Heaven In Your Eyes
39 Queen Of My Heart
— Jay, acorda! — Murmurei perto de seu ouvido dando alguns beijinhos em sua nuca. Ele estava deitado de bruços e abraçava o travesseiro com força.
— Não quero amor, só mais um pouco. — Resmungou ainda com os olhos fechados aconchegando-se mais
— Mas amor... — Pedi subindo meus lábios até sua orelha e mordendo de leve
— Isso é golpe baixo, Mandy — O ouvi dizer baixinho e finalmente abrir os olhos. Ele virou-se para mim, suas pupilas esverdeadas brilhando ao mesmo tempo em que um enorme sorriso iluminava seu rosto.
— Não é golpe baixo, é vontade de estar perto de você! — Sussurrei puxando-o para pertinho de mim, estavamos deitados um diante do outro e parecia surreal tê-lo ali comigo depois de tantas noites mal dormidas onde tinha pesadelos nos quais meu namorado protagonizava.
— Acordou bem humorada é? Aposto que é porque está comigo.
— Em partes, ok? Não se sinta tanto — Brinquei fingindo-me de ofendida
— Só não me sinto se você me der meu beijo de bom dia.
— Ai Jay, eu acabei de acordar e você também, nós estamos com...
Ele nem me deixou terminar e puxou-me pela nuca com carinho colando nossos lábios em um pequeno selinho. Não pude evitar sorrir com seu gesto doce e aos poucos conforme nos separamos, percebi que James me olhava como se analisasse cada pequeno centímetro do meu rosto. Eu estava corada imaginando que provavelmente estaria notando como minha pele é ruim sem base e como meu cabelo fica despenteado ao acordar, mas a calma em sua expressão dizia exatamente o contrário.
— Você é tão linda, sabia? — Seu polegar roçou em minha bochecha afagando-a — Como pude acordar ao seu lado daquela vez e te tratar mal?
James havia se referido a um fato que havia me machucado anos atrás. Acho que nunca haviamos conversado abertamente sobre aquela ocasião, no entanto, parecia que ele se lembrava tão bem do que fez como eu me lembrava de ter sofrido.
FLASHBACK
– Hey! — Cutuquei o braço de James, ele estava caído na cama ao meu lado bêbado o suficiente. Na noite anterior havíamos transado pela primeira vez. Depois de ponderar a respeito sobre sua "prova de amor", eu havia cedido. Algumas amigas haviam me acobertado alegando que estariamos juntas e foi o bastante para escapar e dormir na casa do meu namorado. Por mais que tenha sido incomodo e definitivamente eu não tenha sentido que minhas expectativas românticas haviam sido supridas. Talvez tenha sido por isso que aceitei encher a cara de tequila barata depois de ter sido usada. — James! — O chamei mais uma vez e ele acordou encarando-me mal humorado. Eu estava nua ao seu lado e puxei o lençol envergonhada.
— O que faz aqui? — Ele se limitou a dizer — Achei que tinha ido embora ontem. — James esfregou os olhos irritado com a claridade do sol que invadia o quarto. — Pode fechar a merda daquela cortina?
— Desculpe, eu vou fechar! — Levantei ainda envergonhada carregando o lençol comigo por todos os lados. O que foi? Eu havia visto em filmes, ok. Assim que puxei a cortina, voltei ao seu lado esperando ansiosamente que ele me beijasse, perguntasse se eu estava bem ou demonstrasse qualquer afeto. Nada.
— Vai ficar mesmo enrolada nisso ai? Eu já vi tudo que devia ontem. — Ele reclamou puxando o lençol que me cobria
— James! — O repreendi
– Não enche!
– Qual era o problema? — Perguntei incrédula
– Tirando você, nenhum. — O ouvi gargalhar diante de mim — Sério, vai pra sua casa.
— Eu não posso ir assim. Onde colocou minhas roupas?
— Sei lá, devem estar pelo chão. — Falou procurando na gaveta de seu criado mudo por algum baseado
— Não, você não vai usar isso perto de mim — Me levantei saindo do quarto
— "Não vai usar isso perto de mim" — Ele me imitou — Vai à merda.
— Você podia ao menos ser um pouco carinhoso! Não vai perguntar como eu estou?
— Pelo visto continua gostosa. — James disse vindo até mim e puxando-me pela cintura. Nossos corpos se colaram e ele deu um forte tapa em minha bunda. Mordi a boca, não por prazer, mas evitando xingá-lo.
— Me solta. — Respondi sériamente
— Por que? Ontem você gostou.
— Você é mesmo um babaca. — Falei o empurrando e catando algumas das minhas peças que conseguia encontrar pelo chão
– Não seja insuportável. — Ele se divertiu rindo de mim enquanto acendia o baseado — Vou colocar uma roupa e ir até a casa do Carlos.
— Vai me deixar sozinha? — Perguntei assustada o bastante ao vê-lo pegar uma camisa amarrotada dentro do armário e vestir
– Tenho certeza que é bem melhor do que ter você me regulando. Além do mais, é melhor do que ter vontade de te enforcar em plenas onze da manhã.
James já havia acabado de se vestir e saiu do quarto batendo a porta. Eu permaneci ali me sentindo uma completa idiota e questionando porque havia me entregado tão espontâneamente a alguém que não havia dado o devido valor. Ainda apegada à sua presença — ou seria ausencia? — deitei em sua cama sentindo o cheiro em seus lençóis onde permaneci chorando por um bom tempo.
FLASHBACK OFF
— Eu não quero ter que lembrar disso — Pedi sentindo minha voz embargar
— Eu sei, só que não posso deixar de lembrar quão idiota fui anos atrás. Se eu pudesse, Mandy, iria te recompensar de todas as maneiras possíveis. E eu sei que posso fazer isso! — Ele disse sentando-se na cama. Suas mãos seguraram as minhas com tamanha propriedad que me surpreendi.
— Shhh... Não diz mais nada! — Pedi sentando-me ao seu lado e apoiei meu indicador em sua boca — Eu amo você e sou inteiramente apaixonada pelo James que me faz feliz. Vamos esquecer todas as mágoas, por favor.
— Eu estou tentando. — Ele confessou puxando-me para um abraço lateral. Deixei minha cabeça encostar em seu ombro e alguns minutos depois recebi um terno beijo em meus cabelos.
— Então por que não começa tentando de um jeito diferente? — Propus tentando mudar o tema triste da nossa manhã
— E qual seria? Faço o que quiser.
— Hm, algumas panquecas com calda de chocolate seriam muito bem vindas — Respondi gargalhando
— Ah, amor, eu estou falando sério — Ele revirou os olhos
— E eu também! Quero que cozinhe para mim. — Pedi encarando a forma intrigada com que James me olhava. Suas sobrancelhas estavam franzidas e ele parecia não acreditar.
— Sério mesmo?
— Sério! — Gargalhei — Por que o meu amorzinho não me prepara o melhor café da manhã do mundo enquanto eu tomo um banho, hm?
— Não seria uma má ideia — Ele concordou
— Não seria mesmo — Reafirmei dando-lhe um beijinho no queixo. Fui subindo com meus lábios agora dedicando-os à suas bochechas e à cada extremidade de sua boca.
— Faltou um aqui — James apontou para o centro de seus lábios
— Aqui? — Perguntei dando-lhe um selinho no local
— Não, aqui — Ele apontou alguns centimetros à direita
— Aqui? — Fingi estar procurando onde era e beijei-o onde apontou
— Não amor, aqui. — Agora ele havia apontado um pouco mais à esquerda
— Aqui? — Eu estava indo beijá-lo mais uma vez, mas James jogou-me na cama subindo por cima de mim, ele iniciou algumas cócegas na minha barriga e eu gargalhava alto como uma criança de seis anos de idade. — Para amor, para! — Pedia em meio a risos que pareciam não ter fim
— Só se acertar o lugar! — Ele disse continuando sua tortura
— Eu acertei, acertei três vezes — Argumentei a meu favor enquanto tentava tirar suas mãos, mas as risadas eram mais fortes que eu
— Aqui, aqui! — Apontei para sua boca
— Não, Mandy, aqui! — Suas mãos finalmente cessaram e seus lábios agora estavam próximos dos meus. James os encostou devagar primeiro roubando um casto selinho que aos poucos ganhou mais vida. Aquele sim era um beijo de bom dia! Devagar, gostoso, lento e cheio de ternura. Jay afagou meus cabelos ajeitando-os com carinho atrás da minha orelha ao passo em que seus lábios sugavam os meus delicadamente. Aos poucos, fomos diminuindo o ritmo e ele finalizou com uma leve mordidinha. — Senhorita! — Ele disse saindo de cima de mim e fazendo uma reverência — Vou fazer seu café da manhã.
Gargalhei ainda mais alto com sua piada boba e atirei uma almofada em sua direção, pena que tarde demais. Dessa forma, peguei minha roupa que havia usado no dia anterior e segui para o banheiro da suite. Comecei a revirar os armários até achar toalhas limpas e alguns utensílios pessoais. Ótimo, shampoo!
Depois de ter feito minha higiene, sai do banheiro secando meus cabelos com a toalha. James estava de pé em frente à cama mexendo em seus cabelos distraidamente enquanto um pequeno bocejo lhe escapava. Ele tomou um susto quando percebeu que estava o observando e eu tinha toda razão em observar, afinal ele estava usando apenas uma box.
— Hm, que cheiro gostoso! — Ele murmurou farejando o ar — Serão as panquecas ou a minha Mandy?
— Sua Mandy? — Achei graça pelo uso do pronome possessivo e me aproximei devagar deixando a toalha molhada sobre a cama temporariamente. — Hm, acho que esse cheiro deve vir das minhas panquecas.
— Posso testar? — Perguntou
— Como?
James segurou minha cintura devagar, seus dedos pareciam tocar uma camada fina de vidro tamanha a fragilidade que julgava que eu tivesse. Com carinho, ele foi subindo-os passando pelos meus seios e contornando os ossos do meu colo até alcançar meu cabelo. Assim, ele os puxou lateralmente deixando meu pescoço livre. Senti meu coração acelerar esperando por seu toque e me arrepiei quando seu nariz seguiu o trajeto perfeito de minha pele inalando meu cheiro. Era como se uma corrente elétrica estivesse me atravessando e eu amava essa sensação. Calmamente, seus lábios me tocaram e um rastro de beijos foi se arrastando fazendo cada parte do meu corpo se eriçar. Ele continuou subindo até meu rosto onde novamente voltou a atenção para minha boca, beijando-a devagar.
— É, você está mesmo muito cheirosa.
— Você adora me provocar, não é mesmo? — Perguntei sentindo minha respiração descompassada
— Você acha? — Ele fora sarcástico e logo segurou minhas mãos entrelaçando nossos dedos — Venha, tem um café da manhã real para a minha rainha.
— Posso me acostumar com essas mordomias?
— Só quando aceitar se casar comigo! — James deu uma piscadinha e parecia que uma flecha havia acertado meu coração. Tem como ser tão sedutor sem perceber?
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