Heaven In Your Eyes
68 Duele Decirte Adios
Notas iniciais
- Pode parecer um absurdo ter te tirado da festa...
— E foi. — Respondi fazendo questão de interrompê-lo usando minha frieza como mecanismo de defesa.
— Mas acho que já adiamos o bastante nossa conversa. — Ele concluiu quando chegamos ao estacionamento. Andávamos devagar e ele parecia flutuar sobre seus sapatos com seus passos decididos no chão. — Precisamos falar sobre tudo isso, Mandy. Falar sobre Emmett e, principalmente, sobre nós dois. Você não pode me negar isso.
— Que nós dois, James? Você, como sempre, agiu como um idiota, pensou acima de tudo em si mesmo e se mostrou totalmente fraco quando mostrou claramente que ainda havia resquícios antigos seus.
— Amanda — Ele pegou minhas mãos fazendo-me parar de caminhar e olhar em seus olhos — Entenda, por favor, que minha fraqueza provém de você.
— De mim? — Puxei minhas mãos das suas rapidamente por medo de que o contato me fizesse derreter — Não, Jay, não desloque a culpa para mim. Seja adulto, assuma a responsabilidade por seus atos, por não saber confiar, por apressar as cosas e também por seu egoísmo. Posso não ter me entregado de bandeja e isso porque ainda tenho receio, mas eu nunca iria pagar-lhe com a mesma moeda. Jamais cogitei trair você e justamente por saber o quanto dói é que não desejaria ao meu pior inimigo esse sentimento.
— Mas você sente algo por Mehmet... — Eu não sabia se essa era uma pergunta ou afirmação
— Sim. Eu sinto que ele é a calmaria enquanto você faz meu mundo cair aos pedaços com a sua impulsividade. Eu deixei de acreditar em contos de fadas quando cresci abruptamente sendo emocionalmente sequestrada por um fracasso amoroso que você causou, eu tive que encarar todas as muitas apunhaladas que a vida me deu e Met me mostrou que ainda existem homens bons que amam intensamente e respeitam acima de tudo.
— Então você o ama? — Seu olhar triste atingiu o chão como se não conseguisse me encarar e meu peito se comprimiu em lástima.
— Não da maneira que está pensando. Mehmet me faz bem por sua paciência, respeito e tolerância. Ele tem o equilibrio que é necessário em uma família.
— Mas essa família é minha! — Seus olhos se ergueram dessa vez expressando toda sua raiva acompanhada pela sua voz rude e uma oitava mais alta.
— Nós não somos sua prioridade, James. O que fez para merecer nosso afeto? Você passou todo esse tempo cobrando que eu te colocasse no lugar de pai e marido quando você mesmo não o fez. Que iniciativas tomou? Que passos deu? Você permaneceu inerte esperando que as coisas caíssem do céu enquanto eu até hoje tenho a esperança de que terei uma centelha de mudança em ti para que Emmett possa se orgulhar de tê-lo como pai.
— Mas eu mudei. Eu estou lutando dia após dia para reaver meu filho e para ter a certeza do que sente por mim. Pare de acreditar no que é mais fácil para você, nas mentiras que inventou de que eu sou a versão moderna do Frankentein para poder se apoiar com maior firmeza em um homem que é cômodo e nada mais. — James deu mais um passo a frente e voltou a segurar minhas mãos, mas dessa vez as escorregou pelo meu braço subindo aos poucos até minha nuca. A sensação de conforto e quentura percorreu meu corpo quando afagou-me e isso me fez arrepiar. — Pare de olhar para trás, Mandy, pare por favor. Eu preciso que olhe para frente, para o nosso futuro.
— Não há futuro, Jay. — Murmurei encarando o chão apesar de sentir seus dedos acariciarem meu pescoço e subirem pelo meu couro cabeludo em uma massagem deliciosa. — Eu me enganei, achei que você estava sendo sincero quando disse todas aquelas baboseiras de apaixonado, quando me amou, quando me fez ser sua mais uma vez.
— Você não estava enganada, eu estava mesmo apaixonado por ti, eu ainda estou.
— Desculpe, mas não consigo acreditar. Se me amasse tanto como diz, não teria agido daquela maneira, não teria sido possessivo ou me feito sofrer por acreditar que eu havia te traído. Caramba James, você sequer se permitiu ouvir a minha versão da história! Qual o seu problema? Por que sempre pensa que eu vou ser uma vagabunda como você era?
— E por que sempre pensa que eu sou o mesmo vagabundo de antes? — Questionou-me devolvendo a minha pergunta e apertando-me mais ainda. Agora seu braço esquerdo envolvia minha cintura e quando ele puxou-me contra seu corpo instigado pela raiva pude sentir que tremi em seus braços. Sua mão que estava em minha nuca puxou meu rosto para mais perto. Merda.
— Eu não penso isso. — Respondi fugindo dos seus lábios e do seu olhar tão preciso — Eu só espero que as coisas mudem. Não me leve a mal, mas parece que estou perdendo as forças de tanto esperar por mudanças que nunca acontecerão.
— E se eu te provar que estão mudando?
— Não quero provas de nada.
Resmunguei e toquei os meus lábios, de repente parecendo secos demais. James colocou sua mão sobre a minha retirando-a da minha boca. Ele guiou-a até seus lábios onde depositou um terno beijo no dorso e eu permaneci incrédula pelo cavalheirismo.
— Você pode não querer, mas precisa delas.
— Jay... — Choraminguei desviando o olhar para o lado, mas ele tocou meu queixo fazendo-me olhar seu rosto.
— Eu trouxe uma coisa para você.
— O que?
— Um presente para a madrinha do casamento.
E ele sorriu. Aquele sorriso largo praticamente esculpido por anjos, um dos mais belos que já me deparei ao longo da vida. Sua boca moveu-se para o lado curvando-se em um sorriso lateral enquanto seus olhos pareciam brilhar ao me ver. Ah James, você poderia definitivamente derreter o gelo do coração de qualquer mulher apenas ao sorrir e, porra, está derretendo todo o gelo do meu.
— Presente? Que presente?
— Posso? — Ele estendeu a mão para seu carro apontando e soltou minha cintura. Assenti suavemente com a cabeça e Jay andou até o mesmo apertando antes um botão na chave que fez com que as portas destravassem. Eu o vi ir até o banco traseiro e voltar com um violão amarronzado em seus braços.
— Wow, o que é isso?
— Isso... — Realizou uma pequena pausa — Isso é o produto de tempo o bastante longe de você.
Jay apoiou-se no capô do carro colocando o violão em seu colo e segurando-o em uma posição sexy o bastante. Seus dedos percorreram as cordas devagar até um som suave sair do instrumento. Foi então que sua doce voz — a qual eu não me recordava ser dessa maneira ao cantar — ganhou os ares e minha alma:
— Nos prometemos um amor eterno tão perfeito que eu até acreditava estar sonhando. Contigo eu vivi entre as nuvens e imaginei que nunca teria que descer. A vida me premiou com seu sorriso e eu, acreditando ser o dono da sua vida, lhe dei as costas uma vez mais, mas sempre se tem que pagar por um erro. Mil vezes eu peço desculpas por não te escutar, meu amor. Ferir-te não foi minha intenção e embora minha alma doa, já não tenho remédio. Apesar de eu viver e respirar, estou morrendo por dentro. Hoje é inevitável sentir essa dor. Embora tenha sido todo meu presente e passado, eu nunca fui tão livre como quando estava ao seu lado e embora eu perca o ar quando não está comigo amor, me dói te dizer adeus.
Meus olhos ganharam uma dose extra de lágrimas que não fui capaz de conter. James soltou o violão escorando-o no chão junto ao carro e caminhou junto a mim tomando-me com pressa e urgência junto a seu corpo. Eu não o impedi e permiti que nossos lábios se unissem com toda a nostalgia presente entre nós dois. Senti sua língua passar por toda extensão do meu lábio inferior e depois adentrar a minha boca para explorá-la. Deixei que minhas mãos tocassem seu pescoço arranhando-o ao passo em que minha coxa encaixou entre as dele pressionando-a em seu membro. Estávamos em uma perfeita sintonia, concentrados nos movimentos de nossos lábios e em suas mãos que apertavam minha cintura com força fazendo-me desejar livrar-me de qualquer uma das peças e ceder ao amor que deixei guardado dentro de mim. Não existia língua mais macia, braços mais seguros ou lugar melhor do que esse onde deveria estar.
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