Notas iniciais
Olá amoreeeeeees, olha eu aqui de novo haha Obrigada a todo mundo que comentou e á quem me desejou os parabéns atrasado, eu tenho um grande carinho por todas ♥ Espero que gostem do capítulo. A fic esta chegando na reta final, então espero que possam aproveitar! Nome do capítulo: Eu vou esperar por você Beijos e boa leitura, me desculpem pelos erros >

Uma semana depois.

Isabella acordou com o som em seu rosto, franzindo a testa e se escondendo de baixo do lençol. Rosalie riu e andou até a cama dela, parando ao seu lado e puxando o lençol para baixo. Bella a encarou com um bico, limpando os olhos.

— Bom dia, querida. Vim fazer os exames matinais em você. – Ela disse profissional e Bella bufou.

— Agora mais do que nunca eu entendo nossos pacientes de cara feia, pelo amor de Deus. – Ela disse revirando os olhos. Rose riu de novo.

— Pare de ser tão rabugenta, Bella. – Ela suspirou e Bella bufou de novo. – Vamos ver... – Ela se aproximou da cama e apertou dois botões. No momento seguinte a cama pesou Bella, e Rose sorriu em aprovação. – Já amentou 3 quilos! – Ela disse animada, anotando algo em sua prancheta.

— Mas isso era óbvio, depois de comer tanto bolo de carne e bolo de chocolate. Sem contar todo esse soro e as proteínas! Isso ainda é necessário, Rose? Deixe-me ver os meus exames. – Ela pediu impaciente e Rosalie se inclinou na direção dela.

— Você não é médica agora, é minha paciente. Então relaxe essa bunda e me deixe cuidar de você, eu sei o que estou fazendo. – Ela piscou, dando um beijo na bochecha dela, que bufou de novo. Deram dois toques na porta e Rose anunciou que poderia entrar.

Emmett abriu a porta lentamente, um buque de flores tapando o seu rosto enquanto ele segurava dois grandes balões de coração. Bella riu e ele tirou as flores da cara, sorrindo.

— Bom dia, meninas! – Ele disse animado, fechando a porta atrás de si. Ele andou até Rose e lhe deu um selinho, vindo até Bella e lhe dando um beijo na testa.

— Isso é para mim? – Rose perguntou animada e Emmett riu sem graça.

— Na verdade era pra Bellinha... – Ele disse sem jeito, fazendo Isabella rir e Rose bufar. – Mas a Bella não se importa se eu te der um balão. – Sorriu amarelo, entregando um dos balões a Rose. Ela sorriu boba e o puxou pelo pescoço, o beijando.

Emmett arrumou as flores ao lado da cama de Bella e amarrou o balão perto do soro que estava pendurado. Os dois ficaram ali por mais alguns minutos e depois deixaram que ela descansasse. Isabella almoçou e pela tarde ficou encarando a tv, mudando de canal constantemente, bufando em frustração por não ter nada interessante pra ver. Houve dois toques na porta e ela anunciou um “entre”. Esme a abriu meio sem jeito, sorrindo, com medo de incomodar o descanso dela.

— Atrapalho? – Ela perguntou sorrindo e Bella assentiu. Esme entrou e fechou a porta, mantendo uma das mãos atrás do próprio corpo. – Como esta? – Se dela e encarou o prontuário em cima da mesa ao pé da cama.

— Bem melhor. Já me sinto mais disposta. – Ela disse sorrindo. – Alice veio arrumar o meu cabelo ontem a noite. – Ela revirou os olhos e Esme sorriu, se aproximando mais dela.

— Esta linda, querida. – Elogiou, fazendo Bella sorrir. – Eu vim para ver como você esta e para te entregar uma coisa. – Ela disse tensa, tirando a mão de trás das costas e estendendo uma carta na direção de Bella. – O Edward me entregou isso em NY, no dia que ele embarcou. Ele me disse para lhe entregar quando fosse a hora, e eu acho que essa hora chegou. – Ela suspirou e Isabella sentiu o ar lhe faltar. Seu coração acelerou e a máquina de batimentos a denunciou, deixando Esme alarmada. Ela pegou o papel em suas mãos e fechou os olhos com força, tentando respirar mais calmamente. Sentia como se a carta pesasse 50 quilos, e ter palavras dele ali, depois do sonho estranho que ela teve, ainda era algo muito surreal. Abriu os olhos e encarou Esme, sorrindo de canto.

— Como você sabe que é a hora? – Ela perguntou doce e Esme sorriu, acariciando o cabelo dela.

— Ele disse que eu podia ler, para que eu soubesse quando. – Ela disse simpática e Bella assentiu, encarando a carta em suas mãos.

— Eu vou precisar de um pote de sorvete e lenços de papel? – Ela perguntou divertida e Esme sorriu.

— Eu comi um pote inteiro e alguns brigadeiros. – Ela comentou séria e Bella riu.

— Oh Deus. Ele esta me dando um pé na bunda? – Ela perguntou divertida, mas a curiosidade já a estava matando.

— Não. Ele esta dando uma prova de amor a você. – Ela sorriu compadecida, acariciando o braço de Bella. – Ele te ama, querida. E tudo isso pode parecer injusto e covarde, mas é como tem que ser, e nós sabemos disso. Eu espero que você possa ler essa carta com toda sua cautela, e entender o que você precisa fazer. A resposta estra dentro de você, Bella. E é como eu já te disse, tudo o que você faz tem que ser por si mesma, sim? – Ela disse como uma mãe, o que fez Bella sentir saudades de Renée mais do que o normal. Ela suspirou e assentiu, puxando Esme para um abraço. Elas sorriram uma para a outra e Esme se despediu dela, andando até a porta. Antes que ela chegasse, deram dois toques ali. Esme abriu a porta e o coração de Bella se acelerou de novo.

Seu pai.

Ela respirou fundo e tentou normalizar a respiração de novo. Ele ainda estava com a roupa hospitalar e se pendurava no suporte do soro. Seu rosto velho sorriu para ela, que quis chorar.

— Como vai, Charlie? – Esme pediu doce. Ele sorriu em resposta. – Vou deixar vocês sozinhos. – Ela disse simpática, sorrindo para Bella e saindo dali.

Isabella encarou a carta em suas mãos rapidamente, a colocando na mesinha ao seu lado e sentindo a curiosidade quase a destruir. Ela voltou a sua órbita quando as rodinha do suporte de Charlie arrastaram no chão. Ela o encarou rastejar os pés até a poltrona ao seu lado. Ele se sentou ali e a encarou com a face cansada. Ela se sentou na cama de uma forma ereta, o encarando com a cara imparcial. Nenhum dos dois sabia o que esperar da conversa, afinal, fazia muito tempo que eles não se viam. Ele respirou fundo e Bella continuou encarando.

— Oi. – Ele disse sem jeito e ela quis rir da situação. Depois de mais de 2 anos sem se falar, tudo o que ele tinha a dizer era ‘Oi’.

— Olá, Charlie. – Ela disse séria.

— Como você esta? Fiquei sabendo que estava mal. – Ele disse sem jeito, mas ainda sim preocupado.

— Eu estou mal desde a morte da minha mãe, mas você nunca se importou. – Ela disse fria e a cara dele murchou. Ela fechou os olhos, se auto repreendendo. – Desculpe, isso ainda é difícil pra mim. – Ela suspirou e ele bufou cansado.

— Pra mim também, desculpe. – Ele disse sereno, o silêncio tomando conta do local. Depois de alguns segundos de incômodo, ele suspirou de novo, se ajeitando na poltrona. – Me perdoe, filha. – Ele pediu com a voz trêmula e as três palavras dele foram direto para o coração dela, a atingindo como uma grande onda, daquelas que te submerge e te afoga, te impossibilitando de voltar a superfície com facilidade. Ela fez menção para responder mas ele estendeu a mão enrugada em sua direção. – Me deixe falar, por favor. Já faz dias que eu venho ensaiando isso. – Ele disse sorrindo levemente. Ela permaneceu séria, abrindo seu coração e mente, tentando ficar aberta para uma possível reconciliação. – O seu namorado veio falar comigo, o Edward. – Ele sorriu e o coração de Bella falhou de novo, como se uma nova onda a afundasse. – Ele me visitou muitas vezes, e eu admito, grande parte da minha coragem de vir aqui foi por aquele garoto, ele me disse muito de você. – Ele sorriu e os olhos dela arderam. Mais uma coisa que fazia Edward ser perfeito.

— Eu sei que eu errei com você, Bella. Conversar com ele me fez ver isso com mais clareza. Eu só... – Ele suspirou, tentando segurar o choro também. – Quando sua mãe se foi... – Ele começou, já chorando, tentando controlar a voz. – A doença dela foi brutal, dilacerante. Eu sempre a amei mais do que a mim mesmo, e eu não conseguia vê-la morrer diariamente, ver seu sofrimento. – Ele comentou triste.

— Então preferiu me deixar sozinha, carregando toda a doença dela em meus ombros, não nos dando nem o seu apoio. – Ela disse sentida, já com a voz trêmula. Ele suspirou e abaixou a cabeça, encarando o chão e depois voltando o olhar pra ela.

— Eu sei, eu fui um covarde, Isa. – Ele a chamou carinhosamente, usando o apelido de sua infância. – E eu me culpo todos os dias por isso, por ter sido um covarde, por ter me afundado na bebida. Eu errei tanto com você, Bella. – Ele disse chorando, limpando o rosto enrugado. Ela estava da mesma forma, limpando as lágrimas dos olhos. – A sua mãe se foi e eu fui um fraco, me aliando á única coisa que me mantinha absorto ao mundo, me segurando á única coisa que era capaz de me deixar tão embargado á ponto de não conseguir sentir nada. E depois disso veio a culpa, então eu me refugiei na bebida, usando o álcool para tentar esquecer o quão covarde eu tinha sido. Se tornou um ciclo vicioso. – Ele disse amargurado, e aquilo fez algum sentido para ela. De fato, era a mesma coisa que ela tinha feito. Se afundou na bebida por causa de Edward e de sua própria burrada.

— A vida nem me deu tempo para a recuperação, tirando Garrett de mim logo em seguida. Você não imagina a dor de perder um filho, Bella. – Ele disse triste e ela limpou o rosto úmido, lembrando do irmão. A dor caiu sobre ela de novo, e foi como se 5 elefantes sentassem sobre o seu corpo, a esmagando e tirando todo o seu ar. Sua garganta fechou e ela só conseguia chorar compulsivamente, fungando e buscando por ar pela boca.

— E mesmo assim você preferiu perder dois. – Ela disse ainda amarga, tentando segurar a língua. Apesar de quere desculpá-lo, reviver toda a história trazia toda a dor dela á tona, e o tempo infelizmente não tinha conseguido curar nada daquilo, fazendo a dor dela voltar como se houvessem várias bombas nucleares explodindo no peito dela, subindo até sua cabeça e lhe dando uma grande enxaqueca. Ela fechou os olhos e massageou as têmporas.

— Eu sinto muito, Bella. Foi tanta dor. Ver o corpo magro da sua mãe sendo enterrado, depois ver o corpo do seu irmão, você não entende que... – Ele continuou a falar das tragédias da vida dela. E apesar de Bella querer resolver as coisas de sua vida, tê-lo ali, falando com tanta propriedade sobre coisas que ele deixou pra trás, falando sobre coisas que ele abandonou e colocou nas costas dela, ainda era demais. Sua cabeça já explodia e ela respirou fundo em busca de ar.

— Chega! – Ela disse alto demais, fazendo Charlie ficar estático. – Não pode entrar aqui, me pedir desculpas e falar da minha mãe do meu irmão como se você tivesse passado por tudo. Você me abandonou, você foi um covarde, um fraco, um cretino. Deixou a mamãe, que te amava, sofrendo sozinha e sentindo sua falta. Brigou com o meu irmão até o último dia da vida dele, sempre o controlando, e depois da morte dele você culpou a mim. Mas sabe a verdade? Garrett só queria ir embora das correntes que você colocou em nós dois, Charlie. Mas admitir pra si mesmo que você era um crápula seria demais, não é? Um fardo pesado pra você, então preferiu colocar tudo nas minhas costas. – Ela disse debochada, sua voz amargurada e cheia de dor. Charlie chorou de novo, se sentindo envergonhado.

— Desculpe, mas isso não é simples e eu quero que você saia. – Ela pediu nervosa, suas mãos tremendo. Ela abriu a boca e buscou por ar de novo, não obtendo nenhum resultado. Seu coração acelerou em desespero e Charlie se levantou da cadeira, se aproximando da cama dela.

— Bella? – Ele chamou alarmado e ela continuou se concentrando em buscar por ar, mas era como se houvesse um grande bloqueio em sua garganta. Ele apertou o botão de emergência e em poucos segundos entrou uma enfermeira ali. – Acho que ela não esta conseguindo respirar. – Ele disse nervoso, sendo retirado dali por um outro enfermeiro.

A mulher deu algumas coordenadas, mas Bella não conseguia escutar nada. Ela só tinha a imagem fixa do enterro de sua mãe e do seu irmão, enquanto tentava levar ar para os seus pulmões. No momento seguinte ela sentiu uma picada em seu pescoço, e no momento seguinte ela tinha apagado.

Isabella acordou depois, sentindo sua cabeça e corpo pesados. Ela colocou a mão sobre a testa, fechando os olhos com força enquanto respirava, e ter o ar entrando e saindo dos seus pulmões nunca foi tão confortante. Depois de alguns segundo aproveitando a sensação de oxigênio, Jasper deu dois toques na porta, não esperando uma permissão e entrando no mesmo. Isabella abriu os olhos e sorriu ao ver o amigo. Ele se aproximou e beijou a testa dela.

— Ei baixinha, como esta? – Ele perguntou carinhoso e ela sorriu.

— Melhor, eu acho. – Ela suspirou e ele sorriu, beijando a testa dela.

— Eles tiveram que dar um sedativo em você, ficou muito agitada. – Ele disse sério, deixando os lábios em linha reta. – O que houve com Charlie? Ele saiu transtornado daqui. – Disse sério e Bella suspirou.

— Ele veio falar comigo sobre tudo, Jas. Sobre a minha mãe, a doença dela. Sobre Garrett e sobre como doeu nele perder um filho. E porra, ouvir ele dizendo tudo isso, como se ele tivesse sido presente... Eu fiquei com raiva, eu me senti sufocada, eu queria desculpar ele mas ao mesmo tempo eu lembrei de tudo o que eu passei com a minha mãe, e de como foi difícil. E depois de como foi terrível ter a culpa da morte de Garrett nas minhas costas, eu apenas não consegui. – Ela disse derrotada, cansada demais pra chorar, ele suspirou.

— Você surtou, Bella. E isso é completamente normal, querida. – Ele disse doce. Jasper tinha se tornado um irmão pra ela desde que Garrett tinha ido. Eles dois parecia algo de outra vida.

— Eu sei. – Ela suspirou. – Mas eu queria perdoá-lo, eu achei que seria mais simples. – Ela suspirou, tapando o rosto com as mãos. Ele afagou as costas dela.

— Ei, esta tudo bem não ser fácil. Não tem problema se não for como planejamos, sabe? Você vai conseguir falar com ele quando estiver pronta. Esse contato entre vocês já foi um grande progresso, Bella. Pense nisso. – Ela suspirou e ele levantou o rosto dela, a fazendo olhá-lo. – E você não é uma má pessoa por não conseguir desculpá-lo rápido, você é apenas humana. – Ele sorriu, beijando a bochecha dela e se afastando da cama. – Preciso voltar ao meu plantão. Passo aqui com Alice mais tarde, tudo bem? – Ele perguntou sorrindo e ela assentiu, lançando um beijo pra ele. Jasper pegou-o teatralmente no ar e ela sorriu, então ele saiu do quarto.

Ela se deitou na cama, mentalmente exausta. Encarou o teto por alguns minutos, se concentrando em sua respiração. O ar tinha se tornado algo tão importante pra ela, e agora, viver era a coisa mais importante.

Ela abriu os olhos depois de longos minutos, encarando a carta em sua mesa lateral. Tinha medo das palavras que a continham, mas ao mesmo tempo a curiosidade lhe estourava o peito. Ela pegou o papel, um pouco amassado por ter passado de mão em mão. O segurou na frente do rosto, analisando o envelope branco, o segurando como se sua vida dependesse disso.

Ela respirou fundo e abriu, tirando o papel de dentro, que estava dobrado em quatro. Ela desdobrou a folha, encarando as letras perfeitas no papel. Varrendo o olhar rapidamente até chegar na primeira frase. Um sorriso triste brotou nos lábios dela ao ler a primeira frase.

Meu amor.

Quando você ler esta carta, eu já vou estar longe de Seatlle. Mas com certeza, o meu amor por você ainda é o mesmo.”

Ela começou a ler, sua visão ficando imediatamente turva pelas lágrimas. Pegou seu óculos de grau ao lado de sua cama e o colocou, voltando os olhos para o papel.

Eu decidi que ia embora hoje. Não vou ficar falando aqui os meus motivos, eu acho que nós dois sabemos o que nos trouxe até aqui. Não foi sua culpa, ou minha culpa, eu acho que a vida as vezes nos traz a lugares onde não queremos estar, e infelizmente nós chegamos até aqui.

Pode parecer que isso é fácil para mim, Bella. Mas eu nunca havia feito nada tão difícil em minha vida. Eu tenho plena consciência que precisamos de uma desintoxicação, um tempo longe um do outro, mas isso nunca quis dizer que eu estou fugindo, ou que estou desistindo de nós. Eu não estou. Eu estou aqui, escrevendo isso para você, e o buraco no peito esta aumentando a cada palavra que eu coloco nesse papel. Vai ser complicado, você sabe, eu ainda sinto o gosto dos seus lábios nos meus e as minhas lágrimas ainda estão aqui.

Tenho certeza que esse tempo longe vai ser como um inferno pra mim, mas eu espero que você esteja pronta quando eu voltar. Não pense que eu julgo você, eu sou a pessoa que mais a entende, na verdade. Mas eu te amo o suficiente para te dar o seu espaço, e me amo demais para me torturar desse jeito.

Eu não sei o que sente por mim de fato. As pessoas dizem que você esta apaixonada, mas como eu posso saber quando você só foge de mim? Mas em algo eu tenho certeza, eu sou um novo homem, você me fez mudar. O meu sentimento por você se tornou grande a cada dia, e a cada dia eu me esforçava mais para ser um homem melhor, para que você pudesse me querer. Com o tempo, eu realmente pude ver que no fundo, eu estava me tornando um novo homem porque eu nunca quis a vida que eu levava, e você acabou sendo o meu trampolim. Obrigado.

Eu espero que nesse tempo você encontre a si mesma, que possa resolver seus próprios demônios, finalmente se sentindo plena. Faça isso por você, Bella. Faça isso por que você se ama e preza pelo seu bem. Eu sou só um cara apaixonado, e você não deve decidir nada por ninguém.

Eu falei com o seu pai. Nós conversamos por dias e ele me pediu por conselhos, parecia arrependido. Eu espero que você possa abrir o seu coração para ele, e que vocês dois superem o grande trauma.

Eu desejo que você possa se encontrar, e finalmente estar curada. Independente do nosso rumo, eu sempre vou ser aquele cara que te admira, que tem orgulho da mulher que é e que sempre vai cuidar de você.

Eu espero que o tempo voe e que as semanas acabem, para que eu possa te abraçar de novo. Hoje eu sei que nós temos apenas um grande amor na vida, e desculpe se isso soar ridículo, mas você é o meu.

E mesmo que você nunca me ame, eu vou continuar amando você como um doido, com cada batida do meu coração.

Viva, Bella. E se cure. Ninguém merece sua felicidade além de você mesma.

Eu sempre vou esperar por você.

Edward.”

As lágrimas rolavam desesperadas pelo rosto dela. Bella encarou a carta por mais alguns minutos, a relendo por mais algumas vezes, terminando por abraçar o papel, o amassando. Ele a amava, muito. E o amor que ela sente é da mesma intensidade. Mas ele estava certo o tempo todo. Ela precisa ser curada, precisa resolver todos os seus demônios pessoais.

E depois de várias horas pensando sobre tudo, ela decidiu que seria uma pessoa forte, finalmente. E ela enfrentaria cada situação dolorosa com o seu pai, para finalmente, poder se sentir plena e serena como ela merecia. E ela esperava que o tempo voasse, para que ela pudesse o beijar de novo. E de novo, e de novo, por quanto tempo a vida permitir.

Edward encarou os livros mais uma vez, terminando de digitar seu seminário sobre resíduos extracorpóreos. Ele bufou, cansado, dando mais um gole em seu café. Fechou os livros grossos e os afastou de sua frente, fechando os olhos com força. Ele achava que se visse mais alguma letra em sua frente, iria pirar.

Se levantou da mesa e levou a xícara até a cozinha, abrindo a geladeira e apenas encarando seu interior, como se pensasse em algo. Depois de satisfeito, ele fechou a porta da mesma, indo até a sala e ligando a tv em um jogo de futebol americano. Era uma partida dos Patriots contra os Seahowks, o que o fez logo pensar em Bella. A mulher é apaixonada por futebol e Seahowks é o seu time. Ele se lembrou do dia na casa dela com Emmett e Rose, o que o fez sorrir por um momento. Logo depois ele foi atingido por toda a merda entre eles, fechando a cara e mudando de canal.

A visita á ela tinha sido boa para ele, no fim. Não foi da forma que ele gostaria, mas quebrar o ciclo da distância entre eles podia deixar tudo mais confuso, apesar dele se achar um covarde por mandar sedá-la. Bella estava tão magra... Mas felizmente Esme vinha lhe reportando o estado dela, lhe avisando de suas melhoras clínicas, o que deixava ele mais calmo. Ela não mandava mensagens de voz desde o dia que fora internada, e ele se perguntou se ela se sentia abandonada por ele. A essa altura Bella já sabia que ele não queria notícias dela, e devia achar que ninguém o tinha avisado, afinal.

Foda-se.

Ele elevou os quadris no sofá, pegando o celular em seu bolso e o desbloqueando. Abriu o teclado do telefone e digitou o número de Bella rapidamente, com medo de perder a própria coragem. Antes que ele pudesse apertar o botão de ligar, apareceu uma notificação em sua caixa de mensagens. Ele tinha programado o telefone para que todas as ligações caíssem no recado, e então ele poderia retornar quem quisesse. Só Bella ligava nesse telefone, no final das contas, e isso era um dos motivos por ele ainda não ter se desfeito do aparelho.

Ele abriu a caixa de voz, clicando sobre o novo recado, esperando pacientemente enquanto a voz da secretária falava coisas que ele não prestava atenção. Um bipe soou e todo seu cérebro voltou a funcionar, tendo sua audição como maior foco.

“- Oi...- Ela fungou na linha, respirando fundo. — Eu acabei de ler a sua carta, e Deus, eu sinto muito a sua falta. — Ela fungou de novo, sua voz embargada.” Ele fechou os olhos, encostando a cabeça no sofá e aproveitando o som da voz dela, querendo chorar.

“- Eu entendi o propósito disso, finalmente. Na verdade eu só confirmei o que eu sempre soube, que eu precisava organizar a minha vida. E eu vou fazer isso por mim, Edward. É uma promessa. — Ela suspirou. – Eu vou ficar bem, e você vai sentir orgulho de mim.” – Ele quase pode ouvir a voz dela sorrindo, o que o fez chorar.

“- Eu sei que há coisas que você precisa ouvir de mim, mas eu não posso dizê-las por telefone. Você só precisa saber, por enquanto, que eu não vou desistir. – Ela disse com a voz firme, deixando um silêncio na linha.” Antes que ele pudesse achar que a mensagem tinha finalizado, a escutou suspirando.

“Eu sempre vou esperar por você.”

Então a mensagem acabou, e com ela, acabou um pouco da dor no peito dele.

Eles sempre iam esperar um pelo outro, e isso tinha se tornado um fato. Ele só esperava que a vida não fizesse desse espera um tempo longo demais.

Notas finais
Música do capítulo: I will wait - Mumford & Suns