Heartbeat - I wanna be yours
25 On the tv they said they have reported you dead
Notas iniciais
Finalmente Edward era um médico formado. Nada do que ele imaginava poderia se comparar aquele sentimento. Ele se sentia um vitorioso, finalmente um cara merecedor de tudo o que ele tinha na vida, e boa parte disso tinha sido graças a Bella. Ela sabia que sem ela, ele nunca teria sequer voltado a se interessar na faculdade, sem a ajuda dela ele não o conseguiria ter estudado como estudou, e no fim, um acabou sendo a salvação do outro de alguma forma.
Carlisle e Esme pararam na porta da casa dele e Edward rapidamente desceu suas malas, trancando a porta atrás de si e pretendendo nunca mais voltar naquele apartamento. Ele poderia alugar ou algo assim, mas não pretendia morar ali nunca mais. Ele só tinha um lugar para morar em mente: uma casa com Bella.
Ele sabia que seria um passo ridiculamente grande, e que com ela tinha que ser “passos de bebê”, mas a saudade era tanta que fazia ele devagar em pensamentos absurdos sobre o futuro deles, o que era algo que ele almejava mais do que tudo no momento. A Alemanha já era uma memória muito vaga no caminho de volta para Seattle.
Poucas horas depois eles estavam na porta da casa de Edward. Estava tudo escuro e silencioso, o que ele achou estranho, já que Emmett tinha falado que o iria recepcionar. Eles desceram do carro lentamente e Edward encarou a porta de sua casa, sorrindo da forma mais leve de sua vida, absurdamente feliz por estar de volta. Abraçou Esme pelos ombros enquanto segurava uma mala em sua outra mão. Eles andaram sorridentes até a porta, e assim que Carlisle abriu a mesma, um grito alto de “surpresa” veio de dentro, fazendo Edward deixar sua mala cair no chão.
A luz ascendeu e ele viu vários rostos conhecidos, procurando por Bella imediatamente, não a encontrando. Ele ficou frustrado por um momento, mas Emmett logo o puxou para um abraço, o que fez toda a merda sumir de sua cabeça. Havia uma grande faixa escrito “Bem vindo de volta” e além das pessoas conhecidas de Seatlle, tinham alguns amigos seus de Cambridge e até algumas pessoas desconhecidas.
Ele abraçou a todos, demorando um pouco mais com Rosalie, Elena e Jasper. Até Jacob estava ali, para a surpresa dele. De repente, o fato de que Isabella não ia aparecer o tocou como um balde de água fria, quase o fazendo sair correndo atrás dela.
Hoje não é o dia disso, Edward. Bella aqui complicaria as coisas.
Infelizmente sim. Bella ali seria maravilhoso, mas ao mesmo tempo eles não conseguiriam ter uma conversa calma de nenhum jeito.
— E ai, maricas. Como foi em Cambridge? – Jasper comentou divertido, fazendo Edward bufar.
— Me respeite, porra. Sou um recém formado agora. – Ele disse sério e Jasper riu.
— Que grande merda, seu idiota! – Ele disse rindo, fazendo Edward rir também.
— Edward! – Sua tia Meredith gritou de longe, se aproximando dele com uma garota. A família toda de Edward parecia estar ali, festejando por ele. Edward sorriu, se afastando de Jasper com delicadeza e indo ate sua tia. Ela sorriu e o beijou rapidamente. – Querido! – Ela saudou, o abraçando.
— Oi tia. – Ele disse sorrindo. – Como vai? – Ele perguntou sorrindo, encarando a menina ao lado da tia. Ela parecia ser nova, mais ou menos uns 20 anos, e o encarava como um pedaço de carne.
— Estou ótima, feliz em te ver! Faz tanto tempo! – Ela disse sorrindo. A pouco mais de 20 anos que ele não via a tia, que morava no Alaska. Era raro a família dele se reunir e Edward ainda não entendia como Esme tinha conseguido unir todos ali. – Eu trouxe sua prima, a Lauren. Ela estava tão ansiosa por Seattle e para te conhecer. – Ela disse simpática, empurrando a menina na direção dele. Edward sorriu amarelo, a abraçando desajeitado.
— Oi, prima. – Ele riu e a menina sorriu boba, praticamente babando.
— Oi, Edward. – Ela disse baixo, tentando soar sexy, o que só conseguiu ser patético para os olhos dele.
— Espero que se conheçam melhor. Você poderia apresenta-la a todo mundo, sim? – Meredith pediu insistente, fazendo ele a xingar em sua cabeça.
— Claro, tia. – Ele sorriu amarelo de novo. Chamando sua prima e andando em direção aos seus amigos de faculdade. A garota enrolou o braço no dele e Edward não quis ser rude, a deixando ali mesmo se sentindo incomodado.
A festa se estendeu com Lauren pendurada no braço dele, sempre o acariciando. Edward sempre esquivava, tentando coloca-la com algum amigo seu, o que não parecia funcionar. Em um momento maravilhoso, Rosalie viu o inferno dele, puxando a garota pelo braço e o deixando livre finalmente. Edward seguiu até os colegas do hospital, se aproximando e entrando na conversa.
Ele seguiu rindo com uns amigos, enquanto bebia sua cerveja. Sua mente estava tão longe dali, e ele só conseguia se perguntar o que Bella estaria fazendo. Será que ela sabia que ele estava de volta? Seria pedir demais que ela aparecesse ali?
Bella bufou em casa, encarando o celular de novo. Haviam diversas mensagens de Elena, chamando-a para a festa. Mas ela não desejava ser uma intrusa, não seria algo bom. De repente as mensagens pararam e ela deduziu que ele havia chego, finalmente. Seu coração explodiu em seu peito, pensando que ele estava ali, na mesma cidade que ela, algumas ruas de distância.
Desceu as escadas correndo e encarou Charlie no sofá, se aproximando dele e sentando ao seu lado. O homem riu e pegou a mão dela na sua, a beijando.
— Porque esta tão eufórica? – Ele perguntou divertido e ela riu nervosamente, começando a chorar em seguida. Charlie a encarou alarmado, desligando a televisão e virando o torso em sua direção, a olhando preocupado. Bella soluçou algumas vezes, respirando fundo e limpando o rosto.
— O Edward esta aqui, papai. – Ela disse chorando, limpando o rosto. Charlie sorriu docemente e acariciou a bochecha dela.
— Você deveria estar feliz, querida. – Ele sorriu e ela chorou mais, limpando o rosto com a manga da camiseta.
— Eu estou. Estou chorando de felicidade, pai. Eu sinto como se fizesse anos que eu não o vejo, sinto como se eu fosse explodir a qualquer momento. Eu preciso gritar que eu o amo, você entende? Ele esta na cidade e eu não tenho coragem de ir lá agora. – Ela disse frágil. Charlie riu e acariciou o ombro dela.
— Bella, você é a mulher mais corajosa que eu conheço. Olhe onde estamos, você foi corajosa para me enfrentar. Foi corajosa para passar esse tempo sozinha. E se quiser, pode ser corajosa agora e ir até a casa de Edward, gritar o que você sente, querida. – Ele disse sorrindo e ela pareceu se acalmar, realmente acreditando que ela era uma mulher corajosa e capaz.
— Você acha? – Ela perguntou receosa, pulando no sofá quando um trovão soou alto. Logo depois a chuva caiu firme e abundante. Ela encarou a janela com uma careta. – Esta chovendo muito... – Ela comentou como uma desculpa, fazendo Charlie rir.
— Bella, não use o tempo como um escudo. Você sabe o que deve fazer, não sabe? Eu tenho certeza que alguma amiga sua pode ajudar para que você e Edward fiquem sozinhos. – Ele disse sorrindo, piscando para ela. Bella sorriu, limpando o rosto e se sentindo confiante. Abraçou o pai, agradecendo-o e beijando sua bochecha demoradamente.
Mandou uma mensagem á Elena, pedindo para que ela tirasse Edward de casa quando ela estivesse chegando. Eles poderiam sair dali e conversar em outro lugar. Ela pelo menos esperava que ele ainda quisesse isso, que ainda quisesse ela.
Não se preocupou muito com a roupa que vestia, pegando as chaves do carro e correndo até o mesmo na chuva. Segundos depois ela já dirigia em direção á casa dos Cullen, pronta para dizer tudo o que ela vinha segurando desde o dia em que o conheceu.
A chuva caía severamente sobre o vidro do carro.
Isabella ligou o limpador de para-brisa e dirigiu até a casa de Edward. Seu coração tamborilava em seu peito, e ela sentia como se não houvesse ar suficiente para os seus pulmões. De repente, tudo pareceu como uma grande má ideia, a fazendo sentir como uma covarde, quase fazendo-a dar meia volta. Mandou uma mensagem á Elena, avisando que estava chegando. E antes que pudesse desistir, ela dirigiu mais rapidamente, finalmente parando na porta da casa dele. Desligou o carro e desceu do mesmo, se molhando instantaneamente com a grande quantidade de chuva, mas isso realmente não era um problema.
Antes que ela pudesse dar dois passos em direção á porta, a mesma se abriu e ele estava ali.
Foi como se todo o mundo tivesse parado. As gotas de chuva que caíam pareceram ficar imóveis, a respiração dela parou, os ponteiros do relógio, tudo ao seu redor. O seu olhar encontrou o ele e ela não pode segurar o choro. De repente, o mundo todo pareceu voltar para o seu lugar e tudo ficou rápido de novo. Ele fez menção em se mover mas ela estendeu a mão na direção dele. O plano inicial era que eles saíssem dali, realmente. Mas ela sentia que alongar isso só a faria explodir, de verdade. Então resolveu colocar tudo para fora naquele momento.
— Por favor, não se mova. – Ela disse com dificuldade, afastando os cabelos encharcados do rosto. Suas roupas já colavam em seu corpo, mas nada mais importava porque ele estava ali, e ela finalmente colocaria tudo para fora. – Se você se aproximar eu não vou conseguir dizer tudo. – Ela respirou fundo, seus olhos já deixando as lágrimas correrem. – Me perdoa, Edward. – Ela disse dolorosamente, caindo no choro. Suas lágrimas grossas se misturaram com a chuva em seu rosto, e sua respiração ficou acelerada de repente. Dizer o nome dele em voz alta e tê-lo em sua frente era a maior felicidade pra ela, ainda mais depois de dias chamando pelo nome dele, mas sem tê-lo realmente. – Eu ainda não acredito que é você ai. – Ela riu em meio ao choro. – Eu sinto muito. Eu fui uma estúpida, burra, tola, idiota, tudo o que você desejar me chamar, eu mereço. E eu sei que eu errei imensamente com você, mas eu não podia. – Ela limpou o rosto, tentando o enxergar melhor no meio da chuva forte. – Eu era uma pessoa fraca, apesar de por fora parecer estupidamente invencível. E eu nunca vou me perdoar por ter te deixado ir embora. Mas por outro lado, naquele dia no Empire State foi quando eu caí sobre a grande merda que eu vinha fazendo. Eu entendi que tudo era um pretexto, e que você é o cara mais perfeito do mundo e eu quero ficar do seu lado. Foi um caminho longo até aqui, mas eu resolvi todos os meus problemas, e foi tudo por sua causa, por que você me encorajou. – Ela disse ainda chorando, fungando e limpando o rosto molhado, torcendo o cabelo e o colocando em suas costas. – Todos os dias eu quis pegar um avião e ir até você em Cambridge, e eu iria tocar de porta em porta até te achar, por que eu não conseguia mais passar um dia sem olhar no seu rosto. Eu tive que te magoar e perder você pra perceber o que sempre esteve na minha frente o tempo todo. Pra entender que você é a primeira e última pessoa que eu quero ver todos os dias. Eu tive que chegar ao meu inferno pra ver que você é o meu paraíso, e me desculpe demorar tanto tempo pra isso. Mas hoje eu me sinto curada e completa, Edward. Eu me sinto pronta pra ficar com você pelo tempo que você me quiser. E eu estou aqui na sua frente, embaixo dessa chuva estúpida pra dizer que eu te amo com cada célula do meu corpo. – Ela chorou mais ainda, finalmente aliava depois de tanto tempo. O nó da sua garganta se desfez e foi como se a terra tivesse de volta em seu lugar e os pés ela finalmente tocavam o chão. – Pra dizer que cada batida do meu coração é por você, e cada átomo dentro de mim ama cada átomo seu. Eu te amo tanto que isso me deixa vulnerável e fraca, por que eu sinto como se precisasse de você pra respirar. E eu sei que isso pode ser tolo demais, mas o amor é tolo. – Ela sorriu entre o choro, limpando o rosto de novo. – Eu te amo, Edward. Por favor, me ame de volta também. – Ela pediu chorando, mordendo o lábio inferior. Ele a encarava ainda perplexo, as lágrimas caindo sobre o seu rosto também. Finalmente Bella tinha posto tudo para fora, e mesmo com o silêncio dele, ela sentia que tinha sido a coisa certa. Não poderia ser de um jeito calmo, em uma conversa normal. Não. Eles não eram normais. Tinha que ser desse jeito, com ela descabelada no meio da noite chuvosa. E na verdade, a situação toda fez um sorriso grande aparecer nos lábios dela. Queria correr até ele e o beijar, mas esperou seu próximo passo.
Antes que ele pudesse descer os degraus e a encontrar na rua, duas mãos seguraram o seu braço. Ele encarou assustado.
— Docinho, não vai voltar para a festa? Estou sentindo sua falta. – Lauren disse melosa, beijando o pescoço dele. O mundo de Bella pareceu cair debaixo dos seus pés, e ela se viu dentro de um abismo inacabável em queda livre. Edward encarou Laurel, pronto para dizer qualquer coisa rude pra ela e empurrá-la pra longe, mas antes que ele pudesse dizer algo, ele escutou a porta de um carro ser batida. E a última coisa que ele viu foi o olhar destruído de Isabella pelo vidro do carro. Então ela deu partida e seguiu para longe dali, dirigindo para qualquer lugar.
Ele desceu os degraus correndo, encarando o carro dela ir embora pela rua, gritando o seu nome em vão. Passou as mãos nervosamente pelo cabelo e curvou o próprio corpo em dor, gritando de raiva. A chuva, que sempre o acalmava, agora o fazia sentir como se fosse afogar. E não havia uma maldita boia na qual ele pudesse se segurar. Mas apenas uma coisa ali era confortante. Ela o amava também.
Cada átomo dentro de mim ama cada átomo seu.
Ele lembrou da voz trêmula dela em sua cabeça e isso o fez chorar mais.
Entrou transtornado dentro de casa, quase derrubando Lauren no processo. Foi até a cozinha e pegou a chave do jipe de Emmett, seria melhor para andar na chuva. Antes que ele pudesse se mover, haviam dezenas de pessoas chocadas ao seu redor.
— Querido, o que houve? – Esme perguntou alarmada. Elena apareceu na cozinha com o rosto pálido, sentindo como se tudo fosse sua culpa. Mesmo não sabendo o que tinha acontecido, ela sabia que era algo ruim.
— A Bella, droga, mas que merda! – Ele esbravejou, chorando e limpando o rosto. – Ela me ama, mãe. Eu preciso ir atrás dela agora. – Ele disse transtornado, andando em direção á porta. Emmett e Carlisle o seguraram.
— O que houve, como assim? O que Bella tem a ver com isso? – Emmett perguntou confuso.
— Ela veio até aqui, Emm! Ela gritou que me ama no meio da chuva e eu fiquei parado igual um imbecil. Logo depois a minha prima me abraçou e me beijou, então ela foi embora. Eu não consegui dizer nada a ela, você entende? Ela deve pensar que eu não a quero mais... – Ele disse nervoso, entendendo as próprias palavras. Suas mãos nervosas correram para o seu bolso, discando o número dela nervosamente, ouvindo sua ligação ser negada. Ele bufou frustrado, voltando a andar.
— Calma, merda! – Emmett gritou de novo. – Não pode sair nesse tempo desse jeito! – Ele gritou e Edward o empurrou, sendo segurado por Jasper e Carlisle em seguida. Ele se soltou de ambos e respirou fundo.
— Ela esta dirigindo na chuva. Esta chorando e deve estar nervosa. Eu preciso encontrar ela, por favor, me deixem fodidamente ir, porra! – Ele gritou e os homens se encararam, confusos. Elena e Rose já ligavam nervosamente para o número de Isabella, sem obter nenhuma resposta.
— Merda! Edward?! – Rose chamou, correndo até ele, que já estava próximo da porta. Á essa altura a festa já tinha praticamente acabado, todos estavam na parte de fora quase em silêncio absoluto. As únicas pessoas na cozinha eram Carlisle, Esme, Jasper, Emmett, Rose e Elena. Rosalie mostrou o celular para ele rapidamente. – Quando a Bella ficou mal, eu coloquei um rastreador no celular dela para monitorá-la. Eu sei que foi um pouco absurdo mas eu fiquei preocupada... Enfim, foda-se. O que importa é que ela não excluiu o aplicativo e eu posso ver para onde ela esta indo. – Rose disse nervosa. O coração de Edward tamborilou em seu peito e ele quis gritar.
— Você pode ir comigo? – Ele perguntou vulnerável, mas ao mesmo tempo firme.
— Claro. – Ela disse também nervosa.
— Vou com vocês. – Emmett e Elena disseram juntos.
Eles seguiram para o carro e Edward pegou o caminho do aplicativo. Elena suspirou.
— Me desculpe, Ed. Eu só queria que você á visse. E a Bella estava tão mal, ela queria vir mas estava com medo. Eu estraguei tudo. – Ela disse triste, sendo abraçada por Rose.
— Não é sua culpa, Elena. Eu fico feliz que ela tenha vindo, eu só quero encontra-la. – Edward disse com a voz rouca pelo choro. Emmett estava no volante, pois ele não se sentia em condições de dirigir. E então eles seguiram pelo caminho indicado, indo parar na estrada.
[...]
Isabella dirigia pela chuva. As lágrimas embaçavam sua visão e ela sabia que estava nervosa demais pra dirigir, mas todo o corpo dela protestava para sair dali. E novamente foi do mesmo jeito, e a coisa que ela mais temia tinha acontecido.
Ela tinha sido trocada.
E a dor, infelizmente, nunca tinha sido tão clara dentro dela. E então ela finalmente soube que nada havia se comparado á isso. Nenhum homem podia se comparar a ele, pois a sua dor era como no dia da morte do seu irmão. E isso apenas provou que ela realmente o amava como temia, de uma forma dependente e desesperada. Seu celular tocava como louco, diversas pessoas a ligando, mas ela não podia atender ninguém, precisava ficar sozinha por algum momento, tentar achar alguma maldita paz em seu interior, se é que ela ainda tinha algo assim dentro de si.
Seu rádio pareceu lhe trair quando “What could have been love” do Aerosmith começou a tocar. Ela riu sem humor, chorando mais e aumentando o volume. Parte dela sabia que a culpa tinha sido sua, mas a outra ainda achava que a culpa era dele, que ele podia tê-la esperado.
“Eu sempre vou esperar por você.”
A frase ecoou em sua cabeça, e pra ela, foi como uma grande mentira.
Sua mente idiota e prematura tinha achado que as mensagens de voz poderiam ter mudado algo, mas hoje ela tinha visto que não. Ele não tinha esperado tempo algum em substituí-la por uma garota peituda de colegial, e vê-la enrolada no pescoço dele só doeu mais nela, a imagem frisada em sua mente a lembrando de como ela tinha sido idiota.
“I wake up and wonder how everything went wrong (Eu acordo e me pergunto como tudo deu errado)
Am i the one to blame? (Sou o único culpado?)
I gave up and left you for a nowhere-bound train (Eu desisti e deixei você pegar um trem sem sentido)
Now that train has come and gone (Agora esse trem chegou e partiu)
I close my eyes and see you lying in my bed (Eu fecho meus olhos e vejo você deitada em minha cama)
And I still dream of that day (E eu ainda sonho com aquele dia)
What could have been love (O que poderia ter sido amor)
Should have been the only thing that was ever meant to be (Deveria ter sido a única coisa destinada a acontecer)
Didn't know, couldn't see what was right in front of me (Eu não sabia, não pude ver o que estava na minha frente)
And now that I'm alone (E agora que estou sozinho)
All I have is emptiness that comes from being free (Tudo o que tenho é o vazio que vem com a liberdade)
What could have been love will never be (O que poderia ter sido amor nunca será)”
A letra traduzia o que ela sentia. E a verdade doía mais do que ela jamais havia esperado. O que poderia ter sido amor entre eles nunca seria. Edward tinha deixado isso claro pra ela.
Ela estava lá, no meio da chuva, dizendo o que ela sentia, e ele se manteve parado. E logo depois aquela mulher estava ao redor dele, e ela se sentiu como a maior intrusa dentro da história. Mas quem poderia culpa-lo? Ele realmente deveria tê-la esperado por dois meses, depois de tudo?
Ela teria esperado o tempo necessário.
A dor foi mais forte e ela não conseguiu mais respirar, parando o carro no meio da estrada de Seattle e respirando fundo. Seu peito subia e descia, tentando normalizar sua respiração. Ela se sentiu desesperada por um momento, quando o ar parecia ficar preso em sua garganta. Continuou negando os telefonemas, quase jogando seu celular pela janela. Ela se segurou no banco do carro, fechando os olhos e tentando se acalmar. E como se o mundo quisesse o contrário, outra música pior começou a tocar, “Untitled” do Simple Plan. Então foi realmente impossível se manter sem um choro constante. Mas ali, na estrada deserta e no meio da chuva, ela sentiu como se pudesse tentar se libertar da dor, chorando tudo o que parecia ser possível.
“I open my eyes (Eu abro meus olhos)
I try to see but I'm blinded (Tento enxergar, mas estou cego)
By the white light (Pela luz branca)
I can't remember how (Não consigo me lembrar como)
I can't remember why (Não consigo me lembrar por quê)
I'm lying here tonight (Estou deitado aqui hoje)”
Ela se permitiu chorar de verdade. Como se toda a sua dor pudesse sair por cada gota de lágrima que ela derramava, mas nada parecia ser o suficiente. Seus soluços e a música melancólica eram a única coisa que podia ser ouvida ali.
“And I can't stand the pain (E eu não posso suportar a dor)
And I can't make it go away E eu não posso fazê-la ir embora)
No I can't stand the pain (Não, eu não posso suportar a dor)
How could this happen to me? (Como isto pôde acontecer comigo?)”
Ela se manteve em desespero, batendo as mãos no volante até seus pulsos ficarem cansados. Ela puxou os cabelos da cabeça, tentando arrancar qualquer coisa de si própria, como se tirar uma parte dela fosse diminuir a sua dor, mas nada parecia funcionar.
“I've made my mistakes (Eu cometi meus erros,)
Got no where to run (Não tenho pra onde correr)
The night goes on (A noite continua)”
Isabella estava tão focada em sua lamúria, que mal percebeu o caminhão que perdia o controle, vindo direto em sua direção. Quando ela virou o rosto, a luz branca a deixou momentaneamente sem visão. Em uma fração de segundos, o caminhão atingiu seu carro, empurrando-o para fora da estrada. O carro de Bella caiu em uma parte íngreme, capotando 4 vezes até finalmente parar de cabeça para baixo. O impacto foi tão grande que ela nem pode sentir dor alguma, e a única coisa que havia ali era escuridão.
“As I'm fading away (Estou desaparecendo)
I'm sick of this life (Estou cansado dessa vida)
I just wanna scream (Eu só quero gritar)
How could this happen to me? (Como isto pôde acontecer comigo?)”
Todos os músculos do corpo dela pareceram relaxar. Suas lágrimas pararam e sua respiração foi ficando desacelerada, o ar indo embora lentamente. Com o impacto, a parte de cima do carro tinha sido destruída e ela estava deitada sobre a grama em uma parte da ladeira. Seu corpo todo protestava de dor, mas ela se sentia cansada demais para se mover. Seus olhos também não se abriam e ela se sentia presa em si mesma. O gosto metálico e salino de sangue inundou a sua boca e ela sentiu uma dor latejante em sua cabeça e barriga. A dor em seu peito era o menor dos seus problemas, e com tanta dor em seu corpo, ela só podia desejar que a inconsciência a alcançasse, mas ela nunca vinha.
“Everybody's screaming (Todo mundo está gritando)
I try to make a sound (Eu tento fazer um som,)
But no one hears me (Mas ninguém me ouve)”
Seus ouvidos ainda mantinham os sentidos, então ela pode ouvir quando um carro parou no acostamento e uma mulher começou a gritar. Ela tentou dizer que estava tudo bem, e que a hora dela tinha chego realmente, não havia nada que ninguém pudesse fazer, mas uma voz masculina pareceu ligar para a emergência, e ela sentia sua respiração ficar mais lenta. Bella sabia que esse era o seu corpo tentando se manter vivo. A noite estava completamente fria, e ela já tinha perdido sangue, o que fazia seu organismo tentar um mecanismo compensatório mais forte.
“I'm slipping of the edge (Estou caindo do alto)
I'm hanging by a thread (Estou pendurado por um fio)
I wanna start this over again (Estou pendurado por um fio)
So I try to hold on to (Então eu tento me segurar)
A time when nothing mattered (Em um tempo onde nada importava)”
As extremidades do seu corpo ficaram frias, e ela sabia que isso era seu organismo tirando o sangue de sua periferia, tentando compensar o sangue que faltava em seu coração e pulmão. O metabolismo dela já estava lento, e uma sensação de torpor tomou conta dela.
O seu corpo todo esta morrendo, mas você não tem consciência disso.
Bella sentiu seu coração desacelerar ainda mais, assim como sua respiração, que acontecia 2 vezes por minuto. Depois de alguns segundos, a temperatura do corpo de Bella caiu para 30°. A última coisa que ela ouviu foi o seu nome ser gritado de longe, assim como uma sirene alta no local. Então seu coração parou de bater.
“The night goes on (A noite continua)
As I'm fading away (Enquanto eu desapareço)
I'm sick of this life (Estou cansado dessa vida)
I just wanna scream (Eu só quero gritar)
How could this happen to me? (Como isto pôde acontecer comigo?)”
Isabella Swan estava morta.
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