Heavenly Soul
26 Madrugada Escura.
Notas iniciais
Sakura encarava o moreno preso a sua frente, seu rosto estava muito machucado, mas ela agradecia a pessoa que havia limpado seus ferimentos, o Uchiha evitava falar, além de dolorido, ele nunca tinha certeza de quem estava escutando atrás daquelas paredes, ouviram um barulho de longe, era quase possível perceber uma discussão e uma alteração na voz de uma mulher, Sasuke sabia que aqueles momentos de silencio durariam pouco, e ele estava certo. A porta se abriu e o ruivo passou por ela novamente, aquele homem sem qualquer escrúpulos, ele sorriu olhando para o rosto de Sasuke, e aquele sorriso foi aumentando conforme ele se aproximava da Haruno, Sasori colocou um pequeno pano sobre a mesinha ao lado da cama e abriu um frasco com um liquido branco dentro...
_Sabem de uma coisa... Ontem eu percebi algo muito importante. — Dizia o ruivo colocando o liquido no pano dobrado... — Eu realmente gosto de ver o Uchiha sofrendo, e a melhor maneira de fazer isso, é fazendo outra das minhas coisas preferidas...
Ele aproximou-se de Sakura com aquele tom assustadoramente provocante, e colocou o pano sobre o rosto dela... As correntes se debateram enquanto ela se balançava tentando se soltar, ou ao menos tirar o rosto dali, a voz do Uchiha era quase como um rugido, feroz e desprovida de qualquer medo. Aos poucos as correntes foram cedendo, e o corpo nu da Haruno começou a amolecer, quase como se ela estivesse desmaiando, mas o mais assustador eram seus olhos, pois apesar de não conseguir se mover, ela estava consciente de tudo aquilo, a sensação de não controlar o próprio corpo era apavorante.
Sasori baixou as correntes e colocou-a deitada sobre a cama, imóvel, fez questão de virar seu rosto em direção a Sasuke para que ela pudesse ver o quão desesperado estava o Uchiha que brigava com as correntes que o prendiam e urrava com um extremo ódio em sua voz. O ruivo fez questão de encarar Sasuke enquanto tirava sua camisa e a jogava no chão, sorriu com o canto da boca e enfim mirou-a sobre a cama, com seu corpo escultural e totalmente desprovido de roupas... Quando ele colocou o joelho sobre a cama e começou a escala-la, sua voz tomou um tom possessivo...
_... Fazer de Sakura minha mulher.
Sasuke gritou a plenos pulmões para que ele se afastasse, mas quanto mais jurava aos Deuses que mataria aquele homem, mais o ruivo se divertia, ver aquele homem passando os dedos na pele macia de sua mulher, ver ele tão perto de Sakura... O sangue sujava o chão, correndo de seus pulsos apertados pelas correntes grossas, era desesperador não poder fazer nada para afasta-lo. ele era inútil naquele momento, logo ele que havia prometido que cuidaria dela.
As lagrimas corriam pelos seus olhos verdes, podia sentir o corpo pesado de Sasori sobre o seu, aquela situação a lembrava momentos de eu não queria mais se lembrar, o toque daquele homem era áspero e vil como o toque de uma cobra venenosa... Tentava com todas suas forças se mexer, gritar, afasta-lo, mas por mais que ela se esforçasse, nada acontecia, era como se ela estivesse habitando outro corpo, mas com certeza a coisa que mais lhe doía naquele momento, era a visão que tinha a sua frente, a visão do Uchiha desesperado se debatendo contra as correntes e gritando pelo nome dela. Ela não podia reconhece-lo, aqueles não eram os olhos negros de Sasuke, eram olhos de alguém sem alma, morto talvez, aqueles olhos não possuíam uma centelha de brilho, nada de esperança, aqueles olhos estavam imersos em desespero... Ela pensou por um momento que se Sasuke continuasse puxando e se debatendo contra aquelas correntes ele deslocarias os cotovelos ou os pulsos... Vê-lo daquela forma era apavorante...
Ela pode sentir o volume do membro do homem lhe tocando por baixo da calça, ele beijava seus seios e passava as mãos por seu corpo e a sensação que causava era de enjoo. Pode sentir ele abrir sua calça e acaricia-la com os dedos, quase como se estivesse abrindo caminho, as lagrimas correram ainda mais rápido e os gritos que ecoavam sem parar no quarto aumentaram.
Pode sentir ele forçando suas paredes internas, enquanto algo podre subia por sua garganta, sentir aquele homem dentro de si era a ultima coisa que ela queria no mundo, ela não poderia sentir aquilo de novo, não poderia se sujeitar a aquele homem como já havia feito antes, não poderia mais se deitar com ele, mesmo forçada não poderia, não depois de sentir-se amada por Sasuke, não depois de sentir como o Uchiha era carinhoso e atencioso, não depois de sentir o moreno lhe dar todo o seu amor... Seu corpo era como uma madrugada escura a espera do sol, aquele sol que só ele poderia trazer, mas Sasori era como uma manha de tempestade, trazendo desespero e desilusão...
A porta se abriu rápido, e bateu contra a parede, e parada nesta estava Kanika, com os olhos arregalados, Sasuke pensou por um momento que lá era algum tipo de anjo enviado dos céus para impedir que aquilo acontecesse, ela parecia assustava em interromper o ruivo, mas a morena simplesmente não poderia ficar parada, ele estava indo cada vez mais longe e ela não poderia mais fazer parte daquilo, sentar e assistir, sua voz saiu em um grito quando o ruivo se levantou e encarou-a...
_Kakashi está se aproximando, junto com o filho da Yakuza.
Sasori olhou novamente para Sakura deitada na cama, e em passos pesados ele saiu do quarto, deixando Kanika parada na porta desta, ela olhou para Sakura, com os olhos culpados, e logo voltou a mirar o Uchiha preso, com os pulsos lavados e sangue, ela olhou para fora do quarto mais uma vez, e correu em direção a Haruno, havia uma pequena seringa em sua mão e ela sem precaução nenhuma cravou a agulha na coxa da mulher jogada sobre a cama...
_Fará com que ela recupere os movimentos logo.
A morena saiu pela porta e bateu com força para fecha-la, deixando Sasuke lá dentro com os ecos de seus devaneios, o silencio voltava a reinar pouco a pouco naquele lugar, Sasuke pode ouvir os motores dos carros se afastando gradativamente, pode sentir aquele perigo se afastando deles pouco a pouco, seu coração de maneira lenta e continua foi voltando ao seu ritmo normal e tudo que ele queria era que aquele pesadelo acabasse... Pode ver os olhos verdes se fechando, adormecendo suavemente, quase como se seu corpo estivesse esquecendo de onde estava e enfim descansando...
...Os olhos verdes se abriram e ela pode escutar aquela voz calma, ele estava debruçado sobre seu corpo, com um pequeno sorriso em seus lábios, aquele sorriso tão tímido e verdadeiro que mesmo escondido pelas mechas negras ofuscava o próprio sol, ela correu o olhar pelo local e a primeira coisa que pode ver fora a enorme janela de vidro que lhe mostrava a bela vista cidade de Tóquio, as roupas jogadas sobre a cadeira, o cheiro adocicado das flores eu ela havia colocado em um belo vazo sobre a mesa, e finalmente... aquele toque macio das mãos dele, acariciando seu rosto enquanto sua voz rouca tomava conta do local...
_Bom dia, Sakura.
Ele roubou seus lábios de uma forma tão doce que ela simplesmente não pode responder nada, e logo depois levantou-se da cama, colocou uma toalha sobre o ombro e sumiu pela porta do banheiro, o barulho da agua batendo em seu corpo e caindo nos azulejos era quase como um convite, ela colocou seu robe de seda branca com rendas pretas e caminhou até a sala, o piso gelado em seus pés era incrivelmente gostoso com aquele suave calor da manha.
A xicara de café quente em suas mãos, o sol entrando por sua janela, a brisa levando seus cabelos cor de rosa suavemente, as mãos dele em sua cintura, ela virou-se e abraçou-o, com um enorme sorriso nos lábios, os cabelos negros e molhados pingando sobre seus ombros fortes, o braço que possuía a enorme tatuagem negra acariciando seu rosto, aquele homem que possuía uma poderosa aura em sua volta, quase como uma segunda pele, que possuía uma beleza descomunal, quase desproporcional para um simples mortal, aquele homem que faria dela sua esposa em alguns meses, o homem que ainda fazia ela se arrepiar somente por lhe lançar aquele olhar com aqueles olhos negros... Ele roubou mais uma vez seus lábios e quando finalmente abriu os olhos de novo lhe sorriu novamente...
_Sakura... — Ela se arrepiou com aquela voz chamando seu nome... — Sakura... — Os olhos negros a encarando... — Sakura... Acorde....
Ela abriu os olhos, naquele lugar escuro, o cheiro do sangue lhe invadiu as narinas, as cabeça girou uma ou duas vezes, mexeu os dedos das mãos com dificuldade, tentou levantar a cabeça, mas era cedo de mais para isso, estava mais pesada que o de costume, aquela era sua terrível realidade, sentia as correntes geladas em seus pulsos e tornozelos, tentou mais uma vez virar a cabeça, mas tudo que conseguiu foi deixa-la cair para o lado, era o suficiente, pode enxergar os olhos negros focados nela, pode ver seus pulsos machucados das correntes, e mesmo com todo aquele pavor em seu peito, aquela voz, que acalmou-a por tanto tempo, aquela voz que lhe prometeu felicidade e que era ainda tinha a esperança de alcançar, a voz do Uchiha chamando seu nome...
_Sakura, acorde... por favor...
Era difícil dizer quanto tempo havia se passado, aquele lugar totalmente escuro e silencioso, poderia ter se passado uma hora ou dez, era indiferente naquele lugar... mas aos poucos, ela conseguiu recuperar os movimentos de seu corpo, sentiu-se na cama com dificuldade, as correntes estavam baixas, ela aproximou-se lentamente da borda da cama, e sua voz ainda rouca e desnivelada soou no vazio...
_Aquela mulher...
_O que diz? — Ele questionou-a, vendo ela aproximar-se cada vez mais da borda da cama...
_A mulher que tirou Sasori daqui... — Ela olhou para o chão, com os olhos brilhantes...
_Ela tratou de minhas feridas. Pelo jeito não sabia onde estava se metendo quando se envolveu com Sasori...
_Ela vai nos tirar daqui.
_Sakura... Ela não vai...
Sasuke parou de falar, quando viu a Haruno pegar um pequeno grampo do chão, os longos fios negros presos neste fez Sasuke entender o porque de aquela mulher ser o motivo de sua liberdade, por um momento Sasuke se lembrou de uma passagem de sua infância, quando Gaara sorriu vitorioso e lhe mostrou um grampo de cabelo entre os dedos, e uma algema aberta n na outra mão, lembrou-se que passou dias tentando abrir aquela algema só para provar ao ruivo que também iria conseguir... Mas falhou em todas as tentativas.
Sakura juntou toda a força que tinha em seu corpo e jogou o grampo em direção ao Uchiha, ele puxou com os pés e tateou o chão até encontra-lo e segurar o pequeno metal, não sabia se aquilo era possível, pensou na possibilidade do ruivo ter o enganado e ser impossível abrir alguma coisa daquela maneira, mas naquela situação, ele não poderia deixar de tentar. Levantou a cabeça e a viu, ainda com a cabeça baixa, mas algo estava diferente nela, era com se houvesse um escudo ao seu redor, seus olhos estavam opacos, ela estava chegando ao seu limite, foi o que ele pensou... Mas estava enganado, aquela aura forte ao seu redor não era fraqueza, ela simplesmente não se importava mais em quanto tempo demoraria para saírem dali... ela apenas queria sair..
_Aquele monstro... — Sakura começou... — de todas a coisa que não consigo mais fazer em minha vida... Ter aquele homem dentro de mim é uma delas... Eu preferia a morte a tê-lo sobre meu corpo novamente...
Sasuke engoliu a própria saliva, o olhar destemido que ela o mostrava agora, o Uchiha sentiu-se envergonhado de não possuir aquele olhar antes, ele sorriu de canto, o rosto de seu pai perguntando se ele iria mesmo desistir tão fácil veio a sua mente... pode ouvir Gaara dizendo convicto que já teria saído daquela situação, e seu irmão Itachi dizendo o quão ele era fraco...
Quando o Uchiha levantou a cabeça novamente e olhou-a, quem surpreendeu-se foi ela, aqueles olhos afiados haviam voltado, aquele homem implacável, os olhos como cetim negro, perigosos, frios e calculistas, ela teve a certeza de que aquele homem a tiraria dali...
_Sakura... eu lhe fiz muitas promessas até aqui, e nem todas eu cumpri. Mas e lhe juro, por minha própria vida, que vou acabar com aquele homem como uma cobra esmaga um rato, e que não sobrará nada dele para você se lembrar... pelo resto de sua vida!
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