Notas iniciais
Oh meus amores, vim aqui me desculpar publicamente com meus leitores homens. Levei alguns puxões de orelha porque só me refiro às meninas KKKKKKKKK Prometo que não farei mais, tá? Juro juradinho! Eu amo vocês também, ciumentos s2

Me retirei do quarto deixando os dois sozinhos. Sim, eu estava tomado pelo ciúme e quem não estaria? Alguns meses afastado e me sinto como se estivesse usurpando o lugar dele. Ironia, talvez eu realmente estivesse! Continuei caminhando pelo corredor até que encontrei no final do mesmo uma varanda. Abri devagar as portas de vidro e entrei sentindo uma brisa fraca abraçar-me. Respirei fundo e questionei a mim mesmo por qual razão ainda estava em Nova York quando sabia claramente que este lugar não me pertencia. Oklahoma era o nosso lugar, Líbano, principalmente, era o nosso lugar, mas aqui ela era apenas dele. Ela e meu filho. Peguei meu celular no bolso traseiro da calça e o abri, a foto da tela era de Emmett e não pude evitar sorrir. Eu amava e amo esse garoto de uma maneira tão forte que não sei como reagiria ao vê-lo chamar de pai um homem que não sou eu. Pode parecer um pouco estúpido, mas só quem é pai consegue entender esse amor sem fim. Lógico que existem dias difíceis e que há vezes em que sinto que vou perdê-lo, em que sou amedrontado pelo receio de que seus olhinhos brilhem por outra figura paterna, mas qual relação não tem seus percalços? Emmett antes mesmo de nascer já havia me conquistado, sempre mantive carinho por esse ser indefeso que antes mesmo de nascer sofrera o abandono mais cruel. Vindo de uma família amorosa e protetora na qual a figura de um pai é tão necessária, não consigo imaginar como um homem pode não assumir seus erros — nesse caso um grande acerto porque o Emm realmente fora um presente divino — , não consigo entender o porque de deixar uma mulher com um coração tão puro quanto Amanda quando ela mais precisara. Com o tempo, pude entender que na verdade ela havia fugido deste homem por quem nutri pena e rancor. Apesar de não conhecê-lo, mantive a certeza de que James não fora bom o bastante para cuidá-la e certamente não seria para dar o suporte que Emmett necessita e sempre necessitará. Acho que isso me incentivou a mimá-lo ainda mais! Eu e Amanda passamos boa parte da gestação planejando e, sem perceber, eu já havia me tornado um coruja comprando sapatinhos, camisas de times que nem mesmo conhecia e brinquedinhos. Emm possuía um enxoval de príncipe e estaria sendo recebido não em um berço de ouro, mas em um lar cheio de amor. Nós nos preparamos para sua chegada com ansiedade, contavamos os dias e a cada vez que Amanda dormia eu me sentia na obrigação de velar seu sono caso o pequenino nascesse antes da hora. Foram noites de insônia e eternos dias de expectativas, até que ele veio ao mundo.

FLASHBACK ON:
— Quer mais um pouco de chá? — Ofereci enquanto ela deslizava os dedos pela barriga por cima do vestido sorrindo para o feto, acho que nunca entenderei tamanha entrega.
— Por favor — Ela respondeu delicadamente e a servi. Amanda pegou a xícara em suas mãos devagar soprando antes de levá-la aos lábios — Hm, isso está maravilhoso.
— Também achei, você faz ótimos chás Mehmet — Minha sogra se pronunciou. Ela estava conosco nas últimas duas semanas esperando pelo tão aguardado momento em que a criança nascerá.
— Obrigado. Acho que isso é cultural, na verdade. — Sorri sem jeito
— Devo admitir que é essa cultura que tem me ajudado a dormir. Não é fácil com esse barrigão!
— Oras, querida, é um menino. Mulheres que terão filhos homens costumam pôr uma barriga maior.
— Se ela voltar para o lugar depois, ficará ótimo — Amanda brincou em meio a mais um gole
— Não se preocupe com isso, meu amor, nós gostamos de mulheres mais carnudas — Dei uma piscadinha e ela riu
— Ah, Met, por favor ... — Ela expressou uma careta e eu a puxei para um selinho logo em seguida
— Só estou dizendo que continuarei ao seu lado não importa o que acontece.
— Eu sei, eu sei — Seu olhar encontrou o meu e a observei corar levemente
— Sabe, Mehmet, devo admitir: você é o genro que toda mãe pediu a Deus. Quando Amanda me disse que estava morando com um homem que até então eu não conhecia a indole, admito que tive muito receio.
— Pensou as piores coisas, não é?
— Pensei sim. — Ela abaixou a cabeça — Mas os poucos encontros que tivemos durante esses meses me provaram o contrário. Você merece toda minha confiança e respeito, tem sido um homem de verdade!
— Obrigado, é realmente ótimo saber isso. — Respondi demonstrando gratidão
— Ai — Amanda resmungou baixinho perto de mim
— O que foi? — Perguntei já colocando as mãos em sua barriga
— Calma, Met. Foi apenas uma cólica enjoadinha.
— Hey, pequeno libanês, você já está dando trabalho à mamãe? — Falei próximo ao ventre de Amanda e ela acariciou meus cabelos
— Ele está te ouvindo muito — Ironizou
— Claro que está e quer apostar que ele vai responder?
— É? Responder como?
— Não sei, quem sabe dizendo "mamãe, o Mehmet te ama!"
— Wow! — Ela reclamou mais uma vez
— O que foi? Está doendo mais uma vez?
— Uhum, um pouco. Parece cólica menstrual só que bem mais forte!
— Amor, você pode estar tendo as contrações.
— Claro que não, são apenas dores.
— Nada disso mocinha, se isso aumentar? — A senhora Connelly interviu
— E se for um alarme falso? Eu vou descansar um pouco, vocês estão sendo dramáticos.
Amanda se levantou e recostou-se mais uma vez na mesa. Levantei imediatamente segurando-a e ela apenas sorriu um pouco corada encarando os pés.
— Está tudo bem?
— Acho que... a bolsa estourou. — Ela mordeu o canto da boca, mas logo deixou que um sorriso maior estampasse seus lábios avermelhados.
— ISSO É SÉRIO? — Gritei como um pai desesperado
— Desculpe. Eu... Eu não tenho noção do que fazer! — Suas mãos tremiam e eu as segurei com carinho
— Calma, meu amor. Eu vou te levar para o hospital, tudo bem?
— Uhum — Ela assentiu, mas eu percebi que estava tão nervosa quanto eu.
— As coisas do bebê já estão arrumadas, não é?
— Sim. Onde colocamos mesmo, mãe? — Perguntou à senhora que estava tão tranquila em relação a nós dois. Ela tinha noção de que o neto estava nascendo?
— No guarda roupas, querida. Eu vou pegar. Por que vocês dois não vão para o carro enquanto isso?
— Consegue andar? — Perguntei com os olhos arregalados observando Amanda andar como um pato, ainda assim, graciosa o bastante.
— Por enquanto sim, são só algumas dores.
A guiei até o carro e logo minha tão recente sogra estava no banco de trás. Nós seguimos o mais rápido possível para o hospital mais próximo e eu tentei sempre que podia deixar minha mão disponivel para que Amanda apertasse. Ela insista em dizer que estava tudo bem, mas eu não acredito que ser rasgada por um bebê seja algo bom, não mesmo. Assim que chegamos na emergência, Amanda fora levada para uma sala a parte na qual passamos um bom tempo esperando até que a encaminharam para a sala de parto. Eu a segui durante todo o trajeto.
- Vai ficar tudo bem — Murmurei enquanto a levavam. Amanda apertou minha mão e pude sentir como seus dedos estavam frios. Seria nervosismo?
- Eu estou começando a ter medo.
- Posso ser franco? — Perguntei sem jeito
- Você também está, não é? — Ela riu
- Um pouco.
- Senhor — O médico nos interrompeu — Vai querer acompanhar o parto?
- Ah não, foi combinado que a minha sogra vai estar com ela.
- É tão raro um pai abrir mão desse momento — Uma enfermeira comentou
- É que ele é um pai especial demais, não é mesmo Met? — Amanda pronunciou olhando em meus olhos e pela primeira vez havia se referido a mim como pai do menino. Meu coração bateu a mil e eles a levaram antes mesmo que eu pudesse responder.

Eu permaneci em uma sala de espera durante todo o tempo rezando para que Allah a protegesse de qualquer problema que poderia vir a ocorrer. Até certo ponto acreditei que tudo estava correndo bem, até que o médico veio ter uma "conversa" comigo. Veja, médicos não costumam conversar caso a notícia seja boa. As pessoas só tendem a protelar quando vão te contar algo ruim e isso já fez meu coração vir à boca. Ele mencionou que devido algumas complicações seria necessário que o bebê nascesse por cesariana, o que Amanda havia insistido para que não fizessemos. Questionei se ela estava consciente para escolher e novamente fui informado de que apesar da "minha esposa" — Eu não disse a ele que eramos casados! — ter relutado inicialmente, os batimentos cardíacos do bebê estavam caindo e se a cirurgia não fosse feita teriamos problemas. Concordei com tudo que ele disse. Aliás, se fosse para salvá-los eu concordaria até mesmo que Buda é Deus se fosse necessário! Com o consentimento do "pai" ele voltou à sala deixando-me do lado de fora em pânico.

**

- Tem certeza que ela está bem? — Questionei sentindo que vomitaria de nervoso
— Absoluta. Quer vê-la agora?
— Por favor, eu daria o mundo para saber que está bem.
— Venha por aqui, futuro papai.
Andamos até um corredor amarelo claro onde na porta de um dos quartos havia a fotografia de um garotinho pendurada em um E.V.A em figura de carrinho.
— É este aqui! Darei privacidade aos dois.
— Obrigado
Agradeci em meu sotaque arrastado, mas antes de entrar permaneci um tempo abobalhado olhando a imagem de um bebê tão pequenino que poderia caber na palma das minhas mãos. Sem notar, toquei sua foto com os dedos e sorri, ele deveria ser mais lindo pessoalmente. Abri a porta lentamente e encontrei Amanda sentada na cama com o rosto um pouco abatido e o filho nos braços.
- Mehmet, querido, entre. — A senhora Connelly disse recepcionando-me com alegria e um abraço caloroso. — Vou deixar que aproveitem o meu netinho. — Ela o disse e saiu deixando-me sem graça o bastante diante da minha namorada
- Com licença — Pedi pisando devagar para não fazer estrondos — Como a mamãe está?
- Me sentindo realizada — Ela disse e pude notar um brilho em seus olhos que antes não existia — Venha cá, não tenha vergonha.

Me aproximei um pouco mais ficando a seu lado e pude pela primeira vez observar o menininho que ela mantinha em seu colo. A pele estava um pouco avermelhada e os olhinhos levemente inchados, acho que criamos uma expectativa endeusada de quando um bebê nasce, mas a verdade é que para mim ele era lindo, independente de ser um recém nascido. Acho que fiquei tempo o suficiente o olhando e reparando em cada pequeno detalhe do garoto à minha frente e isso fez com que Amanda sorrisse para mim gentilmente.
- Por que não o segura?
- O que? Eu? Ah não, eu não tenho jeito com isso.
- Vamos lá, eu sei que você tem jeito, papai.
- Papai? — A encarei ainda me sentindo um completo bobo, mas e daí? Eu estava mesmo. Amanda esticou os braços e peguei a criança no colo sendo guiado por ela que apoiou minha mão sob a cabeça do mesmo.
- Pronto, agora sim! — Ela disse observando cada expressão minha.

Eu mal podia acreditar que o tinha em meus braços como um verdadeiro milagre. Em pensar que algum tempo atrás eu estava dizendo veemente aos meus pais que era cedo demais para constituir família ou pensar em casamento e agora estava aqui percebendo que Amanda e o pequeno foram a família que Allah havia colocado em meu caminho. Delicadamente, deslizei meu polegar pelo rostinho dele, contornando suas bochechas e o narizinho.
- Ele é lindo — Murmurei para mim mesmo e senti meus olhos lacrimejarem um pouco.
- Hey, está chorando? — Amanda disse puxando-me um pouco para si e depositou um pequeno beijo em meus lábios — Não chore.
- Eu tive medo quando o médico me disse sobre o coraçãozinho dele.
- Eu sei, mas agora estamos todos bem e estamos prontos para tentar seguir a diante.
- Você sabe que te ajudarei, não é?
- E você sabe que não precisa. — Ela mencionou seriamente
- Desculpe, mas vocês são minha família agora e não vou desampará-los.
- Você é muito teimoso.
- Acho que sim — Sorri embalando o recém nascido em meu colo
- Mehmet. — A ouvi me chamar
- Sim, meu amor.
- Quero te propôr uma coisa.
- Tudo que você quiser.
- Eu escolhi o nome dele e acho que não haveria forma mais bonita do que homenagear o homem que me protegeu e que tem feito de mim uma mulher tão feliz.
- Calma, o que está dizendo?
- Não diga que é uma ideia boba, tá? Mas andei esses dias pensando a respeito e queria que meu filho lembrasse você de alguma forma, então comecei a embaralhar as letras do seu nome — Ela deu uma pequena risada envergonhada e corou — Ai, você vai rir.
- Claro que não irei. Me conte, o que pensou?
- Bem, eu vi que trocando a posição de algumas letras daria o nome Emmett, com algumas excessões, é claro. E... Ai meu Deus, que vergonha! Eu quero chamá-lo assim, Met, quero que nosso filho seja uma homenagem a você por ter cuidado tanto de mim.
- Está falando sério? — Sorri sentindo mais uma lágrima descer pelo meu rosto — Mas eu... Eu não fiz nada demais.
- Você me salvou quando sorriu para mim e se não fosse por você não estaríamos aqui agora.

FLASHBACK OFF

- Se não fosse por mim também não estariamos aqui, Amanda, não mesmo — Sussurrei encarando o movimento dos carros pela varanda
— Falando sozinho outra vez? — Ela disse atrás de mim assustando-me
— Desculpe, não sabia que estava aqui.
— Estava, mas acho que você estava longe.
— Em Oklahoma, para ser mais exato — Assumiu
— Belíssimo lugar, me dá saudades. Sabe, vivi momento bons por ali, principalmente quando conheci um moreno libanês — A vi rir e se aproximar — Está tudo bem?
— Não muito. Odeio sentir ciúmes de vocês dois, é como se fossem meus, mas sei que são dele.
— Dele?
— James.
— Mehmet, James mudou bastante e nós realmente estamos dando alguns passos em nosso relacionamento, mas isso não significa que tudo que eu e você vivemos foi enterrado.
— Parece que foi, Amanda. — Confessei encostando-me no parapeito — Desde que voltou quantas vezes nos falamos ao telefone? Em que momento me ligou para contar o que houve com Emmett? Eu criei esse menino por cinco anos contigo e parece que sou um fantasma na sua vida.
- É claro que não! Não consegue enxergar o quanto é importante para mim?
- Sou importante ou fui um substituto?
- Substituto? Met, tanto eu quanto Emmett somos muito orgulhosos de tê-lo conosco. Você o educou, o ensinou a ser humilde, a ser um verdadeiro cavalheiro assim como tu és. — Amanda segurou meu rosto delicadamente e mantive meus olhos nos dela — Você fez dele um homemzinho e de mim uma mulher realizada.
- Porém incompleta. — Desviei o olhar
- Você sabe que eu só poderia me completar aqui.
- Eu sei e por isso aceitei que viesse. Quero seu bem, Amanda, quero que esteja feliz.
- E eu estou, estou feliz também por ter vindo.
- Mas estraguei seu noivado.
- Nada que não possa ser resolvido! — Garantiu e coloquei minha mão sobre a dela afagando-a
- Você sempre se sacrificando pelos outros. Acho que nunca te agradeci.
- Me agradecer? Foi você quem me abrigou por tanto tempo
- Não Amanda, eu te coloquei em minha casa e você me colocou em sua vida. Isso, certamente, é algo muito maior! Eu quero te agradecer muito por me emprestar seu amor durante todo esse tempo.
- Não fale assim — Ela sussurrou com a voz embargada
- Não veja como algo ruim, você me fez levitar e agora finalmente estou pondo os pés no chão de novo. Quero estar com vocês, cuidá-los, mimá-los, mas finalmente pude compreender que um dia terei que seguir.
- Eu não quero que siga.
- Também não quer que eu fique.

Amanda apenas abaixou sua cabeça, mas antes que pudessemos dar continuidade ao assunto vimos um pequenino na porta da varanda coçando os olhinhos.
— Emm? — A ouvi questionar
— Vim pedir desculpas ao papai. — Emmett disse vindo até mim e me abaixei pegando-o no colo — Desculpa, papai, eu me comportei mal.
— Realmente Emm, você sabe que malcriações não são aceitas.
— Eu sei paizinho, você perdoa eu?
— Perdoa eu? — Amanda riu do linguajar errado dele
— Perdôo, cadê meu abraço?
Emmett envolveu os braços em meu corpo apertando-me com o máximo de sua força, apesar de ser pouca, e eu permaneci segurando-o junto a mim.
— Você é o melhor pai do mundo! O melhor!
— Viu, Mehmet? Você pode até achar que não, mas todos nós te amamos... muito. — Amanda disse abraçando-me por trás e nós três ficamos assim por um tempo que por mim poderia ser eterno.