Heiress.
1 Tayo' Kids.
Notas iniciais
Humm, nada a declarar, apenas espero que gostem!
Até lá em baixo.
Acordei relutante com os malditos gritos das crianças pequenas do orfanato. Sentei-me na cama, tirando o edredom de cima de mim.
- Mais um dia normal...
Levantei, abri a cortina e fui até o banheiro, que era do outro lado do corredor.
Saí de meu quarto e dei uma boa olhada no corredor, com várias crianças correndo por ele, com armas de jogar água.
- Bom dia, crianças – Anunciei sonolenta.
- Bom dia, Lize! – Disseram em coro. Sorri e fui até o banheiro.
Após minha higiene matinal, desci até o refeitório, como chamávamos. Mas, claro, a Sra. Monique não gostava disso.
- Bom dia, Elizabeth! – Exclamou Homer, meu amigo do orfanato.
- Olá.
Eu estava no orfanato fazia sete anos. Porque fui parar lá? Não me lembro de nada, praticamente. Tenho vagas lembranças dos meus pais. Apenas lembro-me da minha babá anunciar a terrível noticia que meus pais haviam falecido. Depois disso, parece que minha mente se recusa a me mostrar os detalhes. Eu me recuso de lembrar-me de meus pais. Recuso-me de ter boas lembranças.
Como eu não conhecera meus outros parentes, que moravam em outra cidade, eu não tinha nenhuma pessoa responsável por mim, então, tiveram de me mandar para Tayo’ Kids, que é onde moro até hoje. Bastante gente vive aqui, desde os pequenos – com mais ou menos três anos –, e os maiores – de dezessete anos. Ninguém fica no orfanato após os dezoito anos, a não ser que seja para trabalhar aqui.
Durante todo o tempo que morei aqui, ninguém sequer notou minha presença, ninguém quis me adotar. Na realidade, não são muitas as crianças que são adotadas por aqui. Parece que Tayo’ Kids não é um lugar muito famoso. Somos conhecidos por nossa ótima qualidade de vida para as crianças, mas parece que os pais de hoje em dia preferem ter os próprios filhos em vez de adotar. Bem... eu também ia querer ter meu próprio filho, confesso. Mas, dar alegria á uma criança, um jovem, que não tem família... Seria algo fantástico também.
Mas não vale a pena reclamar, daqui a um ano – e dois meses – eu estarei bem longe daqui. Estou com dezesseis anos, daqui a dois meses faço dezessete. Apenas mais um ano! Você aguenta Elizabeth!
- Ei, Lize! – Ouvi uma voz fina chamar-me. Era Alice, a minha pequena amiguinha de sete anos. – Olha o que eu encontrei, olha! – Mostrou-me uma joaninha, muito pequena, em suas mãos.
- Oh, ela é tão fofa! – Sorri.
Alice chegara ao orfanato quando tinha apenas quatro anos. Ela era tímida, não conversava com ninguém, apenas com a Sra. Monique. Então, um dia, ela estava brincando no quintal, cavando buracos perto dos troncos das arvores, quando outro menino a empurrou, e ela bateu o nariz com força no chão. Eu, como estava sentada no banco do quintal lendo o meu livro, e vi a cena, socorri-a. Ela chorava como se o Mundo fosse se acabar. Depois de fazer um pequeno curativo em seu nariz, ela parou de chorar, apenas soluçava. Depois desse dia, ficamos amigas. E então Alice ficou mais amigável, mais sociável. Conversa com todos, sobre tudo. Ah, além de ser tão fofa, é inteligente! E já tem gente querendo adotá-la, mas ela não quer ir. Alice diz que o orfanato é a família dela, e ela não precisa de mais ninguém. Eu admiro essa coragem dela, para alguém tão pequena.
Além de Alice e Homer, também tinha a Kate. Kate tinha dezesseis anos, e chegara ao orfanato com quinze. Ela nunca me contou porque estava no orfanato, acho que algo a perturba. A única coisa que me dissera era:
- Minha família tem muitos problemas. Isso não é nada de mais.
Eu não havia entendido, mas resolvi não perguntar nada, caso ela ficasse chateada.
E Homer, hum, Homer era apenas aquele cara brincalhão e infantil da turma. Ele é filho da Sra. Monique, então sempre passa o tempo conosco. Viramos amigos desde que cheguei aqui. Ele é um ano mais velho que eu, mas parece que a maturidade ainda não atingiu sua mente. Se mete em encrenca todo dia, levando sermão da sua mãe depois.
E a Sra. Monique, pelo que sei, é solteira. Uma mulher de cinquenta anos, ranzinza às vezes e chata nas outras vezes que resta. Pelo que Homer diz, Sra. Monique é desse jeito por que não gosta de crianças, e que abriu um orfanato porque seu marido morreu, e, pensando em seu filho, que ficaria sem um pai, abriu um orfanato. Lógica, oi?
Já era de tarde, eu estava em meu quarto, mexendo em meu celular, vendo coisas aleatórias, quando alguém bate na porta.
- Lize, a Sra. Monique está lhe chamando na sala de reuniões – Era Kate.
- Estou indo. – Levantei-me da cama e abri a porta. Kate ainda estava lá. – Ela disse o que queria?
- Não... Apenas disse que era para eu lhe chamar.
- Ah – Suspirei. – Obrigada.
Segui pelo longo corredor até a última porta, que era a sala de reuniões. Bati três vezes, até que ouvi um “entra” ser anunciado. Abri a porta lentamente, até que então entrei no cômodo, fechando a porta atrás de mim.
- Sente-se, Elizabeth. – Sra. Monique estava na sua mesa, como sempre, usando seus óculos e folheando alguns papéis. Sentei-me na cadeira em frente á sua mesa.
- O que a senhora queria?
- Você está aqui há sete anos, não? – Perguntou retoricamente. Ambas já sabíamos que sim. – Não tem muitos amigos, mas se dá bem com todos. Percebi isso. – Fiquei em silêncio. Ela prosseguiu: – Semana passada, um casal, não muito jovem, veio aqui no orfanato. Pediram por uma garota, com mais de dezesseis anos. Como não temos muitas garotas assim aqui, apresentei apenas duas fichas que achei que se adaptariam melhor para o casal.
- Quais eram as fichas?
- A sua e da Kate. – Arregalei os olhos. – E eles já escolheram uma.
Logicamente, pensei que era a Kate. Ela tinha tudo para ser uma filha perfeita! Educada, comportada, não arrumava briga, inteligente, bonita, obedecia sempre os mais velhos... Ela é perfeita!
- Parabéns, Elizabeth, você terá um novo lar! Vá arrumar suas malas, daqui a duas horas, eles estarão aqui! – Exclamou Sra. Monique, sorrindo. Era a primeira vez que a vi sorrindo. Era a primeira vez que alguém se interessou em me adotar. Bem... Tem a primeira vez para tudo.
Nem ousei perguntar como é minha nova família. Minha felicidade era tanta que saí da sala de reuniões correndo e fui até meu quarto, arrumar as malas. Quando já estava na metade de uma mala, ouvi batidas na porta.
- Entre.
- Com licença... – Era Alice, junto com Kate. – Lize! Ué... Porque está fazendo as malas?
- Eu... Bem, arranjaram uma família adotiva para mim... – Respondi meio sem jeito.
- O que? – Perguntaram em coro, espantadas.
- É.
- Mas, Lize! Eu vou ficar sem você? Não! – Alice começou a chorar desesperadamente, como na vez em que caiu de nariz no chão.
- Estou feliz por você, Lize! Mas, você virá nos visitar, não é? E mandará mensagens, não é? Não é? – Podia não parecer, mas Kate estava tão desesperada quanto a Alice, que chorava agarrada em minha cintura.
- Não quero que a Lize vá embora! – Choramingava.
- Eu vou visitar vocês, não se preocupe Alice. Mandarei mensagens e ligarei para vocês! Então, sem preocupações! – Acariciei seu cabelo louro, acalmando-a.
- Estou realmente muito feliz por você, Lize. – Disse Kate, sorrindo. Antes das duas saírem de meu quarto, nos abraçamos, as três juntas, chorando.
Terminei de fazer as malas, coloquei tudo de essencial, apesar de que se faltasse algo, eu poderia voltar pegar. Desci as escadas correndo, onde encontrei Homer sentado no sofá. Nossos olhares se cruzaram e ele se levantou. Percebi em seu olhar, ele já sabia que eu sairia do orfanato. Pulei em seus braços e abracei-o com toda minha força.
- Homer! Estou tão feliz! Eu finalmente... Terei uma família! – Eu já podia sentir as lagrimas se formando em meus olhos.
- Todos nós estamos felizes, Elizabeth. Mas, visite-nos! Senão, eu irei te perseguir. – Disse tentando ser ameaçador.
- Tá, ok. – Desfiz-me do abraço, dando um leve soco em seu braço. – Machão.
Ambos rimos. Pouco tempo depois, Sra. Monique veio me avisar que meus – futuros – pais chegaram. Com certa ansiedade, peguei as malas – duas, para ser exata – e segui a Sra. Monique. Adentramos uma sala – que eu nem sabia que existia – e lá estavam duas pessoas. Quando se viraram, sorriram a me ver. Eles não eram tão jovens, mas não eram velhos. Eu diria, cinquenta anos, como a Sra. Monique.
- Olá – Disseram juntos.
- O-Oi. Muito prazer sou Elizabeth.
- Richard – Começou o homem, apontando para si, e logo depois para a mulher ao seu lado. – E essa é minha esposa, Mariana.
- Muito prazer, querida – Sorriu. Apenas assenti com um aceno de cabeça.
- Venham, sentem-se. – Disse a Sra. Monique. – Temos que preencher as papeladas.
Depois de preenchermos as papeladas, eu me despedi de Alice, Kate e Homer. E então, entrei no carro dos Morgan. Agora eu seria chamada de “Elizabeth Morgan”, e não apenas “Elizabeth”.
- E então, Elizabeth, está animada? – Perguntou Richard, guiando o carro até minha mais nova casa.
- Estou bem nervosa, confesso – Encolhi-me no banco de trás. – Vocês têm dois filhos, não?
- Sim, temos. Bianca e Kevin. – Disse Mariana, feliz. – Eles estão ansiosos em vê-la!
- Também estou! Ah, por sinal... Quantos anos eles tem?
- Não se preocupe querida – Mariana riu de leve. – Bianca tem dezessete, como você e Kevin têm dezoito. Vocês irão se amigos, eu tenho certeza.
Bem, não posso discutir. Afinal, é intuição de mãe. – Pensei.
O resto do caminho, fomos conversando assuntos aleatórios. Quando chegamos, a angustia aumentou. Saímos do carro, Richard me ajudou com as malas, e então, me guiaram pela casa. E que casa, hein? Grande, bem decorada, sofisticada. No andar de baixo, ficava a cozinha, sala de estar, sala de jantar, e no andar de cima, ficavam os quartos. Após cinco minutos que entramos na casa, já havia avistado meus meios-irmãos. Kevin descia as escadas, calmo, com um sorriso no rosto e os olhos fixos em mim.
Ficamos nos encarando, até que ele ficou á uns três metros longe de mim, ainda com um sorriso no rosto, mostrando levemente os dentes. Logo depois que ele parou, ouvi passos rápidos, primeiramente estavam longe, mas depois foram se tornando mais audíveis, até que então senti a pancada. Era Bianca. Ela havia pulado em mim. Como eu não estava preparada, caímos no chão, com Bianca abraçada em meu pescoço.
- Então você é a Elizabeth! Oh, eu finalmente tenho uma irmã! Seja bem-vinda, Lize! Posso te chamar de Lize, não é? – Levantamo-nos. Ela é bem animada, hein. E... Pequena, também.
- S-sim, pode me chamar de Lize. – Sorri corada. – Então, você é a Bianca? Vejo que é bem animada.
- Pode me chamar de Bia. – Sorriu. Começou a examinar-me, da cabeça aos pés. – Ei, Lize, quanto você tem de altura?
- 1,65.
- Ah – Ela ficou triste, de repente. – Queria ter sua altura. Tenho 1,55.
Uau. Ela é baixa. – Pensei.
- Olá, sou o Kevin – Cumprimentou-me, estendendo sua mão.
- Elizabeth. – Apertei sua mão.
- Ok, agora todos já se conhecem, já sabemos as alturas uns dos outros, então, porque vocês não mostram o quarto da Lize para ela? – Richard comentou.
- Eu mostro! – Disse Bia, pegando minha mão logo em seguida. – Venha!
Bia arrastou-me até meu quarto, me mostrando logo em seguida. Era um ótimo quarto. Uma cama de casal, uma penteadeira, guarda-roupa, e uma TV. Com certeza, é bem melhor que o quarto do orfanato.
Parece que vou me dar bem com a família Morgan. Os pais são ótimos, engraçados; Bia é totalmente extrovertida e animada, lembra-me Kate; e Kevin... Kevin é misterioso, tenho que saber mais dele.
É isso. A partir de agora, Elizabeth Morgan será a melhor filha que alguém possa ter.
Só espero que nada de ruim aconteça.
Notas finais
E claro, peço apenas que comentem! Isso me motiva muito.
Acho que, semana que vem, consigo postar o próximo capítulo, mas não posso dizer de certeza ainda...
Beijos,
Nyaa!
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