Hedonismo
32 Filler 4 ---->>>> Joe Kido 城戸
Notas iniciais
Nunca me imaginei em tal situação.
Depois de que fomos trancafiados me vi no dever de tomar a dianteira já que eu era o mais velho e por tanto responsável pelos demais.
Mesmo com tudo o que fizemos nao tinha como conseguirmos escapar assim tao facil só "descendo a porrada" e fugindo, então eu me voluntariei para ficar e dar todas as informações que podia em troca da liberdade de todos os demais e assim foi feito. Entreguei meu digivice, que mesmo desativado era uma tecnologia que eles não possuíam. Sei bem que esta minha atitude no passado foi o que trouxe a ruina ate nós; mas na época não vi outra saída.
Os expliquei tudo o que sabia sobre os digimons seus poderes e transformações; e por alguns anos ainda fiquei confinado a aquele lugar. Dizia a todos que estava ocupado, ou com medo de mais para querer me envolver em tudo novamente, e acabei sendo visto por todos como um medroso desertor. Ate que Taichi e Kowshiro descobriram.
Levei uma bela surra por esconder este tempo todo tudo o que estava fazendo mas eles entenderam, e juntos começamos uma nova ideia.
Taichi de algum modo estava sempre a par de tudo que cada digiescolhido estava fazendo, ele sabia das mortes que Yamatto causava, sabia das pesquisas de Kowshiro e ate mesmo sabia da existência de outros digiescolhidos, nem se espantando quando descobrimos sobre os coleguinhas de Takeru e Hikari.
Tenho que admitir que ele me impressionava diariamente, mas mesmo agora agindo como um agente duplo dentro do exercito eu não podia fraquejar.
Como o representante da confiança eu era o único capaz de ficar frente a frente com aqueles monstros em forma humana sem pestanejar, andar lado a lado com os mesmo monstros que me torturaram e a meus amigos. Os mesmos seres demoníacos que estupraram Sora...
Ainda posso ouvir ela gritando em meus pesadelos.
Gritando por ajuda ou piedade.
Ela era só uma criança...
A coisas nesta vida que não se pode perdoar, que não tem como serem perdoadas.
E foi por este motivo que quando Yamatto precisou eu fui o primeiro a indicar as cabeças a serem cortadas, e quais a morte seria uma penalidade boa de mais.
oOoOoOoOo
Mesclava bem minha vida entre o "governo" e ser um garoto normal ate me unir com Taichi nesta empreitada, só ajudando depois que me uni aos outros.
Mas neste meio tempo presenciei e fui obrigado a participar de varias experiências ilícitas com digimons, ate mesmo com os preciosos e raros digitamas.
Aquilo era uma tortura pra mim.
Ver eles se retorcendo em agonia, implorando por piedade e ate me reconhecendo com o um dos digiescolhidos e me medindo socorro com os olhos marejados de dor e esperança de eu os tirar adali junto dos demais; aquilo para mim foi como morrer varias e varias vezes.
Na mesa eu eras serio, frio e livre de quaisquer sentimentos, mas assim que acabava eu me desmontava. Vomitava, minhas pernas bambeavam e eu não conseguia respirar direito; chorava todas as noites pedindo perdão aos pobres digimons que torturava e dormia sem perceber. Exaustão? Eu não sabia... Só sabia que naquela época cheguei a perder mais de 25kg. Fiquei que era pele e osso e logo não conseguia mais segurar instrumento algum, então eles próprios começaram a me injetar suplementos durante a noite como se eu estivesse internado em um hospital.
Funcionou.
Continuei meu trabalho mesmo a contra gosto e os dava todos os resultados que queriam: e algumas vezes ate colava de Kowshiro o levando alguns exames que era forçado a fazer para que ele conseguisse sintetizar melhor o resultado. Eu queria ser um medico e não um cientista!
Com isso consegui entregar a eles resultados valiosos como:
* Nós os primeiros digiescolhidos tínhamos uma ligação intima com nossos digimons e com isso doávamos força para suas transformaçoes. Isto é, quanto mais evoluídos eles estavam mais unidos estávamos. E nos tirávamos esta força dos brasoes que eram em suma a representação de nossas almas/ personalidades.
* Já a turma nova que TK e Hikari conheceram assim como Willis pegam a força do ar a sua volta e canalizam para seus digimons. Por isso eles podiam usar nossos brasoes entre outras regalias enquanto nós não.
* O Time de Ruki e Takato (e o misterioso digiescolhido de Wizardmon) já faziam parte das novas modificações feitas após o contagio dos humanos no digimundo... E por conta disso podiam usar digimons caídos para somar força e criar novas habilidades mesmo sem de transformarem, tendo ate varios tipos de evoluçao para o mesmo nivel.
* Com o que mais me impressionei foi com o time de Zoe que além de poder se transformar completamente em Digimon seguindo fortemente o raciocínio do nosso modo também podia ter a possibilidade de se fundir com mais de um Digimon.
* Mas foi esta organização de Marcus que me surpreendeu e fez com que todos parassem.
oOoOoOoOo
E foi em um destes dias...
—--- Joe é você? ---- ela parou no meio da rua e olhou para mim.
Eu estava fora do japao em um local que não me importava ja que estava a trabalho e tinha saído um pouco do laboratório para respirar e tomar um café; e ela parou bem em frente a aquela cafeteria.
Mimi.
—--- Joe! A quanto tempo! ---- animada ela me abraça quase me derrubando e me fazendo derrubar todo o café. ---- Ai desculpa. Como você esta magrinho... ---- comenta me olhando de cima a abaixo mas eu estava fraco de mais ate para corar.
—--- Quem é esta? ---- um dos guardas que me vigiava me olha conversando e eu fico sem reação por alguns segundos.
—--- Namorada dele! Por que? Quem é você? ---- ela se empoe e responde enquanto eu congelava no “namorada dele”.
—--- Calma amor. ---- entro no jogo. Ela as vezes era mesmo muito inteligente e ligeira. ---- Eles são daquele trabalho legal que falei que consegui. Eu não posso falar com você agora por que minha pausa acabou. Tudo bem sairmos depois?
—--- Claro! --- alegre ela pula e me abraça me beijando bem perto dos lábios, e passando a mao no meu bouço. ---- Meu numero e meu endereço estão ali. Se não me por apar de tudo logo eu invado isso aqui.
E assim ela se despede do cara com um sorriso de derreter corações e sai andando pela calçada.
E eu fico ali bobo sem entender como aconteceu.
Mundo pequeno.
Claro que eles me questionaram sobre Mimi, mas não foi nada difícil provar que a conheci a anos no acampamento e ate mostrar umas fotos antigas e confirmar que tinha um relacionamento a distancia e nos vendo somente em epocas de ferias, e que nao contei nada por que nao vi relevancia. E assim Mimi saiu despercebida. Logico que neste meio tempo Kowshiro junto dos outros já tinham conseguido nos apagar do sistema deles e do resto do mundo.
Eu trabalhava para eles contra vontade... Sim. Mas também aproveitada o meu pouco acesso para dar total passagem ao representante do conhecimento que fazia a festa com tudo que o entregava. Creio ate que ele ficou um pouco fissurado nisso... Não fazia outra coisa se não trabalhar; ate os pais dele ficaram bastante preocupados.
Ate vieram falar comigo e os outros mas... ninguém sabia o que estava acontecendo dentro da cabeça dele.
Enquanto a mim...
Você já sabe bem, infelizmente já contei tudo o que tive de fazer e suportar; então vou tentar falar da parte boa da minha vida. Afinal não tem tanta coisa pra se fala assim, não tenho 40 anos...
Para poder não chamar a atenção esta organização foi se desprendendo do governo. Eles eram o que tinham sobrado das pessoas que ainda se lembravam de nós, pessoas capazes de lutar ou evitar a lobotomização feita por nossos amigos digimons pela internet; e por conta disso queriam se manter anônimos me deixando voltar para casa e tratando como se o que eu fizesse fosse apenas um emprego muito estressante; ate me davam um salario alto como desculpa, mas também vigiavam cada passo de cada membro da minha família ou qualquer um que eu tivesse contato. Por isso todos se alarmaram muito com a descoberta desta minha “namorada”.
E em falar dela...
Estava devendo uma visita se não estaria em maus lençóis.
A verdade é que só eu e o gênio estávamos juntos nisso ate o momento enquanto o restante dos digiescolhidos só foi saber de tudo bem depois. Então quando cheguei ao apartamento dela estava bem nervoso, e já tinha feito uns mil discursos de como explicar, mas nada parecia certo. Eu tinha certeza que ela iria acabar comigo...
Acho mesmo que fiquei uma meia hora parado em frente a porta sem coragem de bater ou tocar a campainha; isso por que vi varias pessoas passarem por mim no corredor e isso não me incomodou nem um pouco afinal estava mais nervoso do que um aluno baderneiro em dia de prova final.
Estava mesmo sem confiança alguma em mim mesmo.. Fiquei ali parado ate que um pimpolhinho pirralho de uma figa apertou a campainha e saiu correndo. ---- Pronto moço!
Pronto nada! Pivete infeliz!!!
—--- Oi. Quem...? Ah! Joe! Entra vem! ---- ela abre a porta toda distraída mas assim que me reconhece me puxa para dentro. ---- Pai mae este é o Joe lembram dele? Achei ele na cidade hoje e chamei para vir aqui. ---- animada ela me arrasta pelo pequeno corredor ate uma sala a onde os pais estavam cada um enfiados em um computador diferente com dúzias de folhas a seu lado. ---- Vamos para o meu quarto para não atrapalhar. Mas pode deixar que a porta vai ficar aberta viu! ---- ela mesma ri ao me arrastar novamente, desta vez ate seu quarto.
As paredes eram pintadas de um tom de rosa muito claro quase branco com os moveis em uma tonalidade de verde o que me fazia lembrar de seu brasão.
—--- Como você esta magrinho. Quer um lanche. ---- ela não perguntou, só fez um sinal para que a empregada que estava no corredor trouxesse algo. ---- E então... Me conta, o que anda fazendo da vida. ---- alegre e animada ela bate a palma da mão sobre a cama me ordenando a sentar a seu lado. ---- Por onde quer começar?
—--- Como você consegue ser tão... “meigamente bruta”? ---- questiono brincando ao me sentar. ---- Eu nem sei como começar Mimi...
Respiro fundo e acabo a contando o que estava fazendo, logico que não sou tão minucioso, mas Mimi não é tão burra quanto dizem e logo entende muito bem a minha posição nisso tudo.
—--- Entendo... ela diz por fim.
Fica alguns segundos parada sem poder me responder. Sinto que ela queria me tirar disso... Como se pudesse; mesmo sendo algo horrível ela sabia que era necessário.
A cada Digimon que era capturado 20 podiam escapar já que eu dedurava os métodos de capturas deles, a cada um Digimon que era torturado por mim bilhões de dados auxiliavam Kowshiro em seus estudos passando na frente destes psicopatas.
Então mesmo que seja ruim... era bom.
—--- E então... como eu ajudo? ---- ela questiona seria com os cotovelos apoiados sobre as coxas e os braços cruzados.
Demorei um pouco para conseguir responde-la.
Sei bem que Mimi era uma digiescolhida como eu, mas sua aparecia meiga e frágil não indicava q ela era uma guerreira, e depois do que aconteceu com Sora... eu queria mesmo evitar que qualquer garota se metesse nisso. Machismo? Sim mas fazer o que, fiquei marcado com o ocorrido.
Mas ela era a representante da sinceridade/ honestidade e se estava se oferecendo assim era certeza de que era de todo coração.
Mais foi só depois do desaparecimento de Taichi que todos resolveram abrir o jogo e falar o que realmente estavam fazendo; me surpreendi muito mais com o líder do que com Yamatto, afinal aquele cara sair e começar a matar pessoas era só uma questão de tempo.
Mas fiquei muito feliz com os resultados de Hikari entre muitos outros. Devo assumir que o Takero foi o mais inútil ali, mas sei bem que não era culpa do garoto ficar fora de tudo, afinal o irmão psicopata dele deu a ordem para não o envolvermos de nada. E quem em sam consciência iria contra?
Mas eu não sei por que fomos tão idiotas por tanto tempo. Somos os digiescolhidos! Combinar de nunca mais mexer com o mundo Digimon foi burrice e era logico que cada um iria continuar a seu próprio modo e foi o que acabou acontecendo.
Mas agora as coisas estavam andando como era para ser desde o inicio, estávamos trabalhando juntos e podíamos nos ajudar com os problemas que encontramos.
Mas não da para dizer que conseguimos prever a tudo oque ocorria ali. Poderia ate ter sido possível se tivéssemos nos unido desde o começo mas não foi este o caso.
Tentei reverter sozinho as alterações que estavam sendo feitas no digimundo, mas não consegui. A coisa que mais me espantou foi as alterações que os próprios digimons sofreram, então quando Hikari apareceu gravida de um eu quase tive um pequeno infarto. Morri de preconceitos? Sim claro! Voce nao se espantaria?
Mas Mimi é mesmo a garota mais incrivel do mundo e conseguil fazer esta reuniao em um local afastado e livre de inimigos para que pudessemos juntar todos os digiescolhidos e explicar tudo o que estava acontecendo cara a cara e tentar resolver tudo o mais breve possivel.
Ela sempre me ajudou, deu apoio e ideias... Foi meu ponto seguro nos piores dias. nos dias em que nao podia dizer nada, nos dias em que sentia a pior pessoa da terra; que preferia morrer a continuar assim. E nao tem como se agradecer a uma coisa destas.
—--- Joe...? ---- ela usava os portais do Digimundo para poder me visitar em casa sempre que eu tinha "folga", claro que tomava todo o cuidado para nao ser descoberta. ---- Te trouxe uma coisinha. ---- a vos calida dela nestas horas só me fazia sentir pior. Eu nao me sentia no direito de ser bem tratado por ninguem. ---- Vem cá. ---- calma ela se senta sobre a cama e afaga meus cabelos.
Nao estava dormindo.
Eu nao conseguia.
fazia dias que nao conseguia dormir ou comer direto e foi por conta disso que tinham me dado uma "folga".
—--- Foi um Gomamon... ---- mumurei tao baixo que era possivel que ela nao tivesse ouvido. ----- Ele era igual o meu Gomamon... Eu vi todos eles, Um Agumon tambem, e ate uma Palmon.
Ela ficava quieta nestas horas. Nao sabia o que falar ou fazer... apenas ficava do meu lado e e sussurrava algo positivo.
—--- O Izzy conseguil entender as ligaçoes entre as diferenças de digivide. Sao como as diferencas de Digimons, o nosso não é mais a matriz mas podemos dar um jeito de nos fortalecer e aos outros tambem. O lado bom é que nao somos só 8 e sim 9 brasoes e agora tem mais tipos de digiescolhido.
—--- O Kowshiro me falou que eles fizeram muita idiotice por la.
—--- Mas você sabe como ele é cricri com tudo. ---- ela brica tentando amenizar. ---- Eles só deixaram um portal aberto e quase uniram os dois mundos. Mas ja foi resolvido.
—--- Ja imaginou que choque daria a distorçao temporal? e a fauna e flora? ---- resmungo me levantando para ver oque ela havia trazido. ---- Estes maniacos ja estao arrumando esta encrenca toda estando separado. imagina se unir. O que eles tem na cabeça?
—--- Sao crianças Joe. Acharam que ficar junto iria ser bom. todos felizes juntos dos seus digimons. ---- vendo que eu nao conseguia abrir o envelope por causa do cansaço e fraqueza ela o tira delicadamente das minhas maos e o abre revelando um belo lanche. ---- Vai dizer que voce tambem nao queria um mundo cor de rosa.
—---- Mas ele não é.
A esta altura eu ja estava bastante desacreditado.
Como disse Mimi foi meu apoio por muito tempo, e mais do que todos fomos nos unindo e nos entendendo. E muitas vezes ela ajudava eu esconder meu estado ate dos meus pais e irmaos.
—--- Joe! O que esta fazendo?
O pisicologico é algo serio... Se nao estamos bem mentalmente tudo fica ruim, o corpo responde como se estivesse sendo danificado e voce fica fizicamente debilitado; o que era o meu caso. E a cada novo dia e novas experiencias que era obrigado a fazer eu só piorava, neste dia cheguei em um fim de semana que nao tinha ninguem em casa; meu irmao mais velho tinha ido para outro pais depois do escandalo de ele ter feito sexo com um garoto mais novo, e eu cheguei cheirando a aquele lugar imundo e horrivel indo direto tomar um banho. Ja era de praxe.
Mas naquele dia eu estava pior que todos os demais.
Tinham montado digimons falsos e os feito lutar contra os verdadeiros, quimeras repugnantes que mal feitas sofriam em agonia a cada suspiro. Os digimons agora sangravam e eu estava sujo do sangue de muitos deles, todos inocentes, todos puros, todos me implorando ajuda.
—---- Chega. ----- ela invade o banheiro me vendo caido mole e com falta de ar. ----- Tem que ter outro meio. Voce nao vai mais voltar lá esta me ouvindo; nós vamos destruir aquele lugar e voce nunca mais vai voltar lá. ----- ela desliga o chuveiro e joga uma toalha sobre mim secando meus cabelos. ---- Eles estao te matando...
Eu nao sei se ela ligou para alguem vir a ajudar a me tirar do banheiro ou se só chamou um vizinho mas acordei na cama trocado e de pijamas. Minha boca estava seca e minha vizao ainda estava embaçada.
—--- Esta tudo bem. Nao te vi nu... me ajudaram. ---- ela poe os meus oculos no meu rosto e me entrega um copo d'agua.
Mas isso nao fazia parte das minhas preocupaçoes no momento, sabia que Mimi era uma moça timida e nunca daria uma de tarada e ficar espiando.
Ela estava abatida e entristecida em me ver assim. Eu estava começando a afetar os outros.
—--- Tudo bem. Vamos agir. ---- respiro fundo depois de um gole. ----- Ja chega.
Ela sorri e logo pula ate meu computador e manda os e-mails com a ideia do cruzeiro. Parecia ja ter todo esquema montado e logo tudo parecia caminhar.
Mas eu ainda nao sei o que iremos fazer.
NAo sei como resolver isso...
Eu Só sabia de uma coisa.
Eu não era mais uma criança, e foram eles que fizeram isso comigo.
E iriam pagar.
Pagar muito caro por seu erro.
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