Hell Between Us
50 Capítulo 50 - Terminus
Notas iniciais
Pov – Daryl
O grupo se senta pelo chão, em volta dos corpos daquele grupo de homens, de algum modo eles me lembram eu, as roupas o modo como lutaram a frieza, me lembra minha vida, Rick está paralisado, o rosto coberto de sangue os olhos perdidos, o que vivemos na última hora vai além de tudo que já pensei.
A violência contra Carl, aquela coisa suja que pretendiam com o garoto, o modo como Rick o defendeu, nos tornamos animais, nada além disso, mas quem faria diferente? Isso é sobreviver, é quem somos e como vivemos.
─Fiquem aqui, vou ver se encontro água.
Saio com a besta, se Rick se recuperar posso deixar os garotos com ele e ir em busca de Abby, é isso que tenho que fazer, não tem sentido para mim continuar sem ela e eles vão entender isso.
Encho a garrafa em um pequeno riacho, lavo o rosto e as mãos.
Rick está no mesmo lugar quando chego, Beth chora nos braços de Sam, não quero pensar em Judy, não quero pensar em mais nada.
─Tome, limpe o rosto.
─Devíamos guardar para beber.
─Você não pode se ver, mas ele pode.
Rick aceita o lenço e a água, me sento a seu lado, ficamos uns minutos em silencio.
─Não queria deixar a prisão, queria tentar esperar por ela, mas então os garotos precisavam de mim e eu a deixei para trás.
─Você fez o que era certo, sabe disso, Abby também sabe. – Não consigo pensar assim, só consigo lembrar dela ferida, da fragilidade de quando estava precisando de mim, das brigas para não virar para a parede. Como pode estar bem se está sozinha?
─Eu não sei se consigo encontrá-la.
─Sei que pode, ela está viva, por aí, talvez no seu rastro.
─Você não tinha outra escolha Rick, o que fez hoje, qualquer um faria.
─Não, não qualquer um, sabe disso.
─Fez o que tinha que fazer, eu não, deixei minha mulher...
─Pare de sentir culpa, Abby é uma mulher forte, está viva, e não tem culpa sobre isso.
─Quero ir atrás dela. Cuida dos garotos?
─Preciso de você Daryl, é meu irmão e só por isso posso pedir.
É bom saber que ele me vê assim, sempre quis que Merle fosse como Rick, mas não foi e é importante ouvir isso. Por muito tempo me senti um lixo, Abby e esses garotos me devolveram a vontade de viver, a sensação de que sou importante, mas nada disso importa se ela não está comigo.
─Eu vi placas sobre um lugar. Terminus, quero ir até lá, eles pediram por pessoas, convidam, o lugar pode ter caído, mas é uma chance.
─Terminus? Acha que pode ter mais gente viva? Que Abby pode ir para lá?
─Acho. Me ajuda a levar as pessoas lá, se for seguro deixamos eles e vou com você encontrar Abby, mas acho que ela pode ir até lá.
─Faço isso. – É ao menos uma direção.
─Então vamos.
Ficamos de pé, vou para junto dos garotos.
─Mich falou sobre um lugar, Terminus, acho que a Abby pode ter ido para lá nos procurar.
Sam me avisa com um tom de pedido, sei o quanto é importante para eles encontrar Abby.
─Vamos até lá, se ela não estiver vocês ficam e eu sigo em busca dela.
Um pequeno alvoroço começa, todos querendo ir comigo.
─Vou sozinho! Isso está decidido, então se ponham a caminhar.
─Sou boa em me defender, não vou atrapalhar. – Larissa me avisa.
─Se defenda ficando viva para quando encontrar Abby, agora vamos.
Larissa segue na frente com Beth, Sam se junta a mim, nós dois vamos em silencio um ao lado do outro.
─Acha que alguém pode ter salvo Judith? – Ele me pergunta e meu coração se aperta com a lembrança.
─Não quero falar disso.
─Beth está se sentindo culpada, não para de chorar, agora que encontrou o Rick está pior, com medo de olhar para ele e fazer ele sofrer.
─Ela supera, Beth é forte e Rick não está culpando ninguém além dele mesmo.
─Acha que ele teve culpa? – Sam me questiona.
─Ninguém teve culpa de coisa alguma, vamos Sam quero chegar logo nesse lugar.
Apresso o passo. Rick caminhava a frente, Mich e Carl brincavam entre si, os trilhos nos levariam até Terminus, quem sabe até Abby, mas se ela realmente chegou lá, se o lugar existe, então ela já partiu, duvido que ficasse sabendo que não estamos. Minha chance é chegar antes dela.
Quando nos aproximamos o bastante do lugar nos dividimos para olhar o perímetro, enterramos as armas que conseguimos com os bandoleiros que atacaram Rick, depois pulamos o muro.
O lugar parece vazio e silencioso, me lembro do rádio, não faz muito tempo que ouvimos o chamado, quem sabe eles estão ainda aqui?
Vamos caminhando por entre as construções, encontramos as portas de um grande galpão abertas e entramos. Uma mulher falava num tipo de rádio, o mesmo pedido que ouvimos no carro.
Um dos homens nos recebe quando todos parecem estranhar nossa presença.
─Bem-vindos a Terminus. Vieram nos roubar?
─Não. Mas decidimos ter certeza antes de nos anunciarmos. – O homem sorri, por algum motivo não confio nele, se apresenta e apresenta o resto do grupo que nos observa desconfiados.
Somos revistados, não gosto da aparência pacifica do grupo, depois de tanto tempo perdidos no apocalipse era de se esperar que fossem menos receptivos.
Nossas armas são devolvidas, um dos homens nos leva para o que parece ser um tour pelo lugar, fico o tempo todo em alerta, buscando com os olhos algum sinal de Abby.
Uma mulher cozinhava em uma churrasqueira, nos oferece comida, aquilo só me deixa cada vez mais atento. Observo as pessoas, quero perguntar por Abby, mas ainda não me sinto pronto.
─Foram espertos entrando pelos fundos. Vão se dar bem aqui. – A mulher nos diz depois de ser apresentada. Mary é seu nome e aquele tom gentil só me desperta desconforto.
Então do nada Rick reage, pega o homem de refém, pergunta sobre o relógio, a mochila, meu poncho, parte do nosso grupo esteve ou está aqui. Nos preparamos para uma guerra. Gareth o líder tenta negociar, então faz um sinal e começamos a ser alvejados.
Tentamos fugir, os tiros não são para nos acertar, parece que tudo que querem é nos guiar pelo lugar, então acabamos cercados. Precisamos soltar as armas.
Agora rezo para Abby não ter vindo para cá, para não estar a caminho. Somos direcionados a um contêiner. Sem alternativa seguimos em fila, sei que o lugar é muito pior do que parece, posso sentir que são animais disfarçados de gente.
Quando entramos a porta se fecha. A escuridão nos cega por um momento, sinto uma movimentação e quando me dou conta Maggie e Beth trocavam um longo abraço de alivio.
Meu coração bate descompassado, Abby pode estar entre eles, forço a visão, mas não tem sinal dela ali. Quero perguntar, mas simplesmente não consigo, a pergunta trava na garganta por medo da resposta.
Sam é mais corajoso que eu.
─Alguém viu Abby?
Eles negam, não sei se isso é bom ou ruim, estamos na droga de um buraco, presos e sem chance de sair dessa com vida, melhor que ela não venha para cá.
Com Glenn e Maggie tem um pequeno grupo de desconhecidos. Maggie avisa que eles os ajudaram, que são amigos.
─Então são nossos amigos também.
─Não viram uma garota com espadas em X nas costas? – Beth pergunta sem se afastar de Maggie.
─Não! – Um ruivo avisa.
Abby está viva, eu sinto isso, vou sair daqui e vou encontra-la, nada nem ninguém vai me impedir.
─Eles vão se sentir bem estúpidos quando souberem.
─O que? – Alguém pergunta. Rick nos encara com os firmes.
─Que mexeram com as pessoas erradas.
Começamos a nos preparar, pegamos tudo que pode ser usado como arma, cintos, cadarços, lascas das paredes de metal. Ouvimos movimentação um tempo depois, ficamos prontos, é hora de ir embora ou para o inferno.
─Se preparem, eles estão a caminho.
Ficamos prontos, mas claro que tudo sempre pode piorar e o teto se abre. Uma bomba de fumaça é atirada para dentro, nos confunde, e quando a porta se abre e alguns mascarados entram não tem como nos defendermos.
Depois de amarrado e amordaçado sou levado junto com os outros para um lugar, me vejo de joelhos diante de uma pia, mesmo agora, prestes a morrer só consigo pensar em Abby, no quanto quero encontrá-la, no meu desejo de vê-la mais uma vez.
Aquela mulher dura e fechada me transformou, fiz o mesmo por ela, se morrer agora ao menos eu a tive e foi grande e verdadeiro, a única coisa verdadeira que já vive. No fim tenho que agradecer o apocalipse.
Alguns homens vão caindo com pancadas na cabeça, tem os pescoços cortados e sangram dentro da longa pia de aço inoxidável. Era isso, não somos mais do que gado, isto é um matadouro, viramos comida apenas.
As leis naturais invertidas e confusas, homens devorando homens, vivo ou morto.
Uma explosão confunde os assassinos canibais um minuto antes de acertarem Glenn bem ao meu lado, é o bastante para Rick conseguir se soltar e então atacar os dois, depois de mata-los nos liberta.
Conseguimos sair, abrimos um contêiner a pedido de Glenn, apenas um maluco sai de lá, diz coisas desconexas, um segundo depois é devorado diante de nós, vamos atirando, nos defendendo até conseguirmos chegar ao contêiner, libertar nosso grupo e escapar para a floresta.
Os portões tinham caído com a explosão que não reconheço a causa, uma pequena horda atacado, Terminus caíra como qualquer outra fortaleza, felizmente estamos todos vivos quando deixamos o lugar, Larissa com um corte na perna, nada grave, Maggie e Beth fazem um curativo e vamos apressados em direção ao local que enterramos nossas armas.
─Vamos voltar lá e acabar com aquele lugar. – Rick determina enquanto cavava.
─Não, viram o que aconteceu, está cheio de zumbis!
Rosita diz, não a conheço, mas não tenho intenção de levar em conta sua conversa.
Quero derrubar o lugar, se Abby chegar a Terminus quero que veja que acabou, não tem mais nada lá. Apenas morte e então ela estará segura.
─Eles podem estar vivos, podem nos seguir, podem recomeçar, estamos vivos, mas outros podem vir.
─Isso não é problema nosso Daryl! – Sasha pondera. Bob está com ela, concorda com tudo que ela diz. Mas eu e Rick estamos decididos, as armas são desenterradas, então os olhos espantados de todos me fazem virar, Carol está de pé, de frente para o grupo, viva e toda suja, com minha besta nas costas e compreendo tudo.
Rick a abraça agradecido. Aceno quando pego minha arma de volta, digo um obrigado por entre os dentes, a ideia de que ela vai perceber que Abby não está aqui e ficar feliz me martiriza.
─Você tem que vir comigo agora! – Ela diz a Rick e todos concordamos.
Seguimos Carol por entre as arvores, depois pegamos um caminho de terra, uma trilha em meio a mata e finalmente chegamos diante de uma cabana.
Rick e Carl disparam quando notar Tyreese com Judy no colo a espera deles.
Beth corre junto, a pequena é mesmo o centro de tudo para nós. Fico parado assistindo todos aqueles reencontros, mas não está completo, falta ela, e se falta ela, então falta tudo.
─Foi você que causou a explosão? – Rick pergunta a ela.
─Sim, eu fiz isso, encontrei Ty com Judy, ouvi um cara falando num rádio sobre vocês e fui até lá.
─Obrigado Carol, me devolveu tudo. – Rick diz grato.
Me afasto um instante quanto o grupo confraterniza, não tem espaço para isso em mim. Logo Sam está do meu lado.
─Também não vou desistir. Me deixa ir com você?
─Sam...
─Se encontrar com ela, mas se perder de nós? Se tenho que escolher então quero estar com a Abby, ela é minha irmã, salvou minha vida.
─Pode me atrasar Sam, sozinho posso ir mais longe, posso ficar mais despreocupado.
─Pode se ferir, precisar de ajuda, não é imortal.
Fico olhando para aquele garoto, ele se tornou um homem, é forte, pode mesmo me ajudar.
─Abre mão da Beth? – Ele olha de mim para ela que nesse momento segura Judy nos braços e sorri para a irmã ao mesmo tempo que chora.
─Ela tem tanto. Não há de sentir minha falta.
─É diferente e sabe disso. Eu também tenho todos eles, mesmo assim não tenho nada se não tenho Abby.
Sam sorri, reviro os olhos, ele não precisa rir de mim, sei o quanto estou sendo ridículo dizendo essas coisas, mas é verdade.
─Abby precisava de você, precisava desse seu jeito de gostar dela, justo agora que conseguiu que aprendeu a viver com gente... Temos que encontrá-la Daryl, ela não sabe mais viver sozinha, tiramos isso dela, fizemos Abby acreditar nas pessoas e agora a perdemos, ela precisa de mim, precisa de você.
─Vou falar com o Rick, você se despede da Beth, não sei nem por onde começar.
─Pelo começo, a prisão eu acho.
Sam segue até Beth enquanto vou ao encontro de Rick.
─Perdeu-se dela? – Carol me pergunta.
─Fez algo grande salvando a Judy, você e o Ty, não vou esquecer isso, mas sei que não se importa com Abby e isso também não vou esquecer, então fica longe. – Me afasto e encontro Rick. – Rick...
─Sei que quer ir, mas...
─Tem muita gente com você, não está sozinho, vai dar um jeito.
─Daryl, se for agora vamos nos perder, vai ficar sozinho, não tem como nos encontrar depois.
─Eu sei, sinto por isso, mas cada segundo conta, ela pode estar em apuros, pode ficar em perigo.
─Vamos achar um lugar, um ponto de encontro, precisa ter para onde voltar.
Fico mudo, olho para o grupo, Beth gesticula com Sam, Larissa no meio da conversa também brava, sei o que está acontecendo, todos querem ir, passo a mão pelos cabelos. Suspiro.
─Esses animais estão por ai, vamos seguir para longe um tempo juntos, depois pego o rumo da prisão e você... Não sei Rick.
─Não posso voltar com todos para a prisão, mas posso parar e te esperar. Juntar suprimentos, combustível, enquanto você faz sua busca, quando encontrá-la, porque vai acontecer, então seguimos todos.
Aceito o acordo, isso deixa Larissa e Beth felizes, elas acham que ganham tempo para me convencer, não vai acontecer, não tem como leva-los todos comigo.
Paramos uma noite na floresta, dormimos sobre os trilhos, na verdade eles dormem, eu apenas me concentro em esperar o tempo passar, teria que parar do mesmo jeito se estivesse sozinho, mas essa é a última noite que passamos juntos.
O grupo é grande e acaba me atrasando, não tenho muito tempo a perder, quanto mais o tempo passa mais diminuem minhas chances de encontrá-la.
A noite chega ao fim e me ponho de pé, Rick dormia com Judy entre ele e Carl.
Acordo Sam, ele salta no mesmo instante.
─Vou caçar, dar uma olhada na região, avise ao Rick seguir ao sul, em direção a prisão, encontro vocês mais para frente.
─Não está nos deixando não é? Vai me levar com você?
─Vou Sam, só quero ver se caço algo para Judy antes de partirmos.
Caminho pela mata, são poucos os zumbis, quase nenhum, consigo alguns esquilos, isso vai servir para aplacar minha consciência que não quer deixá-los sem comida já que caçar não é talento de nenhum deles.
O grupo se assusta quando me veem.
─Como está por aí? – Rick me pergunta.
─Parece limpo Rick, mas meus instintos dizem que algo está errado.
─Vou ficar atento.
Seguimos uns metros e então gritos de socorro me fazem parar, Carl é o primeiro a correr e acabamos todos fazendo o mesmo. Quando alcançamos o som insistente de pedidos de socorro o que vemos é um padre sobre uma grande pedra, desesperado tentando se livrar de zumbis.
Matamos o pequeno grupo de zumbis. Ele agradece depois de vomitar de nervoso, a covardia ainda me espanta um pouco.
Rick fala com ele, faz as costumeiras perguntas, o padre conta sobre sua igreja e Rick e eu trocamos um longo olha.
─Me acompanha até lá, depois segue e ficamos a sua espera.
─Feito.
Seguimos com o padre, seu nome é Gabriel, ele tenta ser gentil, algo nele parece errado, está limpo demais, inteiro demais, para quem não consegue nem mesmo matar zumbis a vida estava sendo muito generosa com o tal padre.
Chegamos a igreja, entro com Rick para observar o local, está limpa, tem latas e mais latas de alimentos, ele realmente conseguiu sobreviver sozinho.
─Está limpo! – Rick avisa e o resto do grupo entra.
─Rick...
─Eu sei, vamos estar aqui, todos nós, sei que vai encontrá-la muito antes do que pensa, ainda estamos na rota de terminus, ela pode surgir a qualquer momento.
Aperto a mão de Rick, Sam para ao meu lado com uma mochila nas costas, Beth e Larissa chorava abraçadas nos olhando dos degraus da igreja.
─Vou trazer Abby de volta, nem que tenha que ir ao inferno busca-la.
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