Heavenly Soul
12 O céu está caindo..!
Notas iniciais
_Vá embora já! — Gritou ela depois que uma solitária lagrima correu seu rosto...
_Sakura, por favor.
_Saia já daqui, eu não quero ouvir nem mais uma palavra, alias, eu não quero ouvir se quer sua respiração!
Ele aproximou-se e tentou segura-la pelos braços, mas a moça rapidamente desvencilhou-se e escorregou de suas mãos, olhando-o com fúria e desgosto ao mesmo tempo.
_Se você não sair, saio eu!
Ela pôs-se a caminhar, mas ele colocou a mão em seu ombro, impedindo-a de passar, encarando seus olhos, no mais profundo que conseguia ir, mesmo com todas as barreiras que ela agora levantava dentro de si, ele não conseguiria nada dela naquela momento, muito menos paciência para tentar entende-lo, deu-lhe as costas e subiu no elevador ainda parado ali, ela ficou parada observando as portas se fecharem, e o cursor do elevador subir até o ultimo andar do prédio, cambaleou até sua cama, tentando absorver uma informação daquele tamanho, e jogou-se nesta, enterrando seu rosto no colchão, e permaneceu ali, por um longo tempo, até adormecer finalmente. Na manha seguinte, ela ligou para o hospital, e disse que não estava em condições de ir trabalhar, não podia se quer cuidar dela naquele dia, quanto mais de outra vida...
Os dias se arrastaram, lentamente, e tornaram-se duas semanas, duas semanas sem vê-lo, era manha, pouco antes das nove horas, mas Sakura não podia ver o sol, aquela enorme chuva se arrastava a uma semana e meia, estavam realmente no auge do inverno, e um inverno bastante chuvoso, a agua que corria no vidro de suas janelas a hipnotizavam, a Haruno sentia como se o céu chorasse junto a ela, despertou de seu transi com a voz masculina do outro lado da linha...
_Não, isso está fora de cogitação, todas as autoridades de Japão está barrando as entradas, muitos policiais de Tóquio estão em alerta vermelho para qualquer um que se pareça com Sasori... — Resmungava Kakashi
_Eu procurei em todos os anúncios, fui a todos os hotéis da cidade que não pertencem a família Uchiha, está tudo lotado, esse festival de inverno tornou a cidade um caos, não há mais lugares disponíveis...
_Então fique ai, é um dos hotéis mais seguros do país.
_Eu não posso ficar em um hotel que pertence a ele. — Ela não tirava a ideia de mudar-se dali da cabeça...
_Deixe de birra Sakura, não é mais uma criança para simplesmente ir embora depois de uma briga, e mais, Sasori é um criminoso muito procurado, mas uma operação deste tamanho da muito trabalho e tempo para conseguir...
_Kakashi, por favor.
_Não. E está acabado. Dê seu jeito, mude-se para onde quiser, desde que seja dentro da cidade de Tóquio.
Ele bateu o pé e o assunto estava encerrado, ela já sabia que esta seria a resposta, mas não custava nada tentar, desligou o telefone e jogou a cabeça para trás, não estava ficando mais fácil conviver ali, e principalmente esquecer-se de Uchiha Sasuke. Três andares acima o apartamento parecia morto, estava perfeitamente arrumado, mas não havia vida naquele lugar, as enormes cortinas fechadas tornando o ar dali ainda mais sombrio, o dono da enorme tatuagem negra estava deitado na cama, com um aspecto cansado, os olhos fundos e suava sem parar, deu um suspiro quando finalmente seu irmão atendeu o telefone...
_Preciso que venha aqui. — Sua voz era calma e fraca...
_O que houve com você? Liguei o dia inteiro ontem? — Perguntou o irmão
_Itachi, preciso que venha me dar algum remédio, não consigo se quer ficar em pé sem cair...
_Você não tem se alimentado direito, é por isso que não atendeu e não apareceu? Está doente a quanto tempo? Para me ligar e pedir ajuda deve achar que está morrendo...
_Cale a boca e venha logo.
Itachi ouviu o telefone bipar, ele tinha acabado de desligar em sua cara, o primogênito estava sentado em sua sala do hospital, em frente ao computador, com um enorme pedaço de bolo de chocolate sobre a mesa, ele olhou para a chuva lá fora pela janela e suspirou fundo e cansado, arregalou brevemente os olhos, a ideia que aflorou em seus pensamentos era tão diabolicamente simples que ele sorriu sozinho, e pegou o telefone novamente, a secretaria lhe passou a ligação e ele esperou paciente a doce voz atender o telefone...
_Alô..?
_Sakura, que bom que está acordada. — Falou risonho. — Preciso de um enorme favor seu...
_Senhor Itachi? — Ela surpreendeu-se, mas estava feliz por não ser ninguém indesejado... — Pode falar, estou a disposição.
_Oh, que bom saber disto, estou com um enorme problema aqui no Heavenly Soul, e creio que não vou conseguir soluciona-lo tão cedo, por isso liguei...
_Não se preocupe, vou agora mesmo para o hospital. — Disse a rosada e logo foi cortada pelo Uchiha mais velho.
_Não será necessário, na verdade é um problema com a papelada. A questão é, um paciente muito importante me ligou a pouco, dizendo que não estava nem um pouco bem, é um paciente realmente importante e particular, não posso deixa-lo esperando, mas também não tenho como abandonar o hospital agora, gostaria que você fosse atende-lo em meu lugar.
_Claro, e vou com prazer. — Respondeu ela feliz em poder ajuda-lo.
_Ele disse que se sente fraco e se quer consegue se levantar, não tem se alimentado direito também, por isso acho que será preciso ficar observando-o durante algumas horas, não precisa se preocupar em vir para o hospital hoje, colocarei alguém em seu lugar.
_Sim senhor, é só me dizer o endereço que eu vou imediatamente...
_Ah, não será necessário endereço querida, faça o seguinte, desça até a portaria e pegue a chave da cobertura, ligarei autorizando assim que desligar, vá até o ultimo andar, ele estará no quarto, você provavelmente o conhece, é meu irmão, Uchiha Sasuke... Mais uma vez eu agradeço e tenha um bom dia.
Ele desligou, rápido o suficiente para não dar tempo de Sakura dizer que não poderia ir. Incrédula, ficou encarando o telefone em suas mãos por alguns minutos, não sabia o que faria a seguir, e levou mais de meia hora decidindo...
Teria que encara-lo em algum momento, e tinha que admitir, queria algumas respostas, em todos esses dias em que esteve sozinha não conseguia preencher muitos vazios, se Sasuke era realmente casado, ela não conseguia entender o porque de ele passar quase todas as noites em seu quarto nos últimos dois meses, ele sempre tinha todo o tempo disponível para ela, e como apresentaria uma namorada a seus amigos se fosse casado de fato, não fazia sentido. E afinal ele estava doente, ela teria que ir, se ela não fosse, ninguém mais iria, ela pegou a enorme bolsa vermelha com o símbolo da medicina em branco e verificou se não faltava nada, colocou uma blusa preta, colada a seu corpo deixando suas formas aparecerem, com calças da mesma cor, e uma jaqueta branca por cima, apertou o botão do elevador e suspirou fundo enquanto aguardava, assim que o recepcionista a viu entregou-lhe o cartão com o numero vinte, ela voltou ao elevador e podia sentir seu estomago apertar a cada andar que ela subia, as portas se abriram e ela deu um passo para frente.
Aquele quarto, definitivamente não pertencia a um homem casado, o chão era negro, assim como os sofás e as poltronas, os abajures altos espalhados pela sala desligados e as cortinas claras fechadas, cobrindo todas as paredes, havia mesa de jogos e nenhum sinal de uma alma feminina vivendo naquele lugar, ela caminhou lentamente até um dos sofás e largou a enorme bolsa, tirou a jaqueta branca e colocou-a junto da bolsa, olhou novamente todo o lugar e viu o caminho para o quarto, a mesma situação se encontrava no quarto, era lindíssimo assim como a sala, com o chão branco e paredes pretas, os moveis do quarto dividiam-se entre pretos e brancos de uma maneira muito homogênea, um enorme espelho cobria uma parede quase inteira, a cama era enorme com grandes lençóis nas mesma cores, na cama, haviam enormes cortinas brancas com bordas negras, presas com uma grande fita negra, ela deu dois passos para a frente e pode ver a enorme parede de vidro, mostrando-lhe a chuva, estava cada vez mais forte, Sakura aproximou-se mais e pode vê-lo entre os lençóis...
Ele tinha o rosto vermelho, suando sem parar, sua respiração era fraca e irregular, as cobertas o tapavam até a cintura, e ele tinha o braço esquerdo que continha a enorme tatuagem sobre o peito nu, enquanto o outro estava sobre a sua cabeça entre os vários travesseiros, e mesmo vulnerável daquele jeito, Sakura nunca havia visto um homem tão sensual em sua vida, ela colocou a enorme bolsa na pequena mesa de vidro perto da janela e caminhou até ele, colocou a mão em sua testa e pode sentir que ele quase fervia, dormia profundamente, ela caminhou até a pequena cozinha pegando um copo de agua e logo voltou ao quarto, abriu a bolsa e pegou alguns comprimidos, voltou a caminhar até a cama e sentou-se delicadamente a seu lado, seus dedos tocaram delicadamente o rosto dele, afastando os cabelos de seus olhos, só quando colocou os olhos nele novamente pode realmente perceber o quanto ele lhe vazia falta, ela debruçou-se delicadamente sobre ele e lhe deu um delicado beijo na testa, voltando logo a sentar-se a seu lado, com os comprimidos em suas mãos, olhou para a mesa perto da janela e viu que havia esquecido o copo d'agua sobre essa, levantou-se e caminhou lentamente até esta...
Sasuke abriu os olhos, e mal pode ver o teto branco sobre si, sua visão estava embaçada, ele puxou o ar pelas narinas e a sua voz saiu tão frágil...
_Sakura...
Seu nome na voz dele era sempre como uma declaração de amor, ela arrepiou-se da cabeça aos pés, e simplesmente não soube o que responder, ele baixou os olhos, com sua visão ainda bagunçada, e pode ver por trás das enormes cortinas brancas que certavam a cama as roupas pretas, sorriu e voltou a fechar os olhos, doía deixa-los abertos...
_Itachi... devo estar alucinando... — continuava a falar com a voz mais rouca que o normal. — pude sentir o cheiro da Sakura invadir meu sistema nervoso...
Ela olhou para trás, e não podia ver seu rosto, certamente daquele ângulo ele não podia ver os cabelos cor de rosa, as roupas negras que ela raramente usava acabaram o lembrando de seu irmão, ela aproximou-se calada e colocou os comprimidos em sua boca, e logo deu-lhe um gole de agua, afastando-se o mais rápido que pode e voltando para trás das cortinas brancas...
_Ainda está brabo? Já disse que não sinto fome, não faço de proposito... ultimamente a comida parece ter gosto de cinzas...
Ela caminhou novamente até a pia, com seu coração acelerado, encheu uma bacia de agua e antes de voltar lavou o rosto, tentando não ficar vermelha, quando entrou novamente no quarto, molhou uma toalha, torceu-a e caminhou até ele, colocando sobre sua testa, e propositalmente colocando sobre seus olhos, ela deu alguns passos para trás e ouviu mais uma vez a voz do Uchiha... sentiu seu coração acelerar novamente, a cada palavra dele era um golpe a mais em seu peito...
_Itachi, quando recuperarmos a herança de nosso pai, investiremos tudo em algum tipo de cura para o amor... — Ele realmente estava alucinando agora... — Eu nunca mais encontrarei alguém que me de amor como ela deu, e nem mais quero sentir esse sentimento se não for por ela...
Ela sentia seu corpo começar a esquentar, perguntou-se rapidamente se não estaria com febre também, mas no fundo sabia que não era por doença que seu corpo queimava, e sim pelas palavras que saiam da boca dele...
_Você tinha razão irmão, ela não vai me perdoar por isso, eu soube disso assim que a olhei... Eu não lhe contei, mas fui atrás dela a alguns dias atrás, no hospital, me disseram que ela havia acabado de sair para a cafeteria ali perto, quando eu cheguei lá, não tive coragem de entrar, ela estava sentada perto da janela... Eu soube que ela não iria me perdoar nesse momento, ela passou por muita coisa irmão, eu não tinha o direito de mentir para ela, você tinha razão, como sempre... fiquei parado na chuva a olhando até ela ir embora... talvez seja por isso que eu esteja doente agora...
Sakura parecia não acreditar em tais palavras, ela lembrava-se de ir a cafeteria a alguns dias atrás, e lembrava-se com perfeição que ficou sentada perdida em pensamentos por quase duas horas, ele virou-se na cama, ficando de costas para ela, o pano molhado caiu de sua cabeça, ela estava perdida em suas palavras, foi um erro ir até lá, como poderia esquece-lo, principalmente depois de tais palavras, sua voz soou rouca novamente, e num tom triste, e aquele tom junto daquela frase a acertaram como uma flecha...
_Eu não quero mais acordar sozinho... Não sem ela ao meu lado...
Ele pegou no sono novamente, ou talvez, nem tenha realmente acordado, ela sentou-se na poltrona que havia ao lado da cama, e colocou os pés sobre essa, abraçando os próprios joelhos, o barulho da chuva aumentava periodicamente, algumas cidades já estavam com alagamentos, chovia muito aqueles dias.
Sakura observava seu sono calada, ele virava-se de um lado para o outro e vez ou outra chamava por seu nome, balbuciava coisas que ela não conseguia compreender, amaldiçoou alguém uma ou duas vezes, o tempo foi passando e aos poucos seu sono foi ficando mais calmo, os relâmpagos pararam, mas a chuva continuava persistente. Passaram-se algumas horas, ela não sabia dizer ao certo, caminhou por todo o apartamento, e no auge de sua curiosidade abriu o guarda-roupas, somente coisas do próprio Uchiha habitavam aquele lugar, nenhum sinal de outra pessoa morando ali, ela voltou a poltrona algum tempo depois, escorou o cotovelo nesta e ficou mirando a chuva lá fora, sua respiração falhou quando ela ouviu a voz de Sasuke...
_O céu está caindo...
Ela virou seus olhos, e deparou-se com os dele, seu olhar era tão doce e gentil, mal pode reconhece-lo naquele olhar, parecia alegre e agradecido, ou talvez... aah, ela não sabia o que significava aquele olhar, ele lhe sorriu, fraco, mas verdadeiramente...
_Quando abri meus olhos e a vi ai, não tive coragem de acorda-la de seus profundos pensamentos... — Dizia ainda com a voz falhada...
_A quanto tempo está acordado...?
_O suficiente...
Ela levantou-se sem dizer uma palavra se quer e pôs-se a caminhar para fora do quarto, Sasuke destapou-se, vestia uma larga calça preta e os pés descalços, ficou tonto por levantar tão rápido, mas recompôs-se e a seguiu, encontrou-a quase em frente a porta do elevador e pegou seu braço, apertando-a mais do que deveria, não conseguia medir sua força com precisão...
_Não vá embora... — Pediu ele, e ela virou-se olhando em seus olhos...
_Acalme-se e volte para a cama, vou apenas até a cozinha pegar-lhe um copo de agua...
Ele largou-a e viu ela virar-se e passar pelo elevador, deu dois passos para trás, e virou-se, apoiou a mão na parede e caminhou até o quarto novamente, sentou-se na cama e tapou suas pernas, com os olhos cansados, não havia sido uma boa ideia levantar-se tão de pressa, viu ela entrar no quarto, ela caminhou até a bolsa vermelha sobre a mesa, e pegou alguns comprimidos, deu-os para ele tomar junto ao copo de agua, somente o barulho da chuva era ouvido naquele quarto. Mas logo isso mudou, Sakura estava parada ao lado da cama, e quando ele a olhou novamente pode ver as lagrimas que corriam por seu rosto, tanto quanto as gotas corriam nos vidros da janela...
_Você não tinha o direito!! — Ela gritou entre as lagrimas... E continuou a gritar as palavras, era o único jeito que teria coragem de pronuncia-las... — Você não tinha o direito a nada disso... Não tinha o direito de mentir para mim, nem o direito de me enganar como enganou, não tinha o direito de esconder que era casado e muito menos... Você não tinha o direito de fazer isso ao meu coração...
_Sakura... — Ele tinha os olhos negros arregalados...
_Eu não mereço colecionar essas cicatrizes... Você se aproximou e fez eu me apaixonar por você a cada dia mais, você roubou meu coração, e não cuidou dele como deveria! Você fez eu depender de você para respirar direito, fez minha felicidade depender de você e foi embora, e me deixou sozinha, mesmo depois de dizer que nunca faria isso, mesmo dizendo que nunca mais me deixaria sozinha. — Ela soluçava entre o choro... — Você tirou o resto de chão que eu tinha, e foi embora me deixando no vazio! Você não tinha o direito de fazer eu ama-lo como eu amo, sabendo que nunca vai ser completamente meu...
O copo de agua em suas mãos foi jogado no carpete branco, ele puxou sua mão, fazendo-a cair sobre ele, então Sasuke a abraçou, mantendo-a presa em seus braços, e jurou a si mesmo nunca mais deixa-la ir, sentia as lagrimas dela molhando seu peito, e suas delicadas mãos presas em suas costas, ele a manteve em seu colo até a mulher acalmar-se, o Uchiha colocou sua mão entre os cabelos dela em sua nuca e aproximou seus lábios de seu ouvido, o sorriso em seu rosto agora era largo...
_Eu nunca mais vou deixa-la! Mesmo que você me mande embora, mesmo que o mundo todo esteja contra mim, eu nunca mais vou deixa-la no vazio!!!
_Eu preciso de você Sasuke! Eu preciso de você!!
Ele a apertou ainda mais forte em seus braços, por um longo tempo, sentindo seu coração sincronizar ao dela, e sua mão deslizou até seu polegar tocar o rosto da rosada, afastando-a, apenas o suficiente para poder roubar seus lábios, num beijo delicado, com saudade e doce... A chuva cedeu, finalmente, tanto fora quanto dentro do quarto... E a voz rouca soou acompanhando o barulho do final de uma tempestade...
_Eu sou completamente seu agora!
Fale com o autor