.

─Vamos sair dos trilhos um tempo para procurar por água, depois pegamos ele de volta mais para frente.

Noah afirma apenas com a cabeça, imagino o esforço dobrado que não é para ele. Além de despreparado ainda tem a perna ferida manca o tempo todo e isso deve ser ainda mais desgastante.

Encontro um leito de rio, aproveito para tirar um pouco da terra do rosto, cabelos e braços, bebo uns goles, encho a única e pequena garrafa que consegui e seguimos de volta em direção aos trilhos.

Paramos quando anoitece, acendo uma pequena fogueira, sentamos diante um do outro.

Noah começa a falar sobre sua casa, os muros, as pessoas, os irmãos pequenos, tão esperançoso quanto eu quando dirigia para casa. Não o desanimo, depois ele se deita e fico de guarda.

Penso em Sam, em como eu sempre acordava assustada achando que meu garoto podia não estar ao meu lado naquele sono pesado de adolescente que sempre o dominou, meu irmão de apocalipse cresceu, está pronto para este mundo e onde quer que esteja está vivo, meu coração grita isso o tempo todo.

Daryl está cuidando dele e de Beth e Larissa, ele faria por mim, sabe o quanto são importantes para mim.

Mais uma vez deixamos os trilhos em busca de água, uma pequena horda de zumbis nos afasta ainda mais da direção que pretendíamos seguir e entramos mais na floresta.

Mudamos de direção, o dia termina e de novo estamos no escuro, sozinhos, sem esperanças e silenciosos.

─Se não encontra-los...

─Vou encontrar! – Eu o interrompo e Noah afirma se calando.

Aquele nó na garganta que me domina desde que vi a torre quer se desfazer em uma crise de pânico, mas não permito, sou a rainha do apocalipse agora, não quero e não vou me render a lágrimas como a princesinha republicana faz, ela pertence a Daryl Dixon e ele não está aqui agora.

─Acorda Abby, já amanheceu. – Noah me cutuca, estou encostada em uma arvore, a cabeça apoiada nos joelhos dobrados, ergo o olhar e meu pescoço dói com o movimento, massageio me pondo de pé. – Queria te deixar descansar um pouco mais, não faz nem três horas que dormiu, mas acho perigoso ficar aqui sem proteção.

─Vamos embora.

No meio do caminho percebo pegadas na terra úmida, são humanas e são um bom número, meu coração acelera, podem ser eles, podem ser inimigos piores que os policiais, seja o que for só tem um meio de descobrir.

─Tem certeza que quer seguir essas pegadas? Quer dizer e se forem apenas zumbis?

─São pés firmes, são pessoas Noah, e não estão longe, fica perto de mim e não faz barulho.

Caminhamos mais quase uma hora, nem me importo o quão longe podemos estar de Terminus agora, não posso perder as esperanças e essas pegadas são o mais perto que cheguei disso.

Escuto vozes abafadas pela distância, faço sinal para Noah se aproximar, andamos mais lentos e vejo o que parece ser pessoas, as folhagens me impedem de enxergar muito, nos aproximamos lentamente com o garoto logo atrás de mim.

O inferno que nos separa volta a se fechar quando eu o vejo de pé, a besta nas costas e os olhos fixos em Rick.

─Vou trazer Abby de volta nem que tenha que ir ao inferno busca-la.

Notas finais
Gostaram? No próximo reencontro e fofuras. BEIJOS!!!